เข้าสู่ระบบO dia do meu enterro amanheceu claro e límpido. Toda a alcateia se reuniu na colina com vista para o rio. Todos usavam preto, alguns usavam cinza. Alguns lobos mais velhos pintaram o rosto com cinzas. Kael carregava minhas cinzas em uma urna de madeira entalhada, os nós dos dedos brancos ao redor das alças.O ancião da alcateia pronunciou palavras sobre a sepultura. Chamou-me de filha da Lua, uma loba que correu sua última corrida. Pediu aos ancestrais que me recebessem em casa.Enquanto desciam a urna para a terra, percebi que Liam estava ausente. Examinei a multidão. Nada. Então vi um movimento na beira da linha das árvores.Ele surgiu das sombras, arrastando uma figura amarrada atrás de si. Celeste. Seus pulsos estavam presos com corda de prata. Sua boca estava amordaçada. Seus olhos estavam arregalados e selvagens de medo.Liam a arrastou colina acima e a jogou no chão diante da sepultura. A alcateia inteira ficou em silêncio.— Kael. — Liam disse. — Você está pronto?Kael a
Kael caiu de joelhos ao lado do meu corpo. Seu lobo soltou um gemido baixo e lamurioso que ecoou pelo quarto.— Sinto muito. — Ele sussurrou.Sua voz se quebrou.— Eu não sabia. Juro pela Lua, eu não sabia.— Irmão agora? — Liam riu, duro e amargo.Ele ficou de pé diante de Kael, de braços cruzados, os nós dos dedos machucados ainda sangrando.— Foi você quem a jogou na Fortaleza das Sombras. Você assinou a ordem, mandou os guardas observarem cada movimento dela. Você a chamou de louca quando ela estava morrendo.Kael estremeceu, mas não ergueu a cabeça.Liam se virou para Marcus. O curandeiro estava caído contra a parede, com o rosto enterrado nas mãos.— E você. Você é curandeiro. Devia ter visto que ela estava doente, sentido a loba dela desaparecendo. Em vez disso, concordou que ela estava louca e ficou ali e disse que a doença das sombras era mentira. Logo você, entre todos, devia ter sabido a verdade.Marcus não respondeu. Seus ombros tremiam.Então Liam encarou Sebast
Liam carregou meu corpo para baixo do Penhasco de Observação da Lua. Enviou um pássaro mensageiro a Kael com três palavras:"Freya se foi."Kael chegou à casa de cura antes do amanhecer com as botas cobertas de lama. Ele correu o caminho inteiro. Quando viu meu corpo deitado sobre a mesa de pedra, com a pele acinzentada e as bochechas fundas, parou na porta. Seu lobo avançou à superfície, depois recuou. Ele não conseguia se transformar. Não conseguia se mover e nem respirar.— O que... o que aconteceu?Sua voz se quebrou. Dentro do peito dele, algo se rasgou. O vínculo entre nós, o fio de sangue da alcateia que o ligava a mim desde que éramos filhotes, se rompeu. Ele sentiu quando isso aconteceu. Uma dor como a perda de um membro.Kael avançou e juntou meu corpo nos braços. Eu estava leve, leve demais. Ele me apertou contra o peito e rugiu. As janelas estremeceram. Os lobos da vila uivaram em resposta, confusos e assustados.Seus olhos encontraram Liam, que estava encostado na pa
Cinco dias depois, uma figura encapuzada passou pelos guardas do lado de fora da minha cela. Ouvi dois baques suaves, depois nada. A porta de ferro rangeu ao se abrir.Liam Vance estava parado nas sombras. Ele levou um dedo aos lábios e se ajoelhou ao lado da minha cama de palha. Sua mão encontrou a minha, quente e firme.Ele drogou os guardas com ervas soníferas misturadas ao ensopado da noite. Toda a Fortaleza ficaria inconsciente até o amanhecer. Ele veio sozinho, a pé, pelo desfiladeiro da montanha, no escuro.Fazia anos que eu não via Liam.Quando éramos pequenos, fomos companheiros de ninhada nos campos de treinamento da alcateia. Ele sempre foi quieto, sempre observava de longe. O sistema o atribuiu a mim como um dos meus alvos, mas eu nunca consegui me aproximar dele. Ele me evitava em cada esquina. Sentava-se com Celeste durante as refeições e caminhava ao lado dela nas corridas sob a lua. No fim, desisti e passei para Sebastian.Eu pensei que ele me odiasse. Pensei que a
A queda do terceiro andar não me matou, mas quebrou minha coluna em dois pontos, esmagou meu quadril esquerdo e minhas pernas não se moviam. Os curandeiros disseram que talvez eu nunca mais andasse. A hemorragia interna deixou minha barriga escura. Fiquei deitada sobre a mesa de pedra por três dias, entrando e saindo da consciência, enquanto despejavam tônicos de cura pela minha garganta.Kael estava furioso. Sua raiva fazia as paredes da casa de cura tremerem. Ele não olhava para mim com preocupação, mas como se eu fosse uma ferramenta quebrada que não cumpriu sua função. Antes do pôr do sol no dia da minha queda, enviou uma mensagem ao conselho da alcateia. Providenciou para que eu fosse levada à Fortaleza das Sombras, uma prisão no alto da montanha para onde a alcateia enviava lobos que não podiam ser controlados. Os renegados, loucos e traidores.Marcus concordou. Ficou de braços cruzados, o rosto frio e vazio. Disse que eu estava além de qualquer ajuda, que nada em sua especiali
Marcus me carregou de volta para a cama fria de pedra na casa de cura. Sebastian o seguiu de perto. Quando olhou para mim, algo parecido com dor passou por seu rosto. Se era real ou fingido, eu já não conseguia distinguir.— Como você acabou com a doença das sombras? Você sempre foi tão cheia de luz. — Ele perguntou.Virei o rosto para a parede. Eu não suportava olhar para eles. Nem para ele. Nem para Marcus. Nem para Kael, que permanecia perto da porta como um filhote culpado.Sebastian agarrou meus ombros e me forçou a encará-lo. Seu aperto era duro, quase desesperado.— Olhe para mim. Você subornou os curandeiros, não foi? Pagou para mentirem sobre sua condição? Isso é só mais um dos seus truques.Não disse nada. Antes, eu explicava. Antes, implorava para que acreditassem em mim. Mas, quanto mais eu explicava, mais eles achavam que eu mentia. Cada palavra que saía da minha boca só me tornava mais culpada aos olhos deles. Agora, eu já tinha terminado. Não restava mais nenhuma pa







