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Capítulo 14

Autor: Ellen
last update Data de publicação: 2024-12-07 11:30:36
—Por um segundo, eu achei que você estivesse indecisa. —Ele parece desconfortável.

—Talvez eu realmente esteja. —Me apoio na porta do banheiro. —Querendo ou não, todos nós temos segredos. Uns são inofensivos… outros, nem tanto. —Suspiro. —E no seu caso, eu tenho a sensação de que não são.

—Colins, eu não vou discutir com você agora. Você está praticamente bêbada. —Ele passa as mãos pelo rosto de forma exasperada, evitando me encarar. —Vai tomar um banho.

Não respondo. Apenas sigo para dentro
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    A claridade da manhã invadia o quarto quando alguém bateu à porta.Christopher levantou os olhos.— Pode entrar.A porta se abriu.Wanessa foi a primeira a entrar.Assim que me viu, parou completamente. A bolsa escorregou pelo ombro, suas mãos cobriram a boca e seus olhos se encheram de lágrimas.Atrás dela, Beatriz respirou fundo, tentando ser forte.Falhou miseravelmente.— Ai, Carol... — Wanessa atravessou o quarto quase correndo e parou ao lado da cama. — Posso?Não tive tempo de responder. Ela já estava me abraçando com todo o cuidado do mundo.Senti suas lágrimas molhando meu ombro.— Você é uma idiota. — Ela tentou estrangular um soluço.— Também senti sua falta. — Recostei-me no travesseiro.— Cala a boca. — Ela fungou. — Você quase matou a gente do coração.Beatriz se aproximou. Seus olhos estavam vermelhos, e o nariz denunciava que ela provavelmente havia chorado durante todo o caminho.Ela cruzou os braços.— Eu ensaiei um discurso enorme. — Respirou fundo.— E...?— Esquec

  • PROMETIDO A FILHA DO MEU PADRASTO    Capítulo 39

    A médica folheou o prontuário devagar demais. Lenta demais. O tipo de silêncio que só vem antes de notícias que machucam. — Carol… — ela começou, olhando diretamente pra mim. — Seus exames mostraram algumas complicações depois do trauma. Minha garganta secou. Meu coração bateu alto, forte, errado. CHRISTOPHER Eu senti o corpo dela enrijecer, a mão dela apertar a minha como se eu fosse a única âncora que restou no mundo. A médica me encarou rápido — e o olhar dizia: “Prepare-se”. Mas eu já estava pronto pra morrer se fosse preciso. — Fala logo. — Minha voz saiu baixa, dura. — O bebê está bem agora — ela disse primeiro, e por um segundo meu mundo respirou. — Mas… há riscos. Voltei a prender o ar. — A pancada que você sofreu na barriga causou um descolamento parcial da placenta. Senti meu estômago virar. — O que isso significa? — perguntei, a voz quase sumindo. A médica respirou fundo. — Significa que… qualquer estresse, queda de pressão, esforço físico, ou novo trauma po

  • PROMETIDO A FILHA DO MEU PADRASTO    Capítulo 38

    CAROLA luz branca do hospital me cortava os olhos.Abri as pálpebras devagar, como se o mundo fosse pesado demais pra encarar.O teto parecia distante. Estéril.Nada como o galpão… mas ainda assim sufocante.Tentei respirar fundo.Um erro.A dor na costela latejou como um choque elétrico.— Calma. Calma, Carol. — A voz dele veio antes do toque.A voz que meu corpo reconhecia antes da minha mente.Virei o rosto.Christopher estava sentado ao meu lado, com as mãos entrelaçadas — e eu reconheci o gesto.Ele fazia isso quando estava tentando impedir que algo dentro dele explodisse.Os olhos dele me fitaram. Vermelhos. Cansados. Assustados — algo que ele jamais admitiria.— Você… — minha voz saiu rouca, falhando. — Você ficou?Ele soltou um riso baixo, incrédulo.Como se fosse impossível a pergunta existir.— Eu não saí nem por um segundo, anjo.Meu peito apertou.Não de dor física — dessa, eu já esperava.Mas de outra coisa.Algo quente… perigoso.Eu senti as lágrimas queimarem de novo.

  • PROMETIDO A FILHA DO MEU PADRASTO    Capítulo 37

    CHRISTOPHER O portão do galpão rangeu quando forçamos a entrada. O som ecoou como um aviso — ou talvez um lamento. Erick entrou na frente, arma em punho. Meus olhos varreram o espaço. Cada canto, cada mancha de umidade na parede, cada feixe de luz atravessando o teto corroído. O cheiro era de mofo e ferrugem. Mas havia algo a mais. Algo ácido. Sangue. Foi quando ouvimos. Um grito. Mas não dele. Dela. — Carol. Meu corpo reagiu antes da minha mente. Saí correndo na direção do som, atravessando a escuridão, as madeiras soltas, os cacos de vidro no chão. Ela estava ali. CAROL Minhas mãos tremiam. O cano enferrujado escorregava na palma suada. — VOCÊ NÃO VAI LEVAR ELE DE MIM! — gritei, a voz rasgando minha garganta. Jake cambaleou após o golpe que dei na lateral da cabeça. Sangue escorria da testa. Ele riu. Riu. — Você não entende, Carol… ele é meu filho também. Meus olhos queimavam. A dor na costela latejava. Meu corpo gritava pra parar. Com u

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    EXTRA - JAKEDois dias após sair da prisão – Cemitério Municipal.A neblina da manhã ainda descansava sobre os túmulos quando desci do carro.A atendente tentou ser gentil, do tipo que pergunta se quer café ou flor. Eu recusei os dois com um olhar só.— Nome? — ela perguntou.— Anna Cooper.— Grau de parentesco?— Esposa.— Ela faleceu em...— Eu sei quando ela morreu.O sistema antigo dela não era tão rápido quanto minha memória.Ela achou.— Quadra 38, fileira C, número 12. É um jazigo simples.Perfeito.Porque o que restou dela nunca foi complexo.Segui o caminho sozinho.A grama estava úmida. O vento cortava, mas não entrava.Dentro de mim não havia mais clima.O túmulo era pequeno. Uma lápide simples, sem adornos.Só o nome.> Anna L. Cooper1987 — 2015“Aqui descansa a esperança de alguém.”Sem meu nome.Sem menção ao filho.A cova ao lado era menor. Ainda mais discreta.Só uma plaquinha metálica no chão, enferrujada, com o número de registro e uma palavra gravada:> “Infa

  • PROMETIDO A FILHA DO MEU PADRASTO    Capítulo 35

    Fiquei um tempo ali, imóvel, abraçada ao próprio corpo como se pudesse conter tudo que estava se partindo dentro de mim.Depois de um tempo — talvez horas, talvez dias — ele voltou.Abriu a porta devagar, como se estivesse entrando num templo.E me olhou com aquele brilho perturbador nos olhos, misto de obsessão e ilusão.Fiz o que não queria fazer.Levantei os olhos, deixei minha voz mais baixa, mais contida.— Jake…Ele parou. Aquilo o pegou desprevenido.Eu nunca o chamei assim. Nunca com suavidade.Respirei fundo. O cheiro do lugar me enjoava. Mas precisei engolir.— Se você realmente quer que esse bebê viva...— Ele vai. — ele me cortou, firme.— Então precisa cuidar de mim. Eu preciso de comida de verdade. Água limpa. Um lugar mais… — minha voz falhou — mais seguro.Ele me observava com os olhos semicerrados. Desconfiado.— Você acha que pode me manipular?— Não. — menti. — Só tô tentando proteger o que você quer proteger. Você disse que isso é importante. Então me deixa chegar

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