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07

Author: Anny lago
last update publish date: 2021-06-23 23:27:28

Sophie Montenegro.

Ela para no meio do corredor abarrotado de estudantes, a boca aberta em choque. — Você o quê? Sophie, tem noção do quão perigoso isso é? E você nem contou pra ninguém?

— Estou contando pra você agora, parabéns. — Respondo, a voz carregada de sarcasmo enquanto sigo andando. Ela, é claro, não desiste e me segue como um grilo falante.

— Sophie, isso é sério! Você deveria falar com a polícia. Isso é perigoso e quanto a seu irmão, contou a ele ?

Dou uma risada seca, balançando a cabeça em sinal negativo enquanto seguimos até os armários. Zack já é protetor o suficiente eu não preciso que ele monte guarda em frente ao meu trabalho, portanto um maldito taco de baysibol ou quem sabe esperante qualquer cara que se aproxime de mim. Na verdade eu prefiro evitar problemas, com isso concluo que contar a Zack não é uma boa opção.

Saímos do prédio principal e seguimos para uma das áreas arborizadas do campus. O sol está brilhando, as árvores dançam ao vento, e o lugar seria perfeito... se Stormy não estivesse no meu pé. Sentamos sob uma árvore e finalmente encontro um momento de paz, até que vejo algo no horizonte que me faz querer arrancar os cabelos.

— É sério isso? — pergunto, apontando para a turminha do time de basquete que se aproxima.

Stormy, com a cara enfiada no celular, não entende. — O quê?

— Você avisou seu “animal de estimação” que estávamos aqui?

Ela dá uma risadinha. — Ele perguntou onde eu estava e eu respondi. Não precisa ser tão dramática.

— Dramática? Stormy, eu juro que vou cometer um homicídio. E quando isso acontecer, a culpa vai ser toda sua.

A tal “manada de trogloditas” chega, ocupando o espaço com seus risos altos e o cheiro de ego inflado. Reviro os olhos e começo a juntar minhas coisas.

— Ah, qual é, Sophie. Eles não são tão ruins assim.

— São tão simpáticos quanto neandertais. — respondo, me levantando. — Vou nessa. Lembrei que tenho um encontro com o Tyler.

— O carinha da lanchonete? — ela pergunta, quase gritando.

— Esse mesmo. — Confirmo, e me viro para ir embora.

Enquanto passo por eles, faço questão de ignorar seus olhares. Luke tenta ser simpático e me lança um sorriso, mas eu apenas o fuzilo com os olhos. Aaron, a “estrela em ascensão”, não se aguenta.

— Vai voltar pro mar, sereia? — ele diz, alto o suficiente para todo mundo ouvir.

Paro no meio do caminho, sentindo meu sangue ferver. Respiro fundo e me viro devagar, marchando até ele enquanto um sorriso idiota se forma no rosto do babaca.

— Vou te mostrar por que meu apelido é Sereia, seu imbecil.

Sem pensar muito, fecho o punho e dou um soco certeiro bem no meio da cara dele. O impacto é tão satisfatório quanto o som que ele solta, recuando com as mãos no nariz.

— Sua louca! Quebrou meu nariz! — ele grita, o sangue escorrendo enquanto seus amigos correm para socorrê-lo.

Dou uma risada sarcástica. — Não gostou da brincadeira, Aaron? Pois é, eu também não.

Me viro e saio, ignorando os xingamentos que ele dispara. Mostro o dedo do meio sem nem olhar para trás, enquanto deixo o caos no campus com o caos instalado e o sentimento de dever cumprido.

•°•°•°•°•°•°•°•°

Tyler me deixou em frente ao estúdio de Zack, onde nos despedimos rapidamente antes que ele seguisse seu caminho. Entrei no local, encontrando meu irmão concentrado em mais um de seus desenhos magníficos. Seus olhos se levantaram brevemente na minha direção e depois desviaram para o carro de Tyler, que ainda estava estacionado em frente ao estúdio.

— Quem é? — perguntou ele, apontando com a cabeça para o carro.

— Tyler. — respondi com tranquilidade. — Trabalha comigo.

— Hum. — Ele voltou a atenção para o desenho, mas não deixou de soltar sua opinião. — Não fui com a cara dele.

Revirei os olhos.

— Você não vai com a cara de metade dos caras com quem eu saio. Já era de se esperar. — Dei de ombros antes de mudar de assunto. — O que tá fazendo?

— Terminando sua nova tatuagem. — respondeu, sorrindo enquanto girava o papel na direção em que eu pudesse ver.

Era uma sereia envolta em caveiras. Os traços detalhados e precisos de Zack eram de tirar o fôlego, e eu não pude deixar de admirar o quão perfeito o desenho estava.

— Caveiras, é? — perguntei, arqueando uma sobrancelha enquanto um sorriso surgia em meu rosto.

— Uma homenagem ao seu irmão e tatuador favorito. — Ele piscou, visivelmente satisfeito com sua criação.

— Seu bobo. — balancei a cabeça, tentando esconder o sorriso.

Nesse momento, o som da sineta da porta interrompeu nossa conversa, indicando a chegada de um cliente. Virei meus olhos para a entrada e, ao reconhecer a figura que acabava de entrar, quase gargalhei da ironia do destino. Aaron atravessou a porta com a postura confiante de quem já sabia exatamente o que procurava, mas parecia ignorar que o universo tinha outros planos para ele.

— Boa tarde. — disse ele, olhando ao redor como quem avalia o ambiente. — Um amigo me recomendou seu estúdio, disse que era um dos melhores da cidade, e eu queria... — A frase morreu em seus lábios quando seus olhos finalmente encontraram os meus, postada logo atrás de Zack, com um sorriso doce — e falso — estampado no rosto. — Tá de brincadeira.

Zack levantou o olhar, alternando entre mim e Aaron, que ele obviamente nunca tinha visto antes. Seus olhos semicerrados indicavam que ele já estava avaliando o estranho.

— Vocês se conhecem? — perguntou Zack, a desconfiança transbordando no tom de voz.

Aaron apontou para mim com indignação.

— Essa maluca me deu um soco hoje à tarde!

Zack ergueu as sobrancelhas, surpreso, mas manteve a expressão séria. Antes que ele dissesse qualquer coisa, me limitei a dar de ombros.

— Ele me tirou do sério. — disse, sem nem me dar o trabalho de disfarçar o desdém.

Aaron bufou, mas antes que pudesse retrucar, Zack cruzou os braços, fitando-o como um predador que avalia sua presa.

— Então você é o idiota que irritou minha irmã? — disse Zack, a voz baixa, mas carregada de ameaça.

O rosto de Aaron perdeu um pouco da cor, mas ele tentou manter a postura.

— Olha, eu só vim aqui por causa da recomendação. Não sabia que era dela. — Ele gesticulou na minha direção como se eu fosse algum tipo de aberração.

Zack abriu um sorriso perigoso.

— Se for ficar, é bom não dar mais motivos pra ela te acertar. — Seu tom era casual, mas suas palavras eram uma advertência clara.

Aaron hesitou por um momento antes de murmurar algo sobre voltar outra hora, saindo do estúdio com o rabo entre as pernas. Assim que a porta se fechou, Zack virou-se para mim com um sorriso satisfeito.

— Acho que você acabou de me conseguir um cliente a menos.

Eu ri, sacudindo a cabeça.

— Ele vai voltar. Eles sempre voltam.

Zack soltou uma risada baixa e voltou ao trabalho.

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