LOGINPor curiosidade, empurrei imediatamente aquela porta. Nesse instante, deixei cair o bolo que trazia — um bolo que eu própria tinha feito com todo o meu amor.
Senti o peito apertar-se. O meu corpo tremeu imediatamente ao ver David.
Sim, o meu marido, a quem tanto amava. O meu marido, que era o centro do meu mundo. O meu marido, que sempre pensei ser fiel.
Ele estava completamente nu, sem um único fio de roupa no corpo. E, em cima da secretária, estava uma mulher que também tinha o peito à mostra e as pernas bem abertas. A saia continuava enrolada à volta da cintura.
Ao ver aquilo, senti imediatamente náuseas. Como era possível que David, em pleno uso das suas faculdades mentais, estivesse a fazer sexo com outra mulher? E ainda por cima no escritório.
— David, ela sabe...
Fiquei a olhar, incrédula, ao perceber quem era aquela mulher. Lídia. A mulher que era minha confidente, minha amiga, a pessoa que eu tinha ajudado a entrar na empresa até se tornar secretária de David.
Fiquei imóvel, a olhar para eles com repulsa, na esperança de que David me pedisse desculpa e implorasse pelo meu perdão pelo seu erro.
No entanto, as palavras que saíram da boca dele só me deixaram ainda mais incrédula.
— Deixa que ela saiba. Eu também me vou divorciar de ti, mais cedo ou mais tarde — disse ele.
Depois, calmamente, ajeitou as calças que lhe tinham caído aos pés, pegou na roupa e vestiu-se sem demonstrar qualquer nervosismo.
Caminhei lentamente, com as pernas a tremer.
— O que queres dizer com isso, David? E tu, Lídia... Como pudeste fazer-me uma coisa destas? Sabes muito bem que o amo tanto! Sabes que ele é meu marido, mas tu...
Não consegui terminar a frase. Sentia o peito apertado, como se o oxigénio tivesse acabado. Tinha a sensação de que a sala estava a ficar cada vez mais pequena, como se estivesse a esmagar o meu corpo e a impedir-me de pensar com clareza.
Ainda mais quando David, em vez disso, puxou Lídia pela cintura, como se quisesse mostrar que aquilo que estava a fazer não era um erro assim tão grave.
— Já sabias, não sabias? Por isso, agora já não preciso de me esconder.
— David, o que se passa?
— Amora, nunca te amei. Casei-me contigo apenas pelo teu dinheiro. E agora, tudo já é meu.
Abanei lentamente a cabeça, ainda na esperança de que as palavras de David não fossem verdadeiras.
Como era possível que isto tivesse acontecido? Estávamos casados há cinco anos e, durante todo esse tempo, ele sempre demonstrara o seu amor. Como podia falar assim agora? Como podia ter mudado tão rapidamente?
— David, estás a mentir, não estás? Estás a dizer isso de propósito para me fazeres uma surpresa, não é? Não estou zangada. Vou acreditar que tu e ela estão apenas bêbados, desde que não digam coisas destas — murmurei.
— Que idiota! Continuas a ser uma idiota, Amora!
O meu olhar voltou-se para Lídia. Os seus lábios esboçavam um sorriso cínico, como se se sentisse vitoriosa por aquilo que tinha conseguido.
— Cala-te, Lídia! Vou destruir-te por teres destruído o meu casamento!
Em vez de ficar com medo, Lídia limitou-se a rir sarcasticamente. Com a roupa ainda desarrumada, aproximou-se de mim com arrogância.
— És tu que és burra, Amora. David já te disse a verdade, mas continuas a ser burra. Fica a saber que eu e David já tínhamos um relacionamento antes de vocês se casarem. Planeámos tudo isto para ficarmos com os teus bens e destruir-te!
Cerrei os punhos com força ao ouvir aquelas palavras. Com o punho cerrado, dei-lhe imediatamente um soco no queixo, fazendo com que o corpo dela fosse projetado para trás e soltasse um grito de dor.
— Sua maldita vadia! O que estás a fazer?! — gritou Lídia.
— Vadia? Devia ser eu a chamar-te isso! Tu é que és uma maldita vadia! Vou matar-vos aos dois! Não vos vou deixar viver! Têm de morrer pelas minhas próprias mãos por me terem enganado!
— Antes de fazeres isso, somos nós que te vamos matar primeiro, Amora! — interrompeu David.
