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Capítulo 4

Penulis: Madalena
O som seco de um tapa ecoou dentro do carro.

Helena realmente não tinha pretendido bater nele. Foi puro reflexo.

Ao ver a marca dos dedos surgir rapidamente no rosto de Caio, engoliu em seco, soltou o cinto às pressas e tentou fugir.

Mas Caio bloqueou a porta como uma parede.

— Já descontou sua raiva?

Helena estava pálida.

Não sabia se tinha descontado ou não. Só sentia que Caio estava prestes a explodir.

Ela parou de resistir.

Caio colocou o cinto nela outra vez e foi para o banco do motorista.

O carro entrou no fluxo do trânsito, e o silêncio tomou conta do interior.

Meia hora depois, chegaram a um condomínio de alto padrão.

Caio segurou Helena pelo pulso e levou ela até o elevador.

Já resignada, ela perguntou:

— Pode fazer o que quiser. Depois você devolve minha pulseira?

Caio ignorou a pergunta.

O elevador parou no último andar.

Dessa vez, Helena não precisou ser arrastada. Apenas seguiu Caio para fora.

"Já tinha dormido com ele uma vez. Uma segunda não faria tanta diferença."

Depois de se convencer disso, assim que entrou no apartamento, começou a tirar a roupa.

Nem percebeu que havia outra pessoa na sala.

Gabriel era médico havia muitos anos e já tinha visto todo tipo de paciente.

Mesmo assim, ver uma mulher tão bonita entrar e começar a tirar a roupa sem dizer uma palavra deixou ele completamente atônito.

Por um instante, chegou a desconfiar que Caio estivesse tentando armar alguma coisa contra ele.

Se não interferisse logo, Helena já estaria tirando o sutiã.

Gabriel cobriu os olhos depressa e gritou:

— Para! Caio, manda ela parar de tirar a roupa!

Caio já estava cheio de raiva, mas a obediência inesperada de Helena tinha amenizado um pouco sua irritação.

Até ouvir Gabriel berrando daquele jeito.

Quando se virou, Helena já tinha soltado o fecho do sutiã.

Ela também não fazia ideia de que havia outra pessoa ali e ficou imóvel.

O rosto de Caio escureceu na mesma hora.

Ele pegou as roupas espalhadas pelo chão e cobriu Helena com elas, com uma veia pulsando na testa.

Depois se virou para Gabriel e rosnou, irritado:

— Sai daqui agora!

Gabriel abaixou a cabeça, cobriu os olhos e correu para fora.

Logo depois, ouviu Caio falar entre os dentes:

— Volta daqui a meia hora.

Gabriel começou a suspeitar seriamente que Caio só tinha chamado ele naquele dia para descontar sua raiva.

Mesmo assim, saiu sem discutir e ainda fechou a porta.

Dentro do apartamento, Helena, completamente coberta pelas roupas que Caio tinha jogado sobre ela, finalmente caiu em si.

Quando percebeu o que tinha acabado de fazer, ficou vermelha até as orelhas.

De cabeça baixa, reclamou:

— Por que você não disse que tinha alguém aqui?

Caio ficou tão irritado com o absurdo daquilo que acabou rindo.

Sem conseguir evitar, segurou a bochecha de Helena entre os dedos e apertou de leve.

— Primeiro tenta entender uma coisa: que pessoa normal entra na casa dos outros e começa a tirar toda a roupa sem dizer nada?

Helena sabia que não tinha razão, então simplesmente ficou em silêncio.

A expressão dela fez Caio lembrar da gata que sua família tinha criado anos atrás.

Arrogante e distante, mostrava as garras para qualquer um que chegasse perto.

Mas, quando fazia alguma coisa errada, se encolhia quietinha num canto, com a culpa estampada na cara.

Sem motivo aparente, a irritação de Caio diminuiu um pouco.

Ele deu dois tapinhas na cintura dela.

— Vai tomar banho. Depois, Gabriel vai examinar sua garganta.

Helena abriu a boca, mas no fim não disse nada e entrou no banheiro.

Ela não era ingrata.

Só não esperava que, justamente quando estivesse machucada, quem demonstraria preocupação não seria sua família, mas Caio, alguém que ela detestava.

Estava agradecida? Nem um pouco.

Afinal, de certa forma, aquela lesão também era culpa dele.

Se Caio não tivesse deixado tantas marcas em seu corpo, André não teria apertado seu pescoço daquele jeito.

Então era obrigação de Caio chamar um médico para ela.

A repulsa que Helena sentia por ele continuava exatamente a mesma.

Ou melhor, ela detestava qualquer pessoa próxima de André.

André não era boa pessoa.

Caio muito menos.

Ao ver Helena entrar no banheiro, o canto da boca de Caio se curvou discretamente.

