Share

Capítulo 6 — A curva

last update publish date: 2026-07-23 06:16:36

Gabriel percebeu que os freios não funcionavam quando pisou no pedal pela segunda vez.

Na primeira, pensou que tivesse errado.

Na segunda, compreendeu que erros não costumavam afundar até o assoalho sem oferecer resistência alguma.

A van continuou descendo.

— Não.

Ele apertou o pedal novamente.

Nada.

A estrada estava molhada, e uma chuva fina havia começado poucos minutos antes. As árvores dos dois lados pareciam correr em sentido contrário enquanto o veículo ganhava velocidade na descida.

Gabriel segurou o volante com as duas mãos.

— Não, não, não...

Reduziu a marcha.

O motor protestou.

A velocidade diminuiu apenas o suficiente para lhe oferecer esperança antes de aumentar novamente.

À frente havia uma curva.

E, depois dela, Gabriel não conseguia enxergar nada.


Pouco mais de uma hora antes, o trabalho parecera simples.

Talvez essa fosse a parte mais humilhante.

Gabriel estava sentado na recepção da pequena pensão quando Sérgio aparecera.

O homem devia ter pouco mais de quarenta anos, vestia uma jaqueta escura e tinha uma maneira apressada de falar, como se cada minuto que dedicava aos outros lhe custasse dinheiro.

— Você é o rapaz que procura trabalho?

Gabriel levantou-se.

— Depende do trabalho.

— Uma entrega.

— De quê?

— Material de construção.

— Onde?

Sérgio indicou uma região do outro lado da cidade.

— Duas horas, talvez três. Pago hoje.

A última parte era exatamente aquilo que Gabriel deveria ter desconfiado.

Também era exatamente aquilo que o fizera aceitar.

— Quanto?

Sérgio disse o valor.

Era mais do que Gabriel conseguiria em dois dias de trabalho comum.

Pensou na pensão.

Nas contas.

Em Helena partindo para uma fazenda porque era sempre ela quem precisava resolver tudo.

— O veículo é seu?

— Da empresa.

— Está documentado?

— Tudo certo.

— E a carga?

— Nota no porta-luvas.

Gabriel olhou para a van estacionada do outro lado da rua.

Era antiga, branca, com algumas manchas de ferrugem próximas às rodas.

— Parece meio acabada.

Sérgio riu.

— Aparência não transporta mercadoria.

— Freio transporta.

— Revisão feita mês passado.

Gabriel deveria ter pedido o comprovante.

Deveria ter aberto o capô.

Deveria ter verificado os pneus com mais atenção.

Deveria ter telefonado para Helena, embora já soubesse o que ela diria.

Não.

Às vezes, o orgulho não precisava acreditar que estava certo.

Bastava detestar a ideia de ouvir outra pessoa dizer que estava errado.

— Posso dirigir com minha habilitação?

— Pode.

— Tem autorização da empresa?

Sérgio retirou uma folha dobrada do bolso.

— Assina aqui confirmando que recebeu o veículo.

Gabriel leu depressa.

Havia nome da empresa, placa da van e indicação de uma entrega.

Nada parecia evidentemente irregular.

Isso não significava que estivesse correto.

Significava apenas que Gabriel tinha vinte anos, precisava de dinheiro e estava cansado de ser a pessoa que todos julgavam incapaz de ajudar.

Assinou.

Sérgio entregou-lhe as chaves.

— Volta antes das seis.

— E se atrasar?

— Não atrase.

Foi a última vez que Gabriel o viu.


Agora, a van descia sem freios.

Gabriel puxou o freio de mão aos poucos.

A traseira deslizou.

Ele soltou imediatamente e corrigiu o volante.

— Calma.

A palavra não ajudou.

Mas falar consigo mesmo parecia melhor do que ouvir apenas o motor.

A curva aproximava-se.

Gabriel buzinou.

Uma vez.

Duas.

Três.

Reduziu outra marcha.

O motor rugiu.

A velocidade caiu.

Não o suficiente.

Ele entrou na curva mantendo a van o mais próximo possível da margem.

Então viu o carro.

Pequeno.

Cinza.

Subindo no sentido contrário.

Gabriel apertou a buzina e virou o volante.

A motorista também tentou desviar.

Por uma fração de segundo, pareceu que conseguiriam.

Depois o lado da van atingiu a dianteira do carro.

O som foi brutal.

Metal contra metal.

Vidro.

Um impacto que empurrou Gabriel contra o cinto e lançou sua cabeça para a lateral.

A van atravessou parte da pista, bateu contra o barranco e parou inclinada.

Durante alguns segundos, nada existiu além de um zumbido.

