LOGIN— Bem vindos ao inferno. — Falou o professor de olhos verdes ao entrar pelas portas da sala.
Ele usava calças jeans brancas e botas pretas que chegavam até seus joelhos, além da regata branca que esculpia seu peito. Um longo casaco verde de pano cobria seus braços e se misturavam à cor de seus olhos.Seus cabelos estavam caídos nos ombros e jogados para frente. Logo o reconheci e sorri junto com um sorriso que ele dirigiu a mim.— Estou brincando meus amores, este não é o inferno, ainda. Temos seis meses para ensinar vocês a cantar em uma peça perfeitamente entoada e sem nenhuma falha. Impossível? Sim, mas podemos tentar.— No verão passado. — O professor de bigode continuou, passou a mão nos pelos da face e escorregou-a pela blusa preta dos Scorpions. Ele usava calças marrons e largas com chinelos azuis cheios de miçangas nas alças. Achei graça da sua vestimenta, mas tentei conter o riso. — Fizemos um coral magnífico que fez toda a cidade de Miami comparecer a praia para ver de onde vinha a fantástica apresentação. E este verão queremos algo maior e cem vezes melhor do que o último— Haverá audições para escolhermos os solistas, claro — eu achei incrível como ambos sabiam a hora de cada um falar, como se eles tivessem ensaiado antes da aula. — E aqueles que ganharem tal título não poderá se sentir superior a ninguém ou será substituído. Entendidos?Os alunos afirmaram em coro e eu senti um arrepio percorrer minhas entranhas, pois acreditei vivamos que as audições haviam acabado no Brasil. Respirei fundo e minha cabeça latejou ao me lembrar de todo aquele processo. Me recordei também da noite anterior quando o professor Dylan me ajudou. Aquilo me levou a descobrir que ele morava na casa em frente a minha. O que era legal, mas ao mesmo tempo assustador.Pensei no fato de dar todos os dias de cara com algum professor, e me martirizei pela tortura fria que passaria dali em diante.— Quero ouvir partituras. — O homem disse e os alunos começaram a pegar suas partituras para agitá-las nas mesas, causando um som engraçado pela sala. — música 15, todos têm certo?Lembrei-me das partituras que me entregaram junto aos livros assim que cheguei a cidade e logo as depositei sobre o apoio para poder abri-la como todos fizeram. Dylan caminhou por entre as fileiras quando o senhor Harry mandou que começassemos a cantar. Ocorreram muitas pausas por algumas pessoas estarem fora do tom e algumas foram culpa minha, confesso. Quis elevar minha voz para fazer bonito e acabei me desviando de algumas notas.Recebi vários olhares de reprovação, mas Dylan pôs as mãos em meus ombros e sussurrou.— Está nervosa, certo? — Eu afirmei. — Vamos com calma, é só uma aula para descontrair. Pensem assim, eu e senhor Herry já estivemos no lugar de vocês.Agora ele falava mais alto para todos poderem ouvi-lo e isso fazia minhas bochechas corarem.— Nós enfrentamos tudo o que irão enfrentar e se começarem a se esforçar bastante iram chegar até nós ou além de nós.Vi os olhos de todos brilharem naquele momento e senti uma pitada de esperança atiçar meu interior.Sim eu queria ser perfeita na música e seria, iria me esforçar ao máximo até conseguir alcançar a nota que eu não estava conseguindo naquele momento.Era bom ouvir aquele incentivo e de alguma forma o professor sabia como nos dar mais do que um simples aprendizado. Suas palavras eram filosóficas e esperançosas.— Continuem do refrão.O fim de tarde veio rápido e a aula terminou no meio da música que ensaiavamos para o tal show. Os professores queriam começar a nos preparar para o espetáculo o quanto antes e isso tirou muito de nosso tempo, quase ultrapassando os limites do horário.Quando a aula finalmente acabou, Joshua teve a brilhante ideia de fazer uma festa em sua própria casa e ficou insistindo para que eu fosse. Não consegui fugir de seus pedidos, depois de centenas de desculpas que não funcionaram eu decidi aceitar.Josh me puxou para o lado oposto de minha casa junto com mais um monte de alunos que não queriam falar comigo pelo exagero na classe e eu não pude culpá-los. Até eu mesma quis me socar por não saber conter minha voz.Não demoramos para chegar à grande casa que ocupava metade de um quarteirão. Tinha longos muros da cor verde musgo e fios elétricos que cercavam a parte superior do muro impedindo qualquer intruso de invadir o recinto.O som já rolava dentro do local, enquanto luzes azuis e vermelhas eram projetadas para fora e piscavam freneticamente incomodando ligeiramente meus olhos.Respirei profundamente quando entramos na casa e passamos pelo grande jardim cheio de jovens que provavelmente estudavam na Fonte de Vida ou nas escolas locais.