Se connecterLorena não estava tão atolada de trabalho nos últimos dias. Um encontro de colegas dava para ir.— Tá bom, eu consigo.Eliezer, por algum motivo, não aguentava mais nada nela. Qualquer palavra que Lorena dissesse já irritava.O que era esse "consigo"? Mesmo que não conseguisse, ela tinha que dar um jeito e ir com ele.De mau humor, ele fechou a cara e saiu.Lorena ergueu a sobrancelha.Por que ele vivia fechando a cara para ela? O que passava pela cabeça dele?Sílvia viu Eliezer acompanhando Lorena até o carro e puxou o braço do marido.— Você acha que o seu filho consegue acalmar a Lorena?Mauro não demonstrou interesse e não respondeu.— Fala alguma coisa.Mauro estava decepcionado com Eliezer, mas não jogava isso em cima da esposa.— A gente não tinha combinado de não se meter? Se eles vão dar conta ou não, é com os dois.— Nem curiosidade pode? — Sílvia reclamou.Mauro só ficou sem jeito.Eles tinham acabado de falar disso quando Eliezer voltou. A cara dele ainda estava do mesmo je
Lorena sorriu para a câmera....No dia seguinte, Lorena desceu para comer. Mauro e Sílvia não tocaram no assunto da noite anterior. A expressão e a reação dos dois estavam normais, não dava para perceber nada de diferente.Lorena fingiu que não sabia de nada e continuou aproveitando aquele dia a dia acolhedor com eles.Na mesa, só os três, como se fossem uma família de três.Só que, naquele dia, Lorena sentiu um aperto.Talvez por ter conversado com Leandro na noite anterior, a cabeça dela estivesse mais clara. Ela sabia que aquilo não ia durar. Em algum momento, sempre vinha a perda.Lorena comeu em silêncio.Sílvia olhou para ela, achou que ela estava magoada, mas não teve coragem de perguntar diretamente. Então falou por outro caminho.— Ontem você não dormiu bem? Você está meio sem energia. Daqui a pouco eu faço um caldo para repor as forças e mando para a sua empresa.— Talvez seja porque eu acabei de acordar, a cabeça ainda está meio pesada. — Lorena não recusou o carinho. — Faz
Lorena também não sabia por que estava contando aquilo para ele. Do jeito que Leandro reagiu, ela ficou sem saída. Agora, se não falasse, parecia que não dava.Só que, de repente, ela achou que não tinha nada para esconder. Voltar para a casa da família Reis era encarar a si mesma.Lorena só precisava estar em paz com ela mesma, então falou.— Eu conheço o Eliezer há tempo demais. O sentimento foi profundo. Eu também não odeio ele. Não é vingança.Leandro chegou perto do microfone e falou baixinho:— Sentimento profundo... Isso me dá um aperto. Eu estou com ciúme.Ciúme, e sem vergonha nenhuma.Ele falou e depois encostou o celular na orelha. Na tela não dava para ver o rosto dele, e Lorena nem tinha como bater de frente com ele.— Continua. — Leandro disse.— Quem liga se você está com ciúme ou não.— Isso, não precisa ligar para mim. — A voz dele veio azeda.Lorena continuou.— Eu também me dou muito bem com os pais dele. Eles sempre me trataram como filha. Eu vim morar aqui e, para
— Esperta. — Leandro disse. — E não está sozinho.Lorena ficou em silêncio por dois segundos.— Me mostra.Leandro olhou para ela pelo visor. Ele era atento e percebeu que ela estava um pouco estranha, mas não parecia nada grave. Então ele virou a câmera.Leandro estava no segundo andar. Dali, através do vidro, dava para ver as mesas no piso de baixo. Eliezer estava bebendo, um gole atrás do outro. Uma mulher bem pequena estava ali, tentando fazer ele beber mais.Era Inês.Inês chamou um segurança para ajudar a levar Eliezer até o carro.Quando alguém fica bêbado, fica patético. O rosto inchado, o jeito mole, aquela postura de quem deixa qualquer um conduzir. Era constrangedor.Lorena travou. Era aquela vergonha que dá raiva, como se ter gostado do Eliezer um dia fosse um mico que ela carregava junto.E aquilo quebrava mais um pedaço da imagem que ela ainda tinha dele.Lorena também percebeu, com uma clareza incômoda, que ela já não gostava de Eliezer. E que até o que ela tinha sentido
