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Sob a Lua, Só Restou a Mágoa
Sob a Lua, Só Restou a Mágoa
Penulis: Rosa Carmesim

CAPÍTULO 1

Penulis: Rosa Carmesim
Três anos antes, quando tinha dado à luz o primeiro príncipe, ela também não tinha tido a chance de olhar para o filho. Afonso Alencar o tinha levado pessoalmente, deixando apenas uma frase:

— A partir de hoje, esta criança será reconhecida como filho legítimo da imperatriz. Não pense mais nisso.

Naquela época, Cecília ainda tinha forças para chorar e implorar. Tentou sair da cama e correr atrás deles, mas as criadas do palácio a seguraram com todas as forças.

Depois, ela aprendeu as regras.

Todos os dias, ia cumprimentar a imperatriz apenas para ouvir, atrás de um biombo, os sons indistintos do filho pequeno.

No início, o imperador permitia. Mais tarde, Isadora alegou que o príncipe precisava de repouso, e Cecília nunca mais teve permissão para vê-lo.

Agora, sua segunda filha também tinha sido levada.

Ela permaneceu imóvel na cama de parto suja, como uma carcaça vazia de onde toda a alma tivesse sido arrancada. Nem lágrimas lhe restavam.

Antes mesmo de terminar o resguardo, a governanta-chefe da imperatriz apareceu com a ordem de que ela comparecesse diante de Isadora Montenegro todas as manhãs e noites.

Cecília forçou o corpo ainda debilitado a chegar ao Palácio da Imperatriz.

Isadora brincava com a pequena princesa nos braços. Ao erguer os olhos e ver o rosto pálido de Cecília, curvou os lábios num sorriso.

— A Consorte Cecília chegou? Seu rosto está tão abatido... Por acaso está descontente comigo?

— Eu jamais ousaria.

— Ainda bem.

Isadora entregou a criança à ama de leite e ajeitou lentamente a manga.

— Já que entrou no palácio, precisa entender qual é o seu lugar. O imperador se casou com você por causa da influência do Chanceler Vasconcelos entre os ministros civis. Ele precisava que sua família ajudasse a estabilizar a corte. Quanto a você...

Ela fez uma pausa, e seu sorriso se aprofundou.

— Não passa de uma coisa feita para dar à luz. Sua única utilidade é gerar príncipes e princesas para mim.

Começou a nevar do lado de fora.

Isadora apagou o sorriso de repente.

— Quando entrou, você franziu a testa. Isso foi uma falta de respeito comigo. Vá se ajoelhar no pátio e esfrie a cabeça.

A neve foi formando uma camada sobre as pedras azuladas.

Cecília foi forçada a se ajoelhar no frio. Dali, viu Isadora segurar sua filha, que tinha acabado de completar um mês, e cantarolar baixinho. Seus movimentos eram tão naturais que ela parecia ser a verdadeira mãe da criança.

A dor aguda nos joelhos virou dormência, até que Cecília deixou de senti-los por completo.

Quando sua visão começou a escurecer, ouviu o anúncio estridente de um eunuco:

— Sua Majestade chegou!

A barra amarelo-dourada do manto passou por ela e seguiu direto para o interior do palácio.

— Por que ela está ajoelhada na neve? — Perguntou Afonso.

Isadora respondeu num tom manhoso:

— Eu só estava ensinando algumas regras, e ela já ficou com essa aparência doentia. Vossa Majestade me conhece. Cresci numa família de militares, sou direta e não tenho maldade nem sei fazer intrigas.

A última coisa que Cecília ouviu antes de desmaiar foi a resposta do imperador:

— Está bem. Levem Cecília de volta.

Quando despertou, já era fim de tarde.

Afonso estava sentado à beira da cama. Ao vê-la abrir os olhos, relaxou a expressão.

— Acordou? O médico imperial disse que você ainda está fraca por causa do parto e também passou frio. A imperatriz não fez por mal. Não leve isso a sério.

Cecília apenas o observou.

Aquele homem já tinha sido o herói que cavalgava pelos campos de batalha em seus sonhos de menina. Ela tinha escrito poemas para ele e tinha pintado seu retrato.

Agora, ele estava diante dela, vestido com o manto imperial e dizendo as palavras mais cruéis que ela já tinha ouvido.

— Eu entendo. — Sua voz não tinha qualquer oscilação. — A imperatriz é a esposa que acompanha Vossa Majestade desde o início. É meu dever respeitá-la. Jamais guardaria qualquer ressentimento.

Cada palavra saiu calma e obediente.

Afonso ficou surpreso.

A Cecília de que se lembrava não era assim.

Ela costumava implorar, com lágrimas nos olhos, para ver o filho. Quando ele recusava, mordia os lábios em silêncio, enquanto o brilho de seu olhar se apagava pouco a pouco. Agora, porém, não havia mais nada em seus olhos. Eram como água parada e sem vida.

— Quanto à criança... — Começou ele, procurando algo para dizer. — Ser criada como filha da imperatriz significa que terá uma posição legítima. No futuro...

— É uma bênção para a princesa.

Cecília completou a frase e chegou a curvar levemente os lábios. O sorriso era perfeito, mas frio.

— Sou de posição inferior. Permitir que a imperatriz crie a princesa é uma benevolência de Vossa Majestade e da imperatriz.

Benevolência.

A palavra ficou presa na garganta de Afonso.

A voz de um eunuco veio do lado de fora:

— Majestade, a imperatriz preparou pessoalmente um caldo revigorante. Disse que a neve deixou o tempo frio e pediu que Vossa Majestade fosse se aquecer. O pequeno príncipe também está esperando.

Afonso se levantou e olhou para a mulher na cama.

Cecília já tinha fechado os olhos, como se tivesse voltado a dormir.

Ele chegou à porta, mas se virou.

— Cecília, a imperatriz não pode ter filhos. Sempre vou me sentir em dívida com ela. Você é sensata. Tente ser mais compreensiva.

— Descanse e se recupere. — Uma irritação sem motivo aparente surgiu em sua voz. — Caso engravide de novo, poderá criar a criança ao seu lado.

Cecília não respondeu. Apenas fitou o dossel da cama enquanto os passos se afastavam.

Muito tempo depois, perguntou baixinho a Dália, que permanecia ao lado:

— Já faz três anos que Sua Majestade subiu ao trono, não é?

— Sim, senhora.

— O império está em paz?

— A fronteira norte está estável, e as enchentes no sul já foram controladas. Na corte, o chanceler lidera os ministros civis. Embora haja algumas divergências com a facção militar, a situação geral está estável.

Cecília sorriu devagar.

Era um sorriso tão desolado quanto a última folha seca do inverno.

— Que bom.

E então disse:

— Finalmente posso morrer.

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