— Isso nunca vai acontecer! Sou capaz de vos matar aos dois! — afirmei com firmeza, sem qualquer medo das ameaças de David.
Em vez de ficar assustado, David desatou a rir às gargalhadas e avançou lentamente na minha direção.
— Como é que nos vais matar? Estás sozinha e não há mais ninguém neste escritório, Amora. Tu é que vais morrer, e serei eu o único dono da tua fortuna.
Cerrei o maxilar. Fui eu quem avançou primeiro. Apesar de ser mulher, não tinha medo. Era capaz de o matar com as minhas próprias mãos.
No entanto, David agarrou-me e apertou-me o pescoço com força, estrangulando-me. Sentia a garganta a apertar-se e os olhos a ficarem vermelhos por falta de ar.
— Estás a dar-me muito trabalho, Amora. Por isso, desculpa se tiver de fazer isto.
— S... solta-me, David... — disse eu, com a voz entrecortada, enquanto as minhas mãos tentavam libertar-se do seu aperto. Mas ele apertava cada vez mais o meu pescoço.
— Não te vou soltar, porque tens de morrer, Amora!
Com as últimas forças que me restavam, levantei a perna e dei um pontapé na virilha de David. Imediatamente, ele gritou de dor e soltou-me o pescoço.
— Aaah... sua cabra maldita!
Tenho de sair desta sala. Tenho de ir ter com o meu advogado e recuperar tudo o que é meu.
No entanto, Lídia agarrou-me e puxou-me pela mão.
— Para onde vais? Não vou deixar-te sair daqui com vida! — disse ela.
— Larga a minha mão, Lídia! — gritei, enquanto tentava libertar-me do seu aperto.
De repente, um objeto duro atingiu-me violentamente na cabeça. Senti um líquido quente a escorrer pela testa.
Mesmo assim, tentei aguentar. Não posso morrer. Não vou deixar que eles vivam felizes.
— Achas que me consegues matar, David? Não é assim tão fácil. Não vou morrer só porque me bateste com uma garrafa!
— Está bem, então... E se o teu corpo caísse deste andar? Mesmo assim, não morrerias, Amora?
Fechei os olhos dentro da banheira, sentindo a água quente envolver-me a pele. Por um momento, pensei em como poderia evitar envolver-me com Álvaro.Mas, acima de tudo, precisava de revelar todos os crimes que Mira e Elena tinham cometido até então. As provas que tinha, limitadas apenas às vitaminas para aumentar o apetite, não eram suficientes, sobretudo porque Bella me dissera que Mira sempre fora habilidosa a distorcer os factos.Ou deveria voltar a fingir que era ignorante? Ou fingir ser a Bella de antigamente para encontrar pistas?Soltei lentamente o ar dos pulmões. Afinal, aquilo que tinha imaginado não seria assim tão fácil.Então, as imagens dos meus pais, quando ainda estavam vivos, passaram pela minha cabeça. Eles sempre me tinham ensinado a sobreviver e a lutar sozinha caso um dia partissem.Os meus pais pareciam saber que não viveriam por muito tempo. Por isso, desde pequena, ensinaram-me a ser independente e a valer-me pelas minhas próprias pernas.Mas tudo mudou quando
Fiquei, naturalmente, surpreendida ao ouvir as palavras de Álvaro. Não era verdade que ele odiava profundamente a Bella? Não tinha ele uma mulher que amava? Então, porque é que tinha concordado com aquele casamento arranjado?Será que havia alguma coisa a ser planeada? Ah, sentia que o meu plano de vingança contra David e Lidia estava a tornar-se cada vez mais difícil. Até àquele momento, ainda não sabia como estavam eles. Então, como teriam respondido às perguntas dos jornalistas sobre a minha morte? Será que tinham escondido o meu cadáver?— Varo, porque é que queres casar com a Bella? Não a odeias profundamente? Não detestas mulheres gordas e estúpidas? Então, porque é que queres casar com ela? — perguntou Elena, que também estava surpreendida.Álvaro não prestou a mínima atenção a Elena, como se nem sequer tivesse ouvido o que ela dissera.Aquele homem deu um passo em frente e puxou-me imediatamente pelo braço.— Mas que raio?! Não vês que estou a comer? — gritei, irritada com a a
