LOGINDois anos depois, minha equipe e eu abrimos o nosso próprio estúdio.No dia da inauguração, não houve tapete vermelho nem cerimônia complicada.Os colegas compraram um bolo e fizeram uma pequena comemoração para mim na sala de reunião.No bolo, estava escrito:[Nádia, bem-vinda de volta à sua própria vida.]Eu olhei para aquela frase por muito tempo. No fim, sorri e apaguei as velas.Durante aqueles anos, Yago ainda mandava algumas coisas por meio de outras pessoas.No primeiro ano, foi aquele álbum comemorativo da fundação da empresa dele com todas as minhas fotos recolocadas.No segundo ano, foram os rascunhos de design que eu tinha deixado no lar conjugal.Naquele ano, ele enviou apenas um cartão.[Feliz aniversário de casamento.]Depois, a frase tinha sido riscada, e ele havia escrito de novo:[Desculpe. Eu esqueci que nós já não temos mais um aniversário de casamento.]Eu coloquei o cartão de volta no envelope e o devolvi exatamente como tinha recebido.Mais tarde, ouvi de conheci
Depois que Yago publicou a declaração oficial, o vídeo do dia da celebração do aniversário da empresa também foi parar na internet.Alguém reconheceu que Jaqueline usava a pulseira de cristal que, na família Coelho, apenas a Dona tinha o direito de guardar. Ela aparecia no palco ocupando o lugar de "Sra. Coelho".Logo, mais pessoas resgataram os registros das "brincadeiras" dos últimos três anos.As apostas, os vídeos gravados às escondidas e as provocações vieram à tona, uma por uma, diante do público.A opinião pública saiu rapidamente do controle.Alguns acusavam Jaqueline de se meter no casamento alheio.Outros questionavam Yago, perguntando por que ele precisava usar a dor da própria esposa para provar amor.Os amigos que participaram da aposta começaram a apagar, um atrás do outro, os posts antigos.Algumas pessoas ainda me procuraram em particular, esperando que eu explicasse em nome delas que aquilo tinha sido apenas uma brincadeira entre pessoas próximas, sem má intenção.Eu n
Yago esperou três horas na frente do prédio da empresa.Quando eu saí do trabalho, o rosto dele já estava pálido por causa do vento frio da noite. Ao me ver, ele caminhou depressa na minha direção:— Nádia, nós precisamos conversar.— O expediente acabou, senhor Yago. Eu não tenho nenhum assunto profissional para tratar com o senhor.A expressão "senhor Yago" fez os passos dele travarem. Em sete anos, eu nunca o tinha chamado daquele jeito.Ele parou na minha frente e me entregou um documento. Era o novo álbum comemorativo da fundação da empresa.O meu nome tinha sido recolocado no lugar de cofundadora. No fim, também havia uma proposta de compensação societária e um contrato para que eu retornasse à empresa.— A empresa precisa de você. — Ele disse.Depois, ele acrescentou em voz baixa:— Eu também preciso de você.Eu não peguei o documento:— Se a empresa está sem uma responsável, vocês podem contratar outra pessoa. Quanto ao que você precisa, isso é algo que você deve resolver sozin
Jaqueline tinha apenas torcido o pé.Quando Yago chegou ao hospital, o médico já tinha terminado de fazer a radiografia nela. O médico disse que não havia fratura e que alguns dias de repouso seriam suficientes.Com os olhos vermelhos, ela segurou a mão dele:— Mesmo assim, você atrasou o divórcio com Nádia por minha causa?Yago ficou em silêncio por muito tempo. No fim, ele colocou a certidão de divórcio diante dela.Jaqueline ficou paralisada. Logo, uma expectativa impossível de esconder surgiu nos olhos dela:— Então agora você está livre de verdade. Yago, durante aqueles sete dias, houve algum momento em que você realmente me tratou como sua esposa?Yago não respondeu.De repente, ele se lembrou de que, durante aqueles trinta dias, eu não tinha chorado nem olhado para trás.Só naquele instante, pela primeira vez, ele percebeu que talvez eu realmente não o quisesse mais.Ele deixou Jaqueline aos cuidados da enfermeira e voltou sozinho para o nosso lar conjugal.A casa estava assusta
Às nove da manhã do dia seguinte, Yago apareceu pontualmente no cartório. Ele usava o sobretudo preto que eu tinha comprado para ele e ainda segurava a aliança na mão. Quando ele me viu, sua expressão estava calma:— Você dormiu bem ontem à noite?O tom dele soava natural, como se nós só tivéssemos tido uma briga comum.Eu não respondi. Apenas peguei a senha da fila.A funcionária confirmou novamente se as duas partes queriam se divorciar por vontade própria.Yago olhou para mim e demorou a responder.Só quando a funcionária perguntou pela segunda vez, ele soltou uma risada curta:— Sim, por vontade própria.Mesmo ao assinar o requerimento, ele ainda carregava aquela certeza arrogante:— Trinta dias de prazo de reflexão. Nádia, eu vou dar trinta dias para você pensar direito. Se você não aparecer no cartório quando chegar a hora, esta brincadeira acaba aqui.Depois de guardar o comprovante, eu respondi:— Eu venho.Nos trinta dias seguintes, ele não apareceu para me pedir desculpas. Me
Depois que eu assinei o meu nome, a contagem regressiva ficou presa no "1".A pessoa responsável por gravar esqueceu de abaixar o celular.A câmera continuou apontada para mim.Como nos últimos três anos, ele esperava registrar o meu colapso, o meu choro, para então provar a todos o quanto eu amava Yago.Mas, dessa vez, eu apenas larguei a caneta e empurrei o acordo de divórcio de volta.O sorriso nos lábios de Yago endureceu aos poucos. Ele baixou os olhos e virou até a última página.Quando confirmou que aquele nome tinha sido escrito por mim, o rosto dele escureceu de vez:— Nádia, você sabe o que assinou?— Sei.— Isto não é como aqueles acordos falsos que eu usava antes para provocar você. Divisão de bens, titularidade dos imóveis, assinatura do advogado como testemunha… tudo isso tem validade jurídica.Eu assenti:— Foi por isso que eu assinei.Só então algumas pessoas ao redor reagiram e tentaram aliviar o clima com risadas sem graça:— Nádia, este ano você está interpretando be







