LOGINConrado WindsorOs créditos do filme começaram a subir na televisão, mas Helena já havia adormecido fazia algum tempo.Ela estava encolhida contra meu peito, com uma das mãos agarrada à minha camisa e o rosto parcialmente escondido sob meu queixo. De vez em quando, soltava um suspiro tranquilo, completamente alheia ao fato de que eu estava preso naquela posição havia quase meia hora.Peguei o controle remoto com cuidado e desliguei a televisão.Agora precisava sair dali sem acordá-la.Afastei delicadamente alguns fios de cabelo de seu rosto e tentei soltar sua mão da minha camisa. No instante em que me movi, porém, Helena resmungou alguma coisa e apertou os dedos."Não..."Parei.Ela se acomodou novamente, esfregando o rosto contra meu peito."Helena, preciso levantar."Não houve resposta. Apenas um pequeno movimento de cabeça.Tentei outra vez, mas ela agarrou meu braço."Por favor, não vá embora..."Olhei para baixo.Seus olhos continuavam fechados. Ela estava dormindo."Eu só vou p
Helena GryepeEu estava tentando encontrar uma posição confortável entre os travesseiros quando ouvi duas batidas na porta."Entre!"Conrado apareceu carregando a bandeja que Madalena havia preparado. Sobre ela estavam uma tigela enorme de pipoca e duas latas de refrigerante.Meu sorriso surgiu antes mesmo que eu percebesse."E não é que você está mesmo preparado?"Ele fechou a porta com o pé e caminhou até a cama."Esperava que eu aparecesse de mãos vazias?""Não sei. Você não tem cara de quem gosta de uma noite de filmes."Conrado soltou uma risada enquanto colocava a bandeja sobre a mesinha."Posso providenciar alguém melhor, se minha companhia não for suficiente.""Não foi isso que eu quis dizer."Ele pegou o controle remoto."Então, senhora Windsor, qual será nossa programação?"O modo como pronunciou meu novo sobrenome fez meu coração bater um pouco mais rápido. Ainda era estranho ouvi-lo me chamar assim, mas eu gostava. Gostava muito mais do que deveria."Você gosta de filmes d
Conrado WindsorDepois de deixar Helena no quarto, segui para o escritório, que ficava no andar superior da casa.Precisava organizar algumas coisas antes de decidir como conduziria aquela situação.A conversa com ela havia me deixado com mais perguntas do que respostas. Ainda assim, suas observações sobre as alterações climáticas faziam sentido. Eu não podia simplesmente ignorá-las só porque não sabia de onde vinha tanto conhecimento.Sentei-me à mesa, abri meu computador e digitalizei o contrato de casamento que Helena havia assinado. Em seguida, peguei o celular e liguei para Amanda.Ela atendeu no segundo toque."Me ligando na hora do expediente? Não está na empresa?""Não começa, Amanda."Ouvi sua risada do outro lado."Está bem. O que precisa?""Estou enviando o contrato de casamento. Anexe ao processo e solicite as informações que os Gryepe prometeram disponibilizar depois da assinatura.""Finalmente! Quero ver o que esses safados estão escondendo.""Não acho que será nada rele
Helena GryepeConrado continuava sentado diante de mim, esperando uma resposta.Eu sabia que não poderia contar tudo. Não ainda. Se revelasse que já havia vivido aquela catástrofe, teria que explicar como voltei no tempo, como sabia o que aconteceria e, principalmente, como conhecia tantos detalhes sobre ele.Precisava escolher minhas palavras com cuidado."Antes de tudo, você precisa entender que a catástrofe não vai acontecer de uma hora para outra. Haverá uma sequência de alterações climáticas que, isoladamente, podem parecer eventos naturais sem relação entre si."Conrado apoiou os braços nos joelhos."Que tipo de alterações?""Primeiro, as oscilações de temperatura vão se tornar mais frequentes e intensas. Algumas regiões começarão a registrar mudanças bruscas em períodos muito curtos. Depois, teremos alterações na pressão atmosférica que não seguirão os padrões esperados para determinadas épocas do ano."Ele permaneceu atento."Isso já acontece em algumas regiões.""Sim, mas a f
Conrado WindsorContinuei olhando para Helena, tentando organizar tudo o que acabara de ouvir.A ligação confirmava minhas suspeitas. A família Gryepe realmente pretendia usar o casamento para conseguir acesso às minhas pesquisas. Marlon Fiore queria que ela me enganasse, roubasse informações e provasse seu amor obedecendo às ordens dele.Era exatamente o tipo de coisa que eu esperava daquela família.Mas, por algum motivo, não era isso que mais me incomodava.Minha atenção voltou para Helena.Ela havia abaixado os olhos e segurava o celular com a mão boa, como se desejasse desaparecer dentro daquela chaise. Não parecia surpresa com as palavras de Marlon. Não demonstrava indignação, nem mesmo revolta. Apenas vergonha.Como alguém podia se acostumar a ser tratado daquela maneira?Aquele homem acabara de chamá-la de inútil, ameaçara abandoná-la e ainda exigira que ela provasse seu amor roubando informações de outro homem.E Helena havia respondido que faria o melhor.Cerrei a mandíbula.
Helena GryepeEncontrei um dos meus livros favoritos na terceira estante, quase no mesmo lugar em que costumava deixá-lo na outra vida.Era um exemplar sobre padrões climáticos e alterações atmosféricas, com algumas páginas marcadas e anotações nas margens. Eu e Conrado costumávamos discutir aquele livro por horas. Às vezes, discordávamos tanto que precisávamos consultar outros estudos para descobrir quem estava certo.Sorri ao reconhecer uma pequena marca na lateral da capa.Era dele.Escolhi uma das chaises próximas à janela e me acomodei com cuidado, procurando uma posição que não pressionasse os curativos. Apoiei algumas almofadas nas costas e deixei as pernas estendidas sobre o estofado.Logo estava completamente mergulhada na leitura.As palavras pareciam me transportar para outro lugar. Eu conhecia boa parte daqueles conceitos, mas ainda gostava de revisitar as explicações, principalmente porque algumas das teorias apresentadas haviam sido aperfeiçoadas por Conrado nos anos seg







