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RAIOS AZUIS

Autor: Ita Toledo
last update Fecha de publicación: 2021-06-09 04:51:46

— Gente. não vamos poder ajudar muito vocês esta tarde — Jéssica disse apontando para Bruna, que acenava com a cabeça concordando com a amiga.         — Temos uma reunião para organizar o jogo de amanhã cedo.

— Eu tenho médico, minha consulta de rotina.   — Pedro explicou.

— Sem problemas, vamos ver o que conseguimos e atualizamos vocês pelo grupo.               — Marcelo que falou dessa vez.

O grupo se despediu e cada um partiu para seus afazeres daquela tarde. Bruna antes de sair com Maia, combinou de encontrar Jéssica na reunião mais tarde e foram para a “área da soneca”, um espaço que o campus oferecia com muitas almofadas jogadas no chão e redes armadas nas paredes da sala. Era uma sala que tinha uma parede de vidro e um ar condicionado ligado para manter o ambiente sempre em uma temperatura agradável para o descanso dos estudantes. Foi uma das mais elogiadas conquistas do comitê dos alunos junto à direção de pais e mestres. Pedro partiu para sua consulta médica. LM e Lucas foram assistir à competição de futebol de salão, era um esporte que LM gostaria de ter seguido adiante se não fosse pela contusão séria que sofreu há um ano e meio com um skate. Jéssica, antes de ir para a reunião do time, foi dar uma volta com Marcelo pelos jardins do campus. Chegaram à um banco embaixo de uma árvore frondosa que fazia uma sombra e passava uma brisa suave e refrescante.

— Não fique tão preocupado, vamos dar um jeito. — Jéssica olhou para Marcelo e viu quando ele, por várias vezes, passava a mão na testa como se quisesse afugentar algo. — Esse time logo vai embora, não acho que seja pra tanto alarde.

— Não é só isso, amor. Não dormi bem a noite toda. Aliás, tem duas noites que não durmo.

— Está estranhando a casa vazia. Há quanto tempo seus pais não viajam?

— Sem mim, é a primeira vez. Também a choradeira que aprontei pra ficar... não podia perder seus jogos. 

— Chama os meninos pra ir dormir com você.

— Eu combinei com eles hoje. Eles querem ir depois da festa no terraço, mas depois de tudo o que está acontecendo, não sei se devemos ir.

— Eu e Bruna precisamos descansar para o jogo. Mas acho que é o que vocês precisam. E pode ter alguma coisa na festa que possa levar a entender o que houve com a Samanta.

— Quem te viu, quem te vê. — E deu uma risada abraçando a jovem pela cintura e logo em seguida colocou uma mecha de cabelo dela atrás de sua orelha. — Me deixando solto assim!

— Não pense por um segundo que não fico com o coração em frangalhos sabendo que minha benção está à mercê de garras… — e foi interrompida com um beijo terno na boca. — E também … — levou outro beijo.

— Aí está minha onça! — Falou Marcelo sorridente fazendo um gesto de ataque de gato com as mãos.

— Seu bobo, estou trabalhando meu ciúme, tá?!      — Jéssica falou sentando numa posição que mostrava estar orgulhosa de si mesma. — Conversei com a Andréia depois do culto e ela me deu muitos conselhos.

Os dois continuaram entre conversas e carinhos até o horário da reunião. Quando todos já estavam em suas casas começaram a se comunicar no grupo do W******p:

Pedro diz: “E aí galera, a festa está de pé?”

Marcelo diz: “Sim, vamos ver se descobrimos algo sobre a Samanta.”

L.M. diz: “Mandei mensagem pra minha amiga esta tarde, vou encontrar com ela na festa.”

Lucas diz: “Essa amiga tem uma amiga?"

L.M. diz: “Deve ter. Mas com essa cara feia, de que adianta? (emoticon de carinha com língua de fora)”

Maia diz: “Kkkk. Qual é, o Luquinha tem charme e lindos olhos verdes. É só não abrir a boca.”

