LOGIN— Viu? — falei — Eu disse que o dia de trazer a família para o trabalho era uma boa ideia.Benício soltou minha cintura no instante em que me virei para descobrir quem tinha interrompido nossa partida. Otávio estava parado a poucos metros da mesa de sinuca, com as mãos nos bolsos.— Ou não — concluí, fechando a cara.De todas as pessoas que poderiam aparecer naquele andar, tinha que ser justamente ele?O Senhor Marzani, que até então estava ocupado tentando arrancar a bolinha de borracha debaixo de um sofá, ergueu a cabeça. Suas orelhas ficaram alertas e um rosnado baixo começou a sair de sua garganta.— Você e seu pulguento estão gostando da empresa, Chiara? — ele perguntou, olhando para o cachorro.O Senhor Marzani respondeu com uma sequência de latidos furiosos, avançando alguns passos na direção dele.— Ei, garoto, tudo bem. — Benício se abaixou ao lado dele e começou a acariciar seu pescoço. — Calma.Otávio recuou discretamente, embora tentasse disfarçar o movimento.— Que animal
Enquanto Benício abria alguns documentos no computador, comecei a observar o escritório com mais atenção. Não havia ninguém entrando para entregar papéis, oferecer café ou avisar sobre compromissos. Aliás, não havia ninguém naquele andar inteiro.Uma oportunidade profissional praticamente caiu no meu colo.Levantei-me e encontrei uma pequena copa próxima à entrada da sala. Preparei uma xícara de café, coloquei-a sobre um pires e voltei caminhando com a postura mais profissional que consegui improvisar.— Seu café, senhor Marzani.Benício ergueu os olhos do computador.— Obrigado.Apoiei a xícara sobre a mesa e endireitei minha blusa. Tinha escolhido uma calça preta de alfaiataria e uma blusa branca antes de sairmos, o que tornava aquela encenação ainda mais convincente.— O senhor tem algum compromisso que gostaria de agendar? Uma reunião? Um almoço de negócios? Uma viagem para as Maldivas com sua futura esposa?Ele me observou com um sorriso divertido.— Acho que estou bem por enquan
Entrei no carro com um sorriso de quem tinha acabado de conquistar uma grande vitória.O Senhor Marzani veio logo atrás de mim e, antes que eu pudesse ajudá-lo, pulou para o banco traseiro, acomodando-se no couro como se fosse um passageiro perfeitamente acostumado àquela vida.Benício olhou pelo retrovisor.— Chiara, não existe a menor possibilidade de levar o cachorro com a gente.— Mas é o Dia de Levar a Família ao Trabalho! O Senhor Marzani não é sua família?Como se entendesse que aquele era o momento de demonstrar seus sentimentos, o cachorro soltou um choramingo sofrido do banco de trás.Olhei para Benício.— Está vendo? Você magoou seu filho.— Não vai rolar. Eu nem sei se a Marzani permite animais e, se tivesse que apostar, diria que não.— Que preconceito! Já
Acordei com a estranha sensação de que alguma coisa estava faltando.Estendi o braço para o outro lado da cama e encontrei apenas travesseiros amassados e lençóis frios. Abri os olhos, ainda sonolenta, e procurei Benício no quarto, mas não havia sinal dele.Peguei meu celular na mesinha de cabeceira.Quatro e meia da manhã.— Que homem estranho... — murmurei, deixando o aparelho de lado.Quem, em sã consciência, saía de uma cama quentinha àquela hora? Especialmente depois da noite que tínhamos tido?Sorri sozinha.A noite anterior tinha sido... interessante.Muito interessante.Encontrei meus chinelos debaixo da cama e fui até o banheiro, imaginando que talvez Benício estivesse lá, mas o cômodo também estava vazio. Aproveitei para tomar um banho rápido, embora estivesse com vontad
Ele me levou de volta para o quarto ainda molhada, os pés descalços deixando marcas no chão frio, a pele coberta de gotas que iam secando aos poucos com o ar do ambiente. Benício me puxou pela mão até a beira do colchão e me empurrou de leve, só o suficiente para eu cair sentada.Ele veio por cima.O peso do corpo dele me prensou contra o colchão, a pele molhada dele contra a minha, e antes que eu pudesse respirar ele já estava me beijando. A boca dele encontrou a minha com uma fome que eu já conhecia, mas tinha alguma coisa diferente ali. Algo mais lento nas mãos dele, na forma como os dedos subiam pelo meu braço, no jeito que ele inclinou a cabeça para me beijar mais fundo. Como se ele tivesse todo o tempo do mundo. Como se não tivesse nenhuma pressa de terminar.Era quase... romântico?Ele deslizou uma das mãos pelos meus cabelos, molhados e espalhados no travesseiro, e a outra desceu pelo meu corpo devagar, pelo lado da cintura, pelo quadril, pela parte de fora da coxa. A boca del
Em algum canto da minha cabeça, uma Chiara bem pequena anotava: eu tinha pedido. Ele tinha previsto.Mas naquele momento, nada daquilo importava porque a resposta dele veio em forma de beijo, bem mais intenso e já arrancando meu vestido.Ele puxou o tecido pela minha cabeça num movimento só, sem pedir licença, sem aviso. O ar do apartamento tocou minha pele de uma vez, e eu senti meus mamilos endurecerem contra o sutiã de renda antes mesmo que ele terminasse de jogar o vestido no chão. As mãos dele voltaram para mim, uma na minha cintura, outra subindo pelas minhas costas até o fecho. O sutiã cedeu sem resistência. Minha calcinha foi logo depois. Caiu entre nós.Benício me olhou por um segundo. Só isso. Um segundo em que o mundo inteiro pareceu parar, o apartamento silencioso em volta, a luz baixa do quarto desenhando sombras no rosto dele. Depois ele me pegou pela mão e me puxou.O banheiro da suíte estava frio quando entramos. O mármore claro refletia a luz do espelho, e o silêncio







