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PHÍLOS E GAIA

Penulis: Ita Toledo
last update Tanggal publikasi: 2021-06-09 04:52:44

— Ví, para de enrolar com esse suco. Toma tudo e vamos para a reunião. Já sei que está tudo em ordem, é só uma repassagem das coisas diárias mesmo.            — Amanda falava e já ia guardando os recipientes em uma bolsinha cor de rosa com unicórnios coloridos desenhados.

— Tomara que essa reunião seja breve, não dormi bem essa noite. — Flávia falava com a amiga, fazendo careta a cada gole que dava no suco.

— Tá bom, não precisa beber tudo.

Flávia sorriu aliviada. E foram para o anfiteatro. No caminho, passaram em frente ao ginásio e viram uma pequena roda de jovens e alguns organizadores. Resolveram chegar mais perto para saber o que havia. Avistaram dois rapazes com crachá do evento, apoiando um rapaz ruivo e franzino que parecia estar muito pálido, como se estivesse acabado de passar mal.

— Bom dia rapazes, meu nome é Amanda do comitê do evento, há algo que posso ajudar?

— Bom dia, Amanda. Nós já passamos um rádio para a enfermaria e estamos encaminhando este rapaz para lá. Está tudo sob controle.

Flávia olhava para o rapaz que se mantinha com a cabeça baixa e sentiu que havia algo mais que não sabia explicar, como uma gastura em seu estômago. Pensou que devia ser o suco verde. Mas quando já estava indo embora, o rapaz olhou para ela e ela viu como que raios azuis circularem por seus olhos, o que a fez parar de imediato.

— O que foi, Ví? Está tudo bem? — Amanda perguntou olhando preocupada para a amiga que ficou pálida de repente.

— Não está vendo? Olhe para o rapaz. — Flávia apontava para o garoto que estava sendo levado por pessoas vestidas de jalecos brancos. Provavelmente da enfermaria.

— Sim, estou olhando. Ele vai ficar bem, vão cuidar dele agora. Estou mais preocupada com você, o que…

— Não, Mandi. Os olhos dele!!! — ela tentava fazer a amiga olhar para o garoto, que era examinado ali mesmo pelos enfermeiros, e ainda olhava para ela. 

— Ví, o garoto está pálido, mas não muito mais que você, credo. — Ela olhou para o rapaz e não viu nada de não natural para alguém doente. Depois olhou para a amiga e tentou fazer ela voltar a si. — Acho que devo levar você para enfermaria também, estou falando desse surto de… — foi interrompida novamente.

— Não precisa Mandi, estou bem. — O garoto parou de olhá-la quando foi levado e ela se recompôs.  — Vamos para a reunião.

— Tem certeza?

— Tenho, vamos.

Na reunião tudo ocorreu como de costume, Amanda apontava para o diagrama com as programações e todos atualizavam os status do andamento do evento que até ali estava tudo em ordem. Flávia mal participou, ficou pensando nos olhos verdes do garoto ruivo cheios de raios azuis. Cada vez que lembrava era mais absurdo, então resolveu se convencer a esquecer aquilo de vez.

— Beleza pessoal, por enquanto é isso. Amanhã reunião neste mesmo local e horário, não preciso lembrar pra ficarem de olho no grupo caso apareçam surpresas. Até mais. — Amanda terminou a reunião.

— Vamos almoçar lá em casa, Ví?

— Mandi, quero ir para casa. Como te falei, não dormi bem. Estou cansada.

— Claro magrela, vamos. Vou com você até o ponto de ônibus. Depois vou encontrar o resto da gangue para passear um pouco pelo campus. Quem sabe não encontro meu príncipe encantado em um dos times de fora. — Amanda falava e digitava uma mensagem no grupo “gatas de plantão” que ela mesma criou.

