Share

CAPÍTULO 2

Penulis: Summer
Ele despedaçou aquela esperança em um instante.

— Não se ache tão importante. Eu não vim atrás de você, estava fazendo uma tarefa para Celeste. Encontrar você foi só azar.

Ele soltou um sorriso de escárnio.

— E pare de fingir que está tentando se matar para me manipular. É patético.

Ri com amargura por dentro. Por um instante, quase acreditei que ele se importava.

Mas eu sabia a verdade: meu irmão amava Celeste desesperadamente, a ponto de correr para cumprir tarefas da cerimônia de acasalamento dela com outro homem. Sebastian, o noivo.

Lembrei-me de como Kael costumava me trazer flores silvestres quando éramos filhotes. De como me deixava dormir encostada em seu flanco durante as tempestades. Agora, aquelas lembranças pareciam pertencer a outra pessoa. Celeste tinha levado tudo. Não apenas o amor dele, mas também sua lealdade, sua confiança, sua memória de quem eu fui para ele um dia.

Não disse nada, apenas me virei e entrei no rio.

A corrente era mais forte do que eu esperava. Puxava minhas pernas, faminta e impaciente. Kael provavelmente achava que eu estava blefando. Da margem, gritou, zombando de mim:

— Ande mais rápido. Se vai morrer, faça isso logo. Tenho coisas para fazer.

Não olhei para trás. Continuei andando até que a água chegou à minha cintura, depois ao meu peito. O frio primeiro foi um choque, depois se transformou em dormência. Minha bochecha queimada ardeu quando o rio tocou a pele exposta e ferida. Snow se moveu fraca dentro de mim.

— Freya, por favor. — Ela insistiu.

— Está tudo bem, Snow. Vai acabar logo. — Acelerei o passo. A água fechou sobre minha cabeça.

Finalmente a liberdade.

O silêncio sob a superfície era quase pacífico. Sem palavras cruéis, sem risadas de deboche. Apenas o rugido da água nos meus ouvidos e a luz desaparecendo aos poucos. Abri a boca para deixar o rio entrar.

Mas então mãos me puxaram para cima e o ar voltou com violência aos meus pulmões. Outro tapa atingiu minha bochecha já arruinada. A dor explodiu pelo meu rosto.

— Você realmente fez isso? Quem te deu permissão, Freya?

Ele me arrastou até a margem e me jogou sobre as pedras. Tossia água e sangue. Meu corpo inteiro tremia.

— Sua vida não é sua para jogar fora. Foi nossa mãe que deu essa vida a você.

Mãe. A única pessoa neste mundo que me amava de verdade. Pensei nas mãos gentis dela, nos olhos quentes. Ela uivaria por mim quando descobrisse que eu parti, e eu não queria deixá-la. Mas não tinha escolha; a missão acabou, o sistema falou. Não existia futuro para mim aqui.

O desespero me inundou, mais pesado do que o rio jamais poderia ser. Até a morte me foi negada. Eu precisava encontrar um lugar onde Kael não pudesse me achar, um lugar onde ninguém me impedisse. Porque, para mim, tudo havia terminado. A missão fracassou, não restava mais nada.

Virei-me e fui embora sem dizer mais uma palavra. As roupas molhadas grudavam na minha pele. Cada passo fazia minha garganta, minha bochecha e meu coração partido doerem.

Ele gritou atrás de mim:

— E daí se Sebastian escolheu uma companheira? Se você realmente o amasse, deixaria que ele ficasse com a mulher que realmente quer.

Kael nunca saberia, eu não amava Sebastian. Eu só queria viver, voltar para meu lar original. Queria acordar desse pesadelo que durava dezoito anos.

Mas aquelas portas agora estavam fechadas para mim. Tudo o que restava era encontrar um lugar silencioso para me despedir.

Encontrei uma adaga de prata em um velho baú de armas na casa da alcateia. Ela pertenceu ao meu pai e servia para abater lobos renegados já perdidos demais para serem salvos. Nunca pensei que a usaria contra mim mesma.

Caminhei fundo pela floresta sussurrante, longe dos territórios da alcateia. Eu não queria que minha mãe encontrasse meu corpo. O luar passava entre as árvores, projetando sombras pálidas no chão da floresta. Snow se mexeu dentro de mim, fraca, mas ainda presente.

— Freya, por favor, pare. Podemos encontrar outro jeito.

— Não existe outro jeito, Snow. A missão acabou e o sistema já decidiu.

Sentei-me contra um carvalho antigo. A lâmina de prata capturou o luar, reluzindo fria e bela. Dezoito anos. Não era muito na vida de uma loba, mas era tempo suficiente para sofrer.