— Você disse que era algo pequeno. — O repreendi.— E isso lá é grande?— Bom, se tem mais de 10 pessoas, para mim é enorme.Josh caiu em uma alta gargalhada, talvez pelo fato de ter relacionado a casa dele a algo tão grande, mas logo que passamos da porta de vidro ele começou a cantar e pular ao som de LMFAO - Sexy and I Know It. Acho que grande era uma definição pequena para um evento e aquilo não tinha sido feito de última hora, a menos que o repórter da escola seja um organizador de comemorações com poderes especiais.Havia tantas pessoas que eu me senti meio sufocada. A sala de estar de Josh estava com poucos móveis, pois tudo o que poderia ser quebrado havia sido tirado dali. Os sofás foram colocados no canto direito para parecer uma área V.I.P, até esticaram uma faixa vermelha de veludo em volta deles. Do meu lado esquerdo estava a mesa de bebidas, o que parecia ser uma longa mesa de jantar acabou virando objeto de amparo aos cachaceiros da cidade.Não sou de beber álcool, então não fazia ideia do que tinha ali em cima e com toda certeza ficaria longe de lá. Principalmente vendo dois garotos jogando alguns comprimidos no que era para ser o ponche.Em minha frente, depois da pista improvisada de dança, estava uma grande mesa para o DJ e o acesso era uma escada preta onde meninas seminuas mostravam seus peitos para quem quisesse ver. Certeza que tomaram uns goles do ponche. —Bom, quase todos ali estavam, como posso dizer? Chapados? Ah já sei, totalmente doidões e meu estômago já se embrulhava por inteiro.
Um rapaz me deu um susto tão grande que senti meu coração subir pela minha garganta. Ele havia subido na mesa do DJ e todos foram ao delírio quando ele tomou uma grande dose do líquido no copo vermelho de plástico. As pessoas gritaram mais alto quando contaram até três e ele se atirou no ar. Com aquela altura eu pensei que ele se esborracharia no chão, mas seus dedos se prenderam no enorme lustre que balançou de um lado a outro.O susto logo passou quando notei que essa era a intenção dele, mas seu plano falhou. Ele não aguentou muito e se soltou indo de encontro ao chão com a cara quase sendo esmagada. Houve silêncio, um longo silêncio enquanto todos acreditavam que ele havia se matado. Até que em um único salto ele ergueu gritando bebadamente "De novo!" e todos foram ao delírio uma vez mais.Implorei para alguém surgir do inferno e me levar embora dali.— Você está bem? Parece meio enjoada. — Reconheci aquela voz, mas minha cabeça estava latejando e me deixando com a visão ruim.— Eu acho que vou vomitar sem ter tomado nada.Ouvi o riso e olhei para a direção da voz, foi quando encontrei os olhos verdes de Dylan e levei um certo susto.— Professor? — E Joshua ainda disse que não era uma festa grande. Essa frase se repetia constantemente em meu cérebro.— Olá, queria. Você não tem cara de gente que gosta de festas.— Não sou muito chegada. Essas luzes piscando sem parar ardem meus olhos, os jovens parecem animais no cio e essas músicas são estranhas demais. Parece que é tocada sempre a mesma o tempo todo, o tempo todo, o tempo todo. — Eu falava tão rápido que parecia estar criando um rap e Dylan ria sem parar. Vi o copo vermelho em seus dedos e revirei os olhos.Agora pronto até o professor estava chapadão.— As festas de Joshua sempre são agitadas, mas vejo que gosta de paz — assenti. — E mesmo assim estuda música.— É difícil explicar. — Ele franziu o cenho— Camz! Camz! — A voz de Josh me chamou em algum lugar, ainda que fosse complicado saber de onde vinha até ele subir em uma pequena mesa e acenar feito maluco. — Camz, vem tomar whisky com red bull conosco!— Professor? — Ele fez um som nasal para que eu continuasse. — O seria um Whisky que rebola?Ouvi outra risada dele e também achei engraçado o som da frase que saiu da minha boca. Ele me puxou para onde Josh estava e me mostrou o copo com um copo com um líquido amarelo e do lado uma latinha cinza e azul escrita Red Bull. Eu tinha entendido errado ou pronunciado errado? Definitivamente odiava falar outra língua.Josh me puxou para perto de uma turma que falava ao mesmo tempo sem pausa, o que me deixava mais tonta e nauseante.