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04- Topo

Penulis: Kaike Nunes
last update Tanggal publikasi: 2026-08-09 02:06:50

Na sexta-feira, cheguei cedo, fiz isso muito motivada pela minha ansiedade, então, obviamente, praticamente ninguém havia chegando. Me sentei no mesmo lugar que da outra vez, respirei fundo e me afundei no celular, esperando encontrar nele um pouco de controle emocional.

– Oi.

Aquela era uma voz que pouco havia escutado, mas que era impossível não reconhecer. Ergui meus olhos e Bruna estava bem na minha frente. Meu celular quase caiu da minha mão enquanto meu coração parecia que ia saltar pela boca. Ela sorriu, acho que achou graça da minha reação, não sei.

– Oi. – Respondi.

Bruna se sentou na cadeira da minha frente e seus amigos, que surgiam logo atrás dela, vieram se espalhando pelas demais ao meu redor. Aquela era uma sensação estranha, justamente porque não os conhecia, mas isso logo se resolveu, pois todos se apresentaram, assim como eu fui obrigada a fazer.

– Sua amiga ainda não chegou? – Me perguntou Bruna.

– Ela sempre chega em cima da hora, ou depois dela. – Brinquei.

Leo, o rapaz que, no outro dia, estava sentado atrás dela e lhe fazia massagem, agora estava em sua frente, mas não parecia muito feliz com àquela situação. O que eu poderia fazer? Talvez ele estivesse tão perdido quanto eu. O que estava acontecendo? Por que de tamanha simpatia comigo?

– Acho que o Gil deve passar algum trabalho hoje. – Disse Lívia, uma das amigas de Bruna.

– Será? Não sei, não, até porque o período começou essa semana. – Disse Bruna.

– Sim, mas ouvi dizer que ele é desses. – Disse Lívia.

– Dizem que ele já começa botando pra enlouquecer. – Disse Marcos, o outro amigo.

– Vão fazer o que hoje? – Perguntou Lara.

– Eu queria ir pra casa da Bruna, mas ela não coopera. – Disse Leo, do nada e por nada.

Todos riram daquela frase, como quem zoa a respeito de algo, enquanto eu me sentia tonta com tantas pessoas ao meu redor. Não estava acostumada a isso de ter vários amigos me cercando, normalmente sou só eu e Julia, mas agora éramos nós e mais quatro pessoas sentadas juntas durante a aula... isso, é claro, depois que ela chegasse.

– “Não vou conseguir ir, ta chovendo horrores aqui em casa e não passa por nada.” – Me mandou Julia no celular.

– Parece que ta chovendo muito aqui perto. – Falei, como que pra mim mesma.

– Ta mesmo, começou tem uns vinte minutos. – Disse Bruna se sentando de lado e me olhando.

Nos olhamos nos olhos e me senti novamente congelada enquanto seus amigos comentavam a respeito da chuva. Entre nós havia silêncio e um sentimento constrangedor. Eu estava envergonhada e ela também parecia estar, mas não desviamos os olhos, até que Lara, rindo, disse:

– Desse jeito vamos todos pra casa da Bruna.

– Você mora aqui perto? – Perguntei.

– Moro, nem preciso de ônibus, dá pra ir a pé. – Me respondeu ela.

– Ah, mas aí vocês me fodem. – Reclamou Leo.

– Como se você precisasse da gente pra se foder. – Zoou Marcos.

– Vocês tão juntos? – Perguntei diretamente pra Bruna, em tom baixo.

Ela balançou a cabeça em negativa enquanto nossos olhos permaneciam grudados, só que agora em uma distância muito menor do que no outro dia. Os demais riam, pois ouviram minha pergunta e viram a resposta dela. Eu não sabia mais o que dizer e nem o que fazer, de preferência antes que alguém percebesse o que estava acontecendo... seja lá o que fosse.

– Sua amiga não vem? – Me perguntou Bruna.

– Ficou presa por causa da chuva. – Respondi.

– Ah sim.

Por sorte o professor entrou e todos fomos forçados a virar pra frente, sendo que eu já estivesse naquela posição. Não tinha como me concentrar depois do que havia acabado de acontecer... de novo... mas precisava me esforçar, até porque não estava fazendo faculdade pra paquerar, diferente de muita gente... ou do Leo.

– “Tenho mais novidade pra te contar.” – Mandei pra Julia.

Precisava tanto da presença dela. Maldita chuva. Seria mesmo maldita? Não sabia e minha cabeça estava uma loucura. Bruna estava bem na minha frente e eu podia sentir o cheiro de seu perfume... muito cheiroso por sinal.

– “Você vai me contar tudo, inclusive sobre a aula, então presta atenção aí.” – Me respondeu Julia.

Eu precisava mesmo prestar atenção, mas tava difícil. Por fim a premonição realmente se concretizou e nosso professor, de fato, nos passou um trabalho em grupo. A sorte, se assim posso dizer, é que deu pra colocar todos num grupo só, incluindo eu e Julia... pra nítida tristeza de Leo.

Na saída ainda estava chovendo muito, embora tenha ouvido que estava melhor do que antes. As meninas se alvoroçaram pra irem realmente pra casa da Bruna, o que atiçou os meninos também, até porque era sexta-feira e eles queriam curtir, mas seria difícil fazer isso ao ar livre com tanta água caindo.

– Já sei, vamos fazer a noite das meninas lá em casa. – Disse Bruna olhando pra mim enquanto todos caminhavam pra fora da sala.

– Eu topo. – Disse Lara.

– Eu também, não to mesmo afim de ir pra casa hoje. – Disse Lívia.

Os rapazes reclamaram, principalmente Leo, pela ideia de exclusão, mas Bruna parecia decidida e empolgada com a ideia, o único problema pra mim foi quando ela me olhou e perguntou:

– E você, topa?

Por um segundo meu cérebro parou de funcionar, mas, enquanto recobrava minha consciência, pensei que, não roubando o meu rim, acho que não teria nenhum problema em ir, afinal de contas, se eu dissesse que não queria, seria mentira.

– Topo. – Respondi.

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