LOGINSophiaAssim que deixei o aeroporto, encontrei o carro que me levaria ao hotel. O motorista segurou a porta para que eu entrasse e acomodou minha bagagem no porta-malas antes de assumir o volante.Entreguei a ele o endereço do hotel e me acomodei no banco traseiro.Seul passava diante da janela enquanto seguíamos pelas ruas movimentadas. Eu observava os prédios, as placas em coreano, os cafés cheios e o fluxo constante de pessoas nas calçadas. Havia algo familiar naquela paisagem, embora eu estivesse ali depois de bastante tempo.Peguei o celular e conferi o horário.Ainda era cedo.A conferência começaria apenas no dia seguinte, e eu havia decidido não marcar nenhum compromisso naquela noite. Precisava descansar depois da viagem.Ou, pelo menos, era isso que eu dizia a mim mesma.O caminho até o hotel levou algum tempo. Aos poucos, o movimento das ruas mudou, e o carro entrou em uma região mais sofisticada da cidade.Quando o hotel apareceu diante de mim, reconheci imediatamente o lu
SophiaO despertador tocou às cinco da manhã.Abri os olhos lentamente, ainda tentando entender onde estava. Por alguns segundos, fiquei olhando para o teto do estúdio, até lembrar que havia adormecido ali.Passei a mão pelo rosto e me sentei no chão. Meu corpo estava dolorido por ter dormido sobre o piso emborrachado, mas a cabeça parecia estranhamente mais tranquila.Eu nem havia percebido quando o cansaço venceu.Na noite anterior, depois do treinamento, eu simplesmente tinha ficado ali por mais alguns minutos. Em algum momento, encostei as costas na parede e fechei os olhos.Pelo visto, tinha sido o suficiente para apagar completamente.Olhei para o relógio.Cinco e três.— Ótimo...Levantei-me devagar, alongando os braços e as costas antes de pegar o celular que havia deixado sobre o banco.Havia algumas mensagens.Uma delas era de Margareth.“Quando acordar, venha tomar café. Não saia sem comer.”Sorri.Minha mãe conseguia cuidar de mim mesmo quando não estava no mesmo cômodo.G
Sophia.Na noite anterior à viagem, minha mala estava aberta sobre a cama.Eu já tinha separado praticamente tudo, mas continuava conferindo cada peça como se, em algum momento, fosse descobrir que havia esquecido metade das coisas.A viagem para Seul estava marcada para a manhã seguinte.O convite para a conferência continuava sobre a escrivaninha, ao lado do passaporte e dos documentos que eu precisaria levar. Em outra parte da mesa, havia uma pasta menor com algumas informações da Fundação que Madeline havia separado para mim.Olhei para aquela pasta e soltei um suspiro.Até na véspera de uma viagem eu encontrava alguma coisa para estudar.Sentei-me na beirada da cama e comecei a organizar as roupas.Alguns vestidos, calças, blusas, um casaco mais pesado, roupas confortáveis para o hotel e algumas peças adequadas para os compromissos da conferência. Não queria levar mais do que precisava.Escolhi uma das malas menores e comecei a dobrar as roupas com cuidado.Meu celular vibrou sob
John Cheguei ao aeroporto de Boston cedo naquela manhã.Conferi o passaporte, a passagem e o celular antes de seguir para o embarque. Minha mala estava pronta desde a noite anterior, e, pela primeira vez em muito tempo, eu não tinha levado comigo mais do que o necessário.Minha irmã havia me mandado uma mensagem pouco antes de eu sair de casa.— Você realmente está vindo?Sorri enquanto respondia.— Estou no aeroporto.A resposta chegou quase imediatamente.— Não acredito.— Pode acreditar.— Dessa vez você não vai inventar uma desculpa?— Não vou.Demorou alguns segundos até outra mensagem aparecer.— Então eu vou te esperar.Guardei o celular.Eu queria cumprir aquela promessa.Durante anos, sempre havia alguma razão para eu não conseguir estar presente. Aniversários, feriados, encontros de família. Quando percebia, meses tinham passado e eu continuava vivendo do outro lado do mundo.Minha família continuava em Seul.Eu é que havia construído uma vida inteira longe dali.Cheguei ao
Sophia Quando abri os olhos, a claridade que escapava pelas laterais das cortinas chamou minha atenção. Ainda sonolenta, estendi a mão até o criado-mudo e peguei o controle que ficava ali.Com um toque, as cortinas blackout começaram a se abrir.A luz do sol tomou o quarto aos poucos, revelando o céu claro e uma manhã que já estava bastante avançada. Apertei os olhos por causa da claridade e fiquei alguns segundos olhando pela janela.— Eu dormi muito... — murmurei, pegando o celular.Não me lembrava da última vez em que tinha acordado sem despertador e sem precisar calcular quantos minutos ainda tinha antes de sair de casa.Levantei-me devagar e caminhei até o closet.Escolhi um biquíni confortável e o vesti antes de colocar uma roupa leve de verão por cima: uma blusa de alças finas, em tom creme, com textura delicadamente plissada, e uma calça comprida de cintura alta no mesmo tecido. Era uma combinação fresca e confortável para ficar em casa e, principalmente, para aproveitar a pi
Sophia O relógio sobre a estante marcava alguns minutos para meia-noite quando Madeline finalmente fechou a última pasta. Eu estava sentada do outro lado da mesa do escritório, com uma das mãos apoiando o rosto enquanto encarava a pilha de documentos entre nós. Havia contratos, relatórios financeiros, organogramas, planilhas e anotações que Madeline fizera durante a noite. Eu já não sabia dizer quantos nomes tinha lido. — Acho que, se eu olhar para mais uma planilha hoje, vou começar a enxergar números até dormindo — murmurei. Madeline soltou uma risada baixa enquanto reunia os papéis. — Isso passa. Ergui uma sobrancelha. — Você está dizendo isso porque já passou por isso ou porque quer me convencer a não desistir? — As duas coisas. A resposta arrancou de mim um sorriso cansado. Madeline colocou os documentos na pasta e conferiu se não havia deixado nada sobre a mesa. — Para uma primeira noite, você avançou bastante. Recostei-me na cadeira. — Não parece. Olhei novamente p







