LOGINDaniel continuou olhando para Simone, esperando que ela dissesse alguma coisa que transformasse aquelas três palavras em algo diferente do que significavam.
Ela estava grávida.
Por alguns segundos, nenhum pensamento conseguiu se organizar em sua cabeça. Ele simplesmente permaneceu imóvel, sentindo o coração bater depressa demais enquanto tentava compreender como, em menos de um minuto, a noite que imaginara terminar nos braços dela
Daniel precisou de alguns segundos para assimilar o que acabara de ouvir.“Daniel, nós precisamos nos casar.”Simone estava diante dele, segurando suas mãos e esperando uma resposta com uma expressão tão séria que ele quase teve vontade de rir.Não por achar graça da proposta, muito pelo contrário. Era curioso como aquela mulher, com muito mais experiência do que ele em relacionamentos, conseguia ser tão desajeitada quando precisava demonstrar seus sentimentos. Simone Whitmore era capaz de enfrentar uma sala cheia de empresários, negociar contratos milionários e tomar decisões difíceis sem sequer alterar a voz. Entretanto, bastava o assunto envolver o próprio coração para que parecesse completamente perdida.E Daniel achava aquilo adorável.“Preciso admitir que foi bastante romântica a maneira como voc
O jantar terminou muito mais tarde do que Simone imaginara. Entre gargalhadas e algumas discussões bem-humoradas, os convidados pareciam ter esquecido completamente a passagem das horas. Seu pai estava especialmente animado, participando de todas as conversas e demonstrando uma disposição que ela não via havia muito tempo.Aquilo, por si só, já teria feito a noite valer a pena.Quando os empregados começaram a recolher as últimas taças, Melissa anunciou que todos poderiam permanecer na mansão. Havia quartos suficientes, e ninguém precisava enfrentar a estrada àquela hora.Daniel, entretanto, consultou o relógio e se levantou.“Foi uma noite maravilhosa, mas acho melhor eu ir. Muito obrigado pelo convite.”“Não tão depressa, rapaz”, Henry Whitmore interveio. “Você bebeu vinho durante o jantar e veio dirigindo.
DanielDaniel começava a acreditar que havia julgado Melissa Whitmore de maneira precipitada. Quando a conhecera, a mulher lhe parecera fútil, excessivamente preocupada com as aparências e, para completar, tivera a ousadia de flertar com ele. Entretanto, os acontecimentos recentes demonstravam que havia muito mais por trás daquela personalidade extravagante.Melissa sabia reconhecer as pessoas e, principalmente, parecia saber quando era hora de recuar.Primeiro, fora ela quem lhe avisara sobre o ultrassom de Simone, permitindo que acompanhasse um momento importante da gravidez. Agora, naquela mesma semana, telefonara convidando-o para uma pequena reunião em sua casa.“Gostaria que você apresentasse seu empreendimento ao meu marido”, dissera. “Ele sempre gostou de conversar com jovens empresários.”Daniel não pensara duas vezes antes de aceitar.Sab
Simone observou o próprio reflexo no espelho enquanto ajustava os brincos. Fazia bastante tempo que não voltava à mansão dos Whitmore, e precisava admitir que sentia saudade daquele lugar, embora as visitas à casa dos pais raramente fossem tranquilas.A notícia de que seu pai estava melhor e plenamente consciente havia sido um alívio. Nos últimos meses, a saúde do velho patriarca oscilara tanto que Simone chegara a temer que ele não sobrevivesse a mais uma crise. Agora, finalmente, parecia estar recuperando parte das forças, e Melissa insistira que um jantar em família seria a melhor maneira de comemorar.Simone conhecia bem o pai. Ele detestava receber visitas quando estava debilitado. Não suportava que alguém o visse deitado, dependente de cuidados ou incapaz de sustentar uma conversa. Durante toda a vida, fora um homem preocupado com a imagem da famí
ThorneQuando Thorne finalmente deixou o escritório, já passava das nove da noite. O dia havia sido longo e particularmente desagradável. A reunião com Phillip e seus advogados continuava ocupando seus pensamentos, embora estivesse convencido de que Richard Bennett havia conduzido tudo da melhor maneira possível.O que realmente incomodava Thorne era a presença de Jefferson. Havia algo naquele sujeito que despertava seus instintos de alerta. Sua agressividade parecia ultrapassar a simples indignação de alguém que acreditava estar defendendo os direitos do sobrinho.Thorne afastou aqueles pensamentos ao chegar ao andar dos quartos. Precisava descansar. Mais do que isso, precisava ouvir a voz de Natasha, que havia telefonado pouco antes para avisar que chegara bem ao Brasil.Sentia falta dela de uma maneira quase absurda. Não fazia sequer um dia desde a despedida no aerop
PhillipPhillip saiu do edifício Sullivan com a sensação de que alguma coisa havia sido arrancada de dentro dele. Durante anos, imaginara aquele momento. A confirmação de seu parentesco, o reconhecimento de seus direitos e, finalmente, a possibilidade de ocupar o lugar que lhe fora negado desde o nascimento. Entretanto, nada havia acontecido como esperava.Jefferson caminhava ao seu lado, soltando palavrões e reclamando tão alto que algumas pessoas se viraram para observá-los. Os dois advogados os acompanhavam, tentando convencê-los a conversar com calma antes de tomar qualquer decisão.“Senhor Walker, compreendo sua decepção”, disse um deles, dirigindo-se a Phillip. “Mas precisamos considerar a proposta com objetividade. Mesmo sem participação nos empreendimentos mais recentes, os bens e os rendimentos que estã







