LOGINLorena quase se engasgou. Ela olhou para Leandro bem séria, tentando ver no rosto dele algum sinal de que era brincadeira, mas não tinha, ele estava mesmo convidando ela pra casar.Lorena já tinha visto de tudo, e ainda assim ficou sem reação.— Você ainda não acordou, Sr. Leandro? Tá falando o que tá sonhando?— Eu tô falando sério. Lá em casa tão me enchendo tanto o saco que eu quero resolver logo. Só que eu sou meio exigente. Quem eu não curto, eu não consigo formar uma família. Então eu quis te pedir ajuda. — Leandro continuou, todo certinho, falando como se fosse a coisa mais normal do mundo.Lorena riu. Ele falava de casamento como quem chama pra tomar um café. Ele já tinha 31 anos, e ainda era desse jeito.A situação era absurda, mas Lorena não ficou nem um pouco irritada. Depois que entendeu o que ele tinha dito, também não ficou surpresa. Era muito a cara de Leandro .Só que Lorena não tinha a menor vontade de entrar na onda dele. Ela nunca tinha pensado em deixar ele partic
Leandro caiu na risada, se divertiu pra caramba, os ombros até tremiam.Embora ele só tivesse passado a se interessar por Lorena depois de dormir com ela, depois de conhecer melhor, ele percebeu que ela era ainda mais interessante.Lorena, tão jovem, tinha muita vivência, e escondia muito bem o que pensava. Ela sorria com simpatia pra todo mundo, mas ninguém sabia se ela falava com o coração. E ele também não entendia por que ela ficava presa a um noivo cafajeste e não largava.Lorena era o tipo de pessoa direta e cheia de ideias. No assunto da Luana com o Henrique, ela mostrava bem aquele ar de não aguentar ver alguém fazendo besteira. Mas, quando era o noivo dela, ela fazia uma coisa totalmente contra o senso comum.Leandro não entendia nada, e não conseguia sacar o que ela estava fazendo.Claro, uma coisa Leandro tinha certeza. Lorena não sentia nada por ele. Depois que ele deixou claro que queria ficar com ela, ela ficou ainda mais resistente.Era ele mesmo o coitado da história. Q
— Sr. Leandro, você não queria me contar as suas dificuldades recentes? Ficar falando esse monte de coisa nada a ver está até engraçado. — Lorena falou.— Eu só entrei na cabeça de um homem e falei o que veio. Se você quiser aceitar, aceita. Se não quiser, finge que eu não falei.Aquilo era sem vergonha num nível absurdo.Ele falava coisa que deixava a pessoa desconfortável, estragava o clima, e depois virava e dizia pra não levar a sério. Lorena teve vontade de dar um tapa nele.— Você está educado demais. Eu entendi o que você quis dizer. Homem tem ciúme, tem posse. Eu também tenho, como pessoa. Eu entendo que você falou no impulso. Só que você não conhece o meu noivo e não sabe como é a nossa relação.Ela continuou:— Ele fica tranquilo de eu te ver porque a gente fica tranquilo um com o outro. A gente sabe que, não importa o que aconteça, a gente volta um pro outro. Isso vem de confiança. Não é qualquer casal que tem isso.Lorena olhou pra estrada.— Então, Sr. Leandro, não precisa
— Pode. Mas eu preciso avisar o meu noivo. Dá pra esperar uns minutinhos? — Lorena sorriu, sem deixar falha nenhuma.O olhar do Leandro escureceu um pouco, mas o sorriso dele continuou.— Claro. Pra não dar mal-entendido.Lorena não respondeu. Só ficou olhando pra ele.Ela queria que ele se afastasse. Ali não dava pra ligar com ele tão perto.Leandro riu e deu alguns passos pra trás. Cruzou os braços no peito e ficou com aqueles olhos bonitos, olhando pra Lorena de vez em quando.Fazia tempo que eles não se viam, mas ela ainda era a mesma mulher fria da memória dele.O que ele tinha dito agora era meio verdade, meio mentira. A educação era mentira. Era só pra não assustar ela e fazer ela fugir. O que era verdade era que ele queria encontrar ela, jantar, conversar. Ele já tinha sido cuidadoso, tinha só puxado assunto, e mesmo assim ela já tinha que jogar o noivo na mesa?Não. Pera aí. Quase um ano. O noivo dela ainda não tinha morrido?Ele tinha ouvido que a filha já tinha dois anos. E
