LOGINPOV: Lysandra Valen“Passei a vida inteira acreditando que não pertencia a lugar nenhum. Descobrir que talvez exista um lugar esperando por mim é muito mais assustador do que continuar sozinha.”Eu não conseguia dormir. Artemísia brilhava do outro lado da janela como uma cidade saída de algum livro que eu teria considerado fantasia poucos dias antes. Talvez ainda considerasse. Lobos. Lycans. Vampiros. Deuses. Fortalezas escondidas. Selos capazes de libertar alguma coisa que ninguém parecia disposto a explicar completamente.E eu, a humana que talvez não fosse humana.Segurei o pingente entre os dedos. Lysandra Valen. Meu nome. Pelo menos eu esperava que fosse. Ouvi duas batidas na porta.— Quem é?— Luke.Respirei fundo.— Entre.Ele abriu a porta, mas permaneceu na entrada.— Posso?— Você já abriu.— Posso entrar?— Pode.Luke entrou. Trazia uma bandeja.— Minha mãe mandou comida.— Não estou com fome.— Ela disse que você diria isso. — Colocou a bandeja sobre a mesa. — E disse que
POV: Ethan Vance“Quando alguém fala sobre o seu futuro como se você não estivesse presente, geralmente já decidiu qual papel pretende obrigá-lo a cumprir.”Eu preferia enfrentar Nox novamente. A conclusão surgiu enquanto observava três Lycans discutirem minha vida diante de uma mesa coberta por comida que ninguém parecia interessado em comer. O jantar oferecido pela Coroa após a primeira sessão do Grande Conselho deveria aliviar as tensões. Não funcionou. Representantes das Alcateias estavam espalhados pelo salão, formando pequenos grupos. Conselheiros conversavam em voz baixa, Lunas trocavam informações e Alfas discutiam segurança como se ainda estivessem dentro da reunião.Clara conversava com Aurora perto de uma das janelas. Eu tentava não olhar. Tentava. Kaos não ajudava."Ela está bonita.""Eu sei.""Então vá até ela.""Estou ocupado.""Você está ouvindo homens velhos falarem.""Exatamente.""Isso não é estar ocupado."Ignorei.— A sucessão precisa ser considerada dentro do cená
POV: Aurora Blackthorn“Às vezes, basta alguém pronunciar um nome esquecido para que todos percebam que o passado nunca esteve realmente morto.”Meu avô nunca defendia alguém em público sem estar disposto a sustentar cada palavra depois. Por isso, quando Magnus Blackthorn saiu do Salão do Grande Conselho e me encontrou esperando no corredor, eu já sabia que alguma coisa tinha acontecido.— O que você fez? — perguntei.Ele arqueou uma sobrancelha.— Por que presume que fiz alguma coisa?— Porque está com essa expressão.— Que expressão?— A que você faz quando irrita pessoas importantes e considera isso produtivo.Cedric riu ao meu lado. Meu irmão estava encostado em uma das colunas, com os braços cruzados.— Ela conhece você bem demais, avô — comentou ele.Magnus ignorou o comentário.— Apenas disse a verdade.Isso confirmou minhas suspeitas.— Sobre o quê? — indaguei.— Sobre você.Meu sorriso desapareceu.— Eu?— Quando questionaram os acontecimentos na Fortaleza da Lua e o testemun
Um dos representantes das antigas famílias Lycans inclinou-se para frente na mesa. Reconheci o brasão Arkcent em suas vestes.— Ninguém questiona que fenômenos incomuns estejam ocorrendo — começou ele, cortês. Mentira; ele questionava tudo. — Mas estamos discutindo a segurança de Lunaris. Não podemos basear nossas decisões em profecias e manifestações que não compreendemos.— Concordo — disse Alaric, surpreendendo o orador.Aquilo o desestruturou por um instante.— Então vamos nos basear nos fatos — continuou o Rei. — Clara foi alvo direto dos responsáveis pelo ritual. Sua presença fortaleceu o terceiro selo. Os Espíritos Guardiões responderam a ela. Aedan reconheceu a sua importância e se ajoelhou perante ela. Esses são fatos testemunhados por representantes de quatro Alcateias, pela Guarda Real e por mim.O homem recuou em seu assento. Por enquanto.Alaric continuou:— Existe ainda outra questão.Vi Lysandra Valen entrar no salão acompanhada por Elara e dois guardas da elite. O salã
POV: Marcus Vance“Um reino raramente começa a ruir no campo de batalha. Primeiro, alguém decide que seus próprios interesses valem mais do que aquilo que mantém todos unidos.”O Salão do Grande Conselho não recebia tantos líderes havia décadas. Observei cada rosto enquanto ocupava meu lugar entre os Conselheiros Reais. Alfas, Lunas. Anciões. Representantes das linhagens mais antigas de Lunaris. Alguns tinham atravessado metade do reino para estar ali. Outros chegaram antes mesmo de Alaric retornar da Fortaleza da Lua.Artur Grey estava duas cadeiras à minha esquerda. Magnus Blackthorn ocupava outro dos lugares reservados aos membros do Grande Conselho Real. O velho lobo mantinha a postura rígida e observava o salão em silêncio, como costumava fazer antes de decidir se alguma discussão merecia sua intervenção. Selene permanecia próxima à área reservada à família real. Darius representava a Alcateia Lua Escarlate, Helena a Alcateia Lua Prateada e Ethan ocupava o lugar destinado ao Alfa
Chegamos às dependências da ala reservada exclusivamente para a comitiva da Alcateia Lua Sombria. Damien encontrava-se posicionado perto do portão de ferro, supervisionando a segurança do esquadrão.— Alfa, na escuta — chamou o Delta, ajeitando a postura militar.— Algum problema de segurança nas linhas, Damien? — perguntou Ethan.— Além do fato de termos representantes armados de quase todas as grandes e orgulhosas famílias Lycans reunidos sob o mesmo teto de palácio? — ironizou o grisalho.— Sim, tirando isso.— Então o relatório indica que está tudo limpo por aqui, chefe.Ethan soltou a minha mão de vagar para pegar os papéis. Senti falta daquele calor imediatamente no meu peito, o que configurava um verdadeiro problema para a minha cabeça. Um grande problema emocional que eu não queria admitir. Damien entregou um relatório confidencial para ele.— O nosso Beta informou via rádio de que o território da Lua Sombria continua estável e seguro, Alfa. As patrulhas foram reforçadas nas d







