تسجيل الدخولHelena propôs passar uma semana inteira no apartamento de Augusto numa terça-feira, às onze e vinte e três da noite, depois de discutir com ele por causa de uma toalha molhada.Não era uma briga importante.Talvez por isso servisse.— Você colocou em cima da cama — disse ela.Augusto olhou para a toalha.— Coloquei por dois minutos.— Molhada.— Úmida.— A diferença é defesa criminal?— É precisão.Helena pegou a toalha e levou para o banheiro.— Tem gancho.— Eu ia voltar.— Quando?— Depois de colocar a camiseta.— E nesse intervalo ela precisava conhecer o colchão?Augusto, já vestido, ficou observando.— Você está realmente irritada.— Estou.— Com uma toalha.— Sim.— Interessante.Helena voltou para o quarto.— Não analisa.— Estou tentando entender.— Entende que eu odeio toalha em cima da cama.— Informação nova.— Agora não é mais.Augusto assentiu.— Certo.Ela apontou para ele.— E não fica com essa serenidade irritante como se eu fosse uma pesquisa de comportamento domésti
O primeiro uso incorreto do guia chegou até Helena por uma fotografia de celular.Quarta-feira, oito e onze da manhã.Ela estava no posto, terminando café e lendo uma mensagem de Jonas sobre uma reunião que aconteceria na semana seguinte, quando apareceu um número desconhecido.Bom dia, enfermeira Helena. Desculpa procurar direto. Meu nome é Tereza Lima, trabalho na USF Campo Verde, em Monte Claro. Disseram que agora temos que manter 90% de retorno ativo porque está no guia estadual que vocês fizeram. Procurei e não achei esse número. Você sabe em qual página está?Abaixo, uma fotografia.Uma folha impressa.Cabeçalho municipal.META DE ADEQUAÇÃO AO GUIA ESTADUAL — RETORNO ATIVO: ≥ 90%Helena ficou imóvel.Leu de novo.Depois abriu o guia.Não porque tivesse dúvida.Porque aprendera a desconfiar da própria certeza quando havia documento disponível.Página dezenove.Página vinte.Quadro de monitoramento.Nenhum noventa por cento.O texto dizia exatamente o contrário: os indicadores pre
Davi queria uma festa pequena.Elisa descobriu que o conceito precisava de definição quando ele apresentou uma lista com vinte e três nomes.Ela estava na cozinha, cortando pão, quando o papel apareceu diante dela.— Isso é pequena?Davi puxou uma cadeira.— Tem crianças.— Normalmente festas de criança têm.— Então.Elisa contou outra vez.Murilo.Três colegas da escola.Camila, porque “é professora de piano, mas também é pessoa”.Nair.Augusto.Helena.Cecília.Henrique, embora Davi soubesse que talvez não viesse de Recife.Gabriel.Mariana.Rafael.Alice.Sofia.André.E, naturalmente, Daniel.Elisa olhou para o filho.— Você convidou os namorados de todo mundo?— Não.— Mariana.— É namorada do Gabriel.— Alice.— Do Rafael.— André.— Da Sofia.Elisa continuou esperando.Davi percebeu.— Daniel já estava na lista sem precisar ser “namorado de alguém”.Ela tentou não sorrir.Falhou um pouco.— Certo.— E faltam você e eu porque a gente mora aqui.— Então são vinte e cinco pessoas.
Sofia descobriu que gostava de André Monteiro quando ficou irritada demais com o cancelamento de um jantar.A mensagem chegou às cinco e quarenta e três da tarde de uma sexta-feira.Ela já tinha terminado o turno.Já estava em casa.Já tinha tomado banho.E, detalhe que tornou a situação moralmente pior, já tinha passado vinte minutos escolhendo uma roupa sem admitir para si mesma que estava escolhendo uma roupa.O telefone vibrou sobre a cama.Sofia, desculpa. Preciso cancelar hoje. Minha irmã teve um problema e vou ficar com as crianças. Está tudo bem com ela, mas não tenho como sair.Abaixo:Se você topar, queria remarcar.Sofia leu.Primeira reação:preocupação.Segunda:alívio porque ninguém estava doente.Terceira:uma irritação absolutamente desproporcional com uma criança de seis anos que nem sequer tinha sido mencionada pelo nome.Ela sentou na beirada da cama.— Excelente.O quarto não respondeu.Digitou:Tudo bem. Espero que sua irmã esteja bem.Parou.Parecia frio.Acresce
Cecília percebeu que ela e Henrique nunca tinham tirado férias juntos quando ele perguntou o que fariam na manhã de sábado.Ela ficou olhando para ele.Henrique estava sentado na cama do hotel, descalço, segurando uma xícara de café e esperando uma resposta perfeitamente razoável.— Nada — disse Cecília.Ele esperou.— Nada o quê?— Nada.— Até o almoço?— Henrique, nós viemos para cá justamente para não ter compromisso.— Eu sei.— Então não tem.Ele olhou para o relógio.Depois para a varanda.Depois para ela.Cecília estreitou os olhos.— Você está sofrendo.— Não.— Está.— Eu só perguntei.— Você quer uma programação.— Não necessariamente.— Quer sim.Henrique tomou café.— Um mínimo de estrutura não destrói férias.— São três dias.— Exatamente. Precisamos usar bem.Cecília caiu de costas no travesseiro.— Meu Deus.Henrique olhou para ela.— O quê?— Nós somos incapazes.— De quê?— Descansar juntos.Ele pensou.— Isso parece prematuro.— São oito e dezessete da manhã e você j
Clara entrou na entrevista convencida de que a pior pergunta seria sobre algum erro do projeto-piloto.Não foi.A pior veio aos dezenove minutos.Marta fechou a pasta diante dela.Lívia estava à esquerda. Do outro lado da mesa, Gustavo Néri, administrador regional que Clara conhecia apenas de reuniões, consultou as anotações e perguntou:— Se o trabalho for bem-feito, uma unidade deixa de precisar de você. O que você faz depois?Clara demorou.Não porque não soubesse.Porque sabia respostas demais.A resposta bonita seria falar em autonomia das equipes.A técnica mencionaria carteira rotativa de unidades, critérios de entrada e saída, revisão periódica.A sincera era menos elegante:No começo, eu não gostei disso.Escolheu essa.— No começo do piloto, eu achava estranho quando uma unidade começava a funcionar sem me chamar.Gustavo ergueu os olhos.Lívia não reagiu.Clara continuou:— Porque parte da sensação de fazer um trabalho importante vinha de ser procurada.Silêncio.— Depois e







