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2.1

ผู้เขียน: Karol Dark
last update วันที่เผยแพร่: 2026-10-02 17:07:27

Não, não era um lobo qualquer. Era o maior lobo que eu já tinha visto na vida. O pelo era negro como a noite mais profunda, com reflexos prateados que brilhavam sob a luz das lanternas. Os olhos eram dourados, intensos, e eles me encaravam com uma intensidade que fez meu coração parar.

E então, eu senti.

Foi como se um raio tivesse me atravessado. Como se todas as células do meu corpo tivessem acordado ao mesmo tempo, como se algo que estava adormecido dentro de mim finalmente tivesse despertado. Eu senti um calor se espalhando pelo meu peito, uma conexão que eu nunca tinha experimentado antes, um laço que parecia ter existido desde o início dos tempos.

Companheiros.

A palavra ecoou na minha mente, e eu soube, com uma certeza absoluta, que era verdade. Aquele lobo era meu companheiro destinado. Aquele lobo era a outra metade da minha alma.

Mas como? Como isso era possível? Eu não tinha lobo. Eu nunca tive lobo. Eu era uma aberração, uma coisa quebrada, uma...

O lobo se transformou.

O pelo negro recuou, os ossos se remodelaram, e em questão de segundos, um homem estava parado na minha frente. Ele era alto, muito alto, com ombros largos e um corpo que parecia esculpido em pedra. O cabelo era escuro como o pelo do lobo, e os olhos... os olhos eram dourados, os mesmos olhos que eu tinha visto no lobo, brilhando com uma intensidade que me fazia querer me afastar e me aproximar ao mesmo tempo.

Ele estava vestido com roupas escuras — calças de couro, uma camisa preta de manga comprida, botas que pareciam ter visto muitas batalhas. Havia uma aura de poder ao redor dele, algo que fazia o ar parecer mais pesado, algo que fazia meu coração bater mais rápido.

— Você está bem? — A voz dele era profunda, rouca, e ela fez algo dentro de mim vibrar. — Você está ferida?

Eu abri a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. Eu estava paralisada, os olhos presos nos dele, o coração batendo tão forte que eu achava que fosse explodir. Companheiros. Ele era meu companheiro. O destino tinha me dado um companheiro.

E então, a realidade me atingiu como um balde de água fria.

— Derek. — As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse pensá-las. — Eu preciso encontrar Derek.

Algo mudou nos olhos do homem. Uma sombra passou pelo dourado, algo escuro e perigoso, e por um momento, eu vi o lobo que ele era por dentro.

— Derek? — Ele repetiu o nome como se fosse veneno. — Você quer ir para Derek?

— Ele é meu noivo. — Eu me levantei, cambaleando, o corpo dolorido da queda e da surra. — Eu preciso... eu preciso falar com ele. Eu preciso...

— Você acabou de ser empurrada de uma varanda. — A voz dele era dura agora, os olhos brilhando com uma fúria mal contida. — Você quase morreu. E você quer ir para o homem que permitiu que isso acontecesse?

Eu parei. As palavras dele acertaram algo dentro de mim, algo que eu estava tentando desesperadamente ignorar. Derek tinha permitido. Derek tinha ordenado. Derek tinha sorrido enquanto Aisha me batia, enquanto me empurravam para a morte.

Mas ainda assim...

— Você não entende. — Minha voz tremeu, e eu senti lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto. — Ele é tudo que eu tenho. Ele é meu futuro. Se eu perder ele, eu não sou nada.

O homem deu um passo na minha direção, e eu senti o calor do corpo dele, o poder que emanava dele como ondas de calor.

— Você não é nada sem ele? — A voz dele era baixa, intensa, e havia algo nela que fez meu coração apertar. — Você acabou de descobrir que tem um companheiro. Você acabou de descobrir que não está sozinha. E você ainda quer correr para o homem que tentou te matar?

Companheiro. A palavra ecoou na minha mente novamente, e eu senti o laço que nos unia, forte e inegável, como uma corda invisível que puxava meu coração na direção dele.