Gabriel abriu os olhos.

A testa ardia.

Havia sangue próximo à sobrancelha.

Tentou respirar.

Conseguiu.

Moveu os braços.

As pernas.

Tudo respondia.

Então se lembrou do outro carro.

Soltou o cinto.

A porta da van estava presa.

Empurrou.

Nada.

Chutou duas vezes até conseguir abrir espaço suficiente para sair.

A chuva engrossava.

— Ei!

Correu até o carro.

A frente estava destruída.

Uma mulher permanecia ao volante, imóvel.

— Senhora?

Nenhuma resposta.

Gabriel tentou abrir a porta.

Travada.

— Senhora, consegue me ouvir?

Ela mexeu a cabeça levemente.

Viva.

Apenas isso já pareceu suficiente para fazê-lo respirar novamente.

— Não se mexa.

A mulher abriu os olhos com dificuldade.

— O que...

— Houve um acidente.

— Meu peito...

— Não tente sair.

Gabriel procurou o telefone.

Estava no bolso.

A tela rachara, mas funcionava.

Ligou para a emergência.

— Houve um acidente na estrada do Vale, perto da curva depois da pedreira. Uma van bateu num carro. Tem uma mulher ferida.

A atendente fez perguntas.

Gabriel respondeu como conseguiu.

— Ela está consciente?

Ele se abaixou junto à janela quebrada.

— Senhora, como se chama?

A mulher demorou.

— Teresa.

— Teresa, eu sou Gabriel. A ambulância está vindo.

Ela tentou mover a mão.

— Não consigo...

— Não se mexa.

— Você bateu em mim?

A pergunta o atingiu com mais força que a colisão.

— Os freios falharam.

Teresa fechou os olhos.

— Ei. Não durma.

— Estou cansada.

Gabriel sentiu o pânico subir.

— Teresa, olhe para mim.

Ela abriu os olhos novamente.

— Isso. Fique comigo.

A chuva escorria pelo rosto dele, misturando-se ao sangue.

— A ambulância já está vindo.

— Meu marido...

— Vamos avisá-lo.

— Meu telefone...

— Depois. Primeiro você fica acordada.

Teresa respirou com dificuldade.

— Você está machucado.

Gabriel quase riu.

— Não muito.

— Está sangrando.

— Isso costuma parecer pior na cabeça.

Não tinha ideia se era verdade.

Parecia uma coisa que Helena diria.

Ficou segurando a mão de Teresa através da janela.

Falou com ela sobre qualquer coisa que lhe viesse à cabeça.

Perguntou onde morava.

Se tinha filhos.

Se gostava de café.

Quando Teresa deixou de responder por alguns segundos, Gabriel apertou sua mão.

— Ei.

Ela abriu os olhos.

— Você fala demais.

O alívio quase o fez chorar.

— Minha irmã também diz isso.

— Ela está certa.

— Geralmente está.

Era provavelmente a primeira vez que admitia aquilo sem ser obrigado.

As sirenes chegaram poucos minutos depois.

Para Gabriel, pareceram horas.

Os socorristas assumiram o atendimento.

Um homem afastou-o do veículo.

— Você estava na van?

— Sim.

— Foi você quem dirigia?

— Sim.

— Consumiu álcool?

— Não.

— Algum medicamento?

— Não.

— O que aconteceu?

Gabriel olhou para o veículo parado contra o barranco.

— O freio não respondeu.

— Você verificou antes de sair?

A pergunta abriu um buraco em seu estômago.

— Testei quando comecei a dirigir.

— Fez inspeção?

— Não completa.

— De quem é a van?

— Da empresa.

— Qual empresa?

Gabriel falou o nome que aparecia no documento.

— Quem entregou o veículo?

— Sérgio.

— Sobrenome?

Gabriel ficou imóvel.

— Não sei.

O socorrista não comentou.

Não precisava.

Alguns erros tinham uma habilidade desagradável de parecer óbvios apenas depois que já não podiam ser desfeitos.


Na Fazenda Villagran, Helena estava junto ao telefone quando Rafael ligou.

Atendeu antes do segundo toque.

— Encontrou Gabriel?

Houve uma pausa.

— Houve um acidente.

As palavras não chegaram juntas.

Primeiro Helena ouviu acidente.

Depois precisou descobrir onde colocar o nome do irmão dentro dela.

— Ele está vivo?

— Está.

As pernas quase falharam.

Helena segurou a beirada da mesa.

— Onde?

— Hospital Municipal.

— Está ferido?

— Um corte na testa, algumas contusões. Os médicos estão avaliando.

— E a outra pessoa?

Rafael hesitou.

Helena fechou os olhos.

