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Sim! Me Casei Com Irmão Do Ex
Sim! Me Casei Com Irmão Do Ex
Author: Ribeiro Peixoto

CAPÍTULO 1

Author: Ribeiro Peixoto
Desde que se casou com Henrique Ribeiro, Luana Tavares nunca pensou em divórcio.

Ela era completamente apaixonada por ele, ao ponto de dar a própria vida se fosse preciso.

Mas então, a mulher que ele sempre amou voltou.

...

Naquele momento, Luana estava no hospital.

A voz do médico era fria, indiferente:

— Senhora Tavares, esse aborto comprometeu bastante seu corpo. As chances de engravidar novamente são mínimas. Prepare-se.

Um zumbido ecoou na cabeça dela.

Ela tinha passado três anos tentando engravidar, fez de tudo. Só conseguiu dois meses atrás.

E hoje, ao sair de casa, um carro surgiu do nada, quase a atropelou, e ela acabou caindo...

O médico franziu a testa:

— Senhora Tavares?

— ...Está bem, doutor. Eu entendi, obrigada.

Luana não gostava de demonstrar fraqueza na frente dos outros. Piscou várias vezes, segurou as lágrimas à força e levantou para sair.

Enquanto caminhava pelo corredor, ouviu as enfermeiras cochichando:

— Um negócio desses... E o marido dela? Nem apareceu!

— Pois é. Ela acabou de fazer uma curetagem, quase desmaiou de tanto chorar. Ligou pro marido, implorou pra ele vir, mas nada.

— Misericórdia. É muito óbvio que o marido dela não a ama. Vai esperar o quê pra se separar?

Luana já estava longe e não ouviu o resto.

Na verdade, Henrique não só recusou ir ao hospital, como ainda disse pelo telefone:

— O bebê se foi, paciência. Vai chorar por quê?

— Tô ocupado agora, não me perturbe!

Depois disso, Luana ligou várias outras vezes. Ele ignorou todas.

Durante esses três anos, Henrique sempre foi assim: frio, distante.

Pra falar a verdade, ela já tinha se acostumado.

Três anos atrás, Luana salvou a vida do Velho Sr. Ribeiro sem querer. Ele gostou dela, quis juntar os dois e o casamento só saiu por causa disso. Caso contrário, com o status dela, nunca teria virado “senhora Ribeiro”.

Desde o início, Henrique não queria esse casamento.

Mesmo assim, hoje, ela ainda tentou insistir. No fundo, pensou que ele fosse ao menos se importar por causa do filho...

Pelo visto, ela quebrou a cara.

Engolindo o resto dos pensamentos, Luana se preparou pra chamar um táxi pra casa. Tinha acabado de pegar o celular quando uma mensagem chegou.

Era do melhor amigo de Henrique, Lucas Brito. Ele enviou um vídeo.

Ela abriu.

Logo de cara, uma chuva de rosas. Pelo menos 999, tanta flor que nem cabia na tela.

A câmera deslizou pro lado e mostrou Henrique. E, junto dele, uma mulher.

Bianca Monteiro.

As pupilas de Luana se contraíram, os dedos apertaram o celular com força.

No vídeo, alguém gritou:

— Bianca, Henrique sabia que você voltava hoje e preparou essa festa pra você! Foi tudo feito com o maior carinho!

— Ué, não vai abraçar ele? Agradece logo!

— Abraçar nada! Dá logo um beijo! Eles já se beijaram antes mesmo! Aquela vez do beijo de três minutos, tenho o vídeo até hoje.

Bianca apenas sorriu, balançando a cabeça:

— Agora não dá, a situação é diferente...

Ela mal terminou de falar, Henrique já puxou Bianca pra um abraço:

— Bianca, que bom que você voltou.

A voz e o gesto dele, tão suaves, tão naturais.

A galera em volta não aguentou e começou a gritar:

— Olha aí, Henrique nem liga! Beija logo!

— Beija, beija!

Nesse ponto, o vídeo parou.

A mensagem tinha sido apagada.

“Desculpa, mandei errado.”

Lucas apagou tão rápido que, provavelmente, achou que ela nem viu. Não explicou mais nada.

Luana ficou um bom tempo olhando pra tela.

Depois de um tempo, só sorriu, de canto de boca.

Então era isso que Henrique achava tão importante...

Três anos tentando aquecer o coração dele, só conseguiu vê-lo, no final, entregando tudo de si pra outra pessoa.

Henrique nunca amou Luana. E agora, nem esperança restava.

Essa ilusão tinha que acabar.

Quando chegou em casa, Luana começou a arrumar as malas.

