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Capítulo 6

Author: Peixe à Deriva
Helena atendeu ao telefone.

— Alô, estou falando com a senhora Helena? Aqui é do Hospital Central. O estado de saúde de sua avó, Amanda Duarte, piorou de repente hoje. Há pouco, ela sofreu uma parada cardíaca e, apesar de todos os esforços da equipe médica, está em seus últimos momentos de vida. Ela deseja muito ver a senhora e seu marido. Vocês poderiam vir o mais rápido possível? Caso contrário, talvez não cheguem a tempo.

— O quê?

Helena se levantou de um salto, incapaz de assimilar o que acabara de ouvir.

— Não... Isso não é verdade. Não pode ser verdade!

Do outro lado da linha, o médico lamentava profundamente ter de lhe dar aquela notícia, mas não podia esconder a gravidade da situação.

— Senhora Helena, infelizmente, é verdade. Por favor, venha com seu marido o quanto antes. Se demorarem mais... Talvez não haja tempo.

Por mais que se recusasse a acreditar, Helena sabia que não havia como fugir da realidade.

As lágrimas começaram a cair.

— Eu vou perder minha avó... Vou ficar sem ela...

Amanda era a única família que Helena tinha. Fora ela quem a criara desde pequena e quem, durante toda a sua vida, permanecera como seu laço mais profundo, seu porto seguro e sua maior preocupação.

Helena se preparou para sair imediatamente, mas as lágrimas continuavam escorrendo, apesar de todos os seus esforços para contê-las.

Então se lembrou do pedido do médico.

A avó queria ver não apenas ela, mas também Augusto pela última vez.

Com a garganta apertada, Helena segurou a mão dele.

— Você pode ir comigo? Por favor, me acompanhe. Minha avó quer nos ver juntos pela última vez.

Desde que Helena perdera o bebê, Amanda percebera que alguma coisa havia se rompido entre a neta e o marido.

Quando Helena se casara, a avó vira o quanto ela estava feliz e apaixonada. Como tudo o que Amanda mais desejava era que a neta tivesse uma vida feliz, aceitara aquele casamento de coração aberto.

Mais tarde, quando Helena engravidara, Amanda mandara galinhas caipiras e vários alimentos nutritivos para ajudá-la a recuperar as forças.

No fim, porém, Isadora destruíra tudo.

Depois que Helena perdera o bebê, Amanda sofrera profundamente por ela. Ao mesmo tempo, temia que um divórcio a deixasse ainda mais desamparada. Por isso, continuava torcendo para que a neta e Augusto se reconciliassem e tivessem outra oportunidade de ter um filho.

Helena não queria que a pessoa que mais a amava partisse preocupada com seu casamento.

Por isso, desejava sinceramente que Augusto a acompanhasse ao hospital para se despedir da avó.

Ele a encarou em silêncio por alguns segundos.

Depois, retirou a mão da dela.

O peito de Helena se contraiu.

— Tenho algo para resolver. Vá sozinha.

Fez uma breve pausa antes de acrescentar:

— Desculpe. Preciso mesmo resolver uma coisa. Passo no hospital mais tarde.

Augusto se levantou e seguiu até a porta.

Depois que saiu, não voltou.

Pouco depois, Helena ouviu o carro deixar a casa.

As lágrimas deslizaram silenciosas por seu rosto.

Ela acreditara que, se Augusto fosse ao hospital, Amanda poderia partir em paz ao vê-los juntos.

Afinal, o maior medo da avó era imaginar que, no futuro, Helena não teria ninguém ao seu lado.

Mas Augusto jamais se importaria com ela ou com Amanda.

Ainda assim, sua recusa não chegava a surpreendê-la.

Helena desceu às pressas, entrou no carro e pediu ao motorista que seguisse direto para o Hospital Central.

Ao entrar no quarto, parou imóvel.

A bolsa escorregou de sua mão e caiu no chão.

Então correu até a cama.

— Vovó!

Embora Amanda tivesse a saúde debilitada e precisasse permanecer internada, aquela era a primeira vez que Helena a via ligada a um respirador.

O aparelho emitia um som áspero e irregular. Cada respiração parecia arrancada à força de um corpo que já não tinha energia para lutar.

