Home / Romance / PRISIONEIROS DO PARAÍSO / CAPÍTULO DOIS: UMA AJUDA

Share

CAPÍTULO DOIS: UMA AJUDA

Author: sLunny
last update publish date: 2021-05-27 07:38:47

Lucas

Um dia se passou desde que voltamos da última missão e que nos encontramos na festa das colheitas, hoje eu me reuniria com o João para dar ajuda no campo a mando do pai e provavelmente ela estaria lá junto com a Mary. Saindo do meu alojamento encontrei o João com uma cara de sono e tédio, conhecendo bem ele, eu sabia que ele preferia estar treinando. Logo em seguida, depois de nos encontrarmos, fomos direto para o campo esperar as meninas que não estavam nada atrasadas.

— Quanta demora dessas meninas, achava que elas eram mais pontuais. — Falou enquanto batia o pé no chão.

João já estava perdendo a paciência e com razão parecia até que estavam se preparando para um casamento, se não fosse proibido seria capaz que estivessem mesmo.

— Fica tranquilo, elas logo vão aparecer. — falei tentando parecer calmo quando na realidade eu estava ansioso aguardando a chegada dela, não demorou muito para que elas chegassem, e quando elas chegaram e eu finalmente vi ela, meu coração disparou e senti como se tudo estivesse parado e o mundo girasse em torno dela, unicamente e exclusivamente para ela.

— Chegamos, espero que tenhamos chegado a tempo. — Mary falou na maior calma quando a mesma sabia que já estava mais que atrasada. Uma coisa que a Mary sabia perfeitamente era da nossa pontualidade, e que não toleramos atrasos.

Eu conheci a Mary a uns dois anos atrás, quando eu estava no campo de treinamento e percebi que a mesma seguia e observava o João em quase tudo o que ele fazia, desde então, viramos colegas.

— Não pague de inocente Mary, você sabe perfeitamente bem que vocês estão atrasadas. — João já estava impaciente e isso era óbvio, mas eu tinha certeza que no fundo ele sentia algo por ela, Mas tínhamos coisas para fazer fora da colheita, e ainda mais porque teríamos muito trabalho a ser feito no campo, pois iremos ensinar os mais novos desde o plantio até a colheita e isso não era algo que fazia em uma hora.

— Desculpa João e Lucas, mil perdão, a culpa foi toda minha o nosso atraso, paramos para ajudar uma anciã a carregar as frutas. — Annie, tão doce, falou com toda a sua doçura.

Não deixaria o João falar, já que achei a oportunidade perfeita de ter pelo menos uma conversa, mesmo que rápida com ela. — Não tem problema já que foi assim Annie — mas sem atraso da próxima vez, por favor.

— Obrigada por entender e pode deixar, não haverá mais atraso, e minhas sinceras desculpas.

— Pare de se culpar tanto Annie, nós entendemos. — João já estava impaciente pela demora. Agora vamos nos dividir e quando acabarmos iremos nos encontrar novamente aqui, eu vou com Mary e vocês dois vão juntos, tudo bem? - João falou

— Tudo bem — respondemos em coral. Se ele soubesse o quanto me deixou feliz falando que eu e ela ficaremos sozinhos mesmo que por poucos minutos..

— Então vamos começar pelo lado direito e vocês ficam com o esquerdo, o grupo de criança que estiver faltando fica um *guardião e uma *colheitadeira é só vocês ficarem. Nos encontraremos aqui no final da manhã. — João disse um pouco autoritário.

— Tudo bem João, estaremos aqui quando acabarmos com as crianças. — Disse Annie calma.

— Então, vamos lá? — perguntei chamando sua atenção e a mesma sorriu.

— Claro, contei as horas para isso.

Não poderei nutrir sentimentos por algo que era totalmente proibido, mas não custa nada sonhar e tudo é possível se tentar.

***

Assim que chegamos, já tinha três crianças que atendia pelo nome de Louise, Gui e Hannah que estavam sem guardião e colheitadeira, quando eu os cumprimentei.

— Bom dia crianças.

— Bom dia, irmão guardião. — Responderam em coral. E sempre os mais velhos ajudavam os mais novos a encontrar um lugar para se encaixar.

— Hoje eu e a irmã mais velha Annie iremos ensinar o básico de adubação de terra. Vocês sabem o que é adubação?

— Não, irmão guardião — responderam.

— A adubação é o ato de fertilizar a terra com matéria orgânica, como por exemplo, restos de alimentos.

A adubação também pode ocorrer a partir dos nutrientes de um corpo morto, ou seja, quando um animal ou ser humano morre e é enterrado, a terra absorve seus nutrientes à seu favor. Isso também é adubação. — Disse com maior naturalidade. Por exemplo cascas de verduras, cascas de ovos, folhas e gramas, são uma boa fonte de nutriente para adubação, mas lembrando que nem todo alimento é adubo.

Annie me repreendeu e não entendi o porquê, quando olhei para frente as crianças estavam com cara de nojo.