Lucas diz: “Valeu Maia, ajudou muito. (emoticon de carinha desmotivada)”

Jéssica diz: “Galera, eu e Bruna queremos ver vocês no jogo amanhã hein!”

Bruna diz: “E com a Samanta, viu Sami!!! (emoticon de coração partido) Se estiver lendo isso, esperamos você.”

Pedro diz: “Samanta, esperamos você na festa... se puder ir.”

Samanta diz: … (digitando)

Todos pararam o que estavam fazendo e ficaram totalmente paralisados olhando para os seus celulares esperando por um minuto inteiro e nada de aparecer nenhuma mensagem até que os pontinhos que pareciam que ia ser digitado algo desapareceram de vez.

Jéssica diz: “Samanta, por favor, fale conosco!!!”

Bruna diz: “Sami, seja o que for, estamos com você amiga.”

Mas mesmo o grupo tentando receber qualquer resposta, não houve mais nenhum sinal da garota.

A festa estava lotada principalmente de adolescentes, pois a apresentação daquela noite era por conta de uma “boyband” da região. Marcelo foi o último a chegar, passando entre os jovens e pedindo licença a todos começou a procurar seus amigos. Achou a galera e todos o cumprimentaram, alguns já estavam com suas bebidas e Pedro perguntou se ele queria que fosse pegar alguma pois a dele havia acabado.

— Sim, eu quero. Pega um refri pra mim, por favor.

— Pra mim também, por favor, consegue trazer?    — Perguntou Maia.

Pedro respondeu positivamente com a cabeça e saiu. A música estava em um volume ambiente, pois a apresentação não havia começado e todos podiam conversar tranquilamente. Estavam de pé formando uma roda, pois não conseguiram lugar nas almofadas desta vez.

— Alguém viu a Samanta? — perguntou Marcelo.

— Não, mas estava falando justamente para nos separarmos e procurar. — Lucas deu a ideia.

— Marcelo, essa aqui é minha amiga da enfermagem, Helena. — L.M. apresentou uma moça que estava ao seu lado, que estendeu a mão para seu amigo com um sorriso.

— Muito prazer. — Marcelo a cumprimentou e em seguida voltou para Lucas. — Acho uma boa ideia procurarmos por ela. Vamos esperar Pedro voltar.

— Marcelo, a Helena estava comentando comigo que depois da festa no mirante alguns jovens apareceram para fazer exame de sangue com medo de terem sido envenenados ou algo do tipo. — falou L.M. seguido de uma cotovelada da moça.

— E já saíram os resultados? — perguntou Marcelo.

— De alguns já, mas enfim, vou repetir o que falei pro L.M. Não posso comentar os resultados de exames, mas como não vou falar nomes e também não deram nada mesmo. Mas o que era comum entre eles… não tem nada a ver com envenenamento. — disse a moça voltando, levando o copo à boca.

— O que era? — disse Maia interessada na conversa.

— Uma leve anemia.

— Prontinho pessoal, aqui estão suas bebidas.  — Chegou Pedro distribuindo o que haviam pedido.

— Vamos dar uma volta para ver se vemos a Samanta ou os garotos do vôlei? —  Falou Lucas.