Mas eu não podia. Eu não podia aceitar isso. Eu não podia simplesmente abandonar tudo que eu conhecia, tudo que eu tinha sido criada para ser. Derek era meu noivo. Derek era meu futuro. Derek era...

Derek era um monstro que tinha sorrido enquanto me empurravam para a morte.

Eu balancei a cabeça, afastando-me do homem. Minhas pernas tremiam, meu corpo doía, mas eu forcei-me a andar. Eu precisava encontrar Derek. Eu precisava falar com ele. Eu precisava... eu precisava de quê? Que ele me salvasse? Que ele me amasse? Que ele mudasse?

Eu não sabia. Só sabia que não podia ficar ali, não podia aceitar o que o destino estava me oferecendo. Era muito. Era rápido demais. Eu não estava pronta.

— Anika. — A voz dele me parou. Eu não tinha dito meu nome. Como ele sabia meu nome? — Se você for até ele, ele vai te machucar novamente. Você sabe disso.

Eu me virei, os olhos encontrando os dele. Havia algo naqueles olhos dourados que me fez querer chorar. Algo que parecia... preocupação. Cuidado. Como se ele se importasse comigo. Como se eu fosse importante.

— Quem é você? — Minha voz saiu como um sussurro.

Ele hesitou por um momento, e eu vi algo passar pelo rosto dele. Algo que parecia dor. Algo que parecia raiva.

— Christian. — Ele disse o nome como se fosse uma sentença. — Christian Blackwood.

O mundo parou.

Christian Blackwood. O Supremo Alpha. O líder de todas as alcateias. O irmão gémeo mais velho de Derek.

O sangue drenou do meu rosto, e eu senti o chão desaparecer sob meus pés.

— Você... — Eu mal conseguia falar. — Você é o irmão dele.

— Sim. — A voz dele era dura, os olhos fixos nos meus. — E você é a companheira dele. A mulher que ele está prometido a se casar. A mulher que ele acabou de tentar matar.

Eu não sabia o que dizer. Não sabia o que pensar. O destino tinha um senso de humor cruel, e eu era a piada.

— Eu preciso ir. — Eu me virei novamente, ignorando a dor no meu corpo, ignorando o laço que puxava meu coração na direção dele. — Eu preciso encontrar Derek.

— Anika, espere...

Mas eu não esperei. Corri. Corri o mais rápido que minhas pernas doloridas permitiam, atravessando o jardim, subindo as escadas da varanda, entrando no salão lotado. As pessoas olharam para mim, os olhos arregalados ao verem meu estado — o vestido rasgado, o cabelo desgrenhado, o sangue no rosto. Mas eu não me importei. Eu precisava encontrar Derek.

Eu o encontrei perto da mesa de bebidas, rindo de algo que um dos amigos dele tinha dito. Aisha estava ao lado dele, o braço dela enrolado no dele, o sorriso dela triunfante. Quando ela me viu, o sorriso se ampliou.

— Olha só. — Ela inclinou a cabeça, fingindo surpresa. — A gata de nove vidas voltou.

Derek se virou, e quando seus olhos encontraram os meus, não havia surpresa. Não havia culpa. Apenas irritação.

— O que você quer agora? — A voz dele era fria, entediada. — Eu pensei que você já tinha entendido o recado.

— Derek, por favor. — Eu dei um passo na direção dele, as mãos estendidas em súplica. — Por favor, me ouça. Eu... eu descobri algo. Algo importante. Eu tenho um companheiro. Eu...

— Você tem um companheiro? — Derek riu, uma risada curta e cruel. — Você? A loba sem lobo? A aberração que nunca deveria ter nascido? Você tem um companheiro?

— Sim. — As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu não me importei. — Eu juro. Eu senti. O laço. É real. É...

— Quem? — Derek deu um passo na minha direção, os olhos estreitando. — Quem é o infeliz que foi amaldiçoado com você como companheira?

Eu hesitei. Se eu dissesse o nome, tudo mudaria. Se eu dissesse o nome, Derek saberia. Derek saberia que o irmão dele, o Supremo Alpha, era o companheiro da mulher que ele desprezava.

— Christian. — A palavra saiu da minha boca como um sussurro. — Christian Blackwood.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

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