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Queria Meu Corpo? Casei com um Magnata
Queria Meu Corpo? Casei com um Magnata
Penulis: Yuri Zuan

Capítulo 1

Penulis: Yuri Zuan
— Olá, eu vim solicitar a segunda via da certidão de casamento.

No cartório, Helena entregou os documentos e os dados de identidade.

A funcionária pegou tudo sem levantar a cabeça e digitou no teclado enquanto murmurava:

— Nome? Helena...

A luz da tela do computador refletia nas lentes dos óculos dela, fria e impessoal.

Alguns segundos depois, o som das teclas parou.

A funcionária levantou a cabeça e encarou Helena com um olhar estranho, avaliador:

— Srta. Helena, onde essa certidão foi emitida?

O coração de Helena sofreu um baque, mas a expressão dela continuou calma:

— Foi aqui mesmo.

A funcionária devolveu o documento ainda úmido, com firmeza na voz:

— Impossível. Não existe nenhum registro de casamento seu no sistema.

Ela apontou para a tela do computador, como se estivesse exibindo uma piada:

— Se não acredita, pode olhar. Helena, estado civil: solteira.

O sol do lado de fora brilhava intensamente, mas Helena sentiu a visão escurecer, como se todos os sons do mundo tivessem sido arrancados de uma vez.

Solteira? Como assim?!

Ela e Marcelo Silva namoravam desde a universidade.

Foram cinco anos juntos e tinham se casado apenas no mês anterior.

Marcelo fazia parte de um ramo secundário da família Silva e sempre dizia que amava ela profundamente.

Na época, passou um ano inteiro insistindo até conseguir conquistar ela.

Helena disse o nome de Marcelo:

— E essa pessoa?

A funcionária voltou a digitar no teclado.

Poucos segundos depois, levantou a cabeça outra vez, agora com um traço de pena no olhar:

— O sistema mostra que o Sr. Marcelo é casado.

Marcelo era casado? Então eles não eram casados?

Helena sentiu como se a audição tivesse falhado.

— A esposa dele sou eu.

— Não. — A funcionária negou e girou o monitor na direção dela. — A cônjuge do Sr. Marcelo é Leticia Ramos. Data do registro: agosto de três anos atrás.

Três anos atrás, Marcelo tinha vinte e dois anos.

Naquela época, ela e Marcelo estavam vivendo o segundo ano de namoro, completamente apaixonados.

Helena sentiu o mundo inteiro explodir diante dos olhos.

Ela ficou encarando o nome de Leticia na tela, sentindo o sangue congelar no corpo no mesmo instante.

Ela não chorou. Não fez escândalo.

Sob os olhares curiosos das pessoas ao redor, apenas respirou fundo e disse, em um tom entorpecido:

— Você pode imprimir essa página com as informações para mim?

Quando saiu dali, a luz do sol do lado de fora machucou os olhos dela.

Sentada no carro, ela não ligou o motor imediatamente.

Pegou o celular e discou um número:

— Investigue duas pessoas para mim: Marcelo e Leticia. Quero saber absolutamente tudo.

A resposta veio rápido.

Na tarde do dia seguinte, em um café discreto e afastado, Helena recebeu um saco de papel que guardava a piada cruel dos cinco anos dela.

Dentro havia algumas fotos e documentos.

Ela descobriu então que Leticia era colega de escola de Marcelo no ensino médio, a mesma amiga de infância de saúde frágil que ele dizia estar em tratamento no exterior.

No fundo do saco, havia uma cópia da certidão de casamento.

Noivo: Marcelo.

Noiva: Leticia.

Data do registro: exatamente a mesma que ela tinha visto no cartório.

Então, afinal, o que ela era?

Uma terceira mantida no escuro? Uma idiota enganada em um casamento falso?

Helena observava o fluxo incessante de carros do lado de fora da janela, um sorriso gelado surgindo no canto dos lábios.

Cinco anos de amor profundo, um casamento íntimo, do começo ao fim, tudo não passou de um golpe meticulosamente planejado.

Aquela certidão de casamento falsa que ela tinha jogado no lixo era a maior zombaria possível.

Por que Marcelo faria isso?

Para arrancar das mãos dela o patrimônio da família Costa?

