INICIAR SESIÓNDylan
O dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.
Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.
Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de algum problema pois, sua expressão não era das melhores.
– Temos um serviço... – Ele resmungou retirando uma das armas que sempre carregava no coldre, verificou rapidamente o carregador e em seguida, fez um sinal com a cabeça para Gale. – Fique por aqui, terei que resolver isso pessoalmente.
– ‘Tá’ bom chefe! Gale concordou rindo e esfregou o punho no nariz, e afastou-se, retornando para dentro do armazém.
A princípio, era um gesto que me passou despercebido, mas observando melhor, logo percebi que era apenas hábitos de um drogado. Dei de ombros, pensando comigo mesmo que era problema dele, e segui minha própria vida, entrei no carro, me colocando diante do volante e esperei que Scar indicasse o caminho.
– Para onde estamos indo? Questionei girando a chave na ignição.
– Uma das nossas bocas ‘tá’ dando problemas... – Scar respondeu sério, com os olhos fixos em seu celular, como se estivesse verificando alguma coisa.
Depois disso, não trocamos muitas palavras, ele apenas instruía as direções que eu precisaria tomar, ainda imerso em seus próprios problemas, e seu comportamento me deixou curioso, pois, até então, não sabia que ele estava em uma escala mais “alta” que Gale naquela gangue.
Enquanto nos aproximávamos do local, percebi que estávamos no Bairro em que Azárya morava, prendi a respiração, tentando me manter o mais impassível e indiferente que pudesse, mas não conseguia evitar de fitar as ruas procurando por ela. Estacionei em frente a um conglomerado de casinhas, parecido com aqueles condomínios de periferia, saímos do carro e andamos mais alguns minutos a pé, puxei o boné, cobrindo o rosto e o segui de perto em silencio.
Quando chegamos a “boca”, tive outra surpresa. O traficante, era um antigo conhecido, que nunca imaginei reencontrar, muito menos naquela situação. Ele não pareceu me reconhecer, então apenas permaneci em silencio próximo á porta, e com a cabeça baixa para não chamar sua atenção e acabar tendo minha identidade revelada prematuramente.
– Cara, eu vou pagar, como eu te disse... ouve muitos problemas... – O homem, gaguejou parecendo desesperado.
Lembrei que seu nome era Charles. Havíamos nos conhecido durante meu tempo no exército pois, estávamos no mesmo alojamento, naquela época, ele era um cara completamente diferente, fazendo parecer que aqueles cinco anos em que não nos víamos foram os suficiente para sua vida desandar.
Como já era de se esperar, o espancamento logo começou e percebi o porquê de Scar ser tão temido pelos outros, seu rosto antes inexpressivo, se transformou por completo, passando a esboçar um sorriso psicótico enquanto socava brutalmente o rapaz que mal conseguia se defender.
– Cadê a porr* do dinheiro? Scar questionou fazendo uma pausa, e ergueu o traficante pela camisa, colando suas testas para olhá-lo nos olhos.
– Eu vou pegar... – Charles murmurou engasgando com seu próprio sangue, em seguida, arrastou-se em direção a um pequeno armário, abrindo uma espécie de fundo falso, de onde retirou um maço de dinheiro recoberto por um envelope branco.
Ele quase não conseguia se colocar de pé enquanto entregava o dinheiro a seu agressor, seus olhos roxos recaíram para o chão, se mantendo em silêncio e tentou cobrir o nariz que não parava de sangrar.
Scar verificou o valor rapidamente, em seguida, parecendo satisfeito, voltou-se ao rapaz que havia acabado de espancar e sorriu diabolicamente.
– Seu filho ‘tá’ com quantos anos mesmo? Perguntou com displicência, mas deixando uma sensação de tensão no ar, quase sufocante.
– Ele completou dois anos... – Charles respondeu de cabeça baixa, mas a ergueu rapidamente quando o som metálico da trava de segurança do revólver soou pelo cômodo. – Cara, por favor, eu te dei o dinheiro, me deixa viver.
