LOGINA luz quente dos lustres de cristal francês do Palacete das Artes refletia nas taças de champanhe que o garçom carregava com destreza, mas a minha atenção permanecia cravada no envelope prateado que acabara de chegar às minhas mãos de forma misteriosa. A música clássica que ecoava pelo imenso salão parecia ter ficado em segundo plano, abafada pela onda de alerta que subiu pela minha espinha no segundo em que rompi o lacre de cera vermelha.Ao meu lado, Arthur mantinha a sua postura impecável e dominadora. A mão grande e firme dele estava espalmada na minha cintura num gesto automático de pura posse territorial, enquanto os seus olhos cinzentos varriam a multidão da elite paulistana como um predador lendário avaliando cada palmo do seu terreno de caça.— O que diz aí, Clara? — perguntou a voz grave e aveludada do CEO, roçando a minha orelha num tom baixo, calmo e terrivelmente perigoso.Deslizei os dedos pelo papel pesado de alta gramatura, desdobrando o bilhete cuidadosamente antes de
A imponente sala de gala do Palacete das Artes brilhava sob o reflexo dos lustres de cristal francês, mas a minha mente estava a quilômetros de distância daquela atmosfera de ostentação. Enquanto Arthur conversava com um grupo de embaixadores na extremidade do salão, meus pensamentos vagavam inevitavelmente para um nome que há muito tempo parecia apagado dos registros cotidianos da nossa luta pelo poder: Beatriz.A melhor amiga que desaparecera misteriosamente meses antes, deixando um rastro de silêncio e angústia que servira de estopim para eu cruzar o caminho do CEO da Vance Enterprises. No início, a busca por Beatriz fora o meu único norte; depois, a guerra contra o consórcio de Genebra e a Aegis engolira todas as nossas prioridades. Mas o título da nossa história, as lembranças daquela ausência e o vazio que ela deixara continuavam a ecoar em cada canto da minha memória.Enquanto caminhava vagarosamente pela galeria lateral do palacete, observando as obras de arte clássicas que de
O crepúsculo caía sobre São Paulo, tingindo o céu de tons avermelhados e dourados que se refletiam nas imensas torres de vidro da cidade. No interior da nossa suíte de cobertura nos Jardins, o clima era de pura preparação para o grande evento beneficente da Fundação Cultural.Eu estava em frente ao espelho de corpo inteiro do closet, observando o reflexo do vestido de alta-costura que escolhera para a ocasião. Era um modelo longo em tom de vermelho-sangue, de tecido levemente fluido que moldava as minhas curvas com perfeição, ostentando uma fenda ousada na perna e um decote nas costas estruturado com detalhes em pedraria prateada. Meus cabelos estavam soltos em ondas largas e brilhantes, e a maquiagem destacava a intensidade dos meus olhos.A porta do closet abriu-se suavemente.Arthur entrou no recinto, vestindo um smoking preto de alfaiataria impecável, feito sob medida para moldar os seus ombros largos e a sua postura imponente. Os fios grisalhos estavam perfeitamente alinhados, e
O fôlego ainda pesava ligeiramente nos nossos peitos enquanto a imensidão da sala da presidência parecia absorver a eletricidade daquela manhã. O Grupo Vance estava blindado, o fantasma de Julian Vane fora neutralizado nas águas do Atlântico, e o império corporativo estendia-se a nossos pés sem qualquer ameaça à vista.Deslizei os dedos pela lapela do terno de Arthur, sentindo a rigidez do tecido e a força inabalável do corpo dele sob o meu toque.— Parece quase irreal, Sr. Vance — murmurei com um sorriso suave, encostando a testa no peito do CEO. — Depois de tantos meses de conspirações, chantagens e guerras pelo poder, o horizonte finalmente está limpo.Arthur soltou um suspiro profundo, envolvendo a minha cintura com uma possessividade terna que ele guardava apenas para mim. Os dedos grandes dele acariciaram os meus cabelos com lentidão, desfazendo a tensão acumulada das últimas semanas.— O horizonte nunca está totalmente limpo neste ramo, minha rainha — corrigiu ele com a sua voz
As primeiras luzes da alvorada começavam a tingir o horizonte do Atlântico de um tom dourado e alaranjado, dissipando a neblina densa que cobria as águas ao redor do iate Le Léman. A brisa fresca da manhã entrava pela escotilha entreaberta do escritório privativo, trazendo o som relaxante das ondas, embora a atmosfera dentro da cabine estivesse carregada com a eletricidade da nossa paixão recém-consumada.Eu estava deitada sobre os lençóis de linho do sofá-cama, com os cobertores de alta qualidade envolvendo levemente o meu corpo. Senti o peso reconfortante e possessivo de Arthur deitado ao meu lado, com um dos braços pesados apoiado firmemente sobre a minha cintura e o queixo apoiado no meu ombro. Os dedos grandes dele traçavam padrões lentos e preguiçosos pela minha pele, num contraste perfeito com a brutalidade implacável que ele demonstrara horas antes contra Julian Vane.— Pensei que você fosse me deixar administrar o meu tio sozinha, Sr. Vance — brinquei em um sussurro rouco, vi
O som das ondas batendo contra o casco do iate Le Léman parecia distante diante da tensão palpável que dominava o escritório privativo. Julian Vane, encurralado sob a força opressiva e brutal de Arthur, não teve escolha. Com as mãos trémulas e o rosto pálido pelo terror, ele assinou a transferência definitiva de todos os ativos remanescentes para as contas controladas pelo Grupo Vance, revogando o processo de Zurique em definitivo.Ramos entrou no escritório logo em seguida, algemando Julian e conduzindo-o para fora da cabine sob a escolta da equipe de segurança marítima. Em poucos minutos, o escritório do iate silenciou-se por completo, restando apenas o reflexo escuro do mar nas janelas blindadas e a respiração pesada que cortava o ar.Eu ainda estava de pé diante da mesa de vidro fumê, sentindo a adrenalina daquela vitória e o peso de anos de ressentimento finalmente se dissiparem.Antes que eu pudesse respirar aliviada, braços fortes e possessivos envolveram a minha cintura por tr







