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capítulo 6

Autor: Ell Marioti
last update Fecha de publicación: 2026-07-28 19:28:53

Se existe uma coisa que aprendi durante a faculdade, é que os boatos viajam mais rápido que a internet.

Às vezes mais rápido que a luz.

Foi exatamente por isso que eu soube do término de Gabriel e Beatriz antes mesmo de entrar na primeira aula daquela segunda-feira.

— Você está sentada?

Olhei para Sofia.

Ela havia acabado de aparecer na sala.

Com aquele olhar que sempre significava fofoca.

— Estou literalmente sentada.

— Ótimo.

Ela largou a mochila na cadeira ao lado da minha.

— Gabriel e Beatriz terminaram.

Meu cérebro travou.

Completamente.

— O quê?

— Eu sei.

— O quê?

— Essa foi exatamente minha reação.

Pisquei algumas vezes.

Tentando processar.

Não fazia sentido.

Nenhum.

Eles pareciam perfeitos.

Pareciam aquele tipo de casal que acabaria casando.

Comprando uma casa.

Tendo filhos lindos.

E irritando o resto da humanidade para sempre.

— Tem certeza?

— O campus inteiro está falando disso.

Meu coração fez uma coisa muito inconveniente naquele momento.

Esperança.

Aquela maldita esperança.

Porque a primeira coisa que pensei não foi:

"Que pena."

Foi:

"Ele está solteiro."

E me odiei imediatamente por isso.

Durante os dias seguintes, os rumores continuaram.

Cada pessoa tinha uma versão diferente.

Alguns diziam que Beatriz havia terminado.

Outros diziam que Gabriel terminou.

Alguns juravam que houve uma traição.

Outros diziam que era apenas desgaste.

Ninguém parecia saber a verdade.

E eu não deveria me importar.

Mas me importava.

Muito.

Mais do que deveria.

Na sexta-feira, descobri por acaso que os rumores eram verdadeiros.

Eu estava saindo da biblioteca quando vi Gabriel sozinho.

Sentado num banco perto do lago artificial do campus.

Sozinho.

Pela primeira vez desde que o conheci.

Sem amigos.

Sem multidões.

Sem aquele sorriso fácil.

Parecia cansado.

Distante.

Triste.

E aquilo me surpreendeu.

Porque, de alguma forma, eu nunca tinha imaginado que Gabriel pudesse parecer vulnerável.

Fiquei observando por alguns segundos.

A distância.

Sem intenção de me aproximar.

Até que ele passou a mão pelos cabelos e soltou um suspiro tão pesado que consegui ouvir dali.

Meu peito apertou.

Eu deveria ir embora.

Era o mais sensato.

O mais lógico.

O mais saudável.

Mas minhas pernas claramente não tinham compromisso com a lógica.

Antes que eu percebesse, já estava caminhando naquela direção.

Quando cheguei perto, ele ergueu a cabeça.

Pareceu surpreso ao me ver.

— Helena.

Meu coração ainda fazia questão de comemorar toda vez que ele lembrava meu nome.

Patético.

— Oi.

— Oi.

Silêncio.

Muito silêncio.

Talvez eu devesse ter preparado um discurso.

Ou pelo menos uma frase inteligente.

Mas não preparei.

Então falei a primeira coisa que veio à cabeça.

— Você parece triste.

Excelente.

Muito sutil.

Muito elegante.

Gabriel soltou uma pequena risada.

— É tão óbvio assim?

— Um pouco.

Ele olhou para o lago novamente.

— Então preciso melhorar minha atuação.

Por alguns segundos ficamos em silêncio.

Eu já estava quase inventando uma desculpa para ir embora quando ele falou.

— Você já teve o coração partido?

A pergunta me pegou desprevenida.

Porque, ironicamente, eu estava no processo de partir o meu naquele exato momento.

Por causa dele.

— Não sei.

Ele assentiu lentamente.

Como se entendesse.

Como se também não soubesse.

— Eu achei que algumas coisas durariam para sempre.

Aquela frase me atingiu de um jeito estranho.

Porque parecia sincera.

Crua.

Sem a imagem perfeita que todos tinham dele.

Apenas um cara sentado num banco.

Machucado.

Humano.

— Às vezes as pessoas mudam — falei.

— Ou talvez a gente descubra quem elas realmente são.

Aquilo pareceu escapar dele.

Como algo que não pretendia dizer.

Observei seu perfil por alguns segundos.

E pela primeira vez não vi o garoto popular.

Nem o homem mais bonito da universidade.

Vi alguém sofrendo.

E isso me fez querer abraçá-lo.

O que foi uma péssima ideia.

Porque foi naquele momento que percebi uma verdade perigosa.

Eu já estava apaixonada.

De verdade.

Não era mais uma queda.

Não era mais uma fantasia.

Não era mais uma simples admiração.

Eu estava apaixonada por Gabriel Castellan.

E apaixonada por alguém que nem sequer me via dessa forma.

O problema?

Eu ainda não fazia ideia do quanto essa paixão iria custar.

Quando fui embora naquele dia, uma sensação estranha me acompanhou até o dormitório.

Uma mistura de tristeza e esperança.

Tristeza porque ele estava sofrendo.

Esperança porque ele estava solteiro.

E eu odiava essa esperança.

Porque ela significava que uma parte de mim já estava imaginando possibilidades.

Possibilidades que provavelmente nunca existiriam.

Mas que meu coração insistia em criar mesmo assim.

Como sempre.

Como faria por muitos anos ainda.

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