– E qual a graça disso? Scar debochou olhando para a arma em sua mão, como se estivesse pensando na sujeira que faria com ela, e parecia estar sentindo prazer com isso. – Pare de chorar, ajoelha e morre como um homem...
Pensei comigo mesmo que Scar era realmente um sádico filho de uma put*, ele havia deixado Charles ter esperanças apenas para pegar o dinheiro sem grande trabalho, mesmo sabendo que o mataria inevitavelmente. Eu sabia que precisava apenas olhar para o lado e deixar que a vida seguisse seu rumo, apenas mais um traficante sendo morto por outro, nenhuma novidade, porém, não conseguia desviar meus olhos daquele rapaz que já se ajoelhava diante de seu algoz.
Minha mente estava fervilhando em pensamentos. A todo o tempo, lembrava dos momentos difíceis que passamos juntos no treinamento, mais especificamente quando tivemos que passar toda a madrugada dentro de um lago semicongelado, as dores pelo corpo eram quase insuportáveis, meus colegas murmuravam algo que parecia uma música em uníssono, Charles aproximou-se e tentou puxar assunto, mas sequer respondi, eu estava put*.
Esse pensamento me fez tomar uma decisão drástica. Como estava às costas de Scar, articulei uma forma efetiva de o imobilizar, calculando perfeitamente meus movimentos para evitar que o revolver disparasse. Joguei meu corpo sobre o dele, agarrei a mão que segurava a arma e a apontei para baixo, imaginando que, se disparasse, não acertaria a mim mesmo.
Quando o revólver caiu no chão, tentei usar uma chave de braço para o desacordar, porém, esse foi meu erro. Scar era um pouco maior que eu, então, o aperto não foi o suficiente para cortar totalmente a passagem de ar. Senti meu corpo sendo retirando do chão, e logo estava sendo jogado para frente – como num movimento de catapulta –, chiei ao sentir minhas costas estalarem, com certeza, algumas costelas haviam sido quebradas no impacto e em seguida, precisei proteger o rosto de uma ‘pisada’.
– Eu sabia que você daria problema... – Scar comentou parecendo estar devaneando consigo mesmo. – Aliás, eu sei que você não matou a garota... o que fez com ela?
O vi agachou-se à minha frente, nossos olhos se encontraram e fui puxado para cima pela camisa, apenas para ser socado o estômago. Cambaleei para o lado, apertando o lugar onde havia recebido o golpe e cuspi o sangue que subia pela minha garganta, olhei ao redor, pensando no que deveria fazer, antes que acabasse morrendo.
Ate então, eu estava apenas me defendendo, tentando evitar receber golpes em áreas vitais, esperei por uma abertura, e quando estava já perdendo as forças, Scar se descuidou, deixando seu pescoço desprotegido, me dando margem para o acertar. Não teria outra chance como aquela, então, o soquei na garganta, e quando seu corpo se curvou, dei uma joelhada em seu rosto.
Eu estava com vantagem, e prestes a nocauteá-lo quando um disparo o acertou, fazendo-o cair. Arregalei os olhos, voltando minha atenção a Charles e percebi que ele havia pego o revólver de Scar enquanto estávamos no “mano-a-mano”.
Que ironia, sua própria arma havia o matado.
Contudo, não tive tempo para pensar muito nisso, pois logo, percebi que estava na mira do revólver também. Arqueei uma sobrancelha, silenciosamente perguntando o que caralh* ele estava fazendo, e quando estava prestes a tomar alguma atitude, ele desistiu, colou a arma no chão e ergueu as mãos acima da cabeça.
Agradeci mentalmente por isso, suspirei esfregando as têmporas enquanto pensava no que fazer, fitei o corpo caído a minha frente, percebendo que Scar ainda estava respirando, então tive uma ideia. Liguei para a emergência, contando por alto a situação e em seguida, liguei para minha parceira de ação, revelando que precisaríamos invadir naquele momento.
