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SOU UMA TEEN BLOOD

Author: Ita Toledo
last update publish date: 2021-06-09 04:50:49

A turma queria dar um jeito de ir até o vestiário falar com a amiga e decidiram fazer isso enquanto o jogo estava acontecendo, pois ia ser mais fácil de passar pelos dois brutamontes que guardavam a porta.

— É agora galera, vamos lá! — Marcelo incentivou a turma.

Chegaram na entrada do vestiário, não havia ninguém vigiando.

— Perfeito, vamos lá! — disse Lucas.

Quando entraram, para a surpresa de todos, não havia ninguém. 

— Mas como assim? Não tem dez minutos que eles vieram para cá. Vamos lá fora, com certeza pegamos eles aqui no campus. — Bruna deu a ideia.

— Vamos nos separar. Marcelo e eu vamos para a saída A e vamos olhando tudo até lá. — Jéssica se prontificou.

— Nós vamos olhando tudo nos corredores do bloco G, H e I até a saída na avenida principal.           — Pedro apontava para Lucas.

— LM e Bruna ficam com os campos de futebol e a piscina. — Continuou Marcelo. — Quem encontrar, manda mensagem no grupo. 

E assim saíram as duplas. Procuraram em todos os lugares que iam passando até as saídas combinadas. Na saída A, onde Marcelo e Jéssica estavam, eles avistaram Samanta entrar em uma picape preta, cabine dupla. Correram até o carro que foi obrigado a parar na fila que dava acesso à avenida. Marcelo bateu no vidro e a garota abaixou até a metade, onde o casal só via seus olhos ainda encobertos pelos óculos escuros.

— Me deixem em paz, agora sou uma Teen Blood! — Samanta falou com uma voz imponente e sem emoção.

— O que isso quer dizer? — gritou Jéssica com ar de espanto.

O vidro fechou e o carro partiu. Eles enviaram uma mensagem aos outros amigos para se encontrarem na mesa do refeitório que sempre lanchavam. Contaram o que aconteceu, os olhos dos amigos não desviavam até o final da história e depois cada um se indignou à sua maneira.

— Oi, galera! Achei vocês! — Maia acabou de se juntar aos outros. Bruna contou tudo o que havia acontecido. — Precisamos confrontá-la novamente. Vou só enviar uma mensagem para a Amanda e vamos até a casa dela. Afinal, tenho uma boa desculpa para aparecer lá. 

— Vou com você. — disse Bruna.

— Alguém conhece o garoto que falava com o rapaz do lado de Samanta, o que foi retirado da quadra? — perguntou Marcelo.

Todos balançaram a cabeça negativamente.

— Que pena. Se alguém o vir, seria bom falar com ele também.

— E quanto a esse time, Teen Blood, o que podemos saber sobre eles? — LM se manifestou.

— Conheço o editor da revista, já fui entregar as fotografias com a Samanta algumas vezes pra ele.         — Lucas deu a ideia. — Ele deve ter alguma coisa sobre eles.

— O representante do jornal participa às vezes nas reuniões do comitê, tenho o W******p de todos, vou passar o dele pra você, Lucas. — falou Maia.

— Eu tive uma ideia para saber sobre o garoto que foi levado do estádio. — Marcelo falou já se levantando. — Mas preciso ir agora ou não dará certo.

— Ok! Vou com você benção. — Jéssica se pôs de pé. — Vamos nos comunicar pelo grupo.

Pedro e L.M. acompanharam o amigo Lucas até a redação do jornal da escola.

Bruna foi quem bateu à porta da casa de Samanta. Depois de ouvir a gritaria dos irmãos mais novos, alguém se aproximou para abrir a porta. Era seu irmão Maurício:

— E aí?

— Sua irmã Samanta está em casa?

— Não. — E já ia fechar a porta quando Jéssica o impediu.

— Sabe me dizer onde ela está?

— Sei não, nem vi quando ela saiu. E se vocês a virem, digam que está bem encrencada. — E dessa vez fechou a porta.

Marcelo e Jéssica voltaram ao ginásio e quando chegaram à quadra o jogo já havia terminado.

— Benção, é com o time que você quer falar? Devem estar no vestiário.

— Não. Eles com certeza não vão nos dar nenhuma resposta pela maneira que trataram aquele rapaz. Venha, achei eles. — Avistou do outro lado a equipe que fazia a segurança na hora do jogo.