O terraço era bem amplo, abrangia toda a extensão do maior edifício do campus. Em forma retangular, tinham quatro escadas que davam acesso a ele e ficava em cima de um prédio de dois andares. Eles se dividiram em duplas, Marcelo e Lucas, LM e Helena, Maia e Pedro. Combinaram de se encontrar quando chegassem na outra extremidade, no canto direito do local. Começaram a andar por entre os jovens, eram muitas turminhas reunidas, a maioria garotas que só falavam que a banda estava demorando. Desta vez o palco foi montado no centro do terraço. Quando L.M. e Helena estavam passando pelo local, formou-se uma corrente de rapazes e moças que formava um corredor da escada que era a entrada até o palco, por ela vinham correndo acompanhado pelos gritos ensurdecedores das garotas, os rapazes da “boyband”. Foi uma empurra, empurra de todos os lados. Pedro, que acompanhava Maia, foi praticamente levado por uma corrente de garotas para mais perto do palco enquanto Maia foi carregada por uma turma de fãs para outro. Pedro conseguiu com muito custo se desvencilhar da situação e voltou onde tinha deixado a amiga, não a encontrando. Decidiu continuar sua procura por Samanta pois sabia que eles tinham um ponto de encontro, não precisava se preocupar. Marcelo e Lucas continuaram firmes e fortes quando a onda de garotas veio atropelando em volta deles para passar e irem até seus ídolos. Andaram mais e mais até ficar cada vez mais espaçosos, pois se aproximavam das laterais mais curtas do prédio, onde ficava mais afastado do palco. Foram até o canto direito como haviam combinado. Chegaram até o local Marcelo, Lucas, LM, Helena e Pedro.

— Onde está Maia? — perguntou LM.

— Eu a perdi na confusão, achei que ela viria pra cá. Alguém viu Samanta? — respondeu Pedro.

— Não vimos. — disseram juntos Marcelo e Lucas.

— Agora serão duas para procurar? — Lucas colocou a mão na cabeça, balançando negativamente.

Marcelo, enquanto a turma conversava olhou para o centro do evento e viu entre as jovens que dançavam em volta do palco raios azuis, eles davam a volta por entre elas ao redor do palco e depois de duas ou três voltas desceram as escadas. Foi muito rápido, tentou organizar os pensamentos tentando buscar na sua mente o conhecimento que tinha de qualquer tipo de efeito que pudesse explicar o que tinha visto.

— Então Marcelo, vamos? — foi acordado do seu transe por Pedro.

— Onde?

— Atrás de Maia, enquanto os outros esperam por ela aqui.

— Ok, vamos descer. — Marcelo disse já saindo sem esperar o amigo, só pensava em ver para onde os raios seguiam.

— Espera…

Ao descerem as escadas, saíram em um corredor comprido com diversas salas de aulas, que por organização do comitê, estavam trancadas. De um lado e do outro eram imensos vitrais, onde se via os jardins do campus.  Muitos jovens conversavam por ali, estava bem iluminado e havia alguns organizadores do evento circulando com crachás e Walk talks. Como a escada ficava no meio do corredor decidiram ir cada um para um lado até o final e retornarem ao ponto inicial e assim o fizeram. Marcelo procurava mais do que as amigas, buscava também os estranhos raios azuis. Por algum motivo não queria compartilhar isso com seu amigo, não por enquanto, mas nada avistou. Se encontraram na escada novamente e decidiram descer mais um lance, para o térreo. Repetiram o combinado, cada um para um lado, só que dessa vez quando Marcelo chegou ao fim do corredor, viu pelo vidro, ao longe onde fica o campo de futebol, a luz azul que iluminava da mesma cor que os raios. Voltou correndo para a escada e encontrou o amigo.

— Que foi Marcelo, encontrou alguém?

— Vem comigo!!!

Se encaminhou para a primeira saída e desceu os degraus rapidamente passando por alguns garotos que faziam fila nas barracas de fast food armadas nas vielas do campus, tomou a direção do campo de futebol seguindo a luz azul.

— Marcelo, calma. O que está havendo?          — Lucas o seguia preocupado.

— Não vê aquela luz azul no campo de futebol? É pra lá que vamos.

— Cara, não tem nada lá. Está tudo escuro.         — Tentou fazer o amigo parar em vão, este se soltou da sua mão e continuou sua busca.

— Vem logo antes que ela se apague.

Quanto mais Marcelo se aproximava do campo de futebol a luz azul ficava mais intensa, e para seu amigo Lucas o caminho se tornava mais escuro. Quando chegaram bem perto, começaram a ouvir vozes.

— Xi!!! Escuta Lucas.

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