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Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
ผู้แต่ง: Duduzinho

Capítulo 1

ผู้เขียน: Duduzinho
Depois de três anos de casamento, naquela noite Sofia abriu pela primeira vez o computador no escritório de Miguel.

Se não fosse por um documento importante que precisava enviar com urgência, talvez ela nunca tivesse visto aquela planilha diante dos seus olhos.

No computador de Miguel, todas as pastas eram nomeadas de acordo com projetos da empresa.

Mas havia uma com um nome especial: Isa.

Movida apenas pela curiosidade, Sofia abriu aquela pasta.

Dentro, havia apenas uma planilha: Vingança.

Sofia vinha de uma família monoparental; a mãe estava internada, e conseguir se casar com Miguel, do Grupo Castro, era, para ela, algo muito além do que jamais ousara imaginar.

O encontro entre ela e Miguel parecia coisa de novela, e o que veio depois foi ainda mais peculiar.

Na época, Miguel sofreu um acidente de carro; o motorista responsável fugiu, e foi Sofia quem o levou ao hospital, salvando a vida dele.

Depois, de repente, certo dia Miguel apareceu na entrada da universidade dela.

Era Dia dos Namorados.

Miguel levou novecentas e noventa e nove rosas cor de rosa e declarou seu amor.

Naquele ano, o preço das flores tinha disparado, ainda mais por causa da data comemorativa; aquele buquê custava pelo menos alguns milhares de dólares e causou comoção em todo o campus.

Sofia colocou o buquê com todo cuidado ao lado da cama, mesmo sabendo que acabaria internada por causa de uma alergia ao pólen.

Ela nunca contou isso a Miguel e, por isso, em todos os encontros, ele sempre aparecia com um buquê de rosas cor de rosa.

Antes mesmo de se formar, Sofia se casou com Miguel e, depois do casamento, passou a ser dona de casa.

Miguel era extremamente ocupado com o trabalho e precisava de uma mulher para cuidar do lar.

A sogra dizia que Miguel tinha problemas no estômago, que comida caseira era mais saudável e que empregados, no fim das contas, eram estranhos; ninguém podia substituir a esposa.

O dever da esposa era cuidar da casa, apoiar o marido e criar os filhos.

Durante o dia, Sofia cozinhava e lavava roupas; à noite, acompanhava Miguel na vida conjugal.

Havia pouca interseção entre as vidas dos dois.

A planilha diante dela parecia uma janela para conhecer Miguel de verdade.

Sofia clicou para abrir, e as imagens começaram a surgir uma após a outra.

A planilha tinha apenas duas colunas, quase nenhum texto, apenas fotos.

No topo da coluna da esquerda estava escrito o mesmo nome da pasta: Isa.

Sofia olhou várias vezes, mas não conseguiu entender o significado.

Já as letras da coluna da direita eram fáceis de compreender: Sofi.

Sofia.

A mão que segurava o mouse começou a tremer.

As duas colunas registravam datas e tinham fotos anexadas.

Nas imagens da coluna Isa, aparecia sempre a mesma garota.

Na primeira foto, havia um enorme buquê de rosas cor de rosa aos pés da garota, pelo menos novecentas e noventa e nove.

Na segunda, ela exibia um colar de diamantes no pescoço, ainda abraçando um buquê de rosas cor de rosa.

Na terceira, sorria radiante, segurando uma bolsa Hermès, com um buquê de rosas cor de rosa sobre a mesa.

Com os olhos tomados por aquele rosa intenso, Sofia voltou o olhar para a coluna da direita.

As fotos ali eram todas dela mesma.

Na primeira foto, diante de Sofia também havia um enorme buquê de rosas cor de rosa, exatamente igual ao da garota da coluna à esquerda.

Na segunda, aparecia o mesmo colar de diamantes, acompanhado das mesmas rosas cor de rosa.

Na terceira, surgia a mesma bolsa Hermès, com as mesmas rosas cor de rosa.

Na quarta, na quinta, na sexta...

Até que, quando a garota da esquerda apareceu segurando rosas cor de rosa, com um anel de diamante rosa na mão esquerda, e, do lado direito, no mesmo dia, Miguel pediu Sofia em casamento com um anel de diamante rosa tirado do buquê de rosas, a planilha finalmente chegou ao fim.

Sofia fechou o computador em silêncio, como se tivesse compreendido alguma coisa.

Antes, ela sempre acreditara que Miguel gostava de rosas cor de rosa e, por isso, as dava a ela o tempo todo.

Embora Miguel nunca usasse nem vestisse nada dessa cor, naquela época Sofia achou que havia descoberto um segredo dele e ficou animada por vários dias.

