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Capítulo 3

Author: Crepúsculo
Na noite em que saí do grupo de conversa da família Coelho, eu entreguei a minha carta de demissão à empresa de Yago.

Eu fazia parte do primeiro grupo de funcionários, ainda no começo da empresa.

Eu acompanhei Yago em reuniões com clientes e revisei propostas ao lado dele. Na fase mais difícil, nós passamos meses dormindo no escritório.

No dia em que a empresa deu lucro pela primeira vez, Yago disse diante de todos os funcionários:

"Nádia não é apenas a minha esposa. Ela também é a parceira que caminhou comigo para fora do fundo do poço."

Mas, agora, ele tinha certeza de que a minha demissão ainda fazia parte da "brincadeira".

A aprovação da minha carta de demissão trouxe apenas uma frase:

[Aprovada. Volte quando terminar o seu drama.]

No quinto dia em que Jaqueline estava vivendo como Sra. Coelho, aconteceu a celebração do aniversário da empresa. Também era o meu último dia de transição e entrega das minhas responsabilidades.

Eu fui à empresa para devolver o crachá de acesso e fazer a transição dos projetos.

No saguão, o vídeo comemorativo do aniversário da empresa estava sendo exibido.

Todas as fotos e todos os registros do meu nome na fase de fundação já tinham sido apagados.

As cenas em que eu embalava produtos no depósito, bebia com clientes até passar mal e virava noites ajustando propostas simplesmente desapareceram.

No encerramento do vídeo, colocaram uma foto de Jaqueline de braço dado com Yago.

A legenda dizia:

[Obrigado, Sra. Coelho, por estar conosco em toda esta jornada.]

Yago sabia muito bem que a convidada original da celebração do aniversário da empresa era eu.

Mesmo assim, ele deixou Jaqueline vestir o vestido preparado para mim.

Ela usava a pulseira de cristal da família Coelho enquanto o acompanhava para cortar o bolo e brindar com os convidados.

Sempre que alguém a chamava de Sra. Coelho, ela olhava para Yago com o rosto corado.

E ele nunca corrigia aquele tratamento errado.

"Já estamos no quinto dia da brincadeira. Parar agora perderia a graça". Yago pensou.

Eu não entrei no salão de eventos. Apenas concluí no escritório a minha última entrega de trabalho.

Quando eu estava indo embora, um funcionário antigo, que tinha participado da fundação da empresa conosco, me reconheceu.

Ele me chamou em voz alta, diante de todos:

— Oi, Sra. Coelho.

Depois, ele olhou para Jaqueline no palco e perguntou, confuso:

— Então quem é aquela senhora?

O salão de eventos ficou em silêncio na mesma hora. Só então os convidados entenderam que a esposa legítima de Yago era outra pessoa.

Logo, os murmúrios começaram a circular entre eles.

— Ela nem é Sra. Coelho e está usando a pulseira exclusiva da família Coelho?

— Ela entrou no lar conjugal de outra mulher e ainda apareceu na celebração do aniversário da empresa como Sra. Coelho. Isso não é ser amante e destruir o casamento de outra mulher?

Mas, antes que os comentários ganhassem força, alguém ao lado baixou a voz e lembrou:

— Vocês não viram a postagem da nova Sra. Coelho? A antiga Sra. Coelho é que não aceita abrir mão do lugar. O Senhor Yago já trouxe a nova esposa para um evento público, mas essa mulher ainda se agarra ao passado só porque ajudou o Senhor Yago no início da empresa. Que cena feia. Para falar a verdade, ela só não quer perder o lugar de Sra. Coelho.

Enquanto dizia isso, a pessoa mostrou o celular a alguns convidados próximos.

Eu também vi aquela postagem.

No vídeo, eu aparecia chorando enquanto tentava arrancar de volta o meu pijama.

Eu aparecia parada na porta da suíte principal, com os olhos vermelhos, exigindo que Jaqueline saísse.

Eu aparecia perdendo a compostura e deixando o jantar da família Coelho.

Só havia os momentos em que eu parecia estar fazendo escândalo.

Não havia nenhuma cena de Yago dizendo que "aquilo era só uma brincadeira".

Também não havia nenhuma das vezes em que ele me abraçava depois, pedindo que eu não levasse a brincadeira a sério.

A legenda tinha apenas uma frase:

[Mulher sem noção é assim: continua agarrada a um título que já venceu.]

Eu encarei aquela linha e, de repente, me lembrei daquelas supostas "brincadeiras" dos últimos três anos.

Depois de cada colapso provocado pelas humilhações deles, eu ainda precisava admitir, em meio às provocações e risadas de todos:

"Eu levei a brincadeira a sério porque eu amo demais o Yago."

No celular de Yago, ainda havia os registros das apostas que eles faziam todos os anos.

Eles apostavam quando eu choraria.

Apostavam se eu quebraria alguma coisa.

Apostavam até quanto tempo eu levaria para pedir desculpas a Jaqueline.

E aquele vídeo me fez entender outra coisa.

Durante os últimos três anos, as minhas lágrimas tinham sido guardadas, ridicularizadas e usadas como fichas de diversão.

Antes que eu dissesse qualquer coisa, Yago já tinha vindo até mim e falado em voz baixa:

— Já que você começou esse teatro, agora precisa ir até o fim. Jaqueline veio para ajudar. Eu não posso deixar a reputação dela ser destruída aqui.

Eu olhei para ele e, de repente, sorri:

— Então a minha pode ser destruída, é isso?

O semblante de Yago fechou:

— Nádia, desta vez você está passando dos limites. Se você não levasse tudo tão a sério, as coisas não teriam chegado a este ponto.

Eu não dei mais atenção a ele.

Apenas deixei o crachá de acesso e os documentos da demissão na recepção.

— A transição do trabalho foi concluída.

Depois de dizer isso, eu passei por ele e entrei no elevador.

A minha frieza finalmente irritou Yago.

Diante de todos os convidados, ele chamou o advogado e ordenou.

— Prepare um acordo de divórcio de verdade. No sétimo dia, eu vou fazê-la escolher diante de todos os amigos. Eu quero ver até quando ela consegue manter essa farsa.

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