Amanda não namorava ninguém desde o ano passado quando teve uma experiência desastrosa, dizia ela, com um garoto do terceiro ano, Felipe. Namoraram por 5 meses, dizia ela que estava totalmente, completamente, loucamente apaixonada, até ele começar a implicar com suas idas ao shopping e festas de pijamas mensalmente com as amigas, que até então ela contornava com seu charme, mas quando ele falou da Flávia, algo que até hoje ninguém soube o que seria, foi o fim para ela.

Flávia nunca namorou sério. Da última vez ficou de “rolinho” com um garoto, o Rafael, no primeiro ano por mais ou menos sete meses. Ele era da turma de ciências dela, totalmente nerd, os dois mais conversavam e estudavam do que propriamente ficavam. Ele não se importava nem um pouco com a amiga “louquinha”, mas não gostava de estar com a Flávia quando ela estava perto. Dizia ele que ela era muito “barulhenta”. Os dois brigaram porque começaram a disputar quem tirava melhor nota em tudo, até virar uma verdadeira competição e os dois se tornarem adversários. Não podiam nem se cumprimentar na escola.

A tarde passou bem rápido para Flávia que se entregou ao sono. E para Amanda, não foi lá muito proveitosa, pois não encontrou nenhum “príncipe”. Flávia acordou e olhou o celular, tinham algumas mensagens no grupo das “gatas de plantão”.

Sabrina diz: “E vai rolar a festa. (emoticons de carinhas com chapéus e confetes”

Karina diz: “Tô dentro (seguido de uma gif de uma moça gritando animadíssima)”

Amanda diz: “Minha irmã já está se arrumando, por causa da boyband que vai estar lá hoje.”

Flávia diz: “Vamos ter que aguentar a gritaria. (emoticon de carinha fazendo careta com língua de fora).”

Karina diz: “Mesmo assim vai ser legal, a galera mais velha vai também.”

Amanda diz: “Não vão me deixar na mão hein?!!! (emoticon de carinha brava)

Sabrina diz: “Demorô.”

Karina diz: “Vamos.”

Flávia diz: “Tô dentro.”

Amanda diz: “Gatas de plantão em ação (emoticons de corações).”

A irmã de Amanda era 3 anos mais nova que ela, a mãe deixou ir com a recomendação que chegassem em casa antes das 11:00pm.

— Amanda!!! — Agnes quase derrubava a porta do quarto da irmã com suas batidas insistentes.

— Que foi garota, garota?!

— A mãe da Sofia deixou ela ir, viva!!!

— Fala pra ela ficar pronta no horário, não vou esperar ninguém, aff!!!

Chegando na escola combinaram todas de se encontrarem na entrada no prédio principal onde iria acontecer a festa. Chegaram bem cedo pois as meninas mais jovens queriam pegar um bom lugar perto do palco para ver os garotos da boyband, o que pareceu que foi uma ideia geral das adolescentes pois já havia muitas delas no local. Amanda combinou com Agnes e Sofia de se encontrarem sempre na barraca de pizza, montada bem no início da rua dentro do campus que levava ao prédio, caso elas viessem a se perder. Mas por enquanto estariam por perto vigiando elas ali no terraço mesmo. Adicionou as duas garotas no grupo de W******p por essa noite para que todas as amigas pudessem encontrar caso se perdessem e Agnes se sentiu o máximo fazendo parte das “gatas de plantão”.

Flávia foi a última a chegar, pediu que não a esperasse que seu ônibus ia atrasar, encontrava com elas lá em cima no terraço. Quando chegou, os rapazes da banda já estavam no palco, foi um sufoco achar as garotas, mas enfim as achou.

— Que loucura está isso aqui! — comentou assim que viu as meninas.

— Nem me fale. — Karina falava elevando bem a voz para superar os gritos frenéticos das adolescentes. — Vamos descer?

— Vamos. —  Todas concordaram.