Helena se aproximou da cama em prantos.

— Vovó... O que aconteceu? Como a senhora ficou assim? Por que piorou tanto de repente?

Amanda abriu os olhos com enorme esforço.

Ao reconhecer a neta, seus olhos cansados recuperaram um pouco de vida.

— Lena... Você veio...

— Eu vim, vovó. Sou eu, a Lena.

Helena mal conseguia falar entre os soluços.

— Me perdoe. Passei todo esse tempo no exterior e não percebi que seu estado tinha piorado tanto. Se eu soubesse, teria levado a senhora comigo para se tratar lá fora. Os hospitais de lá têm muito mais recursos.

A idosa apenas esboçou um sorriso e balançou a cabeça.

— Lena, nascer, envelhecer, adoecer e morrer fazem parte da vida. A vovó sabe que está chegando ao fim. Este corpo já não aguenta mais. Não importa para onde eu vá.

— Não! Não diga isso, vovó! Aguente mais um pouco. Eu vou encontrar uma maneira de curar a senhora. Eu não posso perder você... Vovó, por favor, não me deixe!

As lágrimas de Helena transbordaram de vez.

A dor parecia rasgar seu peito por dentro.

A avó era sua única família, a pessoa que mais a amava naquele mundo.

— Lena, não chore. Ter uma neta tão dedicada quanto você já fez minha vida valer a pena. Não tenho nenhum arrependimento... Só me preocupa deixar você sozinha.

Amanda a contemplou com ternura.

— Você e o Guto... Fizeram as pazes?

A voz saiu trêmula.

Ela desviou o olhar para a porta atrás de Helena, à procura de Augusto.

Mas ele não estava ali.

Helena segurou entre as mãos o braço fino e ressequido da avó, frágil como um galho seco.

Já não conseguia esconder a dor. Entre soluços, despejou todas as mágoas que guardara por tanto tempo.

— Vovó, o Augusto nunca vai me amar. Eu o amei durante oito anos, mas tudo o que recebi em troca foi sofrimento e humilhação. Ele só ama a Isadora. Para ele, eu sempre vou ser inferior a ela. Nenhum dos dois me respeita. Eles me desprezam.

A tristeza se aprofundou no rosto de Amanda.

— Então era isso que estava acontecendo... Lena, a vovó errou. Eu não fazia ideia de que eles tratavam você assim. Se soubesse desde o começo, jamais teria concordado com esse casamento. Minha menina... Você sofreu demais.

Mesmo enrugada e enfraquecida, a mão da idosa continuava tão delicada quanto Helena se lembrava.

Amanda enxugou com carinho as lágrimas do rosto da neta e segurou sua mão.

Sua voz saiu lenta, quase sem força.

— Mas não chore. Nem tudo o que parece uma desgraça acaba mal. Talvez isso ainda se transforme em uma coisa boa.

Ela precisou recuperar o fôlego antes de continuar.

— Agora que você sabe que ele não a ama, desista dele. A vida sempre coloca obstáculos em nosso caminho. Você é uma menina forte. Se cair, levante-se e continue em frente.

Amanda apertou de leve a mão da neta.

— Um dia, vai aparecer alguém que saiba valorizar você e que a ame muito mais.

Helena jamais imaginara que a avó, que durante tanto tempo insistira para que ela e Augusto se reconciliassem, seria justamente quem a incentivaria a deixá-lo.

Só então compreendeu.

Amanda nunca estivera apegada àquele casamento.

Desde o início, tudo o que desejava era que a neta fosse feliz.

Enquanto Helena ainda tentava absorver aquelas palavras, a pouca vivacidade que restava nos olhos da avó começou a desaparecer, e sua voz se tornou ainda mais fraca.

— Lena... A vovó ainda precisa lhe contar uma coisa muito importante. É sobre a sua verdadeira origem...

Helena arregalou os olhos.

— Vovó, fale! O que é?

A voz de Amanda se reduziu a um sussurro quase inaudível.

— Lena, nunca pense que é inferior a eles. Você não vale menos do que ninguém neste mundo. Na verdade, você e Augusto pertencem ao mesmo meio... Seus verdadeiros pais são...

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