— Então quer dizer que um cachorrinho quando morre é nutriente para terra guardião? — perguntou Hannah

— De certa forma sim Hannah.

— Tadinho do pobre cachorrinho. — disse com um semblante tristonho.

— Você não tinha que dizer que os animais quando morriam viravam nutrientes luck, eles são só crianças, que não deveriam saber disso agora.

— Não foi minha intenção Annie, mas não podemos deixar passar nada. Não tinha percebido, mas ela me deu um apelido para se referir a mim, ela me chamou de luck, meu corpo entrou em combustão nunca imaginei ela me chamando assim.

— Lucas, você está bem? Parece febril. Mas você pode se curar, não é? Você é guardião e tem um dom de cura. — Ela estava preocupada, dava para perceber pela expressão que fazia enquanto tocava em meu rosto.

— Não se preocupe comigo Annie, eu estou bem. Agora vamos continuar com o nosso trabalho.

— Então crianças, hoje faremos adubo orgânico e em seguida colheremos algumas frutas. E para o nosso adubo orgânico, usaremos cascas de frutas e verduras. Já temos isso separado, então não precisaremos descascar.

Então começamos o preparo e percebi que em alguns momentos a Annie não parava de olhar para mim. Será que ela estava sentindo a mesma coisa que eu?. Não, Lucas, só você estava sentindo, só você estava pecando.

Resolvi quebrar o clima tenso que estava e iniciei uma conversa com ela, ela era mesmo focada no seu trabalho.

— Annie, posso falar com você?

— Claro, aconteceu alguma coisa, Lucas?

— Não, apenas queria perguntar se você pode ajudar eles a colher as frutas.

— Não precisava nem perguntar, eu farei de bom grado. — Disse a mesma sorridente.

— Hannah querida, que tal experimentar uma camada de terra e outra de folha? — falou Annie e foi caminhando para pequena Hannah para ajudar. Gui e Louise, vocês estão muito bem, continuem assim.

Enquanto ela ajudava as crianças eu a observava e céus ela seria uma ótima mãe.

Annie

Eu contava as horas para que chegasse o horário do trabalho só pelo simples fato que ele estaria lá ajudando.

Saindo do dormitório encontrei Mary e juntas caminhamos ao encontro dos meninos, mas no caminho a *anciã Judy estava com problemas para carregar algumas frutas e decidi oferecer ajuda, chegaria atrasada mas acho que eles entenderiam.

— Anciã Judy, Sou eu a Annie, posso ajudar lá a levar para lá? — perguntei sabendo que a mesma aceitaria.

— Oh doce menina, és um verdadeiro anjo, se não for incômodo eu aceito sim.

— Não é incômodo anciã judy, eu e a Mary iremos ajudar. — Mary pragueja do lado me lembrando que já estamos atrasadas, mas ignoro a mesma e continuo a ajudar a anciã.

Depois de ajudarmos, seguimos o nosso caminho até onde os meninos estariam.

— Você sabe que provavelmente nós iremos tomar uma bronca, não é? Os guardiões são chatos demais, mas talvez não aconteça já que Lucas vai estar lá e eu percebi como vocês se olharam — falou provocando.

— Do que você está falando Mary?, nos olhamos normal, não se esqueça que isso é totalmente proibido aqui. — Disse repreendendo a mesma.

— Tudo bem, mas cuidado para não explodir de tão vermelha que você está. — Disse aos risos e céus, eu realmente estava.

Quando eu o vi meu mundo parou, parecia que tinha passado uma eternidade mas só se passou um dia. Já estava preparada para levar uma reclamação, mas a mesma não veio, apenas pediu para não nos atrasarmos novamente e eu entendi, não acontecerá novamente.

Nos separamos em dupla e fiquei muito feliz em pelo menos ficar um tempinho, nem que fosse minutos sozinha com ele, quando chegamos encontramos três crianças que eu já conhecia. Hannah, Gui e a louise quando ele os cumprimenta.

Em seguida ele começa a falar sobre a adubação, e em como cascas de frutas, grama e folha era nutriente para a terra, assim como animais mortos.

Eu o repreendi porque não era coisa para falar para as criança quando a Hannah pergunta

— Então quer dizer que quando um cachorrinho morre ele é nutriente para terra guardião?

— De certa forma sim Hannah.

— Pobre cachorrinho — Disse Hannah entristecida

Lucas não deveria falar isso para as crianças, pelo menos enquanto eles forem apenas crianças.

