INICIAR SESIÓNDevo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.
Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma m*****a gaiola.
As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.
– Não gaste suas forças... – Sophia debochou aproximando-se e segurou meu rosto com uma das mãos, como se estivesse o avaliando. – Você ‘tá’ velha, mas ainda deve dar algum lucro.
– Demônio! Gritei cuspindo em seu rosto, e recebi uma bofetada que me deixou com gosto de sangue na boca, mas não me calei. – Como você pode fazer isso com outras mulheres? Aposto que fez isso com Sharon também...
– Hum... tem razão! Sophia concordou parecendo pensativa e sorriu caminhando em direção às outras garotas que encolhiam-se sob sua presença. – Aquela put* burra, não presta nem para ser uma mula, e olha que ela supostamente queria me ajudar...
Fiquei triste por aquela moça que confiou naquela mulher dissimulada, ela realmente não havia se matado, assim como sua mãe acreditava, e fiquei ainda mais enojada, xingando-a enquanto tornava a chutar as grades.
– O comprador já deve ter chegado... – Uma voz masculina, diferente da outra que ouvi antes, anunciou, chamando a atenção daquele demônio em forma de mulher. – Larga essa put*, você tem mais o que fazer.
Sophia concordou, agarrando meus cabelos e enfiando uma mordaça em minha boca, aproveitando para dar mais uns tapinhas em meu rosto. Em seguida, fez o que era pedido, caminhando tranquilamente em seus sapatos de salto alto por entre as moças chorosas e trêmulas, amarradas umas às outras do lado de fora da cela.
Não precisei pensar muito para concluir o que estava acontecendo, estávamos sendo vendidas no mercado ilegal, aquelas moças que não pareciam falar meu idioma, deveriam ter sido raptadas de seu país e tinham um destino incerto assim como o meu.
De repente, as luzes foram acesas, fechei os olhos por alguns instantes, sentindo-os doer, e quando finalmente consegui os abrir novamente, notei um grupo de homens que se aproximavam, por suas vestimentas – ternos de corte fino, sapatos de couro e relógios de luxo –, percebi que eram muito ricos, provavelmente grandes empresários de vida dupla.
Agora na claridade, pude ver perfeitamente aquelas garotas expostas para compra, eram muito novas, seus rostos assustados e chorosos mostravam traços latinos, e não deviam ter mais do que quinze anos. Voltei minha atenção àqueles outros demônios, observando seus rostos com atenção para o caso de os reconhecer caso saísse viva dessa situação e consegui reconhecer um senador.
De repente, senti meus olhos marejando, não queria ser vendida para a prostituiç*, chorei baixinho deixando-me cair novamente no chão empoeirado e fiquei assim por um tempo, até que notei algo parecido com um prego. Um lampejo de esperança surgiu em minha mente, rastejei até ele e o peguei com certo esforço, tentando rasgar as cordas.
Quando estava quase soltando minhas mãos, um daqueles homens, um senhor que tinha a idade de ser meu pai, fez um gesto para um dos bandidos e fui agarrada pelos cabelos, sendo arrastada para fora da cela.
– Essa ‘tá’ fora do padrão, é mais barata? Questionou em tom de deboche, seus olhos fixos no meu corpo com uma expressão odiosa.
– Só porque você é um dos meus melhores compradores... – Outro homem, que reconheci ser aquele com quem me deparei meses antes na rua, respondeu aproximando-se, agarrou meu braço e nossos olhos se encontraram.
Retribui seu olhar cheia de ódio, minha vontade era de cuspir nele também, não sei de onde tirei essa coragem pois, ele era enorme e assustador, mas sentia tanta raiva que se tivesse a oportunidade, certamente o mataria.
– Olha para esses olhos! O homem que parecia ser o chefe, exclamou apertando meu rosto com força, em seguida, me esbofeteou com as costas da mão, o suficiente para quase me desacordar. – Pelo visto, terei que te educar...
– Não precisa Mark, eu gosto disso! O velho comprador, exclamou impedindo que meu espancamento continuasse, e sorriu nojento.
Tentei gritar por socorro, para qualquer um que pudesse ouvir, e foi nesse momento que notei um homem que não havia visto antes, ele estava se aproximando com a cabeça baixa, tendo seu rosto coberto por um boné, seu corpo estava inteiramente coberto por roupas pretas, mas era perceptível o quanto era musculoso.
– Dylan? Questionei não podendo acreditar que ele estava envolvido em algo assim, e chorei balançando a cabeça negativamente, não queria acreditar que ele era um daqueles traficantes nojentos.
Por favor, ele não.
– Essa é a sua namorada? O homem, Mark, questionou em tom de deboche, e me puxou mais para perto. – Se fud*, vai ter que dar um lance alto se ainda a quiser, mas sugiro que arrume outra.
Dylan ergueu seu rosto e fitou o outro com a expressão de alguém que poderia matar sem a menor hesitação, retirou o boné, jogando-o em qualquer lugar e sacou rapidamente seu revólver, disparando nos guardas, e em seguida, voltou-se a Mark.
– Policia, solta a garota! Exigiu em um grito alto, sua voz soando rouca.
Depois disso, tudo virou um inferno. As luzes se apagaram, sons de arrombamentos, gritaria e tiros ecoaram, logo, percebi que se tratava de uma batida policial, e para piorar a minha situação, Mark continuava agarrando meus cabelos, usando-me como refém.
Mark correu para o primeiro andar, ainda me segurando, tentei não gritar, mas era impossível quando senti o metal frio do cano de um revólver sendo pressionado contra a minha cabeça. Nesse ponto, eu apenas pedia a Deus para não morrer, atrapalhando as orações enquanto segurava naquele braço que me prendia.