Quando eu era pequena, Kael me odiava. Achava que meu nascimento roubaria o amor dos nossos pais e que minha loba desafiaria o status dele um dia. Trabalhei duro para conquistá-lo. Dava a ele o melhor pedaço de cada caça, mesmo quando eu passava fome. Entrei em uma luta de desafio por ele quando um membro de uma alcateia rival o atacou, recebendo os ferimentos em seu lugar. Corri ao lado dele pela nevasca da Lua de Sangue para levar ervas curativas quando ele adoeceu com febre lunar. Passei dois verões rastreando e caçando um raro cervo branco para que ele pudesse apresentar a pele ao nosso pai e ganhar honra.

Aos poucos, o amor dele por mim como irmã cresceu. Então Celeste apareceu e desfez anos de esforço em semanas.

Tanto fazia. Dezoito anos. Um longo pesadelo.

Pressionei a lâmina de prata contra meu pulso, o metal queimou antes mesmo de cortar. Prata era veneno para o sangue de uma loba. Deixei um bilhete preso na casca da árvore:

"Agora corro com a Lua Eterna. Não chorem por mim."

Minha visão ficou turva. Memórias passaram diante de mim; cada esforço que fiz, sempre fora roubado por Celeste. Todos a amavam, mas ninguém me amava. Snow choramingou uma vez, então ficou em silêncio.

Passei a lâmina pela pele.

A dor veio imediata e profunda. Um fogo prateado correu pelas minhas veias. Arfei e deixei a adaga cair. O sangue jorrou da ferida, negro sob o luar. Encostei a cabeça contra a árvore e esperei.

Mas então, mãos agarraram meu braço. Uma voz soou afiada e furiosa:

— Freya! Você perdeu a cabeça?

Ergui os olhos. Era o Dr. Marcus Rivers, o meu antigo curandeiro, apenas cinco anos mais velho que eu. Ele era um dos alvos que o sistema me atribuiu.

Quando recebi o diagnóstico da doença das sombras, uma enfermidade devastadora em que o espírito da loba desaparecia lentamente e a mente ia junto, ele era o curandeiro da alcateia que me tratava. O sistema me disse para conquistá-lo, então foi o que fiz. Treinamos juntos no ringue de combate. Ele me ensinou a rastrear presas feridas. Observamos o eclipse lunar no círculo sagrado de pedras. Ele até me levou ao antigo santuário dos lobos onde seus ancestrais estavam enterrados, disse que eu era a primeira pessoa de fora a ver aquele lugar.

Os sentimentos dele por mim cresceram depressa.

Então Celeste apareceu. Uma noite, ela correu até ele aos soluços, com as roupas rasgadas e arranhões nos braços.

— Dr. Rivers, Freya contratou lobos renegados para me arrastarem até a floresta escura. Eles rasgaram minhas roupas...

Marcus a segurou nos braços.

— Não tenha medo, estou aqui. Ninguém vai machucar você de novo.

Depois, ele se virou para mim, os olhos ardendo em vermelho, o lobo avançando à superfície.

— Saia da minha frente. Sua doença das sombras nunca foi real. Você fingiu tudo! Você não passa de um monstro.

Missão fracassada.
Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Quatro Alfas, Um Arrependimento   CAPÍTULO 10

    O dia do meu enterro amanheceu claro e límpido. Toda a alcateia se reuniu na colina com vista para o rio. Todos usavam preto, alguns usavam cinza. Alguns lobos mais velhos pintaram o rosto com cinzas. Kael carregava minhas cinzas em uma urna de madeira entalhada, os nós dos dedos brancos ao redor das alças.O ancião da alcateia pronunciou palavras sobre a sepultura. Chamou-me de filha da Lua, uma loba que correu sua última corrida. Pediu aos ancestrais que me recebessem em casa.Enquanto desciam a urna para a terra, percebi que Liam estava ausente. Examinei a multidão. Nada. Então vi um movimento na beira da linha das árvores.Ele surgiu das sombras, arrastando uma figura amarrada atrás de si. Celeste. Seus pulsos estavam presos com corda de prata. Sua boca estava amordaçada. Seus olhos estavam arregalados e selvagens de medo.Liam a arrastou colina acima e a jogou no chão diante da sepultura. A alcateia inteira ficou em silêncio.— Kael. — Liam disse. — Você está pronto?Kael a

  • Quatro Alfas, Um Arrependimento   CAPÍTULO 9

    Kael caiu de joelhos ao lado do meu corpo. Seu lobo soltou um gemido baixo e lamurioso que ecoou pelo quarto.— Sinto muito. — Ele sussurrou.Sua voz se quebrou.— Eu não sabia. Juro pela Lua, eu não sabia.— Irmão agora? — Liam riu, duro e amargo.Ele ficou de pé diante de Kael, de braços cruzados, os nós dos dedos machucados ainda sangrando.— Foi você quem a jogou na Fortaleza das Sombras. Você assinou a ordem, mandou os guardas observarem cada movimento dela. Você a chamou de louca quando ela estava morrendo.Kael estremeceu, mas não ergueu a cabeça.Liam se virou para Marcus. O curandeiro estava caído contra a parede, com o rosto enterrado nas mãos.— E você. Você é curandeiro. Devia ter visto que ela estava doente, sentido a loba dela desaparecendo. Em vez disso, concordou que ela estava louca e ficou ali e disse que a doença das sombras era mentira. Logo você, entre todos, devia ter sabido a verdade.Marcus não respondeu. Seus ombros tremiam.Então Liam encarou Sebast

