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Capítulo 02

Autor: Serein M
Depois que rompemos o vínculo, Corbin não me procurou. Como sempre, ele passou todo o seu tempo com Liana.

Mas, desta vez, eu estava diferente.

Eu não estava com o coração partido. Não estava obcecada por cada movimento dele, torturando-me ao permanecer em sua órbita.

— Você tem certeza de que terminou? — Maya perguntou, deslizando uma taça de champanhe em minha direção no bar de lobisomens. — Ele é seu companheiro destinado, afinal.

Soltei uma risada amarga.

— Destino? Ele me rejeitou sete vezes. Que tipo de destino é esse?

Maya deu de ombros.

— Pelo menos ele sempre volta para você.

— Isso é porque ele não suporta perder o poder que eu trago para ele como Luna — eu disse, com as palavras amargas enquanto virava a bebida. — Ele sabe que a força da alcateia dele cai um terço sem mim.

Era verdade.

Como filha de um Alfa, minha loba é abençoada pela lua. Qualquer Alfa com quem eu me vincule ganha poder e status significativos.

Corbin sabia disso. Era por isso que ele não conseguia desistir de Liana, mas também não ousava me perder de verdade.

— A gala da Coalizão é hoje à noite — disse Maya, agitando o convite. — Quer ir? Para distrair a cabeça? Ouvi dizer que há alguns Alfas jovens, bonitos e selvagens vindo do Sul.

Eu assenti. Por que não?

Chegamos à cobertura do hotel mais luxuoso do Norte. Lustres de cristal lançavam um brilho quente sobre a elite dos lobisomens que se misturava.

Eu usava um vestido de seda preto, simples e elegante. Maya e eu encontramos uma mesa de canto e tomamos nossas bebidas silenciosamente.

Então eu senti o cheiro. Cedro. O aroma que antes me trazia paz, agora revirava meu estômago.

Fiquei rígida, minha respiração travando na garganta.

Não precisei olhar. Eu sabia que Corbin estava aqui.

Virei-me e o vi entrar na seção VIP, com o braço em volta de Liana.

Ela estava com um vestido de renda branca hoje, parecendo uma princesa pura e inocente.

— Droga — Maya murmurou. — Quer ir embora?

— Por quê? — eu disse calmamente, cortando meu bife. — Nós temos um convite.

O olhar de Corbin varreu o salão e seus olhos pousaram em mim por alguns segundos.

Sem aceno. Sem reconhecimento.

Era o brilho possessivo de um homem inspecionando sua propriedade. Comporte-se, gritava o olhar. Não me envergonhe.

Por mim, tudo bem.

Dez minutos depois, Liana deslizou até nossa mesa.

— Astrid — ela arrulhou, com a voz enjoativamente doce. — Que coincidência.

Coloquei meu garfo e faca de lado.

— Certamente é.

— Mas... — Ela deu um sorrisinho de desculpas. — Corbin mencionou que só queria estar cercado por rostos felizes hoje à noite. Você poderia, talvez... encontrar outra mesa? Esta área é...

— Um evento público para a Coalizão de Lobisomens — Maya interrompeu. — Não a sua sala de estar.

O sorriso de Liana congelou por uma fração de segundo antes de ela morder o lábio, olhando tristemente para Corbin à distância.

Ele sentiu o olhar dela instantaneamente.

Seus olhos dourados cortaram a multidão e travaram em mim.

Não havia calor em seus olhos. Apenas um comando bruto e indisfarçável. Obedeça a ela, Astrid. Não me faça colocar você no seu devido lugar. Aqui não.

Antes, minha loba estaria furiosa.

Mas agora?

Eu simplesmente me levantei graciosamente e sorri para Liana.

— Claro.

Os olhos de Maya se arregalaram.

— Astrid...

Peguei a mão dela.

— Vamos. O bife daqui nem é tão bom assim mesmo.

Um sorriso triunfante se espalhou pelo rosto de Liana.

— Obrigada por entender.

Recolhemos nossas coisas para sair.

Nesse momento, um jovem lobo se aproximou da mesa de Corbin.

— Alfa, Senhorita Liana, vocês dois formam um par perfeito.

Alguns outros líderes de alcateia concordaram.

— Sim, muito melhor do que aquela...

— Shhh — alguém sibilou. — Não mencione ela.

Eles achavam que estavam sussurrando. Mas com audição de lobisomem...

Mantive meu rosto perfeitamente neutro enquanto pegava minha bolsa.

Maya, no entanto, estava vermelha de raiva.

— Esses idiotas...

— Esqueça. — Puxei-a em direção à saída. — Eles não valem a pena.

Ao passarmos pela mesa de Corbin, senti seu olhar complicado sobre mim.

Era cauteloso, perscrutador, confuso... e algo mais.

Não olhei para ele.

Apenas puxei Maya, passando direto por ele como se ele fosse o ar.

— Corbin? — A voz de Liana ecoou atrás de nós. — O que você está olhando?

Eu não me virei, mas podia sentir aquele olhar ardente fixo nas minhas costas.

— Corbin? — ela chamou de novo, com uma nota de impaciência na voz. — Corbin! — Desta vez, a voz dela foi ríspida.

Empurrei as portas do hotel e o ar da noite bateu em meu rosto.

Maya me seguiu, olhando por cima do ombro.

— Ele não conseguia tirar os olhos de você. Aquela princesinha estava perdendo o juízo. Ela teve que chamar o nome dele três vezes antes que ele finalmente, lentamente, desviasse o olhar.
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