— Camz! Galera. Galera! Camz. — Acho que isso foi uma apresentação. — Cher, também veio descontrair.O professor levantou seu copo e deu um meio sorriso em nossa direção. Senti o nariz de Joshua entre minhas madeixas, soprando seu ar em meu pescoço que me fez encolher.— Sabia que o professor foi aluno do Fonte de Vida até dois anos atrás? — sussurrou ele. Eu neguei e olhei na direção de Dylan que agora dançava com outros alunos. — Ele não é tão velho assim, por isso sempre o convido para as festas, veja como é alegre.Assenti, pois ele realmente tinha uma alegria e disposição juvenil que o deixava tanto com a aparência, quanto a atitude ainda mais adolescente.Josh logo me tirou de onde estávamos, carregando-me para o meio da pista. Recordei que meu pai me mataria se me visse naquele lugar. Começamos a dançar e eu podia jurar que ainda tocava a mesma música, mas depois descobri que haviam apenas algumas batidas semelhantes e eu não havia bebido nada, mas me senti na necessidade de ir ao banheiro.Josh fez questão de me levar até lá e me aguardar do lado de fora, afinal sua casa parecia um de boate gigante e obviamente eu me perderia.O banheiro grande era branco e havia uma porta no fim onde deveria ficar a privada, do lado direito um local para rapazes urinarem e do esquerdo um grande espelho entalhado com flores douradas e a pia, muito bonito por sinal.Caminhei até a porta no final e entrei no privado ouvindo um som de gente andando pelo local. Logo me apressei para não ocupar o banheiro por muito tempo.— Vem aqui dá. — Ouvi a voz sussurrar enquanto a outra ria. — Tira, não sabe o quanto esperei para isso.Parecia a voz de Nathally, a garota que se achava a melhor cantora da escola apenas porque seu pai era um dos patrocinadores.— Fica quieta ou alguém vai ouvir. Apesar que alguém pode entrar a qualquer instante. — Espera, eu conhecia a outra voz também e me parecia…Ouvi gemidos entre eles, então um baque forte me fez vestir a roupa às pressas e encostar a orelha na porta. Outro baque forte, meu Deus, eles estavam brigando!Destranquei o privado e escancarei a porta dando de cara com Nathally sentada na pia. Suas pernas estavam envolvidas na cintura do professor. A blusa da garota tinha sido aberta assim como seu sutiã. Vi as unhas da garota arranhando as costas nuas de Dylan enquanto algumas peças dele se encontravam no chão. Minha boca caiu e minhas bochechas coraram.— D-desculpem… — gaguejei e abaixei a cabeça no instante em que fui flagrada espionando. — não quis atrapalhar.Corri para fora procurando Josh e o xingando de todos os nomes por ter me prometido que ficaria aqui esperando.— Camz! Eu! Aqui! — Ele disse pulando e sorrindo ao longe com seus amigos ricos, mas logo notou meu olhar. — O que foi? Parece que viu um fantasma.— Quase isso, pode me levar para casa? — Ele fez uma cara feia. — Minha cabeça tá latejando, eu preciso deitar.— Eu te levo. — A voz de Dylan me assustou e senti minhas bochechas quentes.— Não! — Não faço ideia do motivo do grito, só estava deixando meu nervosismo falar por mim. Todos olharam em minha direção. — Quer dizer, tá tudo bem só me digam por onde tenho que ir e vou sozinha— Nem pensar. — Joshua me interrompeu. — Tudo bem professor, eu levo ela. Camz está arriscando hoje.Dylan pareceu me olhar envergonhado e um pouco triste, mas imagine o clima que ficaria se eu fosse com ele depois do que vi e preferi esfriar meu cérebro do choque que ele havia levado.Ainda vi Nathally se aproximar do professor enquanto abotoava os últimos botões da camisa branca enquanto Josh me levava até o lado de fora e mandava que um de seus homens trouxessem o Porsche vermelho.Não demorou mais de dois minutos para o rapaz de terno e cabelos loiros trazer o carro até nós. Finalmente entramos no veículo e Josh nos levou para a estrada.— Você não está bêbado está? — Ele negou e sorriu de canto. — Desculpe te tirar de lá.— Ele tava pegando quem? — Assustei um pouco com a pergunta e Josh sorriu outra vez. — Fiquei com a mesma cara quando entrei na diretoria para pegar folhas novas para o jornal e vi o professor beijando a secretária da diretora.— Eu pensei que tinha imaginado. Então ele é bem desinibido. — Josh assentiu. — Nathally.O carro foi freado com tudo dando um tranco em nossos corpos.