LOGINDo outro lado da cidade, Miguel finalmente chegou em casa.O trajeto do hospital até ali havia sido relativamente tranquilo, mas sua mente estava longe de encontrar paz. Uma preocupação não lhe dava sossego: o estado de saúde do pai.Ele continuava internado na UTI, e os médicos ainda não podiam garantir quando haveria uma melhora significativa. Miguel sabia que precisava descansar e recuperar as próprias forças, mas como conseguiria pensar em si mesmo quando o homem que sempre representara sua maior referência estava lutando pela vida?Assim que entrou, deixou as chaves sobre um móvel e permaneceu parado por alguns segundos, observando o ambiente silencioso.A casa parecia grande demais.Pela primeira vez em muito tempo, ele se sentiu completamente perdido, sem saber para onde ir ou o que fazer. Durante toda a vida, acreditara que, independentemente das dificuldades, sempre teria o pai para orientá-lo. Mesmo depois de perder a mãe, ainda encontrara nele um ponto de apoio, alguém que,
Quando entraram, Ana fechou a porta e passou o braço pelos ombros da amiga, conduzindo-a até o sofá. O interior da casa parecia exatamente como Laura havia deixado, mas agora tudo lhe parecia precioso. Seus poucos móveis, as roupas guardadas, os objetos espalhados pela sala. Era pouco, mas era seu. Ana sentou-se ao lado dela. — Agora você vai me contar tudo. Onde você estava durante todos esses dias? Como conseguiu sobreviver? Laura respirou fundo. Começou contando sobre o acidente, a queda, o isolamento e os dias em que precisaram encontrar água e comida para continuar vivos. Falou sobre o fogo, as tentativas frustradas de conseguir ajuda e, finalmente, sobre a picada que deixara Miguel tão doente. Quando mencionou o resgate, sua voz ficou mais leve. — Foi ele quem me ajudou a continuar quando eu já não sabia o que fazer. E, quando ele ficou doente, eu achei que fosse perdê-lo. Ana a ouviu atentamente. — E esse Miguel? — perguntou, com um pequeno sorriso curioso.
Depois de resolver a volta de Laura, o assistente retornou ao hospital para buscar Miguel. Quando chegou, descobriu que ele já havia recebido alta. A assistente social deixara uma muda de roupa para que ele pudesse trocar as peças simples que usava desde o resgate. Miguel vestiu-se em silêncio, ainda sentindo o corpo fraco e dolorido, mas aliviado por finalmente estar deixando aquele lugar. Pouco depois, os dois seguiram de volta para o Brasil. No caminho até o aeroporto, Miguel permaneceu calado. Sua mente ainda estava presa aos últimos acontecimentos na ilha, ao resgate e, principalmente, a Laura. Precisava saber se ela estava bem. Precisava ouvir sua voz novamente Ela havia prometido que entraria em contato com ele assim que chegasse, mas até o momento nada de noticias. Então pensou que ela estava ocupada com seus problemas na casa. Ao chegarem ao aeroporto, o assistente cuidou dos documentos e dos procedimentos necessários para o embarque. Miguel, ainda cansado, se
O avião já havia alcançado a altitude de cruzeiro quando Laura finalmente conseguiu relaxar um pouco na poltrona. Pela pequena janela, as nuvens se estendiam como um imenso tapete branco, iluminadas pelo sol. Era uma paisagem bonita, quase tranquila demais para alguém que, poucos dias antes, acreditava que morreria em uma ilha deserta. Ela deveria estar feliz. Estava voltando para casa, para sua rotina, para a pequena vida que havia construído com tanto esforço. Ainda assim, quando sentiu o avião inclinar levemente, seu corpo reagiu antes que pudesse evitar. Os dedos apertaram os braços da poltrona. O coração acelerou. Por um instante, o som dos motores pareceu se transformar no ruído do vento batendo contra as árvores da ilha. Laura se lembrou da queda, do impacto, da sensação de não saber onde estava e, principalmente, daqueles dias em que cada barulho desconhecido parecia anunciar um novo perigo. Respirou fundo, tentando afastar as lembranças. — Calma, Laura — murmurou
Pouco depois, alguém bateu à porta. Um homem de terno escuro entrou no quarto, carregando uma pasta e segurando o celular. Tinha o rosto cansado e a expressão de quem passara as últimas horas tentando resolver uma situação urgente. Assim que viu Miguel na cama, parou. — Meu Deus... A pasta escorregou um pouco em sua mão. — Miguel! Ele atravessou o quarto rapidamente e se aproximou da cama. — Você está aqui mesmo! Miguel sorriu. — Estou. Surpreso? O homem soltou uma risada nervosa, mas seus olhos estavam marejados. — Surpreso? Eu quase enlouqueci tentando descobrir onde você estava! Ele se inclinou e abraçou Miguel com cuidado. Por alguns instantes, nenhum dos dois disse nada. O assistente se afastou apenas o suficiente para olhar para ele. — Eu não acredito que estou vendo você. — Eu também não acredito que finalmente saí daquela ilha. O homem passou a mão pelo rosto, tentando recuperar a compostura. — O importante é que você está vivo. Miguel ass
O quarto do hospital ainda estava silencioso quando dois policiais chegaram acompanhados de uma funcionária da administração. Laura, que estava sentada ao lado da cama de Miguel, levantou-se imediatamente. — Bom dia. Vocês são Laura e Miguel? — perguntou um dos policiais. — Sim — respondeu ela, um pouco apreensiva. — Somos da polícia local. Precisamos confirmar a identidade de vocês e registrar oficialmente o que aconteceu. Como vocês foram encontrados após um período desaparecidos, precisamos concluir alguns procedimentos. Miguel, ainda deitado, assentiu. — Tudo bem. Um dos policiais puxou uma cadeira, enquanto o outro abriu uma pasta com formulários. As perguntas começaram. Queriam saber quando haviam desaparecido, onde estavam antes do acidente, como haviam chegado à ilha e quantos dias passaram isolados. Perguntaram sobre as circunstâncias da queda, os ferimentos, a falta de comunicação e a maneira como conseguiram chamar a atenção do navio. Laura respondeu p







