LOGIN— Você não pode se cansar apenas de estudar, e quando tiver uma família para cuidar? Trabalho, casa, filhos, marido, não pensa em se casar? - Encaro meu pai por um momento antes de desviar para a mesa da cozinha, ela está tão bonita coberta por uma toalha limpa e cheia de Sushi, eu amo Sushi. Casamento não é uma das coisas que eu penso para o futuro, até porque, a única pessoa com quem eu gostaria de casar, é meu primo, e ele foi proibido de chegar perto de mim.
Meu pai sabe disso, e finge que nunca contei sobre amar aquele garoto. — Claro que eu penso, mas isso é muito cedo agora - Me aproximei da mesa sentando na mesma, eu acho que estou ficando louca, mas Jae ficaria duas vezes melhor deitado nela que essa travessa de peixe cru. Meu Deus, estou pensando novamente nele, o que eu faço? — Nunca é cedo para pensar em ter algo com alguém. Eu vejo você tão sozinha, nem com amigas tem saído esses tempos. Annie está bem? - Meu pai sentou também e Eleonor logo depois. — Estamos bem pai. — Ontem Jae Shimith me mandou entregar o número dele para ela - Eleonor contou, parei meus hashi no meio do caminho e encarei minha irmã — acho que ele queria alguma coisa. - Meu pai me olhou. — É mesmo? O vizinho? Oh, ele me parece interessante, mas eu gostei mesmo foi de Marck, acredita que ele se mudou porque foi convidado para residir no mesmo hospital que eu? Ele é um médico excelente, está em treinamento, mas acabou se tornando um dos médicos mais importantes no hospital em que trabalhava no interior. - Abaixei os hashi na mesma hora que Eleonor, nem mesmo ela deve acreditar nisso. — Marck? Aquele que estava todo sujo ajudando o senhor com o carro? Pelo amor de Deus, eu nunca poderia imaginar isso daquele cara, se bem que ele é bonito, um charme. — Eleonor, olha a boca, ele é muito velho para você. E falando em você, fiquei sabendo que está andando com um garoto, quem é esse garoto? — É um tal de Jofrey - Eleonor me encarou com seus lindos olhos perolados esbugalhados — mora na outra rua, tem carro, família boa, parece um bom partido. — Elsie… — Hm, vocês estão crescendo e eu estou ficando para trás. - Ele olhou a hora no relógio — E também atrasado. Terminem de comer eu já comi alguns minutos atrás, Elsie cuide de sua irmã e Eleonor depois me conte essa história. Papai pegou suas coisas no sofá e ouvimos claramente quando ele saiu batendo a porta. Abaixei a cabeça dando um sorriso e voltei a comer. — Eu não acredito que você falou do Jofrey. — E você do número do Jae. — Há, pelo menos eu não contei que o Mattie entrou no seu quarto. — A gente não fez nada, apenas conversou. — Hm, e o papai adora que um garoto suba para o seu quarto. —Eleonor, sou maior de idade, já você, não. - Levanto dando um sorriso e levo o prato até a pia — E tudo bem se quiser sair com seu namorado. Eu guardo seu segredo, você guarda os meus e ponto final. — Isso me parece justo, mas que segredos você quer que eu guarde? - Me viro em sua direção e seus olhos me parecem curiosos, que merda, devia ter ficado calada. — Qualquer um. Subo para meu quarto e tento falar com Jae, talvez se a gente conversar eu possa entender o que pode acontecer. Porque eu não queria namorar nenhum desses, mas também não quero desperdiçar a oportunidade que eu teria de ficar com o Marck e sentir aquele toque dele no meu corpo, ele dentro de mim. Tem como eu não pensar nisso depois de sua pegada e atitude tão subitamente boa? Mano não dá para esquecer essas coisas de uma hora para outra, não dá. Não sei como me sinto sobre, mas eu sei o que eu quero. Sai de casa depois de quase duas horas pensativa, olhei o celular, já