LOGIN~~ Jade~~Valentina e eu nos entreolhamos, a resposta da pergunta dela estava na ponta da minha língua, mas eu ainda não sabia até que ponto era possível confiar nela.— Não sei, dona Eleanor. O Giovanne só me disse que precisava resolver umas pendências da empresa, não me deixou vir, me ligou uma última vez dizendo que logo voltava para casa e, de repente, desapareceu.— Ele tinha algum inimigo?— Além dos próprios parentes e da família da ex? — falei com certo desdém. — Nunca mencionou nenhum…— Que parentes? O meu irmão e o meu sobrinho? O que está insinuando?— Não estou insinuando nada, apenas respondendo à sua pergunta de acordo com o que já ouvi dele.Eleanor começou a andar de um lado para o outro.— Raciocina, sogra. Quem teria interesse em derrubar o seu filho e por quê?Ela parou, encarando-me com os olhos cheios de lágrimas, e eu tive a certeza de que a resposta já havia cruzado a mente dela, embora lhe faltasse coragem para admitir.— A senhora sabia que a Alexandra e o s
~~ Jade ~~Ocorreu um empate, ficando nítido naquele momento quem eram os membros leais ao Giovanne e os lobos em pele de cordeiro que estavam com seu tio. Porém, antes que eu pudesse lamentar a derrota evidente, Eleanor voltou a encarar o irmão, erguendo uma sobrancelha.— Bom, temos um empate e como sócia majoritária e dona direta desta empresa, detenho o poder de escolha. Dito isto, assunto encerrado. Reunião encerrada. Estão liberados senhores.Washington e Eleanor ficaram ali se encarando, como se fossem entrar em combate físico. Fiquei observando-os ainda incrédula com a atitude da minha sogra, e ao mesmo tempo feliz, desejando poder contar isso para Giovanne um dia.Ela havia me defendido, defendido o filho pela primeira vez e colocado a vida dele acima do dinheiro. Era realmente uma pena que ele não pudesse estar ali para ver aquilo.— Jade! — Valentina me tirou do meu momento de transe, puxando-me pelo braço. — Vamos… A reunião acabou… Vem!— Eu não estou bem, amiga. Preciso
~~ Jade ~~— O que houve? — perguntei, sentindo o estômago revirar.— O Edward disse que o que aconteceu não foi um acidente.— O quê? — Fiquei de pé num sobressalto. — Tentaram matar o Giovanne de propósito?— Ele ainda está muito confuso, às vezes fala coisas desconexas, mas repetiu várias vezes que não foi um acidente. Ele falou sobre carros pretos… E me pediu para procurar um tal de D’Ávila.— D’Ávila? — Franzi o cenho, confusa.— Sim. Eu pesquisei, ele é o CEO de uma empresa de auditoria forense — Valentina explicou do outro lado da linha. — Talvez eles tenham contratado os serviços deles.— Você acha que esse D’Ávila está envolvido no atentado?— Não, amiga… Raciocina. Eles devem ter descoberto algo muito grave, alguma sujeira pesada.— Então… Tentaram calar os dois? Por isso ele viajou de repente para Boston e não me deixou vir junto… — deduzi, o pavor me gelando a espinha.— O Edward ainda não consegue explicar com clareza. Depois eu tento tirar mais detalhes dele, mas por pre
~~ Jade ~~— Dona Eleanor… — Dei um passo para trás, cobrindo minha barriga com a mão em um gesto puramente defensivo. — Desde quando a senhora está aí?— Está grávida… — Seus olhos desceram para a mão. — Grávida de quanto tempo? Por que eu não soube disso antes?— Ele não quis… Não queria que ninguém em Boston soubesse.— Ele pretendia esconder o meu neto de mim?!— Não! — Minha voz falhou, atropelada pela exaustão e pela dor. — Nós só estávamos protegendo o nosso bebê porque… porque vocês me odeiam! Porque você sempre me tratou com desprezo!— Você fez a cabeça do meu filho! — ela acusou, dando um passo em minha direção. — Envenenou o Giovanne contra a própria família!— Eu não fiz nada! — rebati com os dentes cerrados, as lágrimas escorrendo quentes e descontroladas pelo meu rosto. — Ele tomou essa decisão sozinho!Eleanor calou-se abruptamente. Passou a mão trêmula pelos cabelos, e caminhou até a beira do leito de Giovanne. Fitou o rosto pálido e entubado do filho como se buscasse
~~ Valentina ~~O táxi disparou pelas ruas de Boston em direção ao Massachusetts General Hospital. No banco traseiro, eu segurava Jade com força, sentindo o corpo dela tremer de enquanto lágrimas mudas desciam por seu rosto pálido. Ela parecia anestesiada, com as mãos cravadas na barriga como se aquele bebê fosse sua única força.Com as mãos trêmulas, peguei meu celular e busquei o contato de Grace, a irmã de Edward. Disparei a chamada rezando para que ela atendesse em meio ao caos.— Hey? Valentina? — a voz dela soou chorosa.— Grace, por favor, me diz que você tem notícias! — falei em inglês — Onde eles estão? Como o Edward está?— Nós estamos no MGH… — Grace respirou fundo, tentando conter os soluços. — Foi horrível, Valentina. O carro despencou do viaduto. O estado do Giovanne é crítico, os médicos disseram que a atividade cerebral dele está quase imperceptível… Mas o Edward… Ele passou por uma cirurgia e já recuperou a consciência, mas ainda está confuso.Um breve momento de alív
~~ Jade~~Conseguimos um voo que sairia ainda na madrugada. Falei para minha mãe que a nossa presença havia sido solicitada com urgência, inventando uma desculpa corporativa qualquer, e fizemos as malas rapidamente.Uma vez no avião, o silêncio reinava. Valentina estava com o olhar distante, perdido no encosto da poltrona à nossa frente. Eu chorava em silêncio, com as mãos firmemente apoiadas em meu ventre, temendo o que estava por vir.— Ele não passava nem duas horas sem ligar ou mandar mensagem… — murmurei com a voz embargada.Valentina também derrubou uma lágrima, apertando minha mão com força.— Ele não ia brincar comigo desse jeito. Isso não pode ser uma brincadeira. Ele sabe que eu não tenho psicológico para essas coisas… — Amiga… — Valentina disse em um tom suave. — Eu acho que o Giovanne jamais faria algo para te estressar dessa forma, principalmente agora, com a gravidez…Assenti, o choro se aprofundando e rasgando minha garganta.— Você também acha que aconteceu algo sério







