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Capítulo 03

Autor: Serein M
Achei que aquele encontro na gala seria a última vez que eu veria Corbin antes de partir.

Mas, naquela noite, ele me fez uma chamada de vídeo.

Sua primeira ligação desde que tirei meu nome do registro da alcateia. Dezoito dias de silêncio, e agora ele se lembra que eu existo?

Atendi, mas mantive minha câmera desligada.

— Astrid? — A voz dele soava alegre.

— Sim.

— Por que o vídeo está desligado? Quero ver você — ele ronronou.

Dei uma desculpa vaga.

— Acabei de sair do banho. Estou de toalha, não é conveniente.

Corbin soltou uma risada baixa, o som vibrando pelo telefone.

— Não seja tímida, Astrid. Eu conheço cada centímetro da sua pele, cada nota do seu cheiro, melhor do que você mesma.

A possessividade de Alfa em seu tom fez minha pele arrepiar. Eu o cortei friamente.

— O que você quer?

Ele instantaneamente percebeu minha mudança de tom. Quase pude ouvi-lo sentar-se mais ereto.

— Vi que você tirou seu nome do registro da alcateia — disse Corbin, com a voz carregada de irritação. — Não dê um ataque de pelanca. É um saco processar a papelada toda vez.

Quase ri alto.

— Um saco?

— Quero dizer... — Ele percebeu o erro. — Você sabe que eu não quis dizer desse jeito.

— Então o que você quis dizer?

— Quero dizer... olha, só pare de ficar brava comigo. — Ele limpou a garganta. — Onde você está ficando agora? Não é seguro para você ficar sozinha.

— O que te importa? — minha voz ficou mais fria. — Você não deveria estar com a sua amiga?

— Liana? — Corbin murmurou. — Ela e eu somos apenas amigos.

Ele se arrependeu das palavras assim que as disse.

Porque, agora, ele e eu nem éramos isso.

Éramos apenas "ex-companheiros cujo vínculo fora rompido".

— Astrid, eu... — Sua voz suavizou-se com um pedido de desculpas. — Eu tive que romper o vínculo para protegê-la. Você sabe como as pessoas falam.

Protegê-la.

Sempre, protegê-la.

— E quanto a mim? — perguntei com um sorriso amargo. — Quem me protege dos sussurros e das piadas?

— Eu vou compensar você — Corbin disse rapidamente. — Nosso aniversário é em uma semana. A primeira vez que nos vinculamos. Vamos ao Lago da Lua, exatamente como no nosso primeiro encontro. Podemos observar as estrelas, conversar...

Uma semana.

Olhei para o calendário.

Era, de fato, o aniversário da nossa primeira cerimônia de marcação, três anos atrás.

Naquela época, pensei ter encontrado o amor da minha vida.

Por um milésimo de segundo, quase lhe contei a verdade.

Mas, antes que eu pudesse falar, uma voz fraca e debilitada surgiu do outro lado da linha.

Minha mão apertou o telefone.

— Corbin, minha loba se sente... instável — a voz de Liana era frágil. — Você pode... me acalmar?

Ouvi o murmúrio baixo de conforto de Corbin.

— Tudo bem, apenas sente-se.

Então, baixando a voz, ele me disse:

— Astrid, espere um pouco.

Passos. Uma porta abrindo e fechando.

Esperei no silêncio.

Três segundos depois, ouvi o suspiro suave de Liana, um suspiro de prazer.

— Corbin... gentilmente...

— Relaxe. Deixe-me cuidar de você.

A voz profunda de Corbin era mais suave do que eu jamais o ouvira falar comigo.

Escutei, com o rosto inexpressivo, enquanto a intimidade deles preenchia o silêncio. Então, uma porta bateu, abafando os sons.

Hah.

Acalmar uma loba instável? Que desculpa clássica.

Desliguei.

Encarei o telefone mudo até a tela escurecer, refletindo meu próprio rosto exangue.

Naquele rosto, o último lampejo de esperança havia, finalmente, desaparecido por completo.

Nesse momento, Maya empurrou a porta.

— O que houve? Você parece que viu um fantasma — perguntou ela, preocupada. — Quem ligou?

— Alguém sem importância — eu disse, levantando-me. — Você disse algo sobre um bar de blues?

Maya piscou.

— Agora? São quase onze horas.

— Perfeito. — Peguei minha jaqueta de couro. — A noite está apenas começando.

— Espera, era o Corbin? — Maya me seguiu para fora. — O que ele disse?

Pensei nos sons vindos do telefone.

Os suspiros de Liana, a voz gentil de Corbin e aquela porta pesada se fechando.

— Nada de importante — eu disse, pegando as chaves do carro. — Ele apenas confirmou algo para mim.

— O quê?

— Que ele nunca vai mudar.

Eu costumava ser cega. Por que desperdiçar mais um segundo sofrendo por um Alfa que já estava no meu passado?
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