Lorena sabia o que o Leandro queria. Depois de uma vez em que eles acabaram indo pra cama, aquele playboy tinha decidido que queria ficar com ela, só pra se divertir.Ali não tinha verdade. Eles mal se cruzavam.Leandro não largava do pé dela, provavelmente, por puro ego. Aquela vontade de conquistar.Ele tinha interesse nela e queria ganhar.Lorena só gostava de um tipo, o irmão mais novo obediente. Leandro era bonito, tinha família, e agora eles já se conheciam um pouco. Mas ela não conseguia se interessar por alguém que não fazia o tipo dela. Não fazia. E pronto.Lorena não se forçava a fazer o que não queria, nem a aceitar gente que ela não queria por perto.Ela não era impulsiva como a Júlia, mas, dentro do que ela conseguia bancar e segurar sozinha, ela fazia as coisas do jeito dela.Por isso, ela quase nunca errava. E ainda vivia do jeito que queria, numa boa.O Leandro era um problema. Ele não devia nem ter aparecido na vida dela.Lorena segurou o volante e deu batidinhas leves
Leandro era primo de sangue do Lucas, as mães deles eram irmãs. Leandro tinha crescido na Cidade J. Ele era bem expansivo. Tinha uma cara e um jeito bem de boy, e não ficava pagando de fodão.Não era como o Arthur, aquele loiro oxigenado que não era muito simpático e vivia se exibindo. Leandro tinha um charme de homem mais maduro. O jeito dele combinava muito com aquele mundo de status e dinheiro. Ele parecia um playboy nascido pra esse tipo de ambiente.Não tinha nada a ver com ser delicado. Era só impacto, um rosto marcante. Leandro não tinha aquela frieza elegante do Dante que deixava impossível chegar perto. Ele era mais acessível. Mas, como ele tinha presença, também não era alguém que dava pra tratar de qualquer jeito. No geral, qualquer gesto dele virava foto. Ele carregava um clima de ostentação no corpo. Era o tipo que atraía todo mundo, homem, mulher, velho, novo. Ele tinha muito charme.Júlia sabia que o Leandro gostava de lugar cheio. Não era questão de idade nem de hiera
Luana realmente lembrava muito Janaina.Cíntia não respondeu ao comentário e seguiu com outra fala:— Vi que você anunciou o divórcio nos stories... Fiquei preocupada, queria saber como você está agora.Já que a tia cedeu um passo, Luana também resolveu responder com tranquilidade:— Eu tô muito bem
Miguel realmente queria dar uma surra em David, mas sabia que não tinha chance, só iria se humilhar ainda mais.Exausto, ele se jogou no sofá, pegou o celular e ficou rolando a tela de um lado para o outro. No fim, não resistiu e ligou para a tia Cíntia.Cíntia atendeu rápido:— O que foi, Miguel?S
Igor olhou para Joana sem entender, e perguntou com seriedade:— Eu precisava te contar o quê?Joana era irmã caçula de Igor, apenas dois anos mais nova. Para ela, o irmão sempre foi calmo, gentil. Mas aquela gentileza dele mais parecia um tipo de apatia, nada o afetava, nada o tocava, era como se e
Luana aprendia tudo muito rápido, e com pintura não foi diferente.Como tinha uma boa noção espacial, ela gostava de pinturas com profundidade ou simetria, principalmente as de arte geométrica minimalista, que a faziam lembrar das fórmulas matemáticas.Seu tema preferido era a natureza.Quando era p