— Rafael.

— Uma mulher chamada Teresa Amaral. O estado é grave.

A sala pareceu encolher.

— O que aconteceu?

— A van atingiu o carro dela numa curva.

— Gabriel estava correndo?

— Ainda não sabemos.

— Ele bebeu?

— Não há indicação.

— Então o quê?

— Ele afirma que os freios falharam.

Helena ficou em silêncio.

Augusto entrou na sala naquele momento.

Bastou olhar para ela para perceber que alguma coisa havia acontecido.

— Helena?

Ela ergueu a mão, impedindo-o de falar.

— Onde está Sérgio?

— Desapareceu.

— Como assim, desapareceu?

— O telefone está desligado. O endereço fornecido para ele não parece corresponder à residência atual.

— E a empresa?

— Afirma que ainda está verificando a autorização para uso do veículo.

Helena sentiu a raiva substituir parte do medo.

— “Verificando”?

— Há inconsistências.

— Gabriel perguntou se a van era autorizada.

— Eu sei.

— Perguntou sobre a documentação.

— Sei.

— Então alguém entregou um veículo defeituoso a ele.

— Precisamos provar que o defeito existia antes do acidente.

A palavra provar voltou.

Desde Octávio, tudo parecia depender dela.

Provar que uma porta fora trancada.

Provar que uma ameaça existira.

Agora provar que um pedal não funcionara.

— Estou indo para a cidade.

— Helena—

— Não me diga para esperar.

— Não ia dizer. Estou indo buscá-la.

Ela desligou.

Augusto continuava diante dela.

— Gabriel?

— Sofreu um acidente.

— Está vivo?

— Sim.

A palavra saiu falha.

Augusto se aproximou.

— Então sente-se.

— Não quero sentar.

— Você está branca.

— Eu disse que não quero.

Ele parou.

Não insistiu.

— O que precisa?

Helena abriu a boca.

A resposta habitual seria nada.

Ela já a pronunciara tantas vezes que quase se tornara reflexo.

Dessa vez, porém, viu novamente a van na imaginação. Gabriel ferido. Uma mulher desconhecida entre ferragens. Rafael falando em perícia, autorização e provas.

— Preciso ir para a cidade.

— Rafael levará você.

— Já está vindo.

— Precisa de dinheiro?

Helena ergueu os olhos imediatamente.

— Não.

— Para hospital, alimentação, qualquer despesa—

— Eu disse não.

Augusto assentiu.

— Está bem.

Ela esperou uma condição.

Não veio.

— Só isso?

— O quê?

— Não vai dizer que tenho horário amanhã? Que preciso voltar? Que estou sob contrato?

Augusto a observou.

— Você ainda nem assinou.

Helena lembrara.

O contrato continuava em seu quarto.

— E se eu não voltar?

Ele demorou um instante.

— Então não volta.

A resposta deveria tê-la tranquilizado.

Em vez disso, provocou uma espécie diferente de desconforto.

Talvez porque Helena estivesse começando a perceber que Augusto podia ser controlador sem ser previsível.

E pessoas previsivelmente ruins eram muito mais fáceis de odiar.

Rafael chegou vinte minutos depois.

Helena já estava na varanda.

Entrou no carro sem esperar que ele descesse.

Augusto permaneceu junto à porta.

— Helena.

Ela olhou para trás.

— Avise quando souber da mulher.

Não de Gabriel.

Da mulher.

Helena entendeu.

— Aviso.

O carro partiu.


Gabriel estava sendo atendido quando a polícia chegou ao hospital.

Um agente fez perguntas enquanto uma enfermeira terminava o curativo de sua testa.

— A van estava sob sua responsabilidade?

— Durante a entrega.

— Possuía autorização escrita?

— Assinei uma folha.

— Está com ela?

Gabriel pensou no porta-luvas.

— Deve estar no veículo.

— Quem lhe entregou?

— Sérgio.

— Sobrenome?

— Não sei.

— Empresa?

Ele respondeu.

O policial anotou.

— A empresa informa que o veículo não deveria ter saído do depósito hoje.

Gabriel ficou imóvel.

— O quê?

— Também afirma que não localizou funcionário autorizado chamado Sérgio responsável por essa entrega.

— Ele me deu as chaves dentro da pensão.

— Há testemunhas?

Gabriel pensou em Leonor.

Na recepcionista.

Talvez alguém tivesse visto.

— Deve haver.

— A perícia será feita na van.

— Os freios falharam.

— Isso será verificado.

Gabriel olhou para o corredor que levava à emergência.

— E Teresa?

O policial fechou o bloco.

— Está em cirurgia.

