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Capítulo 04

Autor: Serein M
Os dias sem Corbin passaram voando. Antes que eu percebesse, restavam-me apenas dois dias.

Mesmo que não tivéssemos nos falado, Maya me mantinha atualizada sobre o drama dele com Liana.

— Eles tiveram uma briga — disse Maya com a boca cheia de torrada. — Quase acordaram o prédio inteiro ontem à noite.

Não desviei o olhar enquanto terminava de embalar minhas últimas coisas. Mais um dia e eu estaria livre.

— Por causa de quê? — perguntei distraidamente.

— De você — disse Maya, erguendo uma sobrancelha. — Liana exigiu saber por que ele ainda estava entrando em contato com você. Corbin disse algo como: "Ela é minha Luna", e Liana perdeu o controle.

Uma dor ridícula e aguda atravessou meu peito. Eu parei.

— Ele me chamou de Luna dele?

Ele finalmente se lembrou?

Depois de me afastar, depois de precisar acalmar outra mulher, ele finalmente se lembrou do que aquele título significava.

— Pois é — Maya deu de ombros. — Então a Liana começou a chorar, perguntando "O que isso faz de mim?", e o Corbin começou a enchê-la de mimos, dizendo que era apenas um "arranjo temporário"...

Eu zombei.

Um arranjo temporário.

Nossos três anos, nossos sete vínculos... tudo apenas um "arranjo temporário" para ele.

Meu telefone tocou. Corbin.

Rejeitei a chamada.

Cinco minutos depois, tocou novamente. Ele de novo.

Rejeitada.

Ele ligou dezessete vezes naquele dia. Não atendi nenhuma.

Naquela noite, ele ligou outra vez.

— Astrid, por favor, atenda — a voz dele no correio de voz soava cansada. — Amanhã é o nosso aniversário.

Encarei a tela.

Percebi que também era o aniversário da nossa quarta cerimônia de renovação de vínculo.

Rejeitada e aceita tantas vezes. Só eu me daria ao trabalho de lembrar de cada data relacionada a ele.

Não sabia se aquilo era patético ou apenas triste.

Finalmente atendi.

— Astrid? — A voz de Corbin estava carregada de alívio. — Você finalmente atendeu.

— O quê.

— Amanhã à noite. Lago da Lua — a voz dele estava estranhamente gentil. — Exatamente como no nosso primeiro encontro. Só nós dois.

Fiquei em silêncio por um longo tempo.

— Astrid?

— Tudo bem — eu disse.

Por que eu aceitei? Não sei. Talvez eu quisesse dar a esse desastre um final apropriado.

O Lago da Lua era silencioso à noite.

Eu usava um vestido branco, exatamente como há três anos. Sentei-me na mesma rocha à beira da margem e esperei.

Às oito, ele não estava lá. "Ele está retido com assuntos da alcateia", pensei.

Às nove, ainda nenhum sinal dele. "Talvez ele só tenha esquecido".

Às nove e meia, meu coração era algo morto em meu peito. Mas meu corpo permaneceu ali, obstinado, um monumento a um amor que já havia partido.

Então meu celular vibrou. Uma mensagem.

[Corbin: Liana entrou no cio de repente. A loba dela está fora de controle. Levando-a para minha casa para trancá-la antes que ela machuque alguém. Desculpe. Vou compensar você. Amanhã.]

Encarei o texto com os olhos vazios. Eu não tinha energia nem para rir.

O que eu ainda estava esperando? Por que eu não conseguia apenas admitir a derrota...

O vento do lago era frio, agitando meu vestido ao meu redor.

Fiquei ali sentada por uma hora e meia como uma boba.

Fechei a mensagem e, pela primeira vez em um mês, abri minhas redes sociais.

O primeiro post no meu feed era da Liana. Postado há três minutos.

Uma foto. Ela e Corbin, nos braços um do outro, em frente às janelas panorâmicas dele.

As luzes da cidade do Norte brilhavam atrás deles como um mar de estrelas.

A cabeça dela no ombro dele, o braço dele em volta da cintura dela.

Ambos olhavam pela janela, para as mesmas estrelas que eu podia ver do lago.

A legenda dizia: "Algumas vistas foram feitas para serem compartilhadas com a pessoa certa."

Postado: Há três minutos.

Então, enquanto eu estava sentada aqui como uma idiota, eles estavam na cobertura dele, olhando para as mesmas malditas estrelas.

Cio? Loba fora de controle? Precisando ser acalmada?

Olhei para o sorriso presunçoso de Liana na foto e, de repente, tudo ficou hilário.

A ironia era tão densa que eu poderia sufocar nela.

Não. Eu não choraria. Eu tinha terminado de chorar por esse homem.

Levantei-me, limpei a sujeira do vestido e arrastei minha mala até o carro.

Mas não voltei para casa. Dirigi direto para o aeroporto.

Passei a noite em um café 24 horas. Bebi sete xícaras de café. Assisti ao noticiário por três horas.

Às sete da manhã, fiz o check-in para o meu voo e deletei as informações de contato do Corbin.

Às oito da manhã, parada na fila de embarque, bloqueei o número dele.

Às nove da manhã, eu estava no avião. A comissária de bordo nos disse para desligar os celulares.

Nesse exato momento, Maya me ligou.

— Astrid! — ela gritou, com a voz frenética. — Onde você está? O Corbin está ficando louco procurando por você!

E, através dos gritos frenéticos de Maya, ouvi o rugido dele.

— Astrid, onde você está?!

Meu celular estava prestes a descarregar, mas pouco antes de apagar, ouvi o chamado desesperado de Maya e, ao fundo, o rugido possessivo e furioso de Corbin:

— ASTRID, ONDE VOCÊ ESTÁ?!
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