Nesses anos todos, vivendo uma vida simples, quase não comprou nada pra si mesma. Fora as roupas básicas e documentos, não tinha muito o que levar. Um único mala de 26 polegadas deu conta de tudo.

Em menos de meia hora, estava pronta.

Depois, só restou esperar Henrique voltar.

Foi quase duas da manhã quando a porta da frente se abriu.

Henrique atravessou a sala, cruzou o olhar com Luana.

Nenhuma surpresa.

Em tantas noites cheias de compromissos, era assim mesmo, ela sempre esperava que ele voltasse.

— Fez cirurgia hoje e não vai descansar cedo? — O tom dele era frio, sem nenhum traço de preocupação.

— Estava te esperando.

Assim que ele entrou, Luana só conseguia olhar pros lábios dele.

Henrique tinha um formato de boca bonito, mas o canto estava machucado, bem visível.

No colarinho branco, manchas de batom, até no pescoço dava pra ver.

Ele tinha mesmo beijado alguém. Talvez tivesse feito ainda mais.

Um aperto atravessou o peito de Luana.

Em três anos de casamento, Henrique mal tinha encostado nela, e quando fazia, era só porque a família cobrava netos. Nunca foi de abraçar, nunca beijava. Tudo sempre rápido, frio, sem carinho. No fim, ela queria um abraço, ele já ia direto pro banho.

Sempre sobrava pra ela o mesmo silêncio gelado.

Henrique reparou na mala ao lado dela, entendeu tudo na hora:

— Você viu o vídeo do Lucas, né?

— Vi, sim. — De perto, o cheiro de álcool misturado com um perfume enjoativo ficou ainda mais forte.

— Vamos nos...

Ela não terminou, Henrique foi direto:

— Agora que sabe de tudo, é melhor a gente se separar. Desde o começo, você sabia. Se Bianca não tivesse ido embora, eu nunca teria casado com você.

Dito isso, não restava nada pra discordar.

— Tá bom.

— Já está tarde, dorme aqui hoje. Amanhã você vai embora...

— Não precisa. O acordo de divórcio já está assinado.

Ela apontou pra mesa de centro.

Na noite de núpcias, Henrique tinha dado esse papel pra ela. Só hoje Luana criou coragem de assinar.

Dessa vez, Henrique se surpreendeu.

Franziu a testa, tentando adivinhar se era sério.

— Sabia que você ia beber hoje, então fiz uma sopa pra curar ressaca. Está na cozinha.

Luana hesitou antes de avisar. Velho costume, sempre cuidou das pequenas coisas dele, queria que ele se apaixonasse, fez de tudo.

De quem não sabia cozinhar, virou mestre de fogão. Passou por poucas e boas pra aprender.

Cada refeição que fazia pra Henrique, da compra ao prato na mesa, levava horas. Nos dedos, várias cicatrizes de cortes e queimaduras.

Só que ele sempre foi exigente. Nunca elogiava, mesmo quando estava na cara que tinha gostado.

Ela sabia que uma palavra dele já seria felicidade pro resto da semana. Mas ele nunca quis dar isso pra ela.

— Estou indo. — Três anos de casamento, na despedida, não sobrou mais nada pra dizer.

Henrique insistiu, a testa franzida:

— Fica hoje.

— Não. — Luana puxou a mala e saiu.

Henrique não gostava quando ela não obedecia, fechou a cara.

A porta bateu.

Na mesma hora, Lucas ligou:

— Já chegou em casa, né, Henrique? Perguntou pra Luana se ela viu o vídeo?

— Foi mal, cara. Juro que mandei sem querer. Mas mesmo que tenha visto, tudo bem, vocês vivem brigando...

— Ela se divorciou de mim.

— O quê? Vocês se separaram?

Lucas ficou chocado:

— Só por causa do vídeo? Não faz sentido. Se Luana se divorciar de você, eu faço live comendo merda!

— Fui eu que pedi.

Lucas ficou um tempo sem saber o que responder.

Henrique pedindo divórcio? Pra ele, era como se nada tivesse mudado. Luana era conhecida por ser grudenta, nunca largava do pé.

— Nem faz um mês desde a última vez que você ameaçou divórcio.

Lucas fez piada:

— Apostamos que ela voltaria em meio dia antes, e ganhamos... Desta vez estou apostando por um dia, e se eu ganhar de novo, você tem que me pagar para jantar de novo, hein!

Henrique olhou pra porta fechada. O barulho do motor de um carro chegou lá de fora.

Dessa vez, Luana parecia decidida.

Mas o olhar frio dele não mudou:

— Nem precisa esperar até amanhã à noite. De manhã, ela já vai estar de volta.
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