— Uma aluna?! — Joshua estava tão pasmo quanto eu. — Esse é corajoso.Não havia muito a dizer então apenas assenti e Josh me levou para casa.Ficamos em silêncio o resto do caminho enquanto eu tentava não recordar da cena constrangedora que havia visto, mas ela sempre voltava para fazer minhas bochechas tomarem uma tonalidade rosada.Estacionamos do lado de meu mini portão e logo pulei do banco do carona para fora.— Camz, quer companhia?— Não, tudo bem, eu acho que só preciso descansar um pouco. Primeiro para aliviar do choque, depois da dor de cabeça. Volta lá para a festa do rock e divirta-seEle riu, ligou o Porsche e eu corri para abrir o portão alguns centímetros menor que eu.Entrei assim que vi o carro virar à esquina e subindo os quatro degraus que davam para a soleira da porta.Abri o objeto de cor branca e o bati passando pela sala até meu quarto. Não acendi luzes alguma, não tirei a roupa e nem pensei em mais nada, apenas me joguei na cama e apaguei.Cheguei à escola totalmente esgotada na manhã seguinte. Sorte que meu material ficava nos armários colados na parede do outro lado do refeitório. Seria torturante ter que levar peso para F.D.V, caminhei até o corredor dos armários junto com alguns alunos e mesmo sonolenta consegui chegar ao lugar onde acharia meu destino.— Camila? — Mesmo atordoada pude reconhecer a voz do senhor Hill, continuei andando até meu armário enquanto fingia que nada chegara aos meus ouvidos. — Camila.— Professor — falei depois de revirar os olhos e tentar abrir a droga do armário.— Podemos conversar? — Ele disse depois de bater a mão em punho na lateral esquerda do armário verde fazendo-o abrir.— Eu fiz algo errado no trabalho?— Trabalho? — Seus olhos pareciam assustados e pensei que ele tinha esquecido de corrigir.Peguei o livro de história da dança e fechei o objeto, seus olhos verdes encontraram os meus castanhos — Ah! Claro. Esse trabalho. Não, não é sobre isso. Quero conversar sobre o que viu na..— Olha professor — levantei a mão para que ele parasse de falar. — Eu não tenho nada com a sua vida, com a vida de Nathally ou seja lá de quem tenha se envolvido com você. Sou apenas uma aluna nessa escola enorme e a menos que você tenha alguma reclamação sobre meu timbre, meus trabalhos ou notas ou até mesmo elogios eu não quero saber. Então se me der licença agora, pois eu tenho uma aula de dança que eu não consigo fazer, mas preciso me dedicar ao máximo para sair algo e depois tenho duas entrevistas de emprego. Pode ver que eu estou surtando agora com esse mundo de coisa e não tenho tempo para me meter na vida dos outros ou ficar fazendo futricagem, então… Bom dia, professor.Sai andando sem deixar que ele falasse algo, mas por sua expressão tenho certeza que o deixei completamente perplexo.Senti o cheiro forte do álcool.daqueles que sentimos do tanque de combustível quando se é carregado com o líquido. Meu corpo então se movimentou como se eu fosse um celular em modo vibratório e logo percebi que era o movimento feito pelo motor de um automóvel enquanto ele fazia o grande objeto de metal se locomover.Abri meus olhos, apenas para me certificar daquilo que eu já tinha total certeza e vi que eu era removida do meu casamento para um lugar desconhecido.No banco do motorista, estava o ex amigo que eu havia feito em Atlanta e ao nosso redor era possível ver apenas a grande estrada de terra. Árvores altas se espalhavam por ambos os lados, enquanto o motorista seguia um caminho completamente desconhecido por mim.— Ah, já acordou? — Ele perguntou parecendo surpreso. — Aquele palerma mentiu para mim, disse que você só acordaria na cabana.— Cabana? Palerma? — Perguntei enquanto levava à mão até minha cabeça para deixar uma massagem calma onde doía. Efeito da substância usada p
Tudo foi estranho depois daquela proposta.Não tive tempo de pensar muito, pois Dylan seria julgado se meu pai não fizesse algo o mais rápido que pudesse e infelizmente ele era uma pessoa de palavra. Então eu só tive tempo de respirar para pensar em outra saída, mas nada me veio à mente então, eu disse que sim.Os dias passaram tão devagar depois disso que eu poderia jurar que estava no inferno e que aquela era a forma do diabo de me punir. Pensar nisso só me fazia lamentar ainda mais pela vida que tinha escolhido, mesmo que eu tivesse feito aquilo para salvar a de outra pessoa. Uma pessoa que eu amava demais.Durante os dias que me preparei para conhecer a pessoa que meu pai escolheu para mim, também cuidei para que Dylan não tentasse me procurar. Ele sabia onde era a casa dos meus pais no Brasil e eu tinha que fazer com que ele nunca mais quisesse chegar perto daquele lugar ou de mim. Isso me fez escrever uma mensagem que me cortou, mas que também foi precisa pelo fato de que causar
