تسجيل الدخولAzarya...
Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.
Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do grupo de jovens da igreja, por ver meus cabelos curtos e coloridos.
De repente, meu corpo foi erguido do chão em um solavanco abrupto, olhei para o homem que me segurava e estava prestes a questionar o que estava acontecendo, quando percebi que estava sendo carregada na direção da enfermaria, aparentemente, eles estavam falando sobre isso quando acordei, mas meu torpor me impediu de entender na hora.
Felizmente, além das escoriações em meu braço, não havia nenhum machucado sério, e graças a isso, cheguei à conclusão, depois de muito pensar, em não proceder com um processo contra Neuza, pois, ela já estava sofrendo o suficiente com o que tanto temia: os olhares cruéis da sociedade, sem contar que para seu total desespero, o marido não suportou sua loucura e a deixou.
Eu ainda planejava passar um tempo em Abilene, sentindo a necessidade de aproveitar o ar de liberdade que estava sentindo depois de finalmente a verdade vir à tona. E para a minha surpresa, foi uma briga pois, de um lado, minha irmã queria que eu dormisse em sua casa, e do outro, meu pai queria me trancar em meu quarto, achando que assim, me protegeria do mundo.
Ser a caçula tinha dessas coisas.
Sendo honesta, eu queria colo, mas ao mesmo tempo, queria fugir do olhar acusatório da minha mãe, temendo a bronca que certamente viria depois dela descobrir minha atual aparência. E no fim, ele venceu, levando-me para casa, sugerindo que minha irmã poderia dormir em casa, com sua filha e marido, mas eu ficaria.
Era engraçado vê-lo tão protetor comigo mesmo já tendo quase trinta anos, mas não reclamei, estava adorando aqueles mimos, chegando a pensar que aceitar aquele pedido para batizar a minha sobrinha foi a melhor decisão que tomei nos últimos dois anos.
Estava deitada em minha cama, quase cochilando sobre a perna do meu pai enquanto conversávamos sobre tudo o que havia acontecido nos últimos tempos, às vezes, ele ria, principalmente quando eu contava alguma loucura em que havia me metido, me deixando confortável para até mesmo contar sobre o espirito de Sharon.
– É. Eu criei vocês igual moleque macho! Meu pai exclamou parecendo ter acabado de chegar àquela conclusão. – E você tá parecendo um moleque mesmo com esse cabelo curto, mas fico feliz em vê-la fazendo suas próprias escolhas.
Enquanto crescíamos, fomos tratadas como verdadeiros meninos, brincávamos na lama, cortávamos os cabelos uma das outras, e ao passo em que crescíamos, ficamos cada vez mais independentes. A verdade era que meu pai queria filhos homens, como a maioria dos pais, então, acabou criando-nos assim, então, quando estávamos com ele, usávamos shorts, bonés e aprendíamos a dirigir e trocar pneus.
Por outro lado, quando estávamos com a mãe, nos comportávamos como “meninas modelos”, cabelos trançados, vestido de bordado e caminhado delicado.
Isso poderia facilmente ter ferrado com as nossas cabeças, mas pelo contrário, edificou nosso caráter, nos tornando mulheres responsáveis, e quase cristãs.
– E eu agradeço por isso... – Comentei depois de um tempo.
Ele balançou a cabeça negativamente e rimos juntos, sendo interrompidos apenas quando a porta do quarto rangeu, mostrando que mais alguém entrava no quarto. Ergui a cabeça, notando que era a minha mãe e fiquei surpresa ao ver a peruca em suas mãos, ela parecia baqueada ainda.
– Perdão por não ter contado antes... – Murmurei, sentando-me para fita-la direito, já me preparando para a discussão que pensei que teríamos.
– Você achou que não acreditaríamos em você? Minha mãe questionou parecendo preocupada, como se não acreditasse na imagem que formou em minha mente, mesmo sem querer.
– Não sei, só passou muita coisa pela minha cabeça... – Expliquei soltando um suspiro angustiado pois, ela ainda olhava diretamente para meus cabelos. – E também, eu não queria me envolver na vida dela, porém, a situação foi só piorando.
Minha mãe soltou um longo suspiro, e caminhou em minha direção, sentando-se ao meu lado, pousando uma das mãos sobre a minha ainda sem me encarar diretamente.
– Acho que tenho culpa nisso... – Ela comentou, mostrando que sentia certa culpa por nossa relação bagunçada. – É como dizem, a frustração é tão grande quanto as expectativas.
Abaixei a cabeça ao ouvir suas palavras, e senti lágrimas quentes começarem a rolar por meu rosto, eu sabia que em algum momento teríamos aquela conversa, mas não pensei que teria tanta dificuldade para lidar com isso. E no fim, acabei apenas ouvindo-a enquanto tentava parar de chorar, mesmo parecendo impossível.
