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Capítulo 103 — Mil vezes sim, Daniel!

last update Date de publication: 2026-08-28 05:31:36

POV Jullie

A tarde de sábado caía sobre a enseada de Angra dos Reis tingindo o céu de tons alaranjados, violetas e dourados. O mar calmo da baía privada da propriedade de Daniel parecia um espelho de safira líquida, refletindo as primeiras estrelas que despontavam tímidas no horizonte.

Daniel havia insistido para que viéssemos para a casa de praia no final daquela semana, longe de qualquer compromisso institucional do Ministério Público ou das bancas de advocacia. No entanto, desde o meio da
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    (POV Jullie) O sol da manhã subia pelo horizonte de Petrópolis cortando a névoa fria das montanhas, tingindo as copas das araucárias com um dourado límpido e cristalino. O ar cheirava a terra úmida, café passado no coador de pano e folhas secas de jasmim que caíam preguiçosas sobre as pedras da varanda. Hoje, Gabriel completava exatamente um ano de vida. Eu estava parada junto à amurada de madeira envernizada da entrada, segurando uma caneca de louça fumegante com as duas mãos, desfrutando da brisa suave que agitava a barra do meu vestido de linho branco. Os cabelos estavam soltos, ondulando pelas minhas costas com uma leveza que durante anos me fora roubada. Não havia maquiagem pesada, nem a tensão prévia de quem revisava dezenas de depoimentos contraditórios antes de uma audiência de instrução e julgamento. Havia apenas uma mulher inteira, respirando o ar puro de sua própria terra. Pelo caminho de cascalho que circundava o jardim principal, risadas infantis quebravam o silênci

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    (POV Jullie) A correspondência oficial da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro repousava sobre a mesa de centro da varanda, ao lado de uma jarra de suco de amora silvestre e de um mordedor de borracha azul em forma de âncora. O carimbo em relevo do Ministério Público não me causava mais aquele sobressalto gélido que durante anos acompanhou a minha rotina profissional. Na folha timbrada, com a elegância seca dos atos administrativos de cúpula, o Procurador-Geral homologava os últimos trinta dias da minha licença-maternidade estendida e fixava o termo de reassunção facultativa das minhas funções para o início do próximo mês. Eu estava sentada no degrau mais largo da varanda, com os pés descalços apoiados no gramado aparado. Vestia uma calça pantacourt de linho cru e uma blusa de seda verde-musgo, sem maquiagem e com os cabelos presos num coque frouxo preso por uma fivela de madrepérola. A dois metros de mim, Gabriel protagonizava sua habitual expedição matinal.

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