ia dar meia noite. Seria muito incomodo eu aparecer essa hora? Estou vendo as luzes acesas e uma música no fundo, estão acordados, eu também, acho que não preciso de formalidades já que todos me viram nua e eu praticamente já… dei para todos? Oh Elsie no que você está metendo? Parei em frente à casa deles, isso é realmente necessário? Uma parte pequena de mim diz que se eu bater na porta eu com certeza vou transar com Jae de novo, outra me diz que eu posso simplesmente entrar e conversar e sair, e outra me manda voltar para casa, mas essa parte é pequena, não sei exatamente qual delas é a maior e se eu quero mesmo é só falar com o Jae ou ficar com ele de novo. — Você errou de casa ou está esperando alguém sair? - Meu coração quase pula para fora, olho para trás encontrando Marck e minha boca vai ao chão. Desde quando eu vejo miragens de deuses? O Marck Shimith que me apareceu não era nada igual ao que me agarrou ontem todo suado e sem camisa, este a minha frente estava de terno branco com um sorriso no rosto, o cabelo jogado para trás e um jaleco branco pendurado no ombro — Aposto que está esperando por Jae, desiste, ele saiu com o Mattie e disseram que só voltariam no dia seguinte - Minha nossa. Ele andou até mim ficando ao meu lado, me encarou de cima e deu um sorriso, um puta sorriso. — Mas se quiser entrar eu não iria me importar nem um pouco. — Eu… - Não sei o que falar, ele sorri novamente e meu coração palpita, por que estou sentindo tudo isso aqui e agora? — Claro, porque não? — Vem - ele segura em minha cintura e apenas aquele toque me fez perder o fôlego, engulo a seco enquanto subo a escada com sua ajuda. Ele não demora a abrir a porta e logo tranca quando passamos para dentro. — Não está com sono? — Acabei de chegar de um plantão, acho que meu parceiro é seu pai, e ele é bem legal. Mas não, não estou. — É, meu pai é muito legal. - Digo ao olhar para a sala deles pela primeira vez. Está tão arrumada, é bonita e chique, não achei que três homens morando na mesma casa pudesse ter toda essa organização. — Então, eu vou esquentar algo para comer, quer me acompanhar? - Paro meu analise e o encaro. Marck tirava o jaleco dos seus ombros e jogou as chaves e tirou os sapatos jogando ao redor e sem hesitar ele tira a gravata e paletó. — Pode ser, acabei de comer Sushi, mas posso te acompanhar sim. — Hm, eu adoro Sushi, devia me convidar para comer alguma vez. - Ele saiu andando em direção à cozinha, o segui. — Jura? Eu também gosto, é muito bom - Parei na porta o assistindo desfilar pela cozinha com um sorriso no rosto e contado sobre o primeiro dia de trabalho. Nossa, essa visão é realmente impressionante. Estou hipnotizada ou será coisa da minha cabeça? — Meu pai me falou que você foi convidado para fazer residência aqui, isso é bom. - Ele sorri e me convida para sentar. — É. Meus pais ficaram felizes. E eu concordei em vir logo, Jae odeia o calor e essa cidade é bem especial, além de que a faculdade daqui é duas vezes melhor que a do interior. Juntando todas essas coisas, nós mudamos para cá. — Uma bela história - Sorri o encarando mais de perto, Marck faz o mesmo franzindo o cenho. — Porque você está me olhando assim? — Você parece tão diferente daquele dia - Digo de uma vez. — Do dia em que quase transo com você? - Confirmo com a cabeça — Havia um interesse. — Não há mais? - O que estou fazendo? Procurando briga? Claro. Porque não? Marck é atraente, e vestido desse jeito me deixa boba e excitada. — Depende do que você quer. - Escutamos o microondas apitar, não dou atenção, nem ele. — Se você veio atrás do Jae, saiba que seu esforço foi em