Chegando no térreo onde já podiam conversar mais à vontade, perceberam que a turma dos jovens mais velhos estavam por lá. E gostaram da ideia de Sabrina de dar umas paqueradas, já que estavam todas solteiras. Passaram-se alguns minutos uns rapazes se aproximaram seduzidos pelos olhares das jovens e se apresentaram. Eram jogadores de outra cidade que vieram participar dos jogos regionais na categoria futebol de salão. Um deles ficou muito interessado na Amanda que a cada palavra dele soltava uma risada e mexia em um cachinho preto que descia sobre seu ombro. As outras meninas conversavam aleatoriamente com os outros rapazes, sem terem um par formado. Somente Flávia ainda continuava calada observando as amigas jogarem charme para aqueles rapazes. O que a divertia, mas para ela não passava de perda de tempo. Foi quando ela olhou para a entrada do prédio principal e viu seis lindas e majestosas garotas entrarem, eram realmente muito diferentes de todas que estavam por ali. As garotas estavam de sandálias de tiras transpassadas pelas pernas até em cima, cada uma de uma cor, mas todas escuras, usavam shorts, uns muito colados ao corpo de tecido com detalhes em renda com bolsos, outras de jeans com detalhes em cetim e bordados e outros de um couro muito leve e camisas de botões. Eram cores claras muito transparentes deixando a mostra que estavam com um corpete por baixo de rede e bordados. Cabelos presos e maquiagens impecáveis, de longe se sentia seu perfume, era amadeirado com um toque de rosas. Subiram as escadas para o primeiro andar e Flávia falou para as meninas que iria ao banheiro, Sabrina perguntou se ela queria companhia, mas ela não aceitou. Flávia chegou no primeiro andar e viu que as garotas andavam como se desfilassem, pararam embaixo de onde estaria o palco, formaram uma roda e conversaram entre elas, logo depois se separaram e foram duas para uma escada lateral, duas para outra escada e duas ficaram. De onde estava Flávia alguns jovens chegaram no local e impediam de ver os que as garotas que ficaram estavam fazendo. Ela tentou ir mais perto, mas quando ia se aproximando das garotas que haviam subido as escadas, estavam descendo acompanhadas de muitos adolescentes que a impediram de chegar mais perto, até o ponto de não as verem mais. Esperou alguns minutos até a multidão se dissipar e conseguiu descer as escadas, olhou para um lado e para o outro e não avistou as garotas, foi até o banheiro, estava muito cheio e esperou em um fila para entrar, quando lá dentro não as viu também. Quando saiu resolveu desistir de procurar e quando ia voltando para suas amigas, viu ao longe uma luz azul no meio da escuridão.

— Ví!!! — gritou de longe a Amanda, já vindo de encontro da amiga. — Onde estava? Você viu que gatinho, ele quer meu telefo… Ví!!!!

Amanda olhava a amiga que nem ao menos disfarçou que prestava atenção em outra coisa, como se estivesse em outro lugar.

— Mandi, está vendo aquela luz lá adiante?           — Flávia apontava em direção ao campo de futebol.

— Que luz? Do que você está falando?

Neste momento, dois garotos passaram por elas e esbarraram na Amanda e nem pediram desculpas, passaram e foram em direção à rua escura.

— Ou, seus… ha!!! — Amanda ficou brava em vão porque os meninos nem olharam para trás.

Flávia percebeu que os garotos também viram a luz azul e isso deu coragem para ir até lá.

— Vamos, Mandi. — Puxou a amiga.

— Ví, você só pode estar louca que vou deixar o gatinho esperando… — foi seguindo a amiga e falando em vão porque Flávia nem ao mesmo olhava para trás.

— Mandi, pare de falar só um minutinho. Quero ouvir o que estão falando. — Flávia ainda não podia ver, mas ouvia vozes femininas.

Quando ia se aproximando do campo, percebeu que à sua frente os dois garotos pararam atrás da arquibancada e ficaram observando.

— Ví, não vejo e nem ouço nada, está muito escuro, é perigoso estarmos aqui. — Amanda segurava a mão da amiga e falava baixinho com medo de algo que nem sabia o que. — Quem são aqueles dois?

— Mandi — falou sussurrando — Não vê a forte luz azul, entre aquelas pessoas?