Ele ergueu a mão com que tinha apertado a bochecha dela, como se ainda sentisse nos dedos a maciez daquela pele.

Por instinto, roçou as pontas dos dedos umas nas outras, e sua garganta ficou um pouco seca.

......

Quando Helena terminou o banho, Caio esperou até ter certeza de que ela estava completamente vestida antes de chamar Gabriel, que continuava do lado de fora.

Gabriel examinou os ferimentos com atenção.

Mesmo usando luvas, evitou tocar na pele dela mais do que o necessário.

Helena também estava constrangida demais para olhar para ele.

Gabriel ajeitou os óculos.

— Contusão nos tecidos moles do pescoço, com congestão na laringe e lesão nas cordas vocais. Nos próximos dias, ela também vai sentir dor ao mexer o pescoço. Felizmente, não é nada muito grave.

Então se virou para Caio.

— Para os hematomas no corpo, basta passar uma pomada. Como as cordas vocais foram lesionadas, ela pode tomar um anti-inflamatório. Nos próximos dias, tente fazer ela falar o mínimo possível e mantenha uma alimentação mais leve.

Caio assentiu, pegou a receita que Gabriel tinha escrito e falou friamente:

— Já pode ir.

Gabriel soltou uma risada de deboche.

— Quando precisa de mim, lembra que eu existo. Quando termina, já manda embora. Você é bem interesseiro mesmo.

Falou aquilo, mas saiu dali o mais rápido que pôde.

Assim que Gabriel foi embora, o andar inteiro ficou em silêncio.

Helena perguntou:

— Vai querer transar? Se não quiser, devolve minha pulseira. Aquilo não vale dinheiro nenhum, não serve para você.

Lara tinha comprado aquela pulseira para ela quando ainda era bem pequena, usando o próprio dinheiro que recebia para gastar, numa barraquinha de rua.

Para Helena, usar aquela pulseira era uma forma de manter uma lembrança da filha sempre por perto.

Caio sorriu de um jeito difícil de interpretar.

— Você é teimosa mesmo.

— Muita gente já me disse isso.

Helena continuou encarando ele com insistência.

Dessa vez, não estendeu a mão.

Tinha medo de Caio resolver colocar a boca nela de novo.

— Tá bom. Você venceu.

Caio tirou a pulseira do bolso e devolveu para Helena.

Depois saiu pela porta.

— Fica aqui quietinha.

Helena pretendia ir embora.

Mas, se voltasse para a Mansão dos Sampaio naquele horário, teria que bater na porta e acordar Vanessa outra vez.

E, mesmo chegando lá, só teria o sofá para dormir.

Já estava azarada demais.

Não queria continuar se fazendo sofrer sem necessidade.

Então foi até o quarto de hóspedes.

A roupa de cama estava limpa, e Helena se deitou.

Pouco mais de dez minutos depois, Caio voltou carregando uma sacola de remédios.

Assim que entrou e viu a sala vazia, seu rosto escureceu na mesma hora.

Logo depois, percebeu que os sapatos de Helena ainda estavam ali.

Encontrou ela no quarto de hóspedes.

Tentou acordar Helena algumas vezes, mas ela não reagiu.

Caio puxou Helena para fora do cobertor em que estava toda enrolada, afastou a gola da roupa e espremeu um pouco de pomada sobre os hematomas.

O medicamento estava frio.

Por instinto, Helena encolheu o pescoço e abriu os olhos.

Ao perceber que era Caio, virou o rosto para o lado e voltou a dormir.

Caio não sabia se devia ficar satisfeito porque ela confiava nele ou irritado com aquela completa falta de cautela.

Mesmo sabendo que Helena tinha se aproximado por interesse, ele simplesmente não conseguia resistir.

Como se quisesse descontar a frustração, passou os dedos algumas vezes pelos lábios pálidos dela.

Só parou quando a boca ganhou um pouco de cor.

Ainda relutante, finalmente afastou a mão.

......

Na manhã seguinte, quando Helena acordou, o céu ainda estava escuro.

Calçou os sapatos e foi embora.

Quando chegou à Mansão dos Sampaio, o sol acabava de nascer.

Helena bateu à porta, mas, para sua surpresa, ela não estava trancada.

Bastou empurrar de leve para abrir, e a sala estava toda iluminada.

Vanessa e Fernando conversavam com André.

Os dois mantinham uma postura extremamente humilde, quase bajuladora.

Assim que viu André, Helena se virou sem hesitar para ir embora.

Mal tinha passado pela porta quando dois seguranças corpulentos bloquearam seu caminho.

A voz de André soou atrás dela:

— Onde você estava? Fiquei aqui esperando por você a noite inteira.

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