Mas, afinal... quem gostava de rosas cor de rosa era a garota daquela planilha.

Naquela noite, Sofia não conseguiu dormir.

Miguel não voltou para casa, pois passaria a noite inteira negociando um projeto com o pessoal de Novária, mas disse que isso não atrapalharia o compromisso de levar ela ao hospital no dia seguinte.

Nos últimos dias, Sofia vinha sentindo dores constantes no abdômen, e Miguel havia marcado uma consulta com um especialista para a manhã seguinte, às nove horas.

......

Na verdade, a descoberta daquela noite não provava nada.

Mesmo que Miguel tivesse se aproximado dela no início para se vingar de outra mulher, isso havia acontecido antes do casamento.

Depois de casados, Miguel não era exatamente carinhoso, mas também não a tratava mal; todo mês lhe entregava dinheiro sem atraso.

Em datas comemorativas e aniversários, sempre tomava a iniciativa de dar presentes.

No aniversário daquele ano, Sofia recebera um conjunto cor de rosa, apesar de essa ser justamente a cor de que ela menos gostava.

Como presidente do Grupo Castro, Miguel naturalmente estava cercado de mulheres, mas, ao longo dos três anos de casamento, nunca surgira nenhum escândalo envolvendo o nome dele.

Houvera apenas uma vez em que um perfil de fofoca publicou uma foto dele ao lado de uma atriz.

Miguel acionou imediatamente a assessoria para desmentir o boato, e o perfil foi apagado ainda naquela mesma noite.

Sofia se revirava na cama, incapaz de dormir, tentando convencer a si mesma a parar de se consumir por dentro.

Miguel não estava tendo um caso; talvez apenas não a amasse tanto quanto ela imaginava.

Sua mãe, Alzira, costumava dizer que casamento é sempre um acordo possível, mas que, se fosse para se casar com alguém que se ama, era preciso valorizar ainda mais.

E Sofia sempre valorizara esse casamento.

Ela amava Miguel desde os treze anos, havia dez anos inteiros.

Só que Miguel não sabia disso, e ainda não sabia.

Sofia pegou o celular e desbloqueou um álbum privado, protegido por senha, que não abria desde depois do casamento.

No álbum havia apenas uma foto, aparentemente tirada em um refeitório, com um ambiente e uma iluminação opressivos, que lembravam uma prisão.

Na imagem, aparecia uma garota muito jovem, com pouco mais de dez anos, usando aparelho metálico nos dentes e com o cabelo cacheado em ondas largas tingidas de cinza.

Ninguém reconheceria naquela menina a Sofia de hoje, mas certamente identificaria o rapaz cheio de vitalidade, ao fundo, em um canto da foto, como Miguel.

Era a única foto de Sofia com Miguel...

Se é que podia ser chamada de foto dos dois.

Só quando o dia já estava quase clareando é que Sofia conseguiu adormecer.

Menos de três horas depois, foi acordada pelo despertador.

Com olheiras profundas, ela ficou parada diante do Hospital Central esperando Miguel.

O vento da manhã ainda era frio e fazia o nariz escorrer sem parar.

Às oito e cinquenta, Sofia recebeu uma mensagem de WhatsApp de Miguel:

[Tem um projeto urgente na empresa, preciso viajar a Novária. Não vou poder te acompanhar. Vá sozinha ao hospital, já falei com o especialista. À noite consigo voltar para casa.]

Sofia apertou o casaco contra o corpo e entrou sozinha no hospital.

Quando saiu, tinha nas mãos um laudo de ultrassom.

O exame mostrava que ela estava grávida de dois meses, mas havia ameaça de aborto.

Era a primeira gravidez de Sofia, o primeiro filho dela com Miguel.

Ela passou a mão pelo ventre, e a alegria transbordou em seu rosto.

Embora o médico tivesse dito que a ameaça de aborto não era tão grave, ainda assim seria necessário ter muitos cuidados para manter a gestação.

Ela pegou o celular, querendo contar a novidade a Miguel.

O som da chamada ecoava no aparelho, enquanto o coração de Sofia se enchia de expectativa e nervosismo.

"Miguel... deve ficar feliz, não?"

Antes da noite anterior, essa pergunta sequer passava pela cabeça de Sofia.

Finalmente, a ligação foi atendida.

— Amor, eu...

— Estou em reunião. Se não for nada importante, não me ligue.

A chamada foi encerrada de imediato, restando apenas o sinal de ocupado ecoando no ouvido de Sofia.

O vento soprou, deixando seu coração vazio e sem peso.

Ela baixou o celular e, naquele exato momento, uma notícia apareceu na tela...

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