– Mas eu estava errada! Minha mãe exclamou, e mesmo percebendo a surpresa em minha face, continuou seu relato, obviamente aproveitando para implicar um pouco. – Fui injusta em colocar tanto peso sobre os seus ombros, e sendo honesta, você nunca foi uma filha ruim, apenas cabeça dura.
– Querida, pegue leve... – Meu pai pediu vendo que estávamos prestes a nos engalfinhar novamente, mas ele não parecia preocupado com isso de verdade, o risinho em seu rosto dizia muita coisa sobre o que estava pensando. – Esperem aí que vou pegar a pipoca.
Ambas rimos, o hábito de meu pai em não levar tanto as coisas a sério, as vezes salvava o dia. Ela sorriu, me abraçando com carinho e acariciou meus cabelos, seu rosto ainda expressava alguma tristeza por não ver mais meus longos cachos, mas parecia conformada com o que via.
Mesmo que as vezes ficasse magoada, eu fazia esforço para entende-la, principalmente porque sabia da relação tortuosa que minha avó tinha com os filhos, e olhando hoje, talvez ela nunca tenha desejado ser mãe, assim como eu, mas foi forçada pela sociedade a ter filhos como era tão preciso depois do casamento.
– Estou orgulhosa de você! Ela comentou de repente, e apertou as minhas mãos. – Não vou mentir, tem muita coisa que ainda não concordo, mas vou me esforçar.
– Eu também! Exclamei retribuindo seu abraço, juntando os dois para apertá-los.
Depois de tudo o que aconteceu, precisei ficar alguns dias internada no hospital para tratar uma inflamação no estomago causada pelos socos, como estava medicada a maior parte do tempo, não sentia dor, mas a angustia em não poder ver Dylan era o pior. Ele havia passado por cirurgias por cauda das facadas, sua parceira de ação, Hanna, havia me visitado, contando sobre seu estado de saúde que era estável, mas não conseguiu me acalmar. Mari passava a maior parte do tempo ao meu lado, tendo que ser praticamente expulsa pelos médicos, quando o horário de visita acabava, o que sempre me fazia rir de suas carinhas de cachorro sem dono dela. Meus pais eram outros que sempre estavam por perto, não queria contar para eles sobre o incidente, inicialmente, para não os preocupar, mas depois de um tempo, percebi que seria pior se descobrissem depois. Tenho feito muito, mesmo estando presa naquele hospital, trabalhei em meu romance, usando como base o manuscrito que fiz na noite de bebedeira, e não
Devo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma maldita gaiola.As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.– Não gas
Azárya Depois de três dias, tendo me acertado com meus pais e reencontrado alguns dos meus antigos educandos, percebi que precisava retomar minha vida acadêmica, ou acabaria reprovando, então, depois de uma choradeira e promessas de que passaria o natal com eles, voltei para Nova York, sendo recebida na rodoviária por um abraço caloroso de Mari. – Tenho tanto para te contar... – Murmurei sorrindo enquanto a acompanhava, ajeitei a alça da mochila sobre o ombro e suspirei feliz. – Sinto que tirei um peso das minhas costas depois de conversar com a minha mãe, agora ela e meu pai já sabem de tudo, e resolvi minha situação com Neuza também. Mari ouvia tudo, balançando a cabeça em concordância, e ao ouvir sobre meu desfecho de novela mexicana com a ex-diretora, soltou alguns palavrões, mas ainda assim, continuou ouvindo e rindo com meus comentários. – Cadê minha pipoca? Ela questionou retoricamente, ainda divertindo-se muito com o que ouvia,
DylanO dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de
Azarya...Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do gr
Estar com a família de Christopher fez com que eu pensasse cada dia mais sobre a minha, quando eu cheguei em casa naquele dia, depois de ir para o trabalho, sentei-me no sofá pensando se Noah dormiria na casa do namorado aquela noite. Não conversamos muito, fazemos as tarefas domésticas que separados para cada um, e organizamos as contas, mas tirando isso, quase nunca temos contato. Fiquei meu celular, tomando coragem para m****r mensagem novamente para o meu irmão, e depois de algum tempo, finalmente mandei uma mensagem para Matteo, perguntando como ele estava, e para a minha surpresa, a resposta foi imediata novamente, dessa vez, fazendo uma ligação. De repente, como uma epifania, percebi o quanto fui imaturo e cruel, tomando coragem para atenção a chamada, afim de me desculpar corretamente, mas antes, desatei em lágrimas como um idiota. – Eu percebi que você apagou as fotos com Thomas, vocês brigaram? Matteo questionou sua voz tomando um tom séri