— Você não tinha que dizer que quando os animais morriam eles viravam nutrientes luck, eles são só crianças, não deveriam saber disso agora.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • PRISIONEIROS DO PARAÍSO    PRISIONEIROS DO PARAÍSO: INTERNATO BOINVILLE

    SINOPSE Luane Harris, uma adolescente de 16 anos, mandada pelos pais para um internato no interior de BoinVille se ver perdida ao chegar em um lugar totalmente desconhecido por ela. Com sonhos arrepiantes com um jovem que ela apenas sabe o nome, Luane percebe que em todos os seus 16 anos viveu uma farsa, descobrindo ser uma reencarnação, Luane lutará para viver o seu romance com o homem que ama e ter a vida que sempre desejou. Uma Descoberta. Um Segredo. Uma Maldição. Uma Paixão. Será que a vida de Luane finalmente terá um rumo? Capítulo 1. Fevereiro Por Luane Antes França, 1732. A chegada da primavera trazia consigo bailes a traje de gala, onde os nobres se empanturram de comidas e bebidas das mais caras e não era diferente no lugar em que eu estava. O cheiro de rosas se espalhava pelo grande jardim da mansão dos Campbell, o jardim era o nosso ponto de encontro e era o lugar que eu era encarregado de cuidar. Perdido em meus pensamentos logo despertei ao sentir o cheiro d

  • PRISIONEIROS DO PARAÍSO    EPÍLOGO

    Em poucos metros do campo central, o Pai observava os seus filhos felizes construindo suas novas famílias. Jovens, ele pensou, quando ouve uma voz feminina que ele conhecerá muito antes de se tornar responsável do lugar.— Você finalmente mudou e parou de seguir as regras. — Disse a bruxa da floresta.— É, parece que sim. Minhas escolhas fizeram muitas pessoas sofrerem e só agora eu percebi. — Admitiu suspirando frustrado.— Mas você mudou e finalmente fez a escolha certa. Vim aqui para tratar da Annie.— Pode falar, estou todo ouvido.— Ela voltará para a minha barriga e eu a entregarei

  • PRISIONEIROS DO PARAÍSO    CAPÍTULO QUINZE: PRISIONEIROS DO PARAÍSO

    JosuéE a história se repetiu, a nova geração cometeu o mesmo erro que o meu e a geração passada.Há quarenta anos atrás, antes de assumir o paraíso, eu também havia me apaixonado, Mariah o seu nome, e com a mesma, tive três filhos, mas ao ouvir a nova regra, eu obedeci cegamente e entreguei a mesma para ser caçada por monstros infernais, mas a mesma amadureceu e desenvolveu poderes, tão forte quanto o meu.Há Dezessete anos atrás eu a procurei novamente, e como recaída tivemos uma noite de amor juntos, ninguém precisava saber, aliás, eu comandava o paraíso. Mas o pior aconteceu, ela engravidou novamente, e dessa vez a criança sobreviveu e para não sofrer como os outros, ao nascimento da criança ela foi entregue a mim e eu a batizei de Annie. Min

  • PRISIONEIROS DO PARAÍSO    CAPÍTULO CATORZE: NASCIMENTO

    LaraDois meses haviam se passado rápido, e o parto da Annie se aproximava, ela já beirava os oito meses, e a cada dia que passava, ela sentia mais dor.Lucas cuidava das dores dela com o uso de ervas, nesse tempo, encontramos a Isobel, já que o Will havia sido capturado, e desde então estamos todos juntos, ou pelo menos o que sobraram.Estávamos na beira do rio quando Isobel perguntou.— Você acha que nos encontrará aqui? — Perguntou Isobel.— Eu não sei, mas acho que os meninos estão observando e sei que irão nos avisar se eles chegarem. —

  • PRISIONEIROS DO PARAÍSO    CAPÍTULO TREZE: GABRIEL

    AnnieMe acordei com uma pequena dor na cabeça, olho em minha volta e percebo que estou sozinha e o Lucas não se encontra, ele provavelmente estaria atrás de algo para comermos. Os meses haviam se passado rápido, eu já estava na beira dos meus seis meses de gestação e o Lucas se mostrava um bom pai e companheiro.Nesse tempo, conhecemos uma senhora e seu filho pequeno enquanto fugíamos, por nome de Neia e Abrahão, ela não sabia de onde vinha, não tinha lembranças, como se tudo aqui fosse apagado, mas mesmo não nos conhecendo ela nos acolheu e nos deu abrigo, mas isso não durou muito, os guardiões executaram eles a mando do pai e apenas eu e o Lucas conseguimos fugir. Nos encontramos algumas vezes com o restante do nosso grupo, escolhemos não ficar juntos no mesmo lugar, pois facilitaria o trabalho dos

  • PRISIONEIROS DO PARAÍSO    CAPÍTULO DOZE: CHEGADA/ EXPULSOS

    AnnieOs dois meses logo haviam se passado, nos primeiros dias confesso que senti muita saudade dele, mas com a ajuda das meninas eu não lembrava muito, ou tentava não lembrar, amanhã eles estariam retornando para o paraíso e amanhã também seria a comemoração da chegada dos guardiões.Nesses dois meses eu não havia melhorado, totalizando três meses em que eu me encontrava passando mal, meus extintos me alertavam que eu sabia o que era, só não queria acreditar.Saindo do campo das colheitas, eu e a Mary fomos de encontro a Lara e Isobel que também tinha voltado a costura e a Roberta havia ficado em seu lugar.Já no refeitório, eu e a Mary procurávamos as meninas quando as encontramos com o T

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status