De repente, ele parou e retirou a arma da minha cabeça, ergui os olhos com certo esforço e percebi que Dylan estava parado a nossa frente, pronto para atirar naquele traficante, e claramente enfurecido. Era óbvio que não estava lidando com a situação com a frieza de que precisava, seus olhos estavam focados nos meus e seu semblante demonstrava a dualidade de emoções povoando seu âmago naquele momento.
– Deixe a garota ir, não aja como um covarde! Exclamou alto e em bom som, em seguida, mudou a posição do revólver, apontando-o para cima inicialmente, mas logo, o jogou no chão.
Mark gargalhou, parecendo excitado com a ideia, e fez o mesmo, mas antes, me socou violentamente no estômago, me fazendo cair no chão sem ar.
Fiquei desorientada por um tempo, sem entender na totalidade o que estava acontecendo, mas podia ouvir o som de socos sendo trocados. Encolhi, agarrando-me ao meu próprio corpo e tapei meus ouvidos enquanto fechava os olhos, horrorizada com os sons vindos daquela luta.
Os golpes eram parecidos, ambos pareciam estar se utilizando de técnicas de boxe, mas Dylan por ter mais estabilidade, conseguia atingir mais impacto, o outro não parecia ser ruim de briga, mas não duvido que estivesse drogado.
De repente, um canivete foi sacado e enfiado no abdômen de Dylan, perfurando-o em uns dois pontos, sua camisa cinza começou a se manchar de sangue carmesim, mas a adrenalina parecia ser o suficiente para o manter lutando.
A quantidade de sangue era tão grande que pingava no chão, e imagino que ele tenha percebido a gravidade pois, agarrou o outro por sob os braços, jogando-o contra a parede e ambos rolaram pela escada.
Fiquei horrorizada. Gritei, chamando por ele, mas não tive resposta, então precisei me arrastar em sua direção, desci as escadas tropegamente, ainda sentindo minhas pernas sem forças por causa do medo, mas ao vê-lo sangrando tanto, fiz um esforço para me aproximar. Quando enfim, sentei do seu lado, tive que usar minha camisa para tentar estancar o sangue, chorando ao ver que ele não parecia estar consciente.
– Por favor, não morra... – Murmurei engasgando com o choro, e apertei ainda mais a blusa que se encharcava de sangue em seu abdômen, eu estava muito angustiada, e a verdade era que eu não sabia o que estava fazendo, e apenas implorava a Deus que não estivesse piorando a situação dele.
Ele tossiu, pondo sangue pela boca, mas abriu os olhos, me encarando.
– Então, você é policial... – Murmurei tentando lhe sorrir, lembrando que nas instruções de primeiros socorros, sempre era sugerindo manter o paciente consciente.
Depois de tudo o que aconteceu, precisei ficar alguns dias internada no hospital para tratar uma inflamação no estomago causada pelos socos, como estava medicada a maior parte do tempo, não sentia dor, mas a angustia em não poder ver Dylan era o pior. Ele havia passado por cirurgias por cauda das facadas, sua parceira de ação, Hanna, havia me visitado, contando sobre seu estado de saúde que era estável, mas não conseguiu me acalmar. Mari passava a maior parte do tempo ao meu lado, tendo que ser praticamente expulsa pelos médicos, quando o horário de visita acabava, o que sempre me fazia rir de suas carinhas de cachorro sem dono dela. Meus pais eram outros que sempre estavam por perto, não queria contar para eles sobre o incidente, inicialmente, para não os preocupar, mas depois de um tempo, percebi que seria pior se descobrissem depois. Tenho feito muito, mesmo estando presa naquele hospital, trabalhei em meu romance, usando como base o manuscrito que fiz na noite de bebedeira, e não
Devo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma maldita gaiola.As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.– Não gas
Azárya Depois de três dias, tendo me acertado com meus pais e reencontrado alguns dos meus antigos educandos, percebi que precisava retomar minha vida acadêmica, ou acabaria reprovando, então, depois de uma choradeira e promessas de que passaria o natal com eles, voltei para Nova York, sendo recebida na rodoviária por um abraço caloroso de Mari. – Tenho tanto para te contar... – Murmurei sorrindo enquanto a acompanhava, ajeitei a alça da mochila sobre o ombro e suspirei feliz. – Sinto que tirei um peso das minhas costas depois de conversar com a minha mãe, agora ela e meu pai já sabem de tudo, e resolvi minha situação com Neuza também. Mari ouvia tudo, balançando a cabeça em concordância, e ao ouvir sobre meu desfecho de novela mexicana com a ex-diretora, soltou alguns palavrões, mas ainda assim, continuou ouvindo e rindo com meus comentários. – Cadê minha pipoca? Ela questionou retoricamente, ainda divertindo-se muito com o que ouvia,
DylanO dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de
Azarya...Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do gr
Estar com a família de Christopher fez com que eu pensasse cada dia mais sobre a minha, quando eu cheguei em casa naquele dia, depois de ir para o trabalho, sentei-me no sofá pensando se Noah dormiria na casa do namorado aquela noite. Não conversamos muito, fazemos as tarefas domésticas que separados para cada um, e organizamos as contas, mas tirando isso, quase nunca temos contato. Fiquei meu celular, tomando coragem para m****r mensagem novamente para o meu irmão, e depois de algum tempo, finalmente mandei uma mensagem para Matteo, perguntando como ele estava, e para a minha surpresa, a resposta foi imediata novamente, dessa vez, fazendo uma ligação. De repente, como uma epifania, percebi o quanto fui imaturo e cruel, tomando coragem para atenção a chamada, afim de me desculpar corretamente, mas antes, desatei em lágrimas como um idiota. – Eu percebi que você apagou as fotos com Thomas, vocês brigaram? Matteo questionou sua voz tomando um tom séri