vão. - Ele ri esticando sua mão até meu rosto, seu toque formiga em minha pele, aperto minhas pernas tentando controlar um gemido — Mas se veio atrás de sexo eu posso dar, e com muito gemidos como recompensa. — Isso parece ótimo. - Marck sorriu outra vez e levanta me assustando de repente, estende a mão em minha direção e eu aceito sem pensar duas vezes. — Eu acho que você já transou em lugares bem complicados para alguns dias, que tal a minha cama? - Sinto minhas pernas falharem no momento, mas o sigo. — Jae te contou? - Pergunto quando chegamos à escada, ele para e olha para trás. — Vocês compartilham tudo, vai contar sobre nós dois também? — A gente compartilha pouco, e esse pouco, é o suficiente - Ele diz e se vira para mim — Não pense nele agora, pense no que posso fazer com você - ele me toca no pescoço deslizando para dentro do meu vestido e toca nos meus seios, gemo sem qualquer hesitação. Ele volta a olhar nos meus olhos e tira as alças do meu vestido descobrindo meus seios, dar um largo sorriso. — Dessa vez eu não vou parar até te fazer gozar. Sua irmã tá dormindo? — Espero que esteja - Ele sorri e pega no colo, passo minhas pernas pela sua cintura e ele segura minha bunda. Voltamos a nos beijar enquanto o sinto subir as escadas e logo sou jogada em sua cama, ele se afasta tirando a camisa, se livrar da calça e da cueca me deixando sem ar ao ver seu falo de fora.O celular de Lua começou a tocar.Mãe.Ela olhou para Antônio.O dele começou segundos depois.Raquel.Os dois se encararam.— Não atende — disseram juntos.Silêncio.Depois começaram a rir.O celular parou.Tocou novamente.— Elas vão vir para cá — Lua falou.— Vão.— Quanto tempo acha que temos?Antônio olhou para o relógio.— Minha mãe? Vinte minutos.— A minha?— Quinze.Lua ficou séria.Antônio também.— Aquela viagem — ele disse.Os olhos dela brilharam.— Você está pensando o mesmo que eu?— Faça uma mala.— Antônio...— Nós queríamos viajar.— Agora?— Melhor momento impossível.Lua começou a rir.— Você é maluco.— Você quer passar os próximos meses com nossas mães decidindo nome, quarto, roupa, hospital, médico e provavelmente a posição em que você deve dormir?O sorriso desapareceu.— Faça duas malas.Victoria chegou primeiro.Raquel chegou três minutos depois.Nenhuma precisou dizer por que estava ali.— Você também viu? — Victoria perguntou.Raquel mostrou o celular.— O p
O Nosso Segredo— Não.Lua nem precisou olhar para Antônio para saber que ele estava sorrindo.Continuou encarando o cardápio como se estivesse completamente concentrada nele.— Você nem sabe o que eu vou dizer.— Sei, sim.— Então diga.Ela finalmente levantou os olhos.Antônio estava sentado do outro lado da mesa, elegante demais para um simples jantar de sexta-feira, com uma das mãos apoiadas sobre a taça de vinho e aquele pequeno sorriso arrogante que Lua aprendera a reconhecer perfeitamente.— Você vai sugerir alguma coisa indecente.— No restaurante?— Você não tem vergonha.— Tenho.Ele tomou um gole da bebida.— Só não tenho muita com você.Lua revirou os olhos.O restaurante ficava no último andar de um hotel no centro da cidade. Da janela enorme ao lado da mesa, era possível enxergar boa parte das luzes da cidade.Lua estava encantada.Ainda se encantava facilmente.Às vezes com coisas caras.Às vezes com coisas absolutamente simples.Naquela tarde, por exemplo, ficara quase
