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2.2

Author: Karol Dark
last update publish date: 2026-10-02 17:07:37

Derek ficou parado, os olhos arregalados, o rosto pálido como cera. Eu vi a raiva se formando nele como uma tempestade, vi os punhos cerrando, vi a mandíbula travando.

— Christian? — A voz dele era baixa, perigosa. — Você está me dizendo que o meu irmão, o Supremo Alpha, é o seu companheiro?

— Sim. — Eu mal conseguia falar. — Ele me salvou. Ele pulou da varanda para me salvar. Ele...

— Ele te salvou? — Derek riu, mas não havia humor na risada. Havia fúria. Havia inveja. Havia ódio. — Claro que ele te salvou. Ele sempre tem que ser o herói, não é? Ele sempre tem que ser melhor que eu. Ele sempre tem que ter tudo.

— Derek, por favor...

— Não me chame assim. — Ele avançou na minha direção, e eu recuei, o medo voltando a apertar minha garganta. — Você me humilha. Você me envergonha. Você é uma aberração que nunca deveria ter nascido, e agora você me diz que o meu irmão, o homem que roubou tudo de mim, é o seu companheiro?

— Eu não escolhi isso. — Eu estava chorando agora, as lágrimas escorrendo livremente. — Eu não pedi por isso. Eu juro.

— Não importa. — Derek parou na minha frente, os olhos queimando de raiva. — Você não é nada para mim. Você nunca foi. E agora... agora você é menos que nada. Você é uma traidora. Você é uma puta que se deitou com o meu irmão.

— Eu não me deitei com ninguém! — Eu gritei, a voz quebrando. — Eu acabei de conhecer ele! Ele me salvou! Ele...

— Eu não quero saber. — Derek agarrou meu braço, os dedos cravando na minha pele com força. — Você está banida. Você está banida da alcateia. Você está banida da minha vida. Se eu te ver novamente, eu te mato.

Ele me empurrou, e eu cambaleei para trás, caindo no chão de pedra. A multidão ao redor estava em silêncio agora, todos os olhos sobre nós, todos os rostos chocados. Eu vi Aisha sorrindo, vi os amigos de Derek rindo, vi os membros da alcateia sussurrando atrás das mãos.

Eu me levantei, o corpo doendo, o coração despedaçado. Eu olhei para Derek uma última vez, esperando... esperando o quê? Que ele mudasse de ideia? Que ele me pedisse desculpas? Que ele me amasse?

Ele não fez nada. Apenas ficou ali, os braços cruzados, os olhos frios como pedra.

Eu me virei e corri.

Corri para fora do salão, atravessei o jardim, passei pelos portões da sede da alcateia. A chuva começou a cair, primeiro uma garoa fina, depois um dilúvio. As gotas bateram no meu rosto, misturando-se às lágrimas, encharcando o vestido azul que minha mãe tinha escolhido com tanto cuidado.

Eu não sabia para onde estava indo. Não tinha para onde ir. Minha casa ficava a quilômetros de distância, e eu não tinha carro, não tinha telefone, não tinha nada. Eu era apenas uma loba sem lobo, sozinha na chuva, caminhando para lugar nenhum.

Eu andei por minutos que pareceram horas, os pés descalços — eu tinha perdido os sapatos em algum momento — afundando na lama, o corpo tremendo de frio e dor. A estrada estava escura, iluminada apenas pelos relâmpagos que rasgavam o céu.

E então, eu ouvi um carro.

Faróis cortaram a escuridão, e eu me virei, esperando... esperando o quê? Que fosse Derek? Que ele tivesse mudado de ideia? Que ele tivesse vindo me buscar?

O carro parou ao meu lado, e a janela do motorista abaixou. Não era Derek.

Era Christian.

— Entre. — A voz dele era firme, mas havia algo nela que me fez querer chorar. Algo que parecia cuidado. Algo que parecia preocupação. — Você vai pegar pneumonia.

Eu hesitei. Eu não deveria entrar no carro dele. Ele era o irmão de Derek. Ele era o Supremo Alpha. Ele era... ele era meu companheiro.

— Anika. — Ele disse meu nome como se fosse uma oração. — Por favor. Entre.

Eu não sei por que obedeci. Talvez porque estava cansada demais para lutar. Talvez porque estava com frio demais para recusar. Talvez porque, no fundo, eu queria ficar perto dele. Queria sentir o calor do laço que nos unia.