Sorri com sarcasmo quando a empregada segurou o copo com as mãos a tremer. O meu olhar penetrante obrigou-a a levar imediatamente o sumo à boca.— Bebe, agora mesmo! — gritei.— S-sim, senhora... Eu... eu vou beber — respondeu ela, nervosa.— Bella, o que é que se passa aqui?!Virei-me imediatamente ao ouvir a voz da Mira. O seu rosto demonstrava pânico perante o que estava a ver. A bebida que deveria ser para mim estava agora prestes a ser bebida pela empregada.— Não foste tu que pediste um sumo sem açúcar? Então, porque é que agora não o queres? Está exatamente como tu pediste, Bella! — disse ela novamente.— Mas agora já não quero. Por isso, em vez de o desperdiçar, mais vale que seja ela a bebê-lo. Ou... a senhora Mira quer bebê-lo? — desafiei-a diretamente.O rosto da Mira ficou muito pálido, o que demonstrava que, de facto, alguém tinha acrescentado alguma coisa ao sumo.— Porque é que estás calada? Vá, bebe e acaba com isso! — ordenei, o que fez com que a empregada bebesse ime
Naquela manhã, pretendia fazer exercício. Sempre gostei muito de atividades físicas, desde treinar boxe até utilizar os equipamentos de ginásio em casa.Mas agora não podia fazer isso. O coração no corpo da Bella estava demasiado fraco. Por isso, tinha de começar com exercícios leves.Como uma caminhada matinal... Sim, porque era o único exercício que o médico mais me recomendava naquele momento.Felizmente, a Bella tinha roupa de desporto. Bem, embora a cor ainda fosse rosa, desta vez não era um rosa muito chamativo; as calças e a camisola também tinham partes brancas.Caminhava com um sentimento de alegria e também queria conhecer melhor a casa da Bella. Quem sabe, talvez encontrasse alguma pista.— Senhora Bella, para onde vai? — perguntou a empregada que, naquela ocasião, me tinha levado a refeição ao quarto.Em vez de responder, perguntei-lhe o nome, fingindo que me tinha esquecido, para que a empregada não percebesse que eu não era a Bella.— Tu... tu... — murmurei, levando lige
— Elena, já chega. Não te comportes assim com a tua irmã — interrompeu Mira. O seu rosto voltou a ficar sereno. — Bella, desculpa se ainda estás zangada com a comida que te dei. A partir de agora, vou pedir ao cozinheiro que prepare refeições saudáveis para ti. E quanto ao telemóvel, já não tínhamos falado sobre isso antes? Quando usas o telemóvel, perdes a noção do tempo, por isso o teu pai não te deu um telemóvel, Bella. Esqueceste-te disso?Soltei um suspiro irritado. Se não fosse pelo meu objetivo, talvez já tivesse saído do corpo da Bella. Como era possível não ter um telemóvel nos tempos modernos? Apesar de a Bella ser gorda, na idade que tem agora, de certeza que deve gostar de mexer no telemóvel e navegar nas redes sociais, não é? Mas o que é isto? É uma loucura!Aos poucos, vou acabar por enlouquecer se continuar a viver na mesma casa que eles.— Já sou adulta, claro que consigo controlar o meu próprio tempo agora. Exijo ter o meu próprio telemóvel amanhã!— Bella, pareces me
O silêncio instalou-se imediatamente. Não foram apenas os empregados que ficaram em silêncio ao ouvirem as minhas palavras, mas também Mira e Elena.O que havia de errado com o que eu tinha dito? Não era verdade? A comida que Mira preparava para Bella não era adequada e podia fazer com que ela ficasse cada vez mais obesa, sofresse um ataque cardíaco e, claro, tivesse ainda mais probabilidades de morrer.— Oh, Bella... Perdoa-me, então. Desculpa...Não respondi. Limitei-me a fitá-la com uma expressão indiferente. Depois, olhei à minha volta até que os meus olhos se detiveram em algumas frutas que estavam perto da cozinha.Antigamente, com o meu próprio corpo, bastava-me comer uma única maçã. Esperava conseguir fazer o mesmo desta vez.— Bella, o que queres? — perguntou Mira diretamente.— Comer uma maçã. Porquê? Não posso comer fruta na minha própria casa?— Bella! Porque estás a ser tão mal-educada com a mãe ultimamente?! Foste criada pela mãe, e ela sempre te amou! Não devias magoá-l