Nesse momento, estava hipnotizada pelo o que via, iluminadas pela luz azul que fluía das garotas majestosas que tinha visto a pouco, uma adolescente estava no meio delas e parece que flutuava com os braços abertos e os olhos fechados, cabeças erguida, suas vestes balançavam com o vento e dançavam com seus cabelos soltos. De repente o raio mudou de direção da garota que estava no centro da roda para a lateral do campo em direção a Flávia, mas a sua frente ela viu que Amanda andava ao encontro dele com passos calmos e firmes, calada e sem expressão. Viu quando o raio a atingiu e a levantou do chão, fazendo com que flutuasse. Encheu-se de pavor e sem pensar deu um grito:

 — AMANDA!!! — quebrou o silêncio, já se pondo em direção a ela. Mas foi impedida por uma mão que a segurou.

Era Marcelo.

— Cuidado moça.

— Marcelo, o que está fazendo!!! Elas vão nos ver. — Lucas advertiu o amigo.

— Me solte por favor, minha amiga pode estar em perigo…

Mal terminou a frase, as garotas pararam de brilhar e estavam olhando só para os dois, pois os outros três que estavam no local neste instante, as duas garotas no centro do campo e Lucas, se encontravam no chão adormecidos.  Elas começaram a vir nas suas direções e os dois, sentindo uma mistura de medo e preocupação com seus amigos, não sabiam direito o que fazer.

— E agora, o que faremos? — perguntou Flávia ao desconhecido.

— Não sei, mas não vou sair daqui sem meus amigos. — Falava de Lucas e Maia que até a pouco descobriu que era ela no centro.

— Também não vou sem minha amiga. Vamos gritar para alguém vir nos socorrer.

À medida que conversavam, as garotas se aproximavam mais e mais. O coração de Flávia começou a bater a mil por hora, parecia que dava pra ouvir quem estivesse por perto. Marcelo sentiu que ao encarar as garotas algo dentro de si o deixava seguro e confiante.

— Espere, algo me diz que não farão nada contra nós ou já estaríamos desmaiados.

— Mas e a luz azul?

— Você também a vê?!

Os dois se olharam espantados. Mas não era hora de conversar, as garotas já estavam bem próximas.

— Phílos e Gaia. — disse a garota que vinha no meio, mulata alta, cabelos negros, assim como seus olhos, sua voz era rouca e potente. — Enfim nos encontramos.

Nesse momento uma névoa muito densa invadiu o lugar, de tal forma que ninguém conseguia ver mais nada. Marcelo e Flávia ficaram apavorados, e como não sabia o nome um do outro tentaram se encontrar tateando em direção onde estavam parados.

— Moço!!!

— Estou aqui, segure minha mão.                     — E ele estendeu na direção da sua voz.

— Achei! O que faremos?

— Neste momento temos que ter calma, é o mais importante.

Não esperaram nem um minuto e a névoa começou a dissipar. Quando ela se foi completamente, só havia os dois, Lucas e Amanda, que continuavam desacordados.

— Mandi, acorde!!! — Flávia correu para sua amiga na grama e passando a mão pelo seu rosto tentava acordá-la.

— Que Ví, o que houve? — acordou meio desorientada, passando a mão pelos cabelos, levantou e tirou a sujeira de suas roupas. — Te falei pra não virmos pra escuridão, é isso que dá, tropecei e caí.

— Mandi, não se lembra? A luz, as garotas, os meninos…

— Ví, docinho, eu te amo, mas hoje você está fora de si. Vamos voltar imediatamente para as meninas e esquecer que você está surtada. Além do mais… — Saiu falando em passos rápidos e puxando a amiga pelo braço, nem percebeu que outras pessoas também estavam no campo.

Flávia estava confusa e tinha muitas perguntas para fazer para Marcelo, mas não queria deixar sua amiga sozinha, então teve que se conter e seguir a tagarela.

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Komen (1)
goodnovel comment avatar
camila alves
de mais kkkkk
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