Eu abri a porta e entrei.

O carro era quente, o cheiro dele — terra, chuva, algo que era só dele — enchendo o espaço. Eu me encolhi no banco, os braços envolvendo meu corpo encharcado, os dentes batendo de frio.

Christian não disse nada por um momento. Apenas ficou ali, os olhos dourados fixos na estrada, as mãos agarrando o volante com força. Eu vi os nós dos dedos dele brancos, vi a tensão nos ombros dele, vi a raiva que ele estava tentando controlar.

— Onde você mora? — A voz dele era baixa.

— Na Rua das Acácias. Número 47. — Minha voz saiu como um sussurro.

Ele assentiu e arrancou o carro, os pneus cantando no asfalto molhado. O silêncio entre nós era pesado, carregado de coisas que nenhum de nós sabia como dizer.

— Ele te expulsou. — Não era uma pergunta.

— Sim. — Eu olhei pela janela, vendo a chuva escorrer pelo vidro. — Ele disse que eu sou uma traidora. Que eu sou uma puta. Que se me ver novamente, ele me mata.

Christian não disse nada, mas eu vi a mandíbula dele travar, vi os dedos apertarem o volante com mais força.

— Ele nunca mereceu você. — A voz dele era baixa, intensa. — Ele nunca te mereceu.

Eu me virei para olhá-lo, e o que vi nos olhos dele me fez o coração parar. Havia raiva ali, sim. Mas havia algo mais. Algo que parecia... dor. Algo que parecia... desejo.

— Você não me conhece. — Minha voz tremeu. — Você não sabe nada sobre mim.

— Eu sei o suficiente. — Ele olhou para mim, e o peso daquele olhar me fez esquecer como respirar. — Eu sei que você é corajosa. Eu sei que você é forte. Eu sei que você merece muito mais do que aquele idiota.

— Você nem me conhece. — Eu repeti, mas as palavras saíram mais fracas dessa vez.

— Eu conheço você, Anika. — Ele disse meu nome como se fosse algo precioso. — Eu conheço você desde o momento em que nossos olhos se encontraram. Eu conheço você porque você é minha companheira. E eu vou passar o resto da minha vida provando isso para você.

O carro parou na frente da minha casa, e eu olhei para ele, o coração batendo tão forte que eu achava que fosse explodir.

— Por quê? — Minha voz saiu como um sussurro. — Por que você se importa? Eu sou uma aberração. Eu sou uma loba sem lobo. Eu sou...

— Você é minha. — Ele se inclinou na minha direção, e eu senti o calor do corpo dele, o cheiro dele, o poder dele. — Você é minha companheira. E eu vou proteger você. Não importa o que aconteça. Não importa quem tente te machucar. Eu vou estar lá.

Ele estendeu a mão e tocou meu rosto, os dedos quentes contra minha pele molhada e fria. O toque dele enviou um choque através de mim, um choque que acendeu algo dentro de mim, algo que eu nunca tinha sentido antes.

— Vá para dentro. — Ele abaixou a mão, e eu senti a falta do toque dele como uma dor física. — Tome um banho quente. Cuide dos seus ferimentos. E amanhã... amanhã nós vamos conversar.

— Christian... — Eu não sabia o que dizer. Não sabia o que pensar. Tudo estava acontecendo tão rápido.

— Vá. — Ele sorriu, e o sorriso dele era como o sol rompendo as nuvens. — Eu vou estar aqui. Esperando por você.

Eu abri a porta e saí do carro, a chuva batendo no meu rosto, o frio me fazendo tremer. Mas dentro de mim, algo quente estava crescendo. Algo que eu nunca tinha sentido antes.

Eu olhei para trás uma última vez, e vi Christian parado no carro, os olhos dourados fixos em mim. Ele não se moveu. Não arrancou. Apenas ficou ali, observando, como se eu fosse a coisa mais importante do mundo.

Eu entrei em casa, fechei a porta, e encostei-me nela, o coração batendo tão forte que eu achava que fosse explodir. As lágrimas voltaram, mas dessa vez, não eram apenas de dor. Eram de confusão. De medo. De esperança.

Eu tinha um companheiro. O Supremo Alpha. O irmão do homem que me odiava.

E nada, nunca mais, seria igual.

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