— Olá, bom dia! Por favor, mais cedo vocês acompanharam um rapaz sair da quadra, ele estava de camiseta verde e bermuda jeans, magro, cabelos ruivos…

— Nós só fizemos o nosso trabalho, cara. Ele não podia ficar na área… — o rapaz com tom não muito amigável respondeu tentando se justificar.

— Tudo bem, tem razão, mas sabe me dizer o nome dele ou qualquer coisa que possa encontrá-lo?

— Você é do comitê ou do jornal? Porque quer saber? — um outro rapaz que estava ao lado, com um olhar desconfiado, interrogou Marcelo.

— Nós só queremos saber de uma amiga em comum que temos com ele. — Jéssica os interrompeu com um doce sorriso e um jeito todo meigo. — Não somos de nenhum desses lugares. Fiquem de boa, rapazes. Vocês já estão trabalhando muito esta semana, né. Relaxem.

— Pois é, essa semana vai ser “tréxe” pra nós, mas sabe como é, ganhamos nossas horas extra curriculares.

— Nem me fale, tô correndo atrás das minhas.    — E deu uma leve risadinha. — Mas me falem, sabem alguma coisa do rapazinho?

— Ele foi levado até o ambulatório 2, aquele lá no… — e foi interrompido por Marcelo, que pegou a mão da amada e já saindo agradeceu.

Lucas, LM e Pedro chegaram à redação do jornal, encontraram uma moça no balcão em frente ao computador digitando e sem olhar para eles perguntou:

— Olá, o que posso ajudar?

— Quero falar com Carlos, ele está?                 — Perguntou Lucas olhando tudo em volta.

Era uma sala ampla sem divisórias com várias mesas e cada uma delas continha um computador. Haviam além da moça mais dois rapazes digitando em seus aparelhos sem parar. Lucas percebeu que nenhum deles era o Carlos, editor principal, mas esperou a resposta da garota mesmo assim.

— Ele foi na gráfica, mas já deve estar voltando, se quiserem aguardar podem sentar em um banco lá fora.

— Ok, muito obrigada. Vamos aguardar.

Sentaram no banco de cimento que ficava no corredor do lado de fora da sala e não esperaram muito já avistaram um rapaz robusto, moreno e com o uniforme do evento.

— É ele. — disse Lucas levantando.                 — Bom dia, Carlos, tudo bem?

— Tudo bem, você é… — o rapaz ajeitava os óculos, franzindo a testa procurando se lembrar de onde o conhecia.

— Eu sou Lucas, amigo da Samanta. Vim aqui com ela algumas vezes trazer as fotos.

— Caramba cara, a Samanta está bem?             — Carlos perguntou com ar de preocupado.

— Então, acredito que sim, mas não foi por isso que viemos.

— Ok. Ficamos preocupados pois ela ficou de vir toda manhã com as fotos do dia anterior, e hoje não a vimos. — falou já cumprimentando com aceno LM e Pedro. — Em que posso ajudar?

— Quero saber sobre um time que está participando dos jogos.

— Saber exatamente o quê? Sobre qual time?

— O que puder nos informar sobre o time Teen Blood de vôlei masculino.

— Tenho que perguntar. É para algum trabalho escolar? Posso perguntar qual interesse nesse time em particular?

— Tem a ver com a Samanta e o envolvimento dela com esse time. Só isso que posso dizer por enquanto.

— Se é pra ajudar a Sami, farei o possível. Mas não fui eu que entrevistei esses caras, foi alguém da minha equipe. Ele está afastado, mas vou imprimir o que ele redigiu sobre o time. Só um minuto.

Os rapazes ficaram muito animados com o que podiam descobrir, esperaram uns dez minutos e Carlos voltou com apenas uma página de sulfite impressa.

— Não me lembrava que era tão pouca informação, espero que ajude. — disse entregando o papel para os garotos. — Falem pra Sami que nos dê notícias.

Lucas agradeceu e foram embora.

Marcelo chegou acompanhado de Jéssica no ambulatório. Viram uma enfermeira aferindo a pressão de uma garota, e ela fez sinal com o dedo levantado indicando um minuto. Ela terminou o atendimento da moça e se dirigiu a eles.

