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Capítulo 2 – Um Jogo de Desejo

Author: Nalda
last update publish date: 2025-04-14 05:26:13

Luna andava rápido pela calçada molhada. A chuva fina voltava a cair, mas ela não se importava. O vento frio batia em seu rosto, enquanto sua mente repetia as palavras de Leonel.

"Isso ainda está longe de terminar."

Ela deveria ignorar. Deveria esquecer. Mas não conseguia. Havia algo no jeito dele — no olhar firme, no sorriso inclinado — que desarmava suas defesas.

No pequeno quarto de pensão, Luna encontrou sua irmã, Lívia, dormindo enrolada em um cobertor fino. A visão foi um soco no peito. Ela tirou os sapatos silenciosamente, sentou-se na beira da cama e respirou fundo.

Leonel Bragança não fazia parte da realidade delas. Era apenas um capricho do destino, uma distração que ela não podia se permitir.

Na manhã seguinte, Leonel estava em sua sala de reuniões no 38º andar da Bragança Corporation. Mas sua mente não estava no relatório de investimentos que seu diretor financeiro apresentava.

Estava nela.

Luna.

O nome ecoava como um feitiço. Ele era um homem prático, objetivo, controlador. Não se deixava levar por impulsos — a não ser quando queria muito alguma coisa.

E naquele momento, queria Luna.

Pegou o celular, discou para sua assistente:

— Quero o nome completo da garçonete que trabalhou na festa de ontem à noite. Morena, olhos castanhos, chamava-se Luna. Descubra tudo.

— Senhor... isso é... incomum — respondeu Carla, do outro lado.

— Então considere isso uma exceção.

Naquela noite, Luna voltou ao restaurante onde trabalhava. A gerente a encarou com uma expressão estranha.

— Tem alguém te esperando lá fora.

Luna franziu o cenho.

— Me esperando? Quem?

— Um carro preto. Daqueles importados. E um motorista muito bem vestido.

O coração dela acelerou. Não. Não podia ser.

Ela saiu e viu o carro parado em frente. Um homem de terno abriu a porta.

— Senhorita Luna Rocha?

Ela hesitou.

— Sim...?

— O senhor Leonel Bragança gostaria de jantar com você esta noite.

Ela arqueou as sobrancelhas.

— Está brincando?

— Ele não costuma brincar, senhorita.

Ela mordeu o lábio. Sabia que deveria recusar. Sabia que isso era perigoso. Mas também sabia que, por mais que negasse, estava curiosa.

Demais.

O restaurante era uma cobertura com vista para o mar. Velas sobre a mesa, taças de cristal, e ele... sentado ali, com aquele mesmo olhar intenso.

— Que bom que aceitou vir — disse ele, levantando-se para puxar sua cadeira.

— Eu não aceitei — rebateu ela, sentando-se devagar. — Fui... convencida.

Ele sorriu.

— Não gosto de forçar nada. Só ofereço oportunidades. Você escolhe.

— E se eu disser que não quero nada com você?

— Eu vou respeitar. Mas vou continuar tentando.

Ela ergueu a taça de vinho e tomou um gole, tentando controlar o tremor nos dedos.

— Por que está tão interessado em mim, Leonel?

Ele a observou por um instante.

— Porque você não finge. Não sorri por conveniência. Não tenta agradar ninguém. E ainda assim... me deixou curioso.

Ela abaixou os olhos, desconcertada.

— E o que exatamente você quer de mim?

— Quero te conhecer. Com calma.

Luna riu, irônica.

— Você não é o tipo de homem que faz “com calma”.

— Talvez você me faça mudar.

O silêncio entre eles era cheio de tensão. O ar parecia carregado.

Quando o jantar terminou, ele a acompanhou até o carro novamente. Mas antes que ela entrasse, segurou sua mão.

— Posso te ver de novo?

Ela pensou por um segundo.

— Talvez.

Ele se inclinou devagar, e seus rostos ficaram perigosamente próximos.

— Isso foi um “sim”.

Luna sentiu o calor percorrer seu corpo inteiro.

Mas se afastou.

— Boa noite, Leonel.

Ela entrou no carro, fechando a porta suavemente.

Dentro, enquanto o motorista dava partida, Luna encostou a cabeça no vidro. Seus batimentos estavam fora de controle.

Ela sentia que estava entrando em um jogo perigoso.

Mas, pela primeira vez em muito tempo... não queria sair dele.

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