Quando ela chegou, Charles ainda estava chorando em um cantinho, sabendo que seria preso, mas o ignorei, estava mais interessado em Hanna.
– Como raios isso aconteceu? Ela questionou irritada enquanto analisava ao redor da sala, fazendo uma negativa com a cabeça, mas parecia estar adorando a bagunça, como se fosse uma diversão para ela. – Porque não foi socorrido pelos paramédicos?
– Tenho um plano... – Respondi pegando o maço de dinheiro que Charles havia dado a Scar algum tempo antes. – Mas preciso que você atire em mim, num lugar que não me impossibilite de entrar num confronto físico...
Diferente do que poderia acontecer, não foi como nos filmes, ela não me encheu de perguntas, ou ficou ansiosa em disparar, com um olhar frio, apenas engatilhou seu revólver, mirou em meu ombro e disparou com a precisão da profissional que era.
Depois de tudo o que aconteceu, precisei ficar alguns dias internada no hospital para tratar uma inflamação no estomago causada pelos socos, como estava medicada a maior parte do tempo, não sentia dor, mas a angustia em não poder ver Dylan era o pior. Ele havia passado por cirurgias por cauda das facadas, sua parceira de ação, Hanna, havia me visitado, contando sobre seu estado de saúde que era estável, mas não conseguiu me acalmar. Mari passava a maior parte do tempo ao meu lado, tendo que ser praticamente expulsa pelos médicos, quando o horário de visita acabava, o que sempre me fazia rir de suas carinhas de cachorro sem dono dela. Meus pais eram outros que sempre estavam por perto, não queria contar para eles sobre o incidente, inicialmente, para não os preocupar, mas depois de um tempo, percebi que seria pior se descobrissem depois. Tenho feito muito, mesmo estando presa naquele hospital, trabalhei em meu romance, usando como base o manuscrito que fiz na noite de bebedeira, e não
Devo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma maldita gaiola.As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.– Não gas
Azárya Depois de três dias, tendo me acertado com meus pais e reencontrado alguns dos meus antigos educandos, percebi que precisava retomar minha vida acadêmica, ou acabaria reprovando, então, depois de uma choradeira e promessas de que passaria o natal com eles, voltei para Nova York, sendo recebida na rodoviária por um abraço caloroso de Mari. – Tenho tanto para te contar... – Murmurei sorrindo enquanto a acompanhava, ajeitei a alça da mochila sobre o ombro e suspirei feliz. – Sinto que tirei um peso das minhas costas depois de conversar com a minha mãe, agora ela e meu pai já sabem de tudo, e resolvi minha situação com Neuza também. Mari ouvia tudo, balançando a cabeça em concordância, e ao ouvir sobre meu desfecho de novela mexicana com a ex-diretora, soltou alguns palavrões, mas ainda assim, continuou ouvindo e rindo com meus comentários. – Cadê minha pipoca? Ela questionou retoricamente, ainda divertindo-se muito com o que ouvia,
DylanO dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de
Azarya...Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do gr
Estar com a família de Christopher fez com que eu pensasse cada dia mais sobre a minha, quando eu cheguei em casa naquele dia, depois de ir para o trabalho, sentei-me no sofá pensando se Noah dormiria na casa do namorado aquela noite. Não conversamos muito, fazemos as tarefas domésticas que separados para cada um, e organizamos as contas, mas tirando isso, quase nunca temos contato. Fiquei meu celular, tomando coragem para m****r mensagem novamente para o meu irmão, e depois de algum tempo, finalmente mandei uma mensagem para Matteo, perguntando como ele estava, e para a minha surpresa, a resposta foi imediata novamente, dessa vez, fazendo uma ligação. De repente, como uma epifania, percebi o quanto fui imaturo e cruel, tomando coragem para atenção a chamada, afim de me desculpar corretamente, mas antes, desatei em lágrimas como um idiota. – Eu percebi que você apagou as fotos com Thomas, vocês brigaram? Matteo questionou sua voz tomando um tom séri