Meus pés queriam ser ágeis, minha respiração estava descompassada e uma pontada de dor me incomodava no canto do estômago. O avião nem havia pousado direito e eu já tinha decido furiosa dele correndo descontroladamente enquanto chamava um carro de aplicativo para ir até meu destino.Minha raiva foi tão grande ao descobrir de onde vinha aquela denúncia que não parei em casa para pegar roupas, depois de sair disparada da sala da reitora, minha primeira atitude foi usar os dólares em minha conta para pegar o primeiro voo até o Brasil.Horas antes eu estava sendo questionada por diversos investigadores que queriam colocar em minha cabeça que o senhor Hill tinha usado seu poder de professor para me induzir a deitar com ele. Queriam que eu aceitasse que tudo o que aconteceu entre nós era apenas algo que ele armou e que eu só ganharia uma boa nota no final do ano e o papel principal da peça final. Confesso ter me irritado com todas as palavras dos policiais, pois eu saberia bem se isso ocorr
— O réu será sentenciado há dois anos de trabalhos comunitários e seis meses na prisão de jovens e reabilitados da cidade de Atlanta, agradeça à senhorita Chaves por não querer lhe colocar atrás das grades, garoto. — Falou a mulher no alto da tribuna.Josh estava sentado no banco dos réus me olhando furiosamente, mas eu não tinha culpa do seu erro e pelo menos não quis depor contra ele. Meu ex-amigo estava na cena do crime no momento que eu mais precisei e não fez nada para me ajudar. Na verdade, preferiu dar auxílio a irmã que estava fora de si para ferir uma desconhecida do que usar a parte sã de sua mente.— A ré será sentenciada há cinco anos de cárcere na prisão feminina de Atlanta sem direito à fiança — tornou a juíza de cabelos loiros à dizer. Aquilo causou um enorme rebuliço no tribunal.Senti um forte arrepio percorrer meu corpo quando a irmã do meu ex amigo me olhou profundamente, parecia que ela iria me matar à qualquer instante e só precisava de uma brecha para isso.O alí
Acordei envolvida nos braços do professor. Ele respirava calmamente com o rosto afundado em meus cabelos para conseguir sentir o cheiro do meu shampoo. Apertei seu corpo contra o meu e senti também o cheiro do seu perfume amadeirado.— Acordou. — Sussurrou ele, dando um beijo em minha testa.— Você me trouxe pra casa? — Perguntei imitando sua fala em sussurros e ele assentiu. — Podia ter me acordado quando os policiais voltaram com os dois, eu queria perguntar para Josh como ele teve coragem de ajudá-la a me machucar.— Eu não iria te deixar passar mal. Joshua chegou a delegacia aos berros parecendo descontrolado e eu tive que te tirar de lá antes que ele te convencesse de que era inocente, sendo que não é.— Mas Dyl…— Camila — ele me interrompeu com um olhar furioso. — Josh sabia de tudo e ajudou porque queria te machucar. Ele não é uma boa pessoa. Então não seja ingênua agora de achar que ninguém lhe faria mal. Porque as pessoas são cruéis e quando querem algo e não conseguem, faze
As semanas se passaram rapidamente enquanto eu me preparava para o grande recital de fim de ano. Dylan parecia um adolescente que acabou de ganhar um enorme instrumento musical para irritar seus pais, de tão feliz que ele estava. Ter ouvido minha declaração de uma forma totalmente clara e sem nenhum tipo de dúvidas o fez bem e eu me sentia tão feliz por ter feito aquilo à alguém.Eu estava em meio a uma de minhas corridas matinais quando senti o celular vibrar na minha cintura. A legging preta colou em meu corpo com o suor quando parei e respirei fundo, senti meu peito se contrair rapidamente dentro do top de ginástica enquanto eu tentava recuperar o ar.1 nova mensagem de: Amor.Olga quer nos ver agora. Disse que descobriu quem te empurrou na escada da escola.As palavras saltaram do celular e o coloquei de volta ao suporte preso em minha cintura. Apoiei as mãos nos joelhos aliviada por finalmente poder parar de correr, afinal já deveria estar fazendo aquilo a um bom tempo sem notar.







