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CAPÍTULO 3

作者: Geleia de Morango
Eu precisei de muito esforço, mas finalmente convenci o senhor Byrne a me dar uma segunda carta de recomendação. Dessa vez, não era em papel, e sim um e-mail criptografado, programado para se autodestruir depois de um certo tempo.

O senhor Byrne claramente queria me dar um empurrão.

Eu me senti grata e cliquei no botão para confirmar minha participação no programa fechado de curandeiros sem hesitar.

No instante em que a notificação de confirmação apareceu, um novo alerta piscou na intranet da alcateia. Era um link de transmissão ao vivo da Lilian.

Eu abri e vi fogos de artifício explodindo pelo céu noturno, formando palavras cuidadosamente desenhadas.

"Que a Deusa da Lua conceda todos os desejos do seu coração, Lilian Foster."

Dava para ouvir os membros da alcateia exclamando ao fundo.

— Uau! O Alfa está sendo incrivelmente gentil com a Lilian!

— Ele trouxe metade dos fogos da alcateia pra ela?

— Dá pra fazer isso? Que romântico!

Todo mundo encarava aquela demonstração descarada de favoritismo como se tivesse esquecido completamente que naquela noite era o Festival da Deusa da Lua. Quem deveria ter sido abençoada era a futura Luna.

Os fogos no vídeo chegaram ao auge, tão brilhantes que pareciam quase saltar para fora da tela. Eu não fechei a transmissão.

Em vez disso, caminhei devagar até o observatório na borda da praça do festival.

Ali, vários pilares antigos de pedra se erguiam, silenciosos e solenes. Eram os "Pilares de Oração" deixados por Lunas do passado, usados para alcançar a Deusa da Lua em tempos de seca e pedir chuva.

Eu pressionei a palma da mão na superfície fria de um dos pilares e fechei os olhos, canalizando o poder da alma da minha loba para dentro dele.

Eu não chamei uma tempestade violenta. Isso seria óbvio demais. Eu apenas toquei a umidade pesada no ar, empurrando-a de leve.

Dias de fogueiras, lanternas e multidões espremidas já tinham carregado o céu do vale com nuvens o bastante.

Na tela, os fogos ainda tentavam soletrar o nome de Lilian. A última palavra mal começara a se acender quando…

Rrroooom!

Um trovão rolou pelo céu sem aviso.

E então, gotas grossas desabaram.

Num piscar de olhos, o aguaceiro afogou todos os fogos que ainda nem tinham sido lançados e fez a multidão na praça correr em desespero atrás de abrigo. A admiração no vídeo virou gritaria. A câmera sacudiu de forma caótica… e a transmissão caiu.

Eu puxei a mão de volta, e o brilho fraco no pilar se apagou. A chuva escorreu pelas pontas do meu cabelo. Estava um pouco frio, mas aquilo clareou a minha mente.

Como era de se esperar, o meu celular começou a vibrar.

Eu me enfiei sob o teto do observatório antes de atender.

— Brenda! Foi você? Você fez isso?! — A voz de Jason saiu rouca, misturada aos soluços quebrados de Lilian ao fundo. — Por que a chuva tinha que cair justo agora? Você arruinou a bênção da Deusa da Lua pra Lilian!

Eu enxuguei a água do rosto e mantive a voz serena.

— Três dias antes do festival, o sacerdote avisou todo mundo que o ar ia estar saturado hoje e que podia cair uma pancada de chuva do nada. No dia em que você comprou os fogos, eu não te disse pra checar a previsão?

Ele ficou em silêncio por um instante, antes de soltar, irritado:

— Você… você só tinha comentado por alto!

— Você ignorou o que eu disse e ignorou o aviso do sacerdote, e mesmo assim insistiu em soltar fogos pra Lilian. Agora o tempo vira e estraga o seu plano, e você vem me perguntar se fui eu? — retruquei.

Uma pontada doeu no meu peito. Afinal, eu já tinha amado Jason. E, mesmo naquele momento, ainda doía ver um favoritismo tão escancarado em direção à Lilian.

Do outro lado, a voz dele ficou mais frenética, mais cruel.

— Qual é a chance de isso acontecer dessa maneira? Quando foi que você aprendeu esses truques sujos? Você tem noção de como a Lilian está agora? Ela está encharcada, tremendo de frio, a maquiagem dela borrou, e todo mundo está rindo dela! Eu estou mandando você parar essa chuva agora e pedir desculpas pra Lilian na frente de todo mundo! E você não para até ela te perdoar!

Por que eu teria que pedir desculpas pela chuva e pelo romance arruinado, ou até mesmo pelo vestido encharcado da Lilian e a maquiagem destruída?

Na minha vida passada, eu provavelmente teria pedido desculpas. Mesmo com o coração sendo rasgado, eu teria abaixado a cabeça e forçado um pedido de perdão. Por migalhas da atenção do Alfa, eu sempre me humilhava de novo e de novo.

Só que dessa vez, soltei uma risada baixa, fria como a chuva que me lavava.

— De agora em diante, ninguém vai me fazer pedir desculpas de novo a menos que eu realmente acredite que eu esteja errada. Se os seus fogos foram arruinados pela chuva, isso foi só azar. Ou talvez… a Deusa da Lua achou barulhento demais. De qualquer forma, não é problema meu.

Eu desliguei, ignorando o jeito como a raiva dele explodiu do outro lado da linha.

"Pedir desculpas?" Repeti com desdém em pensamentos.

Claro que não faria isso. Nunca era eu quem deveria pedir desculpas.

Dali em diante, eu prometi pra mim mesma que ia me amar ainda mais.
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