Se connecterPOV: Bianca BelliniA fotografia da mamãe permaneceu na sala. Na manhã seguinte, parei diante dela antes de seguir para o café. Ao lado, havia um espaço vazio. Lorenzo tinha prometido procurar uma fotografia de Giovanni para colocar ali.Bellini e De Luca. Mortos que nunca imaginariam seus retratos dividindo a mesma mesa. Sorri e continuei.Encontrei Lorenzo no café da manhã, naturalmente, trabalhando.— Não. — Ele levantou os olhos do documento.— Bom dia para você também. — Puxei a cadeira. — Ontem você conseguiu esperar uma hora.— Foi uma experiência desagradável.— Sobreviveu.— Por pouco.Olhei para a comida; a quantidade tinha diminuído.— Você falou com a cozinha.— Você pediu.— Não pedi, reclamei.— Com você, estou começando a perceber que existe pouca diferença.Sorri e peguei uma fruta.— O que está lendo?Lorenzo hesitou.— Trabalho.— Que resposta esclarecedora.— Não é sobre a investigação.— Então não quero saber.Ele pareceu surpreso.— Não?— Nem tudo que você faz pr
POV: Lorenzo De LucaAcordei com Bianca nos meus braços. Dessa vez não havia como culpar o sono. Ela tinha se aproximado de mim na noite anterior. Eu a envolvi pela cintura conscientemente e adormeci daquele jeito. Agora seu rosto descansava contra meu peito, uma das mãos segurava frouxamente minha camisa e nossos pés estavam entrelaçados sob os lençóis.Olhei para o relógio: sete e vinte. Normalmente já estaria de pé. Não me movi. Bianca respirou fundo e se aconchegou mais, e meu braço apertou sua cintura por instinto. Aquilo estava se tornando um problema, um problema confortável demais.O meu celular vibrou sobre a mesa. Ignorei. Vibrou novamente. Bianca resmungou.— Se for Alessandro, demita.Sorri.— Bom dia.— Ainda não.— São sete e vinte.— Exatamente.— Normalmente já estou trabalhando.Ela abriu um olho.— Você é casado agora. Precisamos corrigir seus hábitos ruins.— Casamento não altera o relógio.— Deveria.O celular vibrou pela terceira vez e Bianca levantou a cabeça.—
POV: Lorenzo De LucaEncontrei a caixa onde a deixei anos atrás. Estava no fundo de um armário do escritório, entre documentos antigos que eu raramente consultava e algumas coisas que nunca tive coragem de jogar fora: fotografias. Bianca tinha pedido para vê-las. Uma solicitação simples, mas permaneci alguns segundos segurando a caixa fechada.— Está escondendo segredos?Levantei os olhos. Bianca estava encostada no batente da porta.— Você anda silenciosamente demais.— Ou você estava distraído. — Ela entrou. — Encontrou?Levantei a caixa.— Infelizmente.— Infelizmente?— Ainda podemos fingir que essa conversa nunca aconteceu.Bianca sorriu.— Abra.— Você está muito confortável dando ordens na minha casa.Ela ergueu uma sobrancelha.— Nossa casa.Olhei para ela.— Está aprendendo rápido.— Com o melhor.Levei a caixa até o sofá, e Bianca se sentou ao meu lado. Abri.A primeira fotografia mostrava meu pai muito mais jovem, segurando uma criança que claramente não queria permanecer p
— Está dizendo que Bernardi matou aquele homem? — perguntei.— Não — Matteo respondeu imediatamente. — Não temos evidência disso.Lorenzo assentiu.— Não confundimos ligação financeira com autoria.— Mas ele fazia parte da estrutura naquele período — falei.— Isso podemos afirmar com muito mais segurança — Matteo respondeu.Enzo Mancini falou pela tela:— Nossos arquivos confirmam a Bellavista contratando a Sicurezza Tecnica Lombarda para três eventos privados. Dois contratos são legítimos; o terceiro é estranho.— Por quê? — Lorenzo perguntou.— Valor muito acima do serviço declarado.— Lavagem?— Possivelmente.Matteo abriu outro documento.— O pagamento desse terceiro contrato foi autorizado por uma empresa intermediária.Eu já sabia que não gostaria da resposta.— Qual?Matteo olhou para Lorenzo.— Lombardia Distribuzione.Lorenzo ficou imóvel, e Alessandro soltou uma maldição baixa. As peças começaram a se encaixar: Bellavista Eventos, Lombardia Distribuzione, Elisa Moreau, Luca
POV: Bianca BelliniAcordei sem saber onde estava. Não durou mais do que alguns segundos: o teto diferente, as cortinas, a luz entrando pelas frestas, o cheiro que não pertencia ao meu quarto na Villa Bellini. Então senti o peso sobre minha cintura. Parei de respirar e baixei os olhos. Um braço. O braço de Lorenzo.As lembranças da noite anterior voltaram de uma vez: o casamento, papai chorando, Isabella me abraçando, a dança, a conversa no carro, a Mansão De Luca, o quarto, a minha mão procurando a de Lorenzo no escuro. E agora estava praticamente deitada contra seu peito. Fechei os olhos. Como aquilo aconteceu? Tínhamos adormecido separados por uma distância respeitável; eu lembrava perfeitamente. Lorenzo de um lado, eu do outro, nossas mãos unidas no espaço entre nós. Em algum momento durante a madrugada, aquela distância simplesmente deixou de existir.Meu rosto estava contra o peito dele. Uma das minhas mãos repousava sobre sua camisa. O braço de Lorenzo envolvia minha cintura, e
Sofia deveria ter aparecido em meus pensamentos. Não apareceu. Isso me assustou.Olhei para Bianca. Para os olhos que me desafiaram desde o início. Para a mulher que caminhou sozinha até mim naquela manhã. Para minha aliança em sua mão.— Quero que fique. — A voz saiu baixa.Bianca respirou fundo.— Então eu fico.Meu coração bateu mais forte.— Mas... — Parei.— Mas?— Não quero que faça nada porque acha que precisa.— Nem eu.Outro passo. Agora havia pouca distância entre nós. Bianca olhou para minha boca, depois para meus olhos. Eu me lembrei do beijo na cerimônia. Do segundo a mais, da maneira como meu corpo reagiu quando ela segurou meu braço.— Lorenzo...— Sim?— Posso perguntar uma coisa?— Você vai perguntar mesmo se eu disser não.Ela sorriu.— Provavelmente.— Pergunte.Seu sorriso desapareceu.— Quando você me beijou hoje... — Esperei. — Foi apenas porque precisava?Minha resposta veio antes que eu pudesse construí-la:— Não.Bianca ficou imóvel.— Então por quê?A pergunt







