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— Posso ajudar, Senhora?
— Não é preciso, vou fazer isso sozinha — respondi sem desviar a atenção do que estava a fazer.
Bem, estava a fazer um bolo de aniversário. Sei que poderia comprar um bolo bonito e caro. Mas optei por fazê-lo com as minhas próprias mãos.
Hoje é o aniversário do meu casamento com o David, o homem que tanto amo. O homem que fez com que ele se tornasse o único centro do meu mundo.
Já estamos casados há cinco anos e, há cinco anos que me esforço por ser uma boa e perfeita esposa para ele.
Estou disposta a abandonar a minha carreira, que estava a ir muito bem. Estou disposta a dar-lhe toda a minha herança.
As pessoas dizem que sou tola, mas não me importo. Enquanto o David estiver ao meu lado, enquanto o David não me deixar, farei tudo o que ele gostar.
Eu, que no início era uma miúda mimada e não sabia cozinhar, transformei-me agora numa esposa que cozinha muito bem.
Na verdade, aprendi coisas que o fazem feliz na cama.
Tenho vergonha de contar isto, mas quero deixá-lo satisfeito sempre que fazemos amor.
— Rezo para que a Senhora e o Senhor David vivam sempre felizes e tenham um filho o mais depressa possível.
Parei a mão que estava a mexer a farinha e olhei para a empregada que, desde sempre, tem sido minha amiga. Lembrei-me de que, nos últimos cinco anos, raramente saí de casa.
— Amém, obrigada. Também espero que, neste nosso casamento, surja em breve um anjinho — respondi cheia de esperança.
— A senhora e o senhor são pessoas boas, Deus certamente irá atender ao vosso pedido.
O meu coração aqueceu ao ouvir isso. Depois, voltei a continuar a fazer o bolo.
Sem dar por isso, já estavam a passar quase três horas que eu estava na cozinha, e agora o bolo estava pronto, tão bonito.
De cor azul escuro, a cor preferida do David.
Depois, escrevi uma mensagem e os meus desejos para nós os dois.
Sorri ao ver o resultado tão bonito.
— Perfeito. Ele vai adorar isto — disse eu, guardando-o no frigorífico enquanto esperava que ele chegasse a casa.
Voltar? Espero que ele volte esta noite. Já sinto imensas saudades dele, e também das suas carícias.
Já faz quase uma semana que não o vejo. O que, claro, significa que também já faz uma semana que não faço sexo com ele.
Levantei-me ao ouvir o meu telemóvel a tocar. Já há algum tempo que tinha enviado uma mensagem ao David, na esperança de que ele voltasse esta noite da viagem de negócios.
“Já voltei da viagem. Mas não posso voltar para casa, tenho de ficar no escritório porque há um problema.”
Fiquei a olhar por algum tempo para a mensagem que ele enviou.
Problema? Será que é algo muito grave?
“Está bem, não te esqueças de cuidar de ti, David. Amo-te.”
Depois de responder à mensagem, esbocei um pequeno sorriso. Surgiu-me uma ideia.
Em vez de ficar à espera dele em casa, porque não iria eu ao escritório dele?
Também poderia ajudá-lo se ele estivesse com dificuldades com o problema — tendo em conta que, antigamente, aquela era a minha empresa, embora agora seja o David quem está no comando de tudo.
— Tenho de lhe fazer uma surpresa. Quem sabe se mais tarde não podemos também matar a saudade no escritório — disse baixinho, a imaginar coisas que não devia ao pensar em ir ao escritório sem lhe avisar.
Como já não nos víamos há quase uma semana, tinha de me preparar. Decidi dar uma limpeza ao meu corpo.
Tomei um banho de água morna e depilei os pêlos púbicos que tinham crescido um pouco.
O David adora quando estou bem limpa, segundo ele.
Depois, peguei numa lingerie vermelha — uma cor que, segundo ele, me faz parecer muito bonita e ousada.
Vesti-a sem usar cuecas nem sutiã.
Olhei-me ao espelho, observando o reflexo do meu corpo.
Perfeito.
Sim, cuido sempre da minha alimentação e faço tudo para manter o meu corpo perfeito aos olhos do David.
Faço tudo o que for preciso para que ele me admire sempre.
Curvas perfeitas, é o que ele diz sempre.
Peguei num vestido rosa para cobrir o meu corpo, que estava envolto nesta lingerie sensual.
É impossível ir assim para o escritório. As pessoas iriam achar que sou louca, mesmo sendo já de noite.
Depois, peguei na maquilhagem — apliquei pó, sombra, rímel e, por fim, batom.
Até escolhi um vermelho vivo, a condizer com a cor da minha lingerie.
— Ele vai adorar — murmurei, imaginando a reação do David ao ver-me.
Além disso, já não nos vemos há uma semana.
— Quer que a leve, Senhora?
Virei-me quando o motorista se ofereceu para me levar ao escritório.
— Prefiro ir no meu carro.
— Está bem, tenha cuidado, Senhora.
Limitei-me a acenar com a cabeça e entrei no meu carro para me encontrar logo com o David.
Conduzi a uma velocidade moderada. Não queria apressar-me, ainda faltavam alguns minutos para as doze da noite.
De vez em quando, olhava para o bolo que estava ao meu lado. Os meus lábios esboçavam um sorriso largo, sentindo-me tão feliz. Pouco tempo depois, o meu carro chegou ao parque de estacionamento da empresa.
Olhei para o edifício alto à minha frente.
Estava deserto. É verdade, o escritório já estava completamente vazio, até as luzes já estavam apagadas. Apenas havia uma acesa, e essa mesmo no último andar — onde o David se encontrava.
Caminhei com determinação e olhei à minha volta, mas não havia ninguém por perto.
— É estranho não haver nenhum segurança — murmurei, decidindo continuar a caminhar em direção ao escritório do David.
Sem medo, entrei no escritório e entrei no elevador, onde estava sozinha.
Carreguei no botão para o último andar.
O elevador emitiu um tilintar e parou exatamente no andar do gabinete do David. O local estava silencioso, não havia mais ninguém. Afinal, quem é que ainda estaria no escritório a esta hora da madrugada?
Exceto o meu marido, que é o chefe dele.
Caminhei lentamente em direção ao gabinete do meu marido, que ficava no fim do corredor. De todos os gabinetes, só aquele tinha a luz acesa.
Mal podia esperar para lhe dar uma surpresa.
No entanto, os meus passos pararam ao ouvir um gemido vindo do interior da sala.
— Gostas disto?
— Hum, gosto. Sempre gostei.
— Mais depressa, David... quero…!
Aquela voz...?
O silêncio instalou-se imediatamente. Não foram apenas os empregados que ficaram em silêncio ao ouvirem as minhas palavras, mas também Mira e Elena.O que havia de errado com o que eu tinha dito? Não era verdade? A comida que Mira preparava para Bella não era adequada e podia fazer com que ela ficasse cada vez mais obesa, sofresse um ataque cardíaco e, claro, tivesse ainda mais probabilidades de morrer.— Oh, Bella... Perdoa-me, então. Desculpa...Não respondi. Limitei-me a fitá-la com uma expressão indiferente. Depois, olhei à minha volta até que os meus olhos se detiveram em algumas frutas que estavam perto da cozinha.Antigamente, com o meu próprio corpo, bastava-me comer uma única maçã. Esperava conseguir fazer o mesmo desta vez.— Bella, o que queres? — perguntou Mira diretamente.— Comer uma maçã. Porquê? Não posso comer fruta na minha própria casa?— Bella! Porque estás a ser tão mal-educada com a mãe ultimamente?! Foste criada pela mãe, e ela sempre te amou! Não devias magoá-l
Mal o avô Filipe tinha saído do meu quarto, Mira entrou apressadamente. E pensar que eu só queria tomar um banho de imersão para refrescar o corpo, que parecia estar a sufocar com tanto calor.— Bella, o que é que o avô Filipe te disse há pouco? — perguntou ela imediatamente, com uma expressão curiosa.Não respondi de imediato. Limitei-me a fitá-la com desconfiança. Será que Bella sempre confiou na madrasta? Será que sempre considerou aquela mulher uma espécie de fada madrinha? Se fosse esse o caso, Bella era mesmo muito ingénua!Ah, esqueci-me de que também tinha sido uma idiota durante os cinco anos em que David e Lidia me enganaram. Fui tão estúpida que abandonei uma carreira em plena ascensão e confiei a empresa àqueles dois. Acabei por ser assassinada, mas não vou permitir que vivam felizes à custa do meu sofrimento.— Porque estás calada? O que é que o avô te disse? Já lhe pediste para te casares com Álvaro o mais depressa possível, não foi? Devias ter pedido, Bella. Porque, se
Como não havia maneira de comer aquela comida, peguei no prato e despejei tudo na sanita. Agora, tinha de pensar numa forma de descobrir o que se passava no meio de toda aquela confusão.Será que o pai de Bella sabia que a mulher tinha tratado a filha daquela maneira durante todo aquele tempo?Acho que não, porque aquele homem de meia-idade parecia confiar plenamente na mulher.Quanto às duas cápsulas de vitaminas, não as deitei fora. Guardei-as cuidadosamente, peguei num lenço de papel e coloquei-as dentro do armário. Talvez, mais tarde, se tivesse oportunidade de falar com o pai de Bella, pudesse explicar-lhe tudo.Mas quando?— Hah...Soltei um suspiro pesado. Afinal, a vida que Bella levava era tão difícil. Depois, decidi deitar-me na cama.Precisava de forças para lutar contra eles. Tinha de estar saudável para me vingar.De repente, a imagem de David e Lidia a fazerem amor no escritório fez-me cerrar os dentes. Lembrei-me da confissão dos dois, de como tinham planeado tudo aquil
— O que se passa?Virei-me quando Mira chegou. Atrás dela estava Elena, que a seguia com um ar curioso.— Uau, o que foi desta vez? Não paras de criar controvérsias, Bella! — exclamou ela, de braços cruzados sobre o peito e olhando para mim com uma expressão irritada.Não lhe dei a mínima atenção e voltei-me para Mira, que parecia surpreendida com o que estava a ver.— Bella, o que se passa, querida? Porque deitaste fora todas as tuas bonecas de coleção favoritas? Ainda estavam novas! Foram um presente da mamã. Dizias que gostavas tanto delas. Porque as deitaste fora? — perguntou Mira novamente.Soltei um suspiro lento, levando a mão à têmpora, que me doía.— Não gosto de nenhuma delas, por isso deitei-as fora.— Não gostas? Porquê? Não querias ser uma Barbie? Não querias ser bonita e elegante para que o Varo gostasse de ti?Abanei lentamente a cabeça. Sentia que Bella tinha ficado estúpida por causa das pessoas daquela casa. Aos vinte anos, ainda brincar com bonecas Barbie? E querer
Hoje já tive alta. Desde que recuperei a consciência, passei cerca de duas semanas no hospital — uma semana em coma e outra semana depois de acordar.Álvaro, aquele homem bonito, mas frio, não voltou a visitar-me.Também não me importo. Mesmo que este casamento seja cancelado, não me faz diferença. Com o corpo da Bella, vou mudar tudo.Não vou deixar que Bella continue a ser menosprezada. E então se tem um corpo gordo? Bella é bonita, mas parece que vou ter de adotar um estilo de vida um pouco mais saudável. Não quero morrer duas vezes antes de acertar todas as minhas contas.Quanto ao pai de Bella, não sei qual é a sua profissão, porque, segundo Mira, ele ainda está fora da cidade a tratar de assuntos de negócios.Elena aparece sempre, mas o seu rosto demonstra claramente o desagrado que sente. Só gosta de se exibir, contando como é a sua vida na universidade, e está sempre a menosprezar Bella por não ter continuado os estudos.O carro parou mesmo em frente a uma casa luxuosa. Afinal
— Não fales assim, Elena. Afinal, Bella é tua irmã mais velha. Tens de continuar a respeitá-la.— Pff, é apenas meia-irmã por parte da mãe! Tenho vergonha de ter uma irmã como ela. A mãe esqueceu-se de que, quando andávamos na escola, ela nos envergonhou por quase não ter conseguido concluir os estudos? E o mais absurdo é que ainda pediu para casar com Álvaro. É uma loucura, não é?Permaneci em silêncio, a ouvir a conversa entre mãe e filha. Foi então que descobri um facto: aquela mulher de meia-idade chamada Mira era a madrasta de Bella, e Elena era a sua meia-irmã mais nova. Não admira que o olhar dela para Bella não fosse nada sincero.— Não sejas assim. Afinal, ela também é filha da mãe, e a mãe continua orgulhosa de Bella. Quanto ao casamento com Álvaro, vou falar sobre isso com o pai dele. Espero conseguir casar-te com Álvaro — disse ela, olhando na minha direção. — Ainda queres casar com Álvaro, não é, Bella?Fiquei em silêncio, sem saber o que responder. Também não sabia como