— Bom dia, quase tarde né. — disse com um leve sorriso. — O que posso fazer por vocês? Estão se sentindo bem?

— Sim. Estamos bem, obrigada. — falou Jéssica também sendo simpática e um pouco apreensiva, pois olhou para os leitos no local e não viu nenhum garoto.  — Estamos procurando um garoto ruivo, magro, que estava vestindo...

— Ah sim, o Lino. São amigos dele?

— Não, mas vimos o que aconteceu e ficamos preocupados, queríamos saber se ele está bem.

— Que atenciosos! Difícil ver a preocupação com o próximo hoje. — Ela tinha um olhar tranquilo e a voz rouca. Falava pausadamente, o que deixou Marcelo ansioso.

— Ele ainda está por aqui? — Marcelo perguntou.

— Não meus queridos, ele não quis ficar no soro, insistiu que estava bem e tivemos que liberá-lo. Coitadinho, chegou branco como um bolinho de neve.

— A senhora tem algum contato dele ou sabe que turma que ele está?

— Minha jovenzinha, não podemos dar informações dos nossos pacientes. Suas fichas são sigilosas, me desculpe. Mas ele vai ficar bem, quando saiu daqui já estava até coradinho.

Eles com ar de desânimo, agradeceram a enfermeira e foram embora.

“Vamos nos encontrar para trocar informações e almoçar?” — mensagem de Marcelo.

“Sim, vamos. Esperamos vocês no refeitório.’’      — Respondeu L.M.

“Nós vamos demorar um pouquinho pra chegar aí, vão pedindo.” — Bruna completou.

Quando se reuniram no refeitório, eles já haviam passado nas barracas referente ao tipo de comida que cada um iria comer. Quando já estavam terminando a refeição, as meninas Bruna e Maia chegaram com seus lanches nas mãos. Conversaram sobre o que cada um tinha conseguido juntar de informações e leram a página que Lucas trazia da redação do jornal.

 “O jovem time da Escola de Segundo Grau ‘Célia Dias’, no município de Biblos, região nordeste do nosso estado, o time de nome “Teen Blood” tem a fama de ser o melhor dos últimos anos, levando o nome da escola aos jogos regionais deste ano. A escola é um internato para rapazes e tem 132 anos de história, muitas delas voltadas para o esporte. Mas desde 1998 que eles não venceram nenhum campeonato. Este é o primeiro ano que estes jovens rapazes compõem esta equipe que vem atropelando seus adversários até agora. E para as garotas de plantão, segurem-se nas cadeiras e aprontem seus laços pois eles afirmam que estão solteiros e só vivem para jogar. A equipe é liderada pelo mais novo contratado da escola, o técnico Sr. Amis Hakon, que a escola depositou toda confiança e não se arrependeu.”

Texto seguido de uma foto do time com seu técnico em frente à velha escola.

— Não diz nada aí que possa nos ajudar, poxa vida! — Bruna falou decepcionada.

— Calma galera, vamos encontrar respostas.         — Lucas disse guardando a folha dobrada em seu bolso.  — Vamos tentar falar com a Samanta mais tarde.

— Eu pesquisei onde fica esta cidade da escola do time. — Marcelo olhava para o celular a ponto de ler algo empolgado. — A cidade de Biblos fica há aproximadamente 400 km de distância de Terra Linda Céu.

— E daí? — Pedro fez cara de que não entendeu nada.

— Eles não estão indo e vindo porque fica muito longe para irem todos os dias. — explicou Marcelo.     — Só podem estar em um dos hotéis da cidade.

— E você acha que Samanta está com eles no hotel? — Maia olhou com espanto para todos.            — Ela não é assim.

— Não sei, depois de ver ela hoje, não sei o que pensar. — respondeu Marcelo.

— Mas como saber qual hotel? — Pedro perguntou.

— Ainda não sei, mas vou pensar em algo.

— Vou verificar com o comitê quais serão os próximos jogos deles. — falou Maia um pouco mais animada.

— Marcelo, você falou de uma ficha do garoto ruivo no ambulatório. Se conseguirmos ela, podemos chegar até ele. — Animou também LM.

— E como você imagina conseguir essa ficha?

— Tenho uma amiga na turma de enfermagem, vou m****r uma mensagem pra ela. — Disse L.M. acompanhado de uma vaia geral dos amigos.

— Hum!!! Uma “amiga”!!

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