Eliezer tinha uma coisa que ainda o consolava. Ele sabia o que sentia por Lorena. E também sabia que, mesmo depois de descobrir a traição, Lorena ainda não tinha abandonado o que os dois tinham vivido. Era por isso que eles ainda estavam ali.Só que Eliezer não queria sofrer sozinho. Ele queria que Lorena entendesse o quanto ele estava mal. E queria forçar Lorena a sentir pena dele, a mudar o jeito e a atitude.Só assim eles iam conseguir conviver. Porque, se os próximos anos fossem essa tortura diária, ele não ia aguentar para sempre.Depois de beber demais, Eliezer ligou para Inês.Ainda bem que existia um lugar macio onde ele podia despejar um pouco do que estava entalado....Depois que Eliezer chegou em casa, fez um escândalo e saiu, Lorena ficou sozinha, cantarolando e lendo e-mails no computador.Sílvia não subiu para procurar ela. Isso queria dizer que ela não ia se meter entre ela e Eliezer.Lorena até começou a suspeitar que Mauro e Sílvia tinham mudado de ideia sobre esse ca
Sílvia soltou um suspiro.Mauro logo apressou ela para dormir.Sílvia viu aquele jeito dele, como se não estivesse tão preocupado, e deu um tapa no ombro dele para descarregar. Só depois disso ela se deitou, ainda contrariada, e tentou dormir....Eliezer estava mal de verdade. Ele não foi direto procurar Inês. Foi sozinho para um bar, beber calado.Enquanto bebia, ele ficou lembrando daquela Lorena macia, frágil, carente de afeto. Se Lorena não tivesse virado a mulher que era hoje, ele ainda ia cuidar dela, proteger ela, tratar ela bem.Lorena tinha sido o primeiro amor de Eliezer. Os dois tinham vivido coisa demais juntos. Ele ainda conseguia achar fotos antigas dos dois, da época de escola, com aquela cara de adolescente.Naquela época, era tudo leve. A cabeça não tinha preocupação nenhuma. Era só aquela felicidade simples.Só que, assim que terminou o ensino médio, Lorena mudou.Naquele tempo, Eliezer tinha planejado uma viagem de formatura tranquila e romântica. Dois meses viajand
Júlia também deu um gole, mantendo a mão apoiada na xícara:— Se eu fingisse ser toda simpática, provavelmente te assustaria. Você não acreditaria em mim. E, claro, eu não sei fazer esse teatro. O motivo de eu querer aliviar a relação entre a gente é a Luana. Você sabe que a Luana é minha ídola. Qua
Como celebridade, Augusto estava acostumado a receber todo tipo de admiração.Ele ainda lembrava da primeira vez que Júlia o chamou para sair. O olhar dela sobre ele tinha sido como se estivesse observando um objeto.Augusto era sensível a esse tipo de coisa. Na hora, aquele olhar o incomodou de ver
Júlia sorriu e disse:— Meus pais só pedem que eu não arrume confusão. Namorar ou não, eles respeitam totalmente a minha vontade. Eles não me pressionam e, por isso mesmo, eu fico ainda mais próxima deles. Eu gosto assim. Caso contrário, a pressão seria enorme. Dona Cíntia, não fica cobrando o David
David segurava o paletó com a mão. No corpo, só restavam a calça social preta e a camisa branca. Com os olhos escondidos nas sombras, ele parecia extremamente sombrio.Do jeito que apareceu na porta, dava para saber que não tinha vindo se divertir, mas arrumar confusão. O cheiro forte de remédio em