Ela abriu a boca.Fechou.Abriu novamente.— Eu não estou tentando ocupar o lugar dela.— Eu sei.Sua voz ficou mais calma.— Mas casamento tem duas pessoas.Raquel ergueu uma sobrancelha.— Às vezes três, quando a sogra é competente.Antônio apontou para a porta.— Pode ir embora.Ela riu.— Estou brincando.— Você é perigosa brincando.Raquel juntou os papéis.— Eu só quero que vocês façam tudo certo.— Nós vamos errar.Ela parou.A frase era parecida demais com algo que Lua provavelmente diria.— Vamos comprar coisas feias.— As almofadas já provam isso.Antônio segurou o riso.— Vamos discutir.— Espero que não muito.— Vamos gastar dinheiro com alguma coisa inútil.— Lua parece boa nisso.Ele lançou um olhar de advertência.— Cuidado.Raquel sorriu.— Está apaixonado mesmo.Antônio não respondeu.Não precisava.Ela conhecia aquele olhar.— Mas é justamente isso, mãe.Ele voltou a falar.— Se fizermos uma escolha errada, a escolha é nossa.Raquel ficou mais séria.— Eu não quero ve
— Depende do conselho.— Está vendo?— Estou vendo o quê?— Você está na defensiva.Antônio respirou fundo.Ainda tinha dezenove minutos até sua reunião.Talvez dezoito.— Fale logo.Raquel pareceu ofendida.— Que delicadeza.— Mãe.— Tudo bem.Ela abriu a bolsa.Tirou algumas folhas.Antônio olhou.Depois olhou para ela.— O que é isso?— Algumas ideias.Ele não tocou nos papéis.— Ideias para quê?— Para vocês.— Para nós o quê?— A casa.Antônio soltou uma risada descrente.— Não.— Você nem viu.— Não preciso.— Antônio, são só sugestões.— Então pode levar embora.Raquel ficou séria.— Você está sendo desagradável.— Estou evitando que você perca seu tempo.Ela abriu uma das folhas.— Olhe. Eu pensei que vocês poderiam trocar alguns móveis. A Lua é jovem e está empolgada, então é normal que faça escolhas um pouco... — Ela procurou a palavra. — Peculiares.Antônio já sabia exatamente sobre o que ela falava.— As almofadas?Raquel arregalou os olhos.— Você viu?— Ainda não.— São a
Antônio soube que havia alguma coisa errada quando sua secretária entrou no escritório sem bater.Ju normalmente não fazia aquilo.Nem quando o prédio estava pegando fogo.Ela parou perto da porta, com uma pasta apertada contra o peito e uma expressão estranha no rosto.— Senhor Melo...Antônio continuou olhando os documentos sobre a mesa.— O que foi?— Tem uma pessoa querendo falar com o senhor.— Tenho reunião em vinte minutos.— Eu avisei.— Então mande voltar depois.Ju permaneceu parada.Antônio finalmente levantou os olhos.— O quê?Ela respirou fundo.— Sua mãe.Ele fechou os olhos.Claro.Só podia ser.— Diga que estou ocupado.— Eu disse.— E?Uma voz surgiu atrás de Ju.— E eu disse que sou sua mãe.Antônio passou lentamente a mão pelo rosto.Raquel apareceu na porta com um sorriso satisfeito, carregando uma bolsa em um braço e uma sacola de alguma loja no outro.Ju olhou para Antônio como se pedisse desculpas silenciosamente.Ele apenas fez um gesto com a cabeça.— Pode ir.
— Eu passei anos sem saber nem qual era minha comida favorita, mãe.A expressão da mulher mudou discretamente.Lua continuou:— Porque você escolhia meu café da manhã. Escolhia minhas roupas. Escolhia meus horários. Até quando eu poderia sair.Respirou profundamente.— E, quando eu me casei, achei que simplesmente trocaria você e meu pai por outro dono.A mãe franziu o cenho.— Não fale dessa maneira.— Mas foi assim que eu me senti.Lua passou a mão pelos cabelos.— Só que Antônio nunca fez isso comigo.Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios.— Na primeira manhã que passamos juntos, ele pediu um monte de coisas para o café porque não sabia do que eu gostava.Sua mãe permaneceu em silêncio.— Quando perguntei se podia comer apenas o que eu quisesse, ele me olhou como se aquela fosse a pergunta mais absurda do mundo.Lua riu baixinho.Os olhos estavam marejados.— Porque, para ele, era óbvio que eu podia.A mãe desviou o olhar.— Lua...— Ele não escolheu a decoração da casa. Não esco







