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Capítulo 2

Author: Crepúsculo
No terceiro dia em que Jaqueline estava vivendo como Sra. Coelho, a família Coelho organizou um jantar reservado.

A mãe de Yago, Lorena Coelho, me enviou o endereço do jantar e pediu que eu levasse a pulseira de cristal que as Donas da família Coelho guardavam e passavam de geração em geração.

Quando eu me casei, Lorena colocou aquela pulseira no meu pulso com as próprias mãos. Mas eu sempre soube que Lorena nunca me considerou boa o bastante.

Se Yago não tivesse insistido em se casar comigo naquela época, a pulseira que a família Coelho entregava à Dona da casa jamais teria chegado às minhas mãos.

Eu me lembrei do dia em que as duas famílias se reuniram na mansão da família Coelho para discutir os detalhes do casamento. Na frente de uma mesa inteira de parentes mais velhos, Lorena disse que eu vinha de uma família comum e que não estava à altura de Yago.

Yago, porém, segurou a minha mão. A voz dele saiu calma e firme:

— Ela é a mulher que eu amo. Além disso, eu não preciso que ninguém decida o meu casamento por mim.

Mas, quando eu pensava naquela cena agora, aquilo só me parecia irônico.

Eu apertei a caixa onde estava a pulseira.

Eu iria até lá hoje justamente para devolver a pulseira à família Coelho.

Quando cheguei à mansão da família Coelho, Jaqueline já estava sentada no lugar que antes era meu.

À mesa, não havia nenhum assento reservado para mim.

A empregada precisou trazer uma cadeira às pressas e colocá-la na ponta mais distante da mesa.

Lorena sorriu e explicou:

— Nestes dias, Jaqueline está participando do jantar reservado da família como Sra. Coelho. Então é claro que nós também precisamos entrar na brincadeira. Nádia, você não precisa ser tão mesquinha.

Yago também pediu que o chef refizesse o cardápio de acordo com o gosto de Jaqueline.

Eu tinha alergia grave a amendoim. Mesmo assim, durante os sete anos de casamento, sobremesas como cajuzinho ainda apareciam na mesa da família Coelho.

No começo, Yago sempre lembrava os empregados de não prepararem nada com amendoim e fazia questão de repetir o aviso. Com o passar do tempo, porém, ele foi ficando cada vez mais impaciente com isso e passou a tratar a minha alergia com descaso. No fim, limitava-se a dizer:

"É só você não comer."

Jaqueline não comia salsinha.

Por isso, a mesa da família Coelho nunca tinha salsinha. Se qualquer prato ou sopa levasse o menor traço de salsinha, Yago mandava a empregada retirar tudo na hora e preparar de novo.

— Ela passa mal só de sentir esse cheiro. — Yago disse.

No jantar de família do ano passado, eles deixaram Jaqueline se sentar no meu lugar pela primeira vez.

Quando eu me virei para ir embora, Yago correu atrás de mim e me abraçou.

Ele disse que uma cadeira não significava nada. Ele ainda garantiu:

— Aquele lugar de Sra. Coelho sempre vai ser só seu.

Mas, neste ano, eu nem sequer tinha o direito de me sentar ao lado de Yago.

Antes da foto de família, Lorena de repente olhou para o meu pulso.

— Tire a pulseira. Empreste para Jaqueline usar por alguns minutos. Assim a foto fica mais completa.

Jaqueline se apressou em balançar a mão, recusando:

— Isso não é adequado.

Mas a mão dela continuou suspensa no ar, como se esperasse que alguém colocasse a pulseira em seu pulso.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Yago já tinha segurado a minha mão e tirado a pulseira.

A pulseira passou pelas juntas dos meus dedos, raspando a pele até me causar dor.

Mas ele apenas abaixou a cabeça para verificar se a pulseira não tinha batido em nada.

Depois, ele mesmo colocou a pulseira no pulso de Jaqueline:

— Ao fim do sétimo dia, ela naturalmente vai devolver para você. Não vale a pena implicar por causa de uma joia.

Na hora da foto, Jaqueline ficou ao lado de Yago.

O pai de Yago, Rui Coelho, e Lorena se sentaram à frente. Eu fui colocada na lateral mais distante, quase fora do enquadramento.

O fotógrafo pediu que todos se aproximassem um pouco.

Yago colocou a mão de propósito na cintura de Jaqueline. Depois, ele virou o rosto para me olhar.

Ele estava esperando que eu reclamasse e impedisse aquele gesto. Mas eu apenas disse a Lorena:

— Você não precisa me devolver a pulseira.

O rosto de Lorena mudou de leve:

— Era só uma brincadeira inocente, e você insiste em dizer algo tão desagradável. Você está fazendo os mais velhos passarem vergonha. Você é muito imatura.

…

Pouco depois, um parente que não sabia de nada enviou a foto de família no grupo da família.

[Este ano, finalmente todo mundo apareceu.]

Os outros parentes começaram a elogiar, dizendo que Jaqueline e Yago realmente combinavam muito.

Também houve quem perguntasse se os dois estavam planejando fazer uma nova cerimônia de casamento.

Lorena não explicou nada. Ela apenas respondeu à mensagem com um coração vermelho.

Eu olhei para o grupo de conversa da família Coelho, onde eu tinha permanecido durante sete anos, e cliquei em sair em silêncio.

Yago percebeu logo.

Ele me enviou uma frase:

[Desta vez, você está fingindo muito bem. Eu quero ver quantos dias você ainda aguenta.]

Ele não sabia que eu não estava suportando nada.

Eu estava apenas apagando, pouco a pouco, todos os vestígios que um dia deixei na família Coelho.

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