Ou para usar o nome dela como trampolim e se espremer até o alto escalão da família Silva?

Helena pegou o celular e discou novamente:

— Preciso de um sistema de monitoramento que cubra a casa inteira. Câmeras ocultas, com captação de áudio. Sem deixar nenhum vestígio da instalação. Tem que estar tudo pronto hoje.

À noite, quando Marcelo voltou para o apartamento que chamavam de lar conjugal, Helena já tinha arrumado a mala.

— O que foi, amor? Vai viajar a trabalho? — Marcelo se aproximou e abraçou Helena por trás, apoiando o queixo na curva do ombro dela, com a voz suave.

Helena sentiu o perfume familiar dele e o estômago virou.

Antes, ela já tinha perguntado por que ele estava usando um perfume feminino.

Ele disse que era um presente escolhido especialmente para ela.

Agora Helena sabia: era o perfume de que Leticia gostava.

Helena conteve o impulso de empurrar ele para longe e se virou, sorrindo:

— Sim. Surgiu um problema em um projeto em Santa Vitória. Vou resolver pessoalmente. Devo ficar uns três ou quatro dias.

— Assim, de repente? Eu levo você ao aeroporto.

Helena ajeitou o colarinho da camisa dele, com os dedos frios:

— Não precisa. O cliente vai mandar um carro para me buscar. Fica em casa, direitinho.

Ela falou em um tom baixíssimo, carregado de um significado difícil de explicar.

Marcelo não percebeu nada e achou apenas que era cuidado da parte dela.

— Tá bom. Vou esperar você voltar.

Helena saiu puxando a mala.

Não foi para Santa Vitória; ela se hospedou em um hotel a pouca distância dali.

Ligou o computador e conectou à internet.

A interface de um software apareceu na tela: nove imagens divididas, mostrando com clareza cada canto da sala, do quarto e do escritório da casa.

Ela serviu uma taça de vinho tinto e esperou em silêncio.

Como já imaginava, não se decepcionou.

Menos de uma hora depois da saída dela, a porta abriu.

A figura de Marcelo apareceu na imagem e, logo atrás, vinha uma mulher baixa e delicada: Leticia.

Aquela mulher que ele descrevia como frágil e doente agora agia como a dona da casa, agarrando o braço de Marcelo com intimidade e sentando no sofá da sala.

— Amor, essa casa é linda. Muito melhor do que o nosso apartamento. — A voz de Leticia carregava um prazer venenoso.

— Gostou? Daqui para frente, esse vai ser o nosso lar. Mas agora você vai ter que me satisfazer primeiro. — Marcelo sorriu, pressionando o corpo contra o dela.

Helena observava a cena na tela sem nenhuma expressão e aumentou o volume.

Logo, sons obscenos começaram a se misturar às falas.

— Aquele remédio... quando você vai dar para ela? — Leticia respirava com dificuldade, mas não esquecia o assunto principal. — O médico disse que é muito difícil eu engravidar. Só dá para encontrar alguém para ser barriga de aluguel. A genética e o físico da Helena são de primeira. É melhor usar os dela.

A voz de Marcelo estava rouca, satisfeita:

— Pra que tanta pressa? Semana que vem tem o jantar da família Costa. Vou colocar a droga no vinho dela. Quando acontecer, ela só vai pensar que foi uma gravidez acidental. Depois que ela der à luz, eu consigo o projeto bilionário da família Costa no Vale Central e viro quem realmente manda.

— E depois que Helena tiver o bebê, o que vai acontecer com ela?

Marcelo soltou uma risada fria:

— Ela não passa de uma ferramenta para me dar um filho. Arranjo um motivo para ela desaparecer em um acidente, ou simplesmente expulso ela. Fica tranquila. Minha esposa é você.

— Você é incrível...

O restante da conversa se perdeu em sons ainda mais intensos.

Barriga de aluguel. Desaparecer. Ferramenta.

Então era esse o verdadeiro motivo de ele ter se casado com Helena.

Que plano perfeito.

A luz da tela iluminava o rosto de Helena.

Nos olhos bonitos, não havia lágrimas, apenas um frio morto e absoluto.

Ela nem sabia quanto tempo tinha passado quando pegou o celular e discou um número:

— Gabriel, tem uma parceria que talvez você queira ouvir.
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