LOGINEntrei no carro com um sorriso de quem tinha acabado de conquistar uma grande vitória.O Senhor Marzani veio logo atrás de mim e, antes que eu pudesse ajudá-lo, pulou para o banco traseiro, acomodando-se no couro como se fosse um passageiro perfeitamente acostumado àquela vida.Benício olhou pelo retrovisor.— Chiara, não existe a menor possibilidade de levar o cachorro com a gente.— Mas é o Dia de Levar a Família ao Trabalho! O Senhor Marzani não é sua família?Como se entendesse que aquele era o momento de demonstrar seus sentimentos, o cachorro soltou um choramingo sofrido do banco de trás.Olhei para Benício.— Está vendo? Você magoou seu filho.— Não vai rolar. Eu nem sei se a Marzani permite animais e, se tivesse que apostar, diria que não.— Que preconceito! Já
Acordei com a estranha sensação de que alguma coisa estava faltando.Estendi o braço para o outro lado da cama e encontrei apenas travesseiros amassados e lençóis frios. Abri os olhos, ainda sonolenta, e procurei Benício no quarto, mas não havia sinal dele.Peguei meu celular na mesinha de cabeceira.Quatro e meia da manhã.— Que homem estranho... — murmurei, deixando o aparelho de lado.Quem, em sã consciência, saía de uma cama quentinha àquela hora? Especialmente depois da noite que tínhamos tido?Sorri sozinha.A noite anterior tinha sido... interessante.Muito interessante.Encontrei meus chinelos debaixo da cama e fui até o banheiro, imaginando que talvez Benício estivesse lá, mas o cômodo também estava vazio. Aproveitei para tomar um banho rápido, embora estivesse com vontad
Ele me levou de volta para o quarto ainda molhada, os pés descalços deixando marcas no chão frio, a pele coberta de gotas que iam secando aos poucos com o ar do ambiente. Benício me puxou pela mão até a beira do colchão e me empurrou de leve, só o suficiente para eu cair sentada.Ele veio por cima.O peso do corpo dele me prensou contra o colchão, a pele molhada dele contra a minha, e antes que eu pudesse respirar ele já estava me beijando. A boca dele encontrou a minha com uma fome que eu já conhecia, mas tinha alguma coisa diferente ali. Algo mais lento nas mãos dele, na forma como os dedos subiam pelo meu braço, no jeito que ele inclinou a cabeça para me beijar mais fundo. Como se ele tivesse todo o tempo do mundo. Como se não tivesse nenhuma pressa de terminar.Era quase... romântico?Ele deslizou uma das mãos pelos meus cabelos, molhados e espalhados no travesseiro, e a outra desceu pelo meu corpo devagar, pelo lado da cintura, pelo quadril, pela parte de fora da coxa. A boca del
Em algum canto da minha cabeça, uma Chiara bem pequena anotava: eu tinha pedido. Ele tinha previsto.Mas naquele momento, nada daquilo importava porque a resposta dele veio em forma de beijo, bem mais intenso e já arrancando meu vestido.Ele puxou o tecido pela minha cabeça num movimento só, sem pedir licença, sem aviso. O ar do apartamento tocou minha pele de uma vez, e eu senti meus mamilos endurecerem contra o sutiã de renda antes mesmo que ele terminasse de jogar o vestido no chão. As mãos dele voltaram para mim, uma na minha cintura, outra subindo pelas minhas costas até o fecho. O sutiã cedeu sem resistência. Minha calcinha foi logo depois. Caiu entre nós.Benício me olhou por um segundo. Só isso. Um segundo em que o mundo inteiro pareceu parar, o apartamento silencioso em volta, a luz baixa do quarto desenhando sombras no rosto dele. Depois ele me pegou pela mão e me puxou.O banheiro da suíte estava frio quando entramos. O mármore claro refletia a luz do espelho, e o silêncio
Eu tinha começado a contar a Benício o que aconteceu naquela noite pela parte mais importante: Otávio queria destruir a Racing.O problema era que, para explicar como tinha descoberto aquilo, precisava voltar um pouco na história.— Eu me perdi quando fui ao banheiro.Benício, que até então me encarava com uma expressão séria, franziu a testa.— Já reparou como é difícil encontrar um banheiro em um castelo?— Aquilo não é um castelo.— É uma mansão gigantesca com mais cômodos do que algumas cidades pequenas, Benício. Dá no mesmo. Sério, vocês deveriam ter um banheiro em cada cômodo.Ele abriu a boca, mas continuei antes que pudesse interromper.— Tipo suíte, sabe? Só que seria um na sala de jantar, um na sala de estar, um na sala de TV, um na sala... — Parei para pensar. — Espera. Quantas salas tem naquela mansão? Porque, sinceramente, eu acho que passei por pelo menos quatro tentando voltar. E não entendo por que alguém precisa de tantas salas. Uma sala não deveria servir para...— N
Quando chegamos ao apartamento, Giulia se despediu de nós no segundo andar, e Senhor Marzani apareceu no jardim de inverno pouco depois, correndo em nossa direção com uma animação que fez parecer que tínhamos passado três meses fora em vez de algumas horas.Agachei-me para recebê-lo e fui imediatamente atacada por lambidas.— Pelo menos alguém ficou feliz em me ver.Senhor Marzani respondeu tentando subir no meu colo, o que considerei uma confirmação.Benício disse que tomaria um banho e desapareceu no quarto. Eu permaneci no jardim de inverno com o cachorro, jogando um dos brinquedos dele e observando-o correr atrás como se aquela fosse a tarefa mais importante que já lhe tinham confiado.Era estranhamente tranquilizador.Também me deu tempo para fazer o que eu fazia sempre que minha vida começava a parecer absurda demais: organizar mentalmente os fatos.Começaria pelos pontos positivos.Eu tinha Senhor Marzani. Malu estava comigo, Giulia estava se tornando uma amiga e agora morávamo