  • Quatro Alfas, Um Arrependimento   CAPÍTULO 8

    Liam carregou meu corpo para baixo do Penhasco de Observação da Lua. Enviou um pássaro mensageiro a Kael com três palavras:"Freya se foi."Kael chegou à casa de cura antes do amanhecer com as botas cobertas de lama. Ele correu o caminho inteiro. Quando viu meu corpo deitado sobre a mesa de pedra, com a pele acinzentada e as bochechas fundas, parou na porta. Seu lobo avançou à superfície, depois recuou. Ele não conseguia se transformar. Não conseguia se mover e nem respirar.— O que... o que aconteceu?Sua voz se quebrou. Dentro do peito dele, algo se rasgou. O vínculo entre nós, o fio de sangue da alcateia que o ligava a mim desde que éramos filhotes, se rompeu. Ele sentiu quando isso aconteceu. Uma dor como a perda de um membro.Kael avançou e juntou meu corpo nos braços. Eu estava leve, leve demais. Ele me apertou contra o peito e rugiu. As janelas estremeceram. Os lobos da vila uivaram em resposta, confusos e assustados.Seus olhos encontraram Liam, que estava encostado na pa

  • Quatro Alfas, Um Arrependimento   CAPÍTULO 7

    Cinco dias depois, uma figura encapuzada passou pelos guardas do lado de fora da minha cela. Ouvi dois baques suaves, depois nada. A porta de ferro rangeu ao se abrir.Liam Vance estava parado nas sombras. Ele levou um dedo aos lábios e se ajoelhou ao lado da minha cama de palha. Sua mão encontrou a minha, quente e firme.Ele drogou os guardas com ervas soníferas misturadas ao ensopado da noite. Toda a Fortaleza ficaria inconsciente até o amanhecer. Ele veio sozinho, a pé, pelo desfiladeiro da montanha, no escuro.Fazia anos que eu não via Liam.Quando éramos pequenos, fomos companheiros de ninhada nos campos de treinamento da alcateia. Ele sempre foi quieto, sempre observava de longe. O sistema o atribuiu a mim como um dos meus alvos, mas eu nunca consegui me aproximar dele. Ele me evitava em cada esquina. Sentava-se com Celeste durante as refeições e caminhava ao lado dela nas corridas sob a lua. No fim, desisti e passei para Sebastian.Eu pensei que ele me odiasse. Pensei que a

  • Quatro Alfas, Um Arrependimento   CAPÍTULO 6

    A queda do terceiro andar não me matou, mas quebrou minha coluna em dois pontos, esmagou meu quadril esquerdo e minhas pernas não se moviam. Os curandeiros disseram que talvez eu nunca mais andasse. A hemorragia interna deixou minha barriga escura. Fiquei deitada sobre a mesa de pedra por três dias, entrando e saindo da consciência, enquanto despejavam tônicos de cura pela minha garganta.Kael estava furioso. Sua raiva fazia as paredes da casa de cura tremerem. Ele não olhava para mim com preocupação, mas como se eu fosse uma ferramenta quebrada que não cumpriu sua função. Antes do pôr do sol no dia da minha queda, enviou uma mensagem ao conselho da alcateia. Providenciou para que eu fosse levada à Fortaleza das Sombras, uma prisão no alto da montanha para onde a alcateia enviava lobos que não podiam ser controlados. Os renegados, loucos e traidores.Marcus concordou. Ficou de braços cruzados, o rosto frio e vazio. Disse que eu estava além de qualquer ajuda, que nada em sua especiali

  • Quatro Alfas, Um Arrependimento   CAPÍTULO 5

    Marcus me carregou de volta para a cama fria de pedra na casa de cura. Sebastian o seguiu de perto. Quando olhou para mim, algo parecido com dor passou por seu rosto. Se era real ou fingido, eu já não conseguia distinguir.— Como você acabou com a doença das sombras? Você sempre foi tão cheia de luz. — Ele perguntou.Virei o rosto para a parede. Eu não suportava olhar para eles. Nem para ele. Nem para Marcus. Nem para Kael, que permanecia perto da porta como um filhote culpado.Sebastian agarrou meus ombros e me forçou a encará-lo. Seu aperto era duro, quase desesperado.— Olhe para mim. Você subornou os curandeiros, não foi? Pagou para mentirem sobre sua condição? Isso é só mais um dos seus truques.Não disse nada. Antes, eu explicava. Antes, implorava para que acreditassem em mim. Mas, quanto mais eu explicava, mais eles achavam que eu mentia. Cada palavra que saía da minha boca só me tornava mais culpada aos olhos deles. Agora, eu já tinha terminado. Não restava mais nenhuma pa

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status