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Sete Vínculos, Sete Traições
Sete Vínculos, Sete Traições
Autor: Serein M

Capítulo 01

Autor: Serein M
— Assine.

Meu rosto era uma máscara. Empurrei os papéis de rompimento do vínculo sobre a mesa para o meu Alfa, Corbin. Eu já havia assinado a minha parte.

Ele olhou para cima, a confusão oscilando em seus olhos dourados.

— Liana voltou para o Norte ontem à noite — eu disse, com a voz monótona. — Está na hora. Precisamos romper o vínculo.

Corbin congelou por um segundo, então sua arrogância habitual voltou ao lugar. Ele assinou seu nome na linha do Alfa.

Exatamente como em todas as outras vezes, no momento em que assinou, ele adotou aquela voz enganosamente terna. Suas promessas sempre vinham com data de validade. Válidas por exatamente um mês.

— Um mês. Assim que ela terminar os assuntos da alcateia e partir, faremos a cerimônia novamente.

Eu assenti. Sem lágrimas. Sem perguntas. Nada do histerismo que ele esperava.

O sorriso nos lábios dele se contraiu.

— Você está... quieta hoje.

A testa de Corbin se franziu. Meu silêncio o irritava, e seu poder de Alfa começou a exercer pressão.

Eu apenas assenti de novo.

— Hm.

Mas minhas mãos não pararam. Com uma eficiência de partir o coração, dobrei minhas roupas, uma a uma, dentro da mala. Eu trazia menos comigo a cada vez. O que começou com dois baús grandes agora era apenas uma mala de mão.

Corbin sempre cumpria sua palavra sobre a cerimônia de marcação. Ele era famoso por isso. Mas não éramos companheiros.

Éramos parceiros de negócios. Nosso contrato era encerrado e renovado em um cronograma rigoroso, com a assinatura de papéis rotulados como "Aceitação" e "Rejeição". Dois por ano. Eu já havia assinado doze até agora.

Lembrei-me da promessa dele na primeira vez que nos vinculamos. Ele jurou que nunca me trairia enquanto estivéssemos vinculados. E não traiu. Tecnicamente. Afinal, uma vez que o vínculo fosse rompido, ele estava livre para estar com quem quisesse.

O preço foi a minha reputação. Tornei-me a Luna descartável. Uma piada recorrente em todas as alcateias do Norte.

Mas minha calma estranha hoje parecia deixá-lo desorientado. Ele estava acostumado com meus ataques, com a lembrança de mim gritando, quase perdendo o juízo pela dor do vínculo se rompendo, gravada em sua mente.

Ele me observou fazer as malas, mais rápida e prática do que da última vez. Sua voz estava carregada de irritação.

— Eu poderia simplesmente dormir no quarto de hóspedes desta vez...

Click.

Fechei a trava da minha mala, cortando a fala dele.

— Não importa — interrompi. — O resultado é sempre o mesmo. Além disso, já avisei à minha amiga que vou ficar com ela.

O rosto dele escureceu.

— O que isso quer dizer?

Parei e olhei para ele.

— Significa que não vou passar vergonha na sede da sua empresa novamente.

A expressão de Corbin tornou-se feia.

— Aquilo foi porque você...

— Porque eu o quê? — debochei. — Porque eu tive a audácia de flagrar você e a Liana?

A lembrança era afiada como uma lâmina.

Foi após a segunda rejeição. A dor do vínculo rompido me deixou meio louca. Eu tinha engolido meu orgulho como filha de um Alfa e conseguido um emprego como assistente de baixo nível na empresa dele. Apenas para sentir o cheiro dele.

E então eu os vi. Na sala de conferências. Ele tinha a Liana prensada contra a mesa, com as pernas dela envolvidas na cintura dele. A mão dele estava por baixo da saia dela. Ela gemia, satisfeita. Seus cheiros estavam emaranhados. Eles estavam a segundos de se despirem completamente.

— Corbin! — Escancarei a porta, minha loba rosnando de fúria.

Eles se separaram. Liana ajeitou o vestido timidamente. Mas meu Alfa, meu companheiro destinado, olhou para mim como se eu tivesse acabado de profanar um ritual sagrado.

— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou, com a voz de gelo.

— Eu trabalho aqui — consegui dizer, sufocada.

— Corbin, quem é ela? — Liana perguntou, com a voz trêmula. Como se não soubesse.

Eu avancei contra ela. Minha loba gritava, querendo despedaçar a mulher. Então, o comando de Alfa dele desabou sobre mim como uma montanha.

Caí no chão, com força. Ouvi meus ossos estalarem.

— Meu vínculo com Astrid está rompido — anunciou ele aos membros da alcateia que haviam corrido para lá. — Ninguém desrespeitará a Liana.

O Norte inteiro riu da criatura patética que se agarrava a um Alfa que a havia descartado.

— Aquilo foi um mal-entendido — Corbin disse agora, com a voz rala de culpa. — Eu estava apenas confortando ela...

— Confortando ela? — Fechei o zíper da minha bolsa. — Vocês estavam prestes a transar em uma mesa. Você chama isso de confortar?

O rosto dele ficou vermelho.

— Nós não estávamos...

— Não estavam o quê? Pelados ainda? — Arrastei minha mala até a porta. — Que pena.

Corbin me seguiu, interpretando o papel do Alfa zeloso.

— Onde você vai ficar? Precisa que eu organize...

— Não é necessário — eu disse sem olhar para trás. — Prometo que não vou interromper sua diversão novamente.

Ele parou na porta.

— Próxima lua cheia — ele me lembrou. — Não se esqueça. A cerimônia.

Minha mão estava na maçaneta. Uma risada curta e amarga escapou de mim. A próxima lua cheia.

— Que coincidência — sussurrei.

— O quê?

— Nada. — Abri a porta. — Adeus, meu Alfa. Divirta-se.

A porta bateu com força. Irônico. A próxima lua cheia era o dia em que eu planejava deixá-lo para sempre.
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