Gabriel abaixou a cabeça.

A imagem dela voltava sempre que piscava.

Você bateu em mim?

Sim.

Mesmo que os freios tivessem falhado.

Mesmo que Sérgio tivesse mentido.

Mesmo que a van nunca devesse ter saído.

Era Gabriel quem segurara o volante.

Algumas culpas começavam antes que a justiça decidisse se eram crimes.

Quando Helena finalmente entrou no quarto, ele não conseguiu encará-la.

Ela parou diante da cama.

Viu o curativo na testa, o hematoma começando a formar-se próximo à sobrancelha e as mãos do irmão apertadas sobre o lençol.

— Gabriel.

Ele levantou os olhos.

— Eu fiz tudo errado.

Helena aproximou-se.

— Está vivo.

— Ela pode morrer.

— Eu sei.

— Eu devia ter verificado.

Helena sentiu vontade de dizer que não era culpa dele.

Não disse.

Amar alguém não tornava qualquer mentira misericordiosa.

— Devia.

Gabriel fechou os olhos.

— Eu só queria ajudar.

Helena segurou sua mão.

— Então vai começar ajudando agora.

— Como?

— Dizendo toda a verdade. Sem esconder nada porque acha que vai me preocupar.

Ele assentiu.

No corredor, Rafael conversava com dois policiais.

Mais distante, uma porta se abriu e um médico saiu da área cirúrgica.

Helena olhou imediatamente para ele.

Ainda não sabia se Teresa sobreviveria.

Não sabia se os freios realmente provariam a versão de Gabriel.

Não sabia quem era Sérgio nem por que desaparecera.

Sabia apenas que, em menos de dois dias, sua vida havia criado problemas suficientes para muitas semanas.

E o pior ainda não tinha chegado.

Porque, enquanto Teresa lutava para sobreviver e Gabriel começava a compreender o preço de uma decisão precipitada, alguém fechava discretamente as portas de um depósito no outro lado da cidade.

Quando a polícia chegasse até lá, Sérgio já teria desaparecido.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Quando o Inverno Floresce: O Acordo da Fazenda Villagran   Capítulo 315 — Quando o inverno floresce

    No primeiro inverno em que a casa era deles, Helena descobriu flores junto ao muro.Não muitas.Quatro, talvez cinco, escondidas entre folhas que ela passara quase um ano ignorando porque o arbusto parecia empenhado em ser apenas verde.Saiu para o quintal às seis e quarenta da manhã com uma caneca de café, viu as pequenas flores rosadas cobertas por gotas de orvalho e ficou parada.O frio era leve, desses que faziam as pessoas da região vestir casaco pela manhã e carregá-lo no braço antes do meio-dia. Ainda assim, a grama estava úmida, o ar tinha uma nitidez diferente e Helena precisou esfregar o pé descalço sobre o outro para aquecê-lo.Augusto apareceu na porta da cozinha.— Você vai ficar aí sem sapato?Helena não virou.— Vem ver.— O quê?— Flores.Silêncio.— Helena, existe vegetação no quintal há bastante tempo.Ela olhou por cima do ombro.— Vem.Ele veio.Não porque estivesse impressionado com a botânica.Porque ela pediu.Augusto parou ao lado dela e observou o arbusto.— A

  • Quando o Inverno Floresce: O Acordo da Fazenda Villagran   Capítulo 314 — A casa escolhida outra vez

    Quase um ano depois de terem recebido as chaves da casa alugada, Helena recebeu um e-mail de Eduardo Ferraz enquanto comia uma banana entre duas reuniões.Leu o assunto.Imóvel — proposta aos atuais locatáriosParou de mastigar.Abriu.Eduardo escrevia com a objetividade de quem sabia que qualquer tentativa de delicadeza podia tornar uma questão imobiliária mais assustadora do que precisava ser. Por razões pessoais e reorganização patrimonial, pretendia vender a casa nos meses seguintes. Antes de anunciar ao mercado, queria oferecer aos dois a oportunidade de compra. Não havia obrigação, nem necessidade de resposta imediata. O contrato de locação seria respeitado integralmente se recusassem, e eventual comprador teria de assumir a locação vigente.Helena leu duas vezes.Depois uma terceira.A banana continuou na mão.Clara entrou na copa e parou.— Você está encarando fruta.Helena levantou os olhos.— O dono vai vender a casa.Clara ficou séria.— A casa de vocês?— A casa que a gent

  • Quando o Inverno Floresce: O Acordo da Fazenda Villagran   Capítulo 313 — O lugar de Daniel

    Davi decidiu que Daniel fazia parte da família numa quarta-feira às quatro e vinte da tarde e imediatamente se arrependeu de ter usado uma palavra tão grande.A culpa foi da escola.Naturalmente.A professora havia distribuído uma folha intitulada MINHA REDE DE FAMÍLIA E CUIDADO, o que parecia simples até Davi perceber que havia círculos demais e instruções insuficientes.No centro, precisava escrever o próprio nome.Ao redor, pessoas importantes em sua vida.Podiam ser parentes ou não.A professora explicara isso três vezes.Mesmo assim, Davi ficou vinte minutos olhando para um círculo vazio.Elisa percebeu da cozinha.— Travou?— Não.— Você está parado na mesma palavra desde que eu comecei a cortar cenoura.— Estou pensando.— Certo.Ela não se aproximou.Era uma habilidade aprendida.Na folha já estavam:Mãe.Pai.Tomás continuava ali sem qualquer dúvida.Depois:Tio Augusto.Tia Cecília.Davi tinha começado a escrever Helena como “tia Helena”, parado no meio e riscado.Não porque

  • Quando o Inverno Floresce: O Acordo da Fazenda Villagran   Capítulo 312 — Vinte minutos

    Três semanas depois do casamento, Augusto descobriu que vinte minutos podiam ser mais assustadores que uma cerimônia inteira.No casamento, pelo menos, Helena estivera ao lado dele.No Festival Instrumental de Lago Sereno, ela estaria na terceira fileira.Diferença pequena em metros.Considerável no corpo.— Você já tocou em público — disse Helena.Estavam no quarto do hotel, duas horas antes da apresentação.Augusto ajeitava a manga da camisa pela terceira vez.— Recital pequeno.— Continua sendo público.— Era outro contexto.— Qual?Ele olhou.— Menos gente.— Quantas pessoas você acha que vão estar hoje?— Não sei.— Então está com medo de uma quantidade imaginária.— Obrigado.Helena sorriu.— Disponha.O festival ocupava um antigo centro cultural perto da praça principal de Lago Sereno.Nada enorme.Dois auditórios.Um palco externo.Oficinas durante o dia.Apresentações curtas à noite.Música instrumental suficiente para atrair gente interessada e insuficiente para transformar

  • Quando o Inverno Floresce: O Acordo da Fazenda Villagran   Capítulo 311 — Depois do sábado

    Na manhã seguinte ao casamento, Helena acordou porque Augusto estava tentando alcançar o próprio telefone sem acordá-la.Falhou nas duas tarefas.Ela abriu os olhos e encontrou o braço dele estendido para o criado-mudo, a aliança nova refletindo uma faixa estreita de luz.— O que você está fazendo?Augusto parou.— Nada.— Isso claramente é alguma coisa.— Vendo as horas.— Por quê?— Para saber as horas.Helena fechou os olhos outra vez.— Casamos ontem e você continua péssimo mentindo.Ele pegou o telefone.— Oito e dezenove.— Horrível.— Temos reserva às duas.— Na serra. Uma hora e meia daqui.— Duas, com trânsito.Helena puxou o lençol.— Ainda temos quase quatro horas.— Cinco e quarenta e um minutos.Ela abriu um olho.— Se você fizer contagem regressiva da lua de mel, eu peço divórcio.Silêncio.A palavra ficou no quarto por um instante.Nenhum dos dois riu imediatamente.Helena virou o rosto.Augusto olhava para o telefone, agora sem qualquer interesse nele.— Foi ruim? — pe

  • Quando o Inverno Floresce: O Acordo da Fazenda Villagran   Capítulo 310 — A porta ao lado

    Às seis e vinte da manhã do casamento, Helena percebeu que tinha cometido um erro básico de planejamento.Não havia pensado no café.Não no serviço da Casa das Janelas, que estava contratado. Nem no almoço. Nem no bolo pequeno que Cecília continuava considerando uma ofensa à instituição matrimonial.No café daquela manhã.Ela estava sentada à mesa de camiseta velha, o cabelo preso de qualquer jeito, olhando para um pacote quase vazio enquanto Augusto preparava a cafeteira.— Tem pouco.— Dá para dois.— E amanhã?Augusto virou o rosto.Helena percebeu.— Certo.— Amanhã podemos comprar.— Eu sei.— Literalmente?Ela apontou para ele.— Não começa no dia do casamento.Augusto sorriu e voltou para a cafeteira.A máquina fez o barulho habitual. O mesmo de todas as manhãs em que nada legalmente relevante acontecia.Helena gostou disso.Às onze, assinariam documentos.Antes, precisavam tomar café.Nenhum dos dois tinha planejado uma separação cerimonial na manhã.Ainda assim, ela aconteceu

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status