LOGINEle me levou de volta para o quarto ainda molhada, os pés descalços deixando marcas no chão frio, a pele coberta de gotas que iam secando aos poucos com o ar do ambiente. Benício me puxou pela mão até a beira do colchão e me empurrou de leve, só o suficiente para eu cair sentada.Ele veio por cima.O peso do corpo dele me prensou contra o colchão, a pele molhada dele contra a minha, e antes que eu pudesse respirar ele já estava me beijando. A boca dele encontrou a minha com uma fome que eu já conhecia, mas tinha alguma coisa diferente ali. Algo mais lento nas mãos dele, na forma como os dedos subiam pelo meu braço, no jeito que ele inclinou a cabeça para me beijar mais fundo. Como se ele tivesse todo o tempo do mundo. Como se não tivesse nenhuma pressa de terminar.Era quase... romântico?Ele deslizou uma das mãos pelos meus cabelos, molhados e espalhados no travesseiro, e a outra desceu pelo meu corpo devagar, pelo lado da cintura, pelo quadril, pela parte de fora da coxa. A boca del
Em algum canto da minha cabeça, uma Chiara bem pequena anotava: eu tinha pedido. Ele tinha previsto.Mas naquele momento, nada daquilo importava porque a resposta dele veio em forma de beijo, bem mais intenso e já arrancando meu vestido.Ele puxou o tecido pela minha cabeça num movimento só, sem pedir licença, sem aviso. O ar do apartamento tocou minha pele de uma vez, e eu senti meus mamilos endurecerem contra o sutiã de renda antes mesmo que ele terminasse de jogar o vestido no chão. As mãos dele voltaram para mim, uma na minha cintura, outra subindo pelas minhas costas até o fecho. O sutiã cedeu sem resistência. Minha calcinha foi logo depois. Caiu entre nós.Benício me olhou por um segundo. Só isso. Um segundo em que o mundo inteiro pareceu parar, o apartamento silencioso em volta, a luz baixa do quarto desenhando sombras no rosto dele. Depois ele me pegou pela mão e me puxou.O banheiro da suíte estava frio quando entramos. O mármore claro refletia a luz do espelho, e o silêncio
Eu tinha começado a contar a Benício o que aconteceu naquela noite pela parte mais importante: Otávio queria destruir a Racing.O problema era que, para explicar como tinha descoberto aquilo, precisava voltar um pouco na história.— Eu me perdi quando fui ao banheiro.Benício, que até então me encarava com uma expressão séria, franziu a testa.— Já reparou como é difícil encontrar um banheiro em um castelo?— Aquilo não é um castelo.— É uma mansão gigantesca com mais cômodos do que algumas cidades pequenas, Benício. Dá no mesmo. Sério, vocês deveriam ter um banheiro em cada cômodo.Ele abriu a boca, mas continuei antes que pudesse interromper.— Tipo suíte, sabe? Só que seria um na sala de jantar, um na sala de estar, um na sala de TV, um na sala... — Parei para pensar. — Espera. Quantas salas tem naquela mansão? Porque, sinceramente, eu acho que passei por pelo menos quatro tentando voltar. E não entendo por que alguém precisa de tantas salas. Uma sala não deveria servir para...— N
Quando chegamos ao apartamento, Giulia se despediu de nós no segundo andar, e Senhor Marzani apareceu no jardim de inverno pouco depois, correndo em nossa direção com uma animação que fez parecer que tínhamos passado três meses fora em vez de algumas horas.Agachei-me para recebê-lo e fui imediatamente atacada por lambidas.— Pelo menos alguém ficou feliz em me ver.Senhor Marzani respondeu tentando subir no meu colo, o que considerei uma confirmação.Benício disse que tomaria um banho e desapareceu no quarto. Eu permaneci no jardim de inverno com o cachorro, jogando um dos brinquedos dele e observando-o correr atrás como se aquela fosse a tarefa mais importante que já lhe tinham confiado.Era estranhamente tranquilizador.Também me deu tempo para fazer o que eu fazia sempre que minha vida começava a parecer absurda demais: organizar mentalmente os fatos.Começaria pelos pontos positivos.Eu tinha Senhor Marzani. Malu estava comigo, Giulia estava se tornando uma amiga e agora morávamo
Não esperei para descobrir se Otávio e o conselheiro decidiriam investigar a origem do barulho. Assim que ouvi os primeiros passos do outro lado da porta, saí correndo pelo corredor e virei na primeira esquina que encontrei, esperando chegar a alguma parte conhecida da casa.Em vez disso, parei em outro corredor.— Ah, qual é...Olhei rapidamente ao redor em busca de uma saída, uma escada, qualquer coisa que me permitisse desaparecer antes que eles aparecessem atrás de mim. Havia três portas, e experimentei a mais próxima. Trancada. A segunda também não abriu, e naquele momento já conseguia ouvir os passos se aproximando.Não havia onde me esconder. O corredor era largo, elegantemente iluminado e praticamente vazio, porque aparentemente ninguém que projetava mansões levava em consideração a possibilidade de uma convidada precisar fugir depois de ouvir uma conspiração empresarial.Foi então que vi a janela.Era enorme, começava pouco acima do chão e dava diretamente para o jardim. Não
O jantar terminou sem que Vittorio acrescentasse nenhuma nova exigência absurda à nossa vida, o que, considerando o histórico daquela noite, já podia ser considerado uma vitória.Depois da sobremesa, voltamos para a sala onde tínhamos sido recebidos. O ambiente pareceu imediatamente menos formal. Os homens se espalharam entre o bar e os sofás, algumas pessoas aceitaram café e, pela primeira vez em dias, eu podia beber alguma coisa sem precisar fingir que água com gás era exatamente o que desejava.Aceitei uma taça de vinho e me afastei com Giulia para um dos sofás enquanto Benício era interceptado por um dos conselheiros antes mesmo de conseguir chegar até mim.— Seu avô sempre anuncia prazos para reprodução durante o jantar ou hoje foi uma ocasião especial? — perguntei.Giulia riu.— Normalmente ele espera o café.— Ah, então eu tive tratamento especial.Olhei na direção de Vittorio. Ele conversava tranquilamente com um dos convidados, como